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Apenas leiam se vc não tiverem ocupados

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https://www.youtube.com/watch?v=tsNFt6okIxs

28 DE DEZEMBRO DE 1 813: NASCIMENTO DO VISCONDE DE MAUÁ, E O BÊ-Á-BÁ DOS ISMOS... 

Olá, internautas!... 

Vão todos bem? Trabalhando muito? Todos nós, não é? Dessa vez, queria me dirigir a vocês para lembrar o nascimento do Visconde de Mauá, que se celebra no próximo 28 de dezembro, e aproveitar para dissertar sobre os "ismos".  Desde 2 013, com as grandes manifestações de massa, com os protestos contra a Copa do Mundo, e com a campanha eleitoral mais ácida dos últimos 25 anos, os "ismos" se incorporaram ao vocabulário nacional. 

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio Século XXI (Editora Nova Fronteira), à sua página 1141, "ismo", entre outros sentidos, significa doutrina, teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. 

Contudo, arte, filosofia e religião terão que ficar p'ra próxima, uma vez que o tema em pauta é política. Só no terreno político existem dezenas de "ismos" de todos os tipos. Procurei me concentrar nas doutrinas mais importantes, e que se encontram representadas aqui mesmo no Google+. Preferi não mencionar os fundadores das comunidades nominalmente, para evitar desgastes desnecessários. Outro ponto importante que se deve ressaltar é quanto ao mito de que o historiador, graduado ou graduando, é sempre isento, como se fosse um observador distante, indiferente ao mundo que o cerca. Não é bem assim. O historiador tem posição - e, respeitando-se a ética e o rigor acadêmico, não há nada de errado nisso. Assim mesmo,  tentei descrever o conteúdo teórico desses movimentos políticos da forma mais neutra possível. 

Comecemos pelo anarquismo. Se forem procurar no nosso site, o Google+, irão encontrar essa comunidade. Tem 1057 membros - uma comunidade bastante numerosa. Como o texto de apresentação deles é pequeno, fica difícil a compreensão das suas ideias às pessoas não familiarizadas com o movimento. 

Segundo o Dicionário de Ciências Sociais (2ª edição) do Instituto de Documentação da Fundação Getúlio Vargas, à sua página 48, o anarquismo afirma que a autoridade política, sob qualquer aspecto, é desnecessária e indesejável. Embora a ênfase central da teoria repouse assim na hostilidade ao Estado, a ela se aliam frequentemente atitudes que repudiam não só a autoridade política, mas também a organização social. O anarquismo destaca as possibilidades de cooperação voluntária e ajuda mútua na vida do homem e ataca a cooperação conseguida pela força ou pela ameaça de coação externa. O texto acrescenta ainda que o anarquismo está unido no repúdio básico ao Estado. 

Os anarquistas pregam que os meios de produção devem ser administrados pelos trabalhadores e que, suprimindo-se a classe dos proprietários, o Estado também chegará ao fim, implantando-se uma forma superior de democracia. Para o anarquismo, as grandes armas da classe operária na luta contra os patrões e o Estado são a conscientização e as greves que terminarão por derrubar o sistema capitalista. Os anarquistas aceitam no máximo os sindicatos, mas rejeitam partidos, pois, segundo eles, poderiam surgir elites dirigentes burocratizadas, que tenderiam a se separar das massas (conforme "História do Brasil", Raymundo Carlos Bandeira Campos, Atual Editora, página 169). 

Ou seja: vocês nunca poderão votar num partido anarquista. Anarquistas não aceitam partidos.

Os anarquistas não nutrem simpatias pelo Estado oficial, e não escondem de ninguém esse desapreço. Em parte, isso explica os problemas que eles sempre tiveram com os poderes constituídos, como o governo, a polícia, etc. 

O comunismo tem um importante ponto em comum com o anarquismo, que é a defesa do proletariado. Porém, os comunistas defendem a necessidade de organizações partidárias. Assim como os anarquistas, eles têm um longo histórico de atritos com os poderes estabelecidos. O Partido Comunista do Brasil, fundado em 1922, já no ano seguinte, em 1 923, era invadido pela polícia, e, em 1924, decretado ilegal. A comunidade comunismo-socialismo do Google+ tem 157 membros - razoavelmente numerosa também. 

Novamente usando o Dicionário de Ciências Sociais como fonte, e definindo de modo resumido, comunismo é a teoria que defende o uso comum da propriedade, um sistema social sem classes e completa igualdade de todos os membros da sociedade. 

