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Drogas…. de quem é a culpa?

Há uma quantidade cada vez mais visível de usuários de drogas no Brasil. Não há um noticiário em que não se destaque um crime cometido por alguém que estava sob o efeito de alguma droga.

Mas de quem é a culpa? É da mãe, do pai, da família, dos amigos ou do próprio usuário?

Na verdade não existem culpados, pois a dependência química é uma doença. Não se pode, simplesmente definir a dependência química como “mal-caratismo” ou um desejo simples e incontrolável de saciar suas próprias vontades. Que vontades são essas? De onde vem? É possível que se controle?

Geralmente a família perde muito tempo procurando culpados e até mesmo para admitir que exista um problema com drogas dentro de sua casa. Perde-se tempo procurando culpados, pois há o estigma que é necessário descobrir de quem é a culpa para que se possa encarar o problema.

Por isto muitas vezes a família acaba “fechando os olhos” para o problema e acaba culpando: “o pai ausente”, “os amigos”, “o vizinho”, o governo, a sociedade e qualquer outro que possa ter influência sobre aquela “frágil pessoa dependente”.

Só se toma ação quando não é possível mais esconder o problema de ninguém e aceitar que não adianta ficar buscando culpados.

Porque não adianta buscar os culpados?

Simplesmente porque a adicção é uma doença.  Obviamente existem fatores e pessoas que podem influenciar e desencadear o desenvolvimento da doença.

O modo mais usado para referir-se àquele que não consegue se desprender do vício é adicto, que vem do latim ADDICTUS. Pode-se traduzir para esse contexto como “escravo”. Ser um adicto significa ser escravo de algo, não conseguir se desligar de certa situação ou substância.

A adicção é uma doença comportamental e se não for tratada ela se torna uma doença fatal e progressiva, principalmente quando falamos de dependência química.

Por ser uma doença que afeta o comportamento, muitas vezes os traços da adicção já começam a aparecer desde a infância, quando já se pode notar a baixa autoestima, a manipulação, a tendência a mentiras (que a criança aprende até dentro do próprio lar), a baixa produção de dopamina levando a criança a buscar o prazer em algo e logo em seguida desprezá-lo, por exemplo: quer muito um brinquedo e assim que ganha perde imediatamente o interesse.

Se percebida a tempo, a doença pode ser tratada e evitar que o adicto caia realmente na escravidão das drogas. Entretanto as famílias dificilmente conseguem agir a tempo de evitar.

Normalmente a família, que é co-dependente, alimenta o “luto” todos os dias, sente pena de si mesma, se vitimiza e não quer enxergar que a vida continua, quer o seu familiar use drogas ou não.

Este luto, é o luto do mito de que o seu filho não é aquilo que você sonhava, não é um troféu, apesar de você tê-lo criado para ser o melhor. O Co-dependente precisa elaborar o luto e suas perdas para poder mudar seus comportamentos, eliminar mecanismos de defesa e ter consciência que não é atacar o dependente químico mas sim enfrentar com força, e coragem o seu problema.

Tanto se fala na co-dependência, o que é isto?

A co-dependência ocorre quando uma pessoa “toma conta” de um indivíduo usuário e dependente de uma substância psicoativa, criando um vínculo que “asfixia” e que gera um esforço imenso fadado ao insucesso. É a doença da família do dependente, que se preocupa excessivamente com a doença do outro e acaba adoecendo junto com o mesmo, sofrendo e estressando-se.

O co-dependente tem grande necessidade de viver em função das emoções alheias, isto é, sente-se compelido, quase forçado, a ajudar aquela pessoa a resolver seu problema, como um escravo emocional.

Geralmente tem baixa auto-estima, tende a negar que sua família seja problemática, reprimida ou anormal e acaba agravando assim a dependência.

Por isto muitos co-dependentes toleram abusos para que as pessoas continuem a amá-los, tentam provar que são bons o suficiente para serem amados, têm muito medo de ser rejeitados. É uma obsessão, o co-dependente sente-se terrivelmente ansioso quando a problemas e pessoas, vive em função dos outros.

Percebe porque é tão importante que a família busque ajuda profissional para si própria ao mesmo tempo em que submete o seu familiar dependente químico a algum tratamento?

A co-dependência tem recuperação, o processo é longo, doloroso e requer necessidade de mudança, valores, princípios, tempo, atitudes. É necessário estar disposto a mudar, participar e procurar profissional!

Texto elaborado com a contribuição de Robson Soares e 
outros Profissionais da Área Terapêutica
Clínica Grand House
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