O pastor deve aproveitar integralmente suas férias

16 de Janeiro de 2017

Você pode começar a ler este artigo com a ideia de que irei sugerir quantas semanas de férias a sua igreja deveria lhe dar, ou qual o período de férias que você deveria defender que fosse dado ao seu pastor. Em vez disso, pretendo responder a essa pergunta de modo um pouco diferente. Minha preocupação não é sobre quanto tempo de férias deve ser dado a um pastor, mas como ele usa (ou não usa) o período que lhe é dado. Considerando que este é um momento comum onde o tempo de férias é desfrutado, pensei que esta publicação poderia ser oportuna para muitos de vocês.

Este é um momento apropriado para fazer uma pausa para uma confissão. Achei que você deveria saber que eu muitas vezes falho em praticar os meus próprios conselhos. Cheguei à conclusão de que costumo escrever aqui porque tenho falhado ou estou falhando nesses conselhos. Apenas pensei em reconhecer isso no caso de você pensar que escrevo assim porque já faço tudo como deveria. Longe disso. A administração do meu tempo de férias já foi um fracasso evidente em minha vida.

Há alguns anos, fui confrontado amorosamente por um querido amigo e colega pastor por eu não estar aproveitando todo o tempo de férias. Em sua repreensão, ele me explicou as razões pelas quais eu deveria usar todos os dias de férias que a igreja me dá, o que eu nunca tinha feito. Aqui estava o fundamento para o seu argumento cuidadoso, perspicaz e sábio:

1) As férias são para você

O pastor nunca tem uma pausa na rotina regular. Estamos constantemente “à disposição”. O período de férias é aquele tempo em que você consegue respirar longe da agitação, ser revigorado e descansar. Todos nós, pastores, sabemos que não somos bons para o nosso povo quando estamos exaustos, distraídos e desgastados mental e emocionalmente. Usem o tempo e usem-no com sabedoria para alcançar esse objetivo.

2) As férias são para a sua família

Sua família sempre tem que “dividir” você. Talvez tão importante quanto o primeiro ponto, esse período é dado para que a sua família tenha um tempo onde não tenha que compartilhar você com a igreja. Quando você não usa todo o seu tempo que já foi aprovado pela igreja para esse propósito, você priva a sua família de ter você focado em cuidar dela, ter comunhão com ela e desfrutá-la.

3) As férias são para a sua igreja

Como é possível que muitas de nossas igrejas têm de alguma forma existido e funcionado nos últimos 50 a 100 anos sem nós, e ainda assim, nós de repente chegamos e desenvolvemos esse complexo de que nossa igreja agora não pode viver sem nós por uma ou duas semanas? Usar todo o seu tempo de férias dado a você força outros a se esforçarem em sua ausência, mostra-lhes que eles podem fazê-lo sem você por um tempo e lembra ao pastor, sobretudo, que Deus não é completamente dependente dele para que a igreja funcione.

Nós somos dispensáveis e precisamos de constantes alertas de humildade para nos lembrarmos disso.

Como resultado, durante os últimos quatro anos, usei todos os dias de férias que me foram dados pela igreja desde que fui ordenado como pastor. Todos os motivos acima com os quais meu amigo me confrontou se evidenciaram verdadeiros e frutíferos assim, enquanto eu os praticava. O que tenho aprendido ao aproveitar todo o tempo de férias nesses últimos anos... bem, planejo aproveitá-lo totalmente no ano que vem. Estou de férias pelas próximas duas semanas tentando praticar o que prego (...escrevo).

Se você é pastor, faça o que puder para usar todo o seu período de férias neste ano. Ainda resta metade do verão. Se você não é um pastor, faça tudo o que puder para encorajar o seu pastor a aproveitá-lo. Você, a sua igreja e o seu pastor experimentarão múltiplos benefícios por causa disso.

Pr. Josovaldo Lyra
Deus abençoe você e sua família!

O perfeito equilíbrio da verdade de Deus

Recentemente, um amigo visitou uma igreja, onde nos últimos cinco anos, tem acontecido uma obra renovadora do Senhor. Ele descreveu seu fim-de-semana com os membros daquela igreja: “Uma coisa marcante foi isto: sempre que eu passava por um grupo de homens, eles estavam falando acerca das coisas de Deus. Chegou um momento em que eu perguntei qual era o segredo dessa bênção que eles haviam conhecido. Eu tinha para mim mesmo uma resposta, mas queria ouvir o que diriam. Eles deram a resposta correta, ou seja, era uma soberana obra de Deus. Disseram que não fora sempre assim e estavam conscientes de que Deus estava operando no meio deles. Aquilo foi muito encorajador. Não era avivamento, mas, quando imagino o avivamento, essa é uma das coisas que me vem à mente. Foi animador ver o que na realidade estava acontecendo, e aquilo me deu novas esperanças quanto à possibilidade de um avivamento”.