Na prática, comunismo e socialismo podem ser tratados como sinônimos. A única diferença entre ambos os termos se refere a questões de base teóricas dos próprios comunistas. Para eles, a sociedade comunista seria uma sociedade ideal, ainda a ser alcançada no futuro, conforme preconizado pelos seus princípios teóricos. Enquanto não se chega lá, o socialismo seria um estágio preliminar. É por isso que vemos partidos com o nome de "Partido Comunista"; mas, quando se trata de Estados, é o termo "socialista" que vem no nome do país: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, República Socialista do Vietnã, etc. 

Devemos destacar ainda que, quando se fala em uso comum da propriedade, isso não se refere à propriedade de objetos pessoais, como roupas, calçados, livros, eletrodomésticos, mobiliário, etc.; ou outros bens de uso particular. "Propriedade comum" é a socialização dos bens de produção, ou seja, dos bens que possibilitam a produção de riqueza econômica. Em 1 959, quando tomaram o poder em Cuba, os comunistas puseram essa teoria em prática confiscando muitos bens de produção privados: terras, minas, prédios, fábricas, usinas de açúcar, refinarias de petróleo, etc. 

Os comunistas têm ainda uma "Bíblia", uma obra que serviu de suporte teórico ao movimento: "O Manifesto Comunista", de Karl Marx, publicado em 1 848. Daí o termo "marxista", também usado numa referência a eles (embora, nesse caso, seja mais comum o seu uso para se referir ao estudioso da doutrina). Suprema ironia, Marx nasceu na Alemanha, país que se mostraria grande inimigo do comunismo.

Nascido no século XIX, o comunismo se desdobrou em diversas ramificações, que são formas locais de comunismo, geralmente batizadas em homenagem a algum elemento cultural muito importante para a sociedade local: um partido, um líder político, um personagem histórico, etc. Assim, tivemos o bolchevismo na Rússia, lembrando o partido bolchevique; o castrismo, em Cuba, remetendo aos irmãos Castro; e, mais recentemente, o bolivarianismo, na Venezuela, em homenagem a Simón Bolívar, herói da guerra de independência da América Espanhola. 

No Brasil os partidários de Marx e as autoridades públicas sempre se combateram reciprocamente. A propaganda oficial demonizava os comunistas; a propaganda comunista demonizava o governo. E não se ficou no nível da retórica. Em quase todo o século XX, não faltaram enfrentamentos entre o Partido Comunista e os diversos governos, civis ou militares, eleitos ou não. 

Em 1 935, em um desses muitos enfrentamentos, o presidente Getúlio Vargas decretou a ilegalidade da Aliança Nacional Libertadora, formada por comunistas e socialistas; as sedes do movimento passaram a ser fechadas pela polícia no país inteiro. Em 1947, foi a vez da Câmara Federal votar pelo fechamento do Partido Comunista. 

Contudo, a tensão permanente entre extremistas de esquerda e de direita, há tempos em crescimento, atingiria seu auge anos depois, culminando num abrupto desfecho: o golpe militar de 1 964. 

O golpe de 1 964 levou ao poder o governo mais anticomunista da História do Brasil. Um dos seus objetivos, proclamado abertamente, era o combate à "subversão comunista". Não demorou para que a tensão política degenerasse em uma verdadeira guerra interna, com atos de terrorismo de ambos os lados. 

O momento decisivo da luta armada entre comunistas e militares foi entre 1 967 e 1 974, no rio Araguaia, Região Norte do país, onde o Partido Comunista tentava implantar um foco de guerrilha. Naquele momento se decidia se o Brasil seria capitalista ou comunista.

A wikipedia tem um excelente artigo sobre a guerrilha do Araguaia, cuja leitura recomendo a quem tiver tempo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerrilha_do_Araguaia). Lá, vê-se como os guerrilheiros tentaram se integrar à comunidade local, e a repressão que veio depois. 

Quando soube do novo foco de guerrilha, a ditadura militar enviou 5 mil soldados ao Araguaia - uma força maciça, para os 80 guerrilheiros que se encontravam na região. Com armamento ruim e insuficiente, e em total inferioridade numérica, os guerrilheiros comunistas foram esmagados pelas tropas militares. O foco foi destruído antes que tivesse tempo de conquistar o apoio da população - a única arma que teria lhes dado alguma chance. 

Agora, um tema desse período que é muito sensível para os historiadores e para o público: a tortura. Todos sabem que vezes sem conta os esconderijos dos comunistas foram descobertos em interrogatórios sob tortura, e tudo indica que o Araguaia não foi exceção. No Araguaia, vários deles foram torturados mesmo após a captura, muito embora, uma vez capturados, fossem presos custodiados pelo Estado. 

Antes e depois desse episódio, tentou-se justificar a tortura em nome da segurança nacional. Os comunistas eram terroristas - urgia derrotá-los a todo custo, portanto. Dessa forma, estaria-se cumprindo a obrigação de proteger a sociedade (ou proteger a burguesia, como afirmavam os comunistas). Esse argumento é falho na sua base: para cumprir uma responsabilidade, o Estado violou outra, ao infligir maus tratos a prisioneiros que se encontravam sob sua custódia. 

Prefiro não desenvolver mais o assunto tortura, uma vez que não é esse o tema do artigo. Isso nada tem a ver com convicções políticas. Entendo que só um doente pode prazerosamente torturar alguém, ainda mais com eletrochoque, a forma mais desumana de suplício. Isso tem a ver com distúrbios morais e mentais, e psiquiatria não é uma área que eu domino. 

O que cabe discutir aqui são os desdobramentos que a tortura teve. Em grande parte, ela contribuiu decisivamente para os resultados da nossa guerra interna, resultados que foram diferentes, de parte a parte. Os militares venceram a guerra convencional, pois, descobrindo os esconderijos subversivos, a guerrilha foi derrotada em campo; já os comunistas venceram a guerra de propaganda, uma vez que a imagem dos militares ficou arruinada, talvez em definitivo. 

Não, não sou comunista. Nem concordo com todas as proposições deles. Os comunistas que assumam o que eles defendem. Só me responsabilizo pelo que eu defendo. Entretanto, a rejeição a essa abominação que é a tortura tem a ver com valores éticos, e não com orientação política ou conteúdo doutrinário. Aliás, os próprios comunistas brasileiros têm falhado gravemente nesse terreno. 

Há muitos anos, os partidos comunistas-socialistas, capitaneados pelo PT de Dilma Rousseff (que esteve presa na ditadura) têm adotado uma posição patologicamente egoísta: com uma mão, dirigem a comissão nacional da verdade, com o intuito de esclarecer os crimes do período militar; com a outra, não somente insistem na impunidade dos criminosos menores de 18 anos, como fazem de tudo para barrar toda e qualquer proposta de redução da maioridade. 

Ora, há uma contradição entre a proteção da delinquência e o papel de defensores dos direitos humanos que esses partidos querem assumir. É indiscutível que os militares cometeram crimes terríveis. Que eles prejudicaram muito o país, e até mesmo suas próprias instituições, é igualmente inegável. Todavia, comunistas e socialistas querem justiça apenas para si mesmos, não para as famílias que perdem parentes para a delinquência todos os dias. 

Ainda me lembro de um caso que me ficou na memória: em 2 013, num assalto a um consultório em São Bernardo do Campo, São Paulo, um pivete ("adolescente", no linguajar politicamente correto), inconformado por a vítima só ter 30 reais, regou-a com álcool e a incendiou. A mulher foi queimada viva porque só tinha 30 reais. 

Essa é a diferença que me separa deles: eu abomino toda e qualquer tortura, seja o torturador fardado ou não. Comunistas e socialistas só condenam as torturas que eles mesmos sofreram. Quando os torturados são os outros, aí paciência, a vida é assim. 

É claro que para explicar essa posição não é preciso garimpar em bibliotecas, nem ficar folheando livros grossos como tijolos. A explicação para o fato pode ser encontrada na sabedoria popular: é o conhecido "farinha pouca, meu pirão primeiro". 

Ora, mas não é justamente o egoísmo o que eles mais criticam no capitalismo? 

Outro detalhe muito importante... Desde 1 990, com o tal estatuto da criança e do adolescente, o total de brasileiros executados por menores assassinos supera, de longe, os mortos da ditadura militar. Está faltando da parte desses partidos uma posição não-egoísta de repugnância à tortura, quer as vítimas sejam ou não seus companheiros. Para que nunca mais aconteça. 

Outro ponto de divergência que tenho com eles diz respeito à questão capital-trabalho, que o comunismo vê como elementos necessariamente opostos. Eu considero que essa oposição pode ocorrer em alguns casos, mas nem sempre. Respaldo completamente o apoio ao trabalhador. Os trabalhadores têm sim que ser apoiados e reconhecidos. A força de uma nação vem dos seus trabalhadores; devemos tudo a eles. Porém, os comunistas não rejeitam apenas o empresário corrupto ou desonesto. Rejeitam o empresário como personagem social. 

Eu anexei à postagem um filme sobre o Visconde de Mauá, uma figura histórica que admiro, e o melhor empresário que o país conheceu: muito patriota, muito nacionalista... e honesto. Outro detalhe, que deveria servir de exemplo a muitos empresários da nossa época: Mauá não vivia às custas do governo. Ele trabalhava. 

Há provas de que Mauá era contra o tráfico negreiro, por ele chamado de "ilícito comércio" (Almanaque Abril 1 991, página 101). A obra já citada "História do Brasil", de Raymundo Carlos Bandeira Campos (Atual Editora), traz à sua página 119 uma breve descrição das realizações de Mauá: 

"(...) Irineu Evangelista de Sousa era de origem humilde. Nascido no Rio Grande do Sul, mudou-se muito cedo para o Rio de Janeiro. Quando jovem, foi caixeiro da companhia inglesa Carruthers, dedicada à importação, dela tornando-se sócio algum tempo depois. Na década de 1 840, começou a fundar suas próprias empresas. Em 1 846, criou o Estaleiro da Ponta da Areia, em Niterói, ali produzindo navios, canhões, velas e tubos de ferro. Ajudou a organizar o segundo Banco do Brasil (o primeiro havia falido em 1829) e fundou o Banco Mauá, que possuía filiais em Buenos Aires, Montevidéu, Londres e Nova York. As suas companhias de navegação na Amazônia e Rio Grande do Sul foram tidas como modelares. Instalou iluminação a gás no Rio de Janeiro e em Montevidéu. Em 1854, inaugurou a primeira estrada de ferro do Brasil, ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis, além de investir, como sócio, em outras ferrovias: Pernambuco-São Francisco, Santos-Jundiaí, Paraná-Mato Grosso". 

Mauá, um brasileiro. 

O texto acrescenta que, não obstante todas essas realizações, Mauá terminou falindo. Ele não morreu na pobreza, pois conseguiu se recuperar mais tarde. No entanto, o próprio filme, em que o ator Paulo Betti faz uma brilhante interpretação, mostra que Irineu Evangelista de Sousa sofreu grandes injustiças e perseguições. 

O homem tinha talento para o comércio e os negócios. Era crime ser rico? Tivesse ele conseguido manter seus empreendimentos, tivesse seu exemplo sido seguido por outros, que país poderíamos ter hoje? Quero lembrar que França e Alemanha se industrializaram nessa mesma época. 

O empresário patriota dinamiza o país. O empresário vendilhão o rapina. Discordo da abordagem comunista de rejeitar o empresariado como classe. O empreendedor honesto tem muito a acrescentar à sociedade. O desonesto, esse não tem lugar no comunismo, nem no capitalismo: o lugar dele é na cadeia. Convém ressaltar que a inflação e a corrupção são as maiores causas da nossa desigualdade interna. 

Por mais ético que ele se mostrasse, os comunistas não teriam apreço por um empresário, em função das bases teóricas do marxismo, que fazem a oposição capital-trabalho (e certamente que nenhum deles admira Mauá). Em parte, isso se explica pelo período autoritário, em que o regime militar foi abertamente apoiado pelo empresariado. Outra consequência dos "anos de chumbo" foi a depreciação do civismo na nossa sociedade. Anarquistas, comunistas e socialistas são alérgicos a elementos cívicos, como o Hino Nacional, o Hino à Bandeira, a antiga Educação Moral e Cívica, pois aprenderam a associá-los à ditadura militar. No 7 de Setembro de 2013, o desfile da Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro, foi invadido por extremistas mascarados (não sei se eram filiados ao Partido Comunista), insatisfeitos com a cerimônia cívica que lá se realizava. Vários deles foram detidos, merecidamente. Se não gostavam do evento, não deveriam ter ido. 

As pessoas que queriam assistir ao desfile não tinham esse direito? Onde está o "espírito democrático" que essa gente alega ter? 

Confesso que eu gosto bastante dessa cultura cívica, como cabe a um bom nativista; e até pretendo dar minha contribuição para difundir o civismo no nosso povo. Esse foi um dos estragos deixados pela ditadura. Levará décadas para essa lembrança passar da memória da nação. Se passar, bem entendido. 

Tudo no comunismo foi ruim? Não houve nada de bom? Eles tiveram o mérito de denunciar o colonialismo americano. Concordo, nesse ponto; mas discordo da abordagem que tiveram. 

Meu entendimento é que o Brasil é dos brasileiros, e aos brasileiros deve pertencer. Substituir os EUA pela Rússia só levaria a uma troca de senhorio. Note-se que essa substituição já foi feita antes, e sempre com péssimos resultados. Em 1 580, com a União Ibérica, nos tornamos colônia da Espanha, sem que isso em nada afrouxasse o garrote colonial que nos sufocava. Em 