TEDEÍSMO: O ARGUMENTO DA IMPERFEIÇÃO

"Nas discussões sobre planejamento inteligente, nenhuma objeção é mais repetida do que o argumento baseado na imperfeição, que podemos resumir em curtas palavras: se existe um agente inteligente, que planejou a vida na Terra, então ele seria capaz de criar vida que não tivesse defeito; aliás, ele teria feito isso. Esse argumento parece ter grande apelo popular. Temos aqui, contudo, apenas o reverso do ponto de vista de Diógenes: se algo não se ajusta à nossa ideia de como devem ser as coisas, então isso é uma prova contra o planejamento. O problema mais sério é que o argumento exige perfeição absoluta. É claro que planejadores que têm capacidade de produzir melhores planos não fazem isso sempre. Na indústria de transformação, por exemplo, a "obsolescência inerente" não é rara — um produto é produzido intencionalmente de maneira a não durar tanto tempo quanto poderia, por razões que suplantam o objetivo simples de obter excelência em engenharia. Outro exemplo é de natureza pessoal: não dou a meus filhos os melhores e mais sofisticados brinquedos porque não quero mimá-los e porque desejo que eles aprendam o valor do dinheiro. O argumento baseado na imperfeição ignora a possibilidade de que o planejador possa ter numerosos motivos, e muitas vezes, a excelência em engenharia ocupa um papel secundário. A  maioria das pessoas ao longo da história tem pensado que a vida é planejada, u despeito de doença, morte e outras imperfeições óbvias”

Fonte: “A caixa Preta de Darwin”, de Michael Behe
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