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Hoje é sexta feira meus amigos ..... iabadabaduuuuuuuuuuuu....
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2015-10-23
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muito obrigado por me aceitarem no grupo

ALEGAÇÕES FINAIS EM VERSO, DE MINHA AUTORIA, EM CRIME DE ESTUPRO, QUE FIZ ANTES DO ADVENTO DA LEI 12.015/2009 NOS AUTO DO PROCESSO DE Nº 200300209821, QUE TRAMITOU PELA 2ª VARA DA COMARCA DE URUAÇU/GO
 
Ao final para que justiça de faça,
Suplica a V. Excelência o acusado,
Que não transforme sua vida em desgraça,
Que não se transforme um velho em tarado;
 
A vítima que por causa de sua cegueira,
Se vem mostrando mulher inocente,
Não passa de mulher regateira,
Que não soube assumir o que sente;
 
Violência alguma restou provada,
O hímen é certo, restou deflorado,
E a cega antes virgem, agora desesperada,
Faz vítima sim, um velho coitado;
 
Seu Pedro Caolho, que mal se levanta,
Por certo anda fraco e não dá mais no coro,
A própria que se diz vítima calou a garganta,
Por certo é o motivo que não se ouviu choro;
 
É o que consta nos autos, arguto Juiz,
No mundo não existe o que ali não está,
No corpo da vítima sequer se achou cicatriz,
E a própria confunde rede com cama ou sofá;
 
O verso que em prosa podia constar,
Só tem pretensão de mostrar a certeza,
Não ofende o processo já que esta a falar,
A verdade do caso na língua portuguesa;
 
E por se usar a certeza no verso,
A uma somente se pode chegar :
A de que o acusado jamais foi perverso,
É fato concreto que não se pode condenar;
Ao final termina sua melancolia,
No caso se acolha a tese inicial,
Fundamentando seu pedido na ausência de autoria,
Aquela a que se reporta o 386, IV, do Código de Processo Penal;
 
Assim não entendendo, vai no mesmo desiderato,
No caso de V. Excelência acolher a tese final,
Não havendo prova de existência do fato,
Que se absolva com base no 386, II, do Código de Processo Penal;
 
O fato que se alega não estar em evidência,
Não é propriamente a possível conjunção carnal,
É a elementar da ameaça ou violência,
Aquela do artigo 213 do Código Penal;
 
Ainda suplicando seja inocentado,
Acaso aja dúvida perdida ao léu,
Que se lembre da figura do velho coitado
E que se aplique o princípio do in dúbio pró réu;
 
Nestes Termos que Alega ao Final,
Comparando a maior com a menor da premissa,
Requer conclusão que não seja fatal,
Requer se aplique a este caso a JUSTIÇA !!!
 
 
Uruaçu, 24 de abril de 2003.
 
Marcus Octavio de Melo Miranda
   . Advogado OAB/GO 17.936 .
 
 
 
Observação: os versos acima, de nossa autoria, constaram na parte final das alegações finais por nós redigida nos autos (22/03) da ação penal de nº 200300209821, que tramitou em desfavor de um Senhor que aqui chamaremos de ASTOLFO (à época com quase setenta anos de idade) pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Uruaçu/GO

HABEAS PINHO DE RONALDO CUNHA LIMA
 
O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revolver nem pistola,
É simplesmente, Doutor, um violão;
 
Um violão, Doutor, que na verdade,
Não matou nem feriu um cidadão
Feriu sim, a sensibilidade,
De quem o ouviu vibrar na solidão;
 
O violão é sempre ternura
Instrumento de amor e de saudade
Ao crime ele nunca se mistura,
Inexiste entre eles afinidade;
 
O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida,
Que cantam as mágoas e que povoam a vida,
Sufocando suas próprias dores;
 
O violão é musica e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração;
 
Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua,
Ele nasceu para cantar na rua,
E não para ser arquivo de cartório;
 
Mande soltá-lo pelo amor da noite,
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite,
De suas cordas leves e sonoras;
 
Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito,
É crime, porventura, o infeliz,
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?
 
 
 
Será crime, e, afinal, será pecado?
Será delito de tão vis horrores?
Perambular na rua um desgraçado,
Derramando ali as suas dores?
 
É o apelo que lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento,
Juntando esta petição aos autos nós pedimos,
E pedimos, também, deferimento.
 
Ronaldo Cunha Lima, advogado.
 
 
O Juiz, Arthur Moura, sem perder o ponto, no mesmo tom prolatou a seguinte Sentença:
 
Para que eu não carregue remorso no coração,
Determino que seja entregue ao seu dono,
Desde logo, o Malfadado violão;
 
Recebo a petição escrita em verso,
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no cartório, um violão;
 
Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo em sombra imerso,
É desumana e vil destruição,
De tudo o que há de belo no universo;
 
Que seja sol, ainda que a desoras,
E volte à rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras;
 
Se grato for acaso, ao que lhe fiz,
Noite de lua, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz;
 
 
 
 
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