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Ela sorria com os olhos. E quando sorria com a boca, tudo em volta parava. Eu sentia como se aquele sorriso me beijasse a alma. Eu me lembro da sensação de frio na barriga toda vez que eu chegava em frente à casa dela, e de me olhar no espelho do retrovisor pra checar se tava tudo ok comigo. E aí quando finalmente eu entrava, dava um beijo tímido no rosto, e o abraço… O abraço que poderia me manter ali facilmente por longas horas.
Eu gostava de a olhar fazer tudo, pelo prazer de achar lindo qualquer ato cotidiano vindo dela, e por ver sua pele ruborizar quando notava meu olhar direcionado a ela. Era sempre o mesmo ritual: ela notava, sorria sem graça, baixava a cabeça e a balançava negativamente. Nesse ponto, ela já estava vermelha, e eu sorria. Sorria feito criança com brinquedo novo. Sorria sem conseguir me desfazer daquele sorriso.
eu gostava de tentar notar cada detalhe nela. Quando ela colocava os óculos, e ficava com aquele ar intelectual, eu sentia vontade de nunca mais parar de beijá-la. Quando ela não conseguia deixar seu cabelo quieto, e o colocava por cima do ombro esquerdo. Quando ela bebia água a cada meia hora… E me oferecia todas as vezes. Quando deixava seu pescoço à mostra, e eu ia lá e beijava um monte de vezes, até ela olhar pra mim e rir. Quando ela me beijava de olho aberto, e eu me fingia ofendida, pra gente rir depois…
Eu dizia o quanto ela era bonita sempre que tinha oportunidade. Sempre que a olhava. E por algumas vezes, muito a contragosto dela, dizia também pras pessoas ao nosso redor. Porque eu queria que o mundo todo a visse com os meus olhos. Com o vislumbre que eu tinha por ela.
Eu me lembro do dia que ela cozinhou pra mim… Foi um dos dias mais bonitos que a gente teve. Ela estava toda preocupada se o ponto da carne estava bom, e se a quantidade de sal e tempero era a certa.
Quando eu fiquei doente, nós estávamos brigadas. Ela me pediu pra ficar com ela, me deu massagem no peito, e só dormiu depois que dormi.
Eu soube das suas histórias do passado. Eu ri com elas, senti ciúmes de outras. Desejei ter estado lá em boa parte delas.
Eu soube dos seus desejos pro futuro. Eu quis estar ao lado dela pra ver todos aqueles sonhos se realizando. Eu quis assaltar bancos, viajar pra longe, fugir com ela.
Meu corpo ainda está marcado da última vez que nos amamos. E toda vez que tiro a roupa, me encho de lembranças. Da respiração, do cheiro, do gosto, da voz, de sua expressão facial. Da forma como me apertou nessa última vez, e como ficou deitada em meu peito, enquanto fumávamos aquele cigarro. Foi cena de filme. Parecia que sabíamos que seria a última vez.
Eu queria ter sido pra ela um terço do que ela foi pra mim.
Mas não é assim.
O meu amor, a minha paixão, o meu seja-lá-o-que-isso-for não foi forte o bastante pra fazer durar. Não foi maior que a dor, que o medo, que o amor que ela tinha por outra pessoa.
Ela se assustou por gostar de mim. Quis se afastar por sentir demais. Mas essa é a vida.
Amar quem não tá preparado pro nosso amor.”
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