Em cada despertamento existe uma nova fascinação pela Bíblia: “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros” (Ml 3.16). É claro que nos despertamentos, também, os homens acabam se desviando e tornando-se obcecados com detalhes de teologia ou pelas doutrinas que dividem os verdadeiros cristãos. Ainda assim, uma marca de Deus abençoando uma congregação é o desejo de falarem uns aos outros acerca dos diversos, e mesmo aparentemente contraditórios, caminhos de Deus. Gostamos muito de freqüentar igrejas onde as pessoas discutem o ensino da Bíblia demonstrando a mesma prontidão com que outros falam de seus interesses e trabalhos. Compreender a Palavra de Deus é uma de nossas maiores alegrias.

Uma evidência de maturidade é a compreensão experimental daquelas verdades que perecem estar em conflito com outras, mas que na realidade, são como os braços do Pai envolvendo seus filhos. Ambas devem ser cridas na medida que permanecem fundamentadas em seu próprio testemunho bíblico independente. Existe uma vasta gama de tais verdades nas Escrituras; destas, seguem agora cinco exemplos.

A Incapacidade Não Anula a Nossa Responsabilidade

As Escrituras deixam inequivocamente clara a total incapacidade do homem para transformar seu caráter, por suas próprias forças e vontade, tornando-se deste modo semelhante a Cristo. Isso está além da capacidade do homem. “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer”, declarou o Senhor Jesus (Jo 6.44). O ato da verdadeira e simples fé no Senhor é impossível sem o “trazer” e sem a graciosa dádiva do Pai. Jesus novamente nos diz que, a menos que um homem seja nascido de novo, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus (Jo 3.3,5).

Todavia, existem mandamentos com os quais Deus confronta cada ser humano. Por exemplo: “Importa-vos nascer de novo” (Jo 3.7); “Deus… notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30); e “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”. Estes são mandamentos sinceros? Com toda a certeza. Todas as criaturas são responsáveis perante o seu Criador. Será que tais mandamentos não pressupõem uma módica porção de capacidade? Não. Não, desde a queda de nosso pai Adão.

Deus lida com as pessoas de acordo com os padrões de responsabilidade e obrigação, e não de acordo com a medida de capacidade. John Murray afirmou: “Se a obrigação pressupõe capacidade, todos nós temos de ir até o fim da linha e pregar a total capacidade do homem”. Por que, então, os mandamentos nos foram dados? Eles são uma revelação da vontade do Deus Todo Poderoso, e também farão que os homens percebam sua total incapacidade. Um dos resultados de pregarmos a incapacidade do homem é que as pessoas são forçadas a pararem de confiar em si mesmas. Isto as obriga a confiar tão somente na graça de Deus. Não é a convicção da incapacidade que mantém os homens afastados de Cristo; é exatamente o oposto: “Eu não consigo me achegar a Ele, mas preciso me achegar a Ele. Que incapacidade amedrontadora! Que tremenda responsabilidade! Quem me livrará desse dilema? Agradeço a Deus por Cristo Jesus, o Salvador que capacita”.

A Certeza Não Anula a Nossa Necessidade

Tudo o que Deus determinou fazer certamente será realizado: “Desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as cousas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.10). O plano de Deus é imutável, porque Ele é fiel e verdadeiro (Jó 23.13-14). O plano de Deus é incondicional, ou seja, sua execução não depende de qualquer ação humana, mas torna-a uma certeza (At 2.23; Ef 2.8). Além disso, o plano de Deus é totalmente abrangente, envolvendo as boas e más ações dos homens (Ef 2.10; At 2.23), os eventos incertos (Gn 50.20), a duração da vida de um homem (Jó 14.5) e o lugar onde ele viverá (At 17.26). O plano de Deus assegura a salvação de um grande número de pecadores favorecidos.

Entretanto, a certeza de que a vontade secreta de Deus está sendo realizada não anula a necessidade do homem obedecer a tudo que Deus ordenou na Bíblia. Quando o Senhor disse a Paulo que tinha muito povo em Corinto, este não ficou sentado numa cadeira em sua varanda, esperando que os coríntios viessem trazer-lhe os seus cartões de decisão. Durante 18 meses, o apóstolo ensinou a Palavra de Deus a todos que em Corinto o ouviam (At 18.11). Ele o fez rogando que crescem, estendendolhes sua mão, suplicando-lhes que se arrependessem. Paulo chorou por causa deles; orou e pediu que outros orassem em favor deles. O apóstolo os visitou em particular, debateu com seus oponentes publicamente e pediu desculpas se os havia ofendido por meio de palavras severas. Ele procurou viver uma vida semelhante à de Cristo perante eles, para que, em nada, a mensagem fosse maculada através do pecado. Paulo sabia que o povo escolhido de Deus em Corinto certamente haveria de confessar a Cristo, mas esse conhecimento de forma alguma anulou a necessidade de viver uma vida de temor a Deus, permeada por fervor evangelístico.

O Propósito Limitado Não Anula a Pregação Indiscriminada

Existe um povo que Deus, o Pai, presenteou a Deus, o Filho (Jo 17.2, etc.). Esse povo possui títulos como “a igreja”, “o povo de Deus”, “os filhos de Deus” ou as “ovelhas” de Jesus. Constantemente, o Novo Testamento nos informa que a morte de Cristo se concentrou na realização da salvação dessas pessoas: “Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21); “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25); “Jesus estava para morrer pela nação e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos” (Jo 11.51-52); “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.26-28). O Senhor Jesus Cristo cumpriu o propósito de Deus em salvar todos os que são povo dEle.

Entretanto, para cada pessoa no mundo, sem exceção, o cristão pode dizer com sinceridade: “Eu tenho boas-novas para você. Tenho Cristo crucificado para que você creia nEle. Tenho o Salvador que é profeta, sacerdote e rei para você receber e servir”. O cristão precisa convidar seus ouvintes a crer em sua mensagem, exigir que o façam e até exortá-los, em nome de Cristo, a não continuarem na incredulidade. O cristão faz isso para todas as pessoas sem distinção ou discriminação. Anuncia a todos os homens as palavras de Deus: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22). E, ainda: “Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?” (Ez 33.11). O Salvador é apresentado aos homens perdidos como Quem realizou a completa e perfeita redenção, Aquele que sinceramente deseja salvá-los de seus pecados e que não se compraz na morte deles.

A Preservação Não Elimina a Perseverança

Todo verdadeiro cristão experimenta a contínua atividade do Espírito Santo, através da qual a obra da graça divina que começou nele está sendo continuada e será levada à sua plenitude. Essa doutrina é claramente ensinada nas Escrituras (Jo 10.28-29; Rm 11.29; Fp 1.6; 2 Ts 3.3; 2 Tm 1.12; 4.18). Todo o crente é preservado pelo poder de Deus para a salvação (1 Pe 1.5).

Ao mesmo tempo, a Bíblia ensina que cada cristão deve perseverar na sua peregrinação individual. Isso nos protege contra toda idéia ou sugestão de que o cristão está seguro, ou seja, seguro quanto à sua eterna salvação, independentemente da extensão que ele possa cair no pecado e apostatar da fé e da santidade. Enquanto o cristão está sujeito a pecar e, de fato, comete pecados, ele não pode entregar-se ao pecado nem vir a permanecer debaixo do domínio do pecado; ele não pode cometer e tornar-se culpado de certos tipos de infidelidade (por exemplo, o “pecado para a morte”). Portanto, embora seja preservado, o crente não está seguro totalmente, sem levar em conta sua vida subseqüente de pecado e de infidelidade. Ele perseverará em crer em Deus. Isto não significa que ele será salvo à parte de sua perseverança, mas ele continuará labutando rumo a essa finalidade. Sua preservação é inseparável de sua perseverança.

O Amor Não Anula a Lei

O amor cristão é o maior de todos. Ele é “a marca distintiva da vida cristã” (John Blanchard), “o sinal dos discípulos de Cristo” (Matthew Henry), “a principal afeição da alma” (Matthew Henry), “ a rainha de todas as graças cristãs” (Arthur Pink), “o fio prateado que percorre toda a conduta do cristão” (J. C. Ryle). Sem amor, uma igreja não é coisa alguma (1 Co 13). O novo mandamento dado por Cristo ao seu povo é que se amem mutuamente, assim como Ele os amou. Por meio desse sentimento puro e fervoroso, o mundo saberá que somos povo de Deus. O amor é a graça mais semelhante a Deus.

Ainda assim, Paulo disse: “A lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rm 7.12). É claro que tem de ser; ela vem de Deus e demonstra a própria natureza dEle. Paulo declarou: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22). Ele amava a lei, porque ela demonstra as perfeições dAquele que é santo. O cristão está livre da maldição e da condenação da lei, através da obra salvadora realizada por Cristo. Para o crente, a lei não é mais aquela voz aterrorizante, acusando-o e condenando-o. Cristo apagou a chama do Monte Sinai; o crente está liberto do pecado e da lei. Agora, entretanto, ele se tornou escravo de Jesus Cristo, seu grande Libertador, e cumpre a “lei de Cristo” (Gl 6.2). “Se me amais, guardarei os meus mandamentos”, afirmou o Salvador (Jo 14.15). O amor é a motivação íntima do crente; mas a lei de Cristo é sua diretriz. Como alguém já afirmou: “A lei são os olhos do amor. Sem lei, o amor é cego”.

Esses temas gêmeos, o resultado da revelação da soberania de Deus, ensinados tão claramente nas Escrituras, são os elementos que integram a conversa santa e a meditação proveitosa.

Pr. Josovaldo Lyra
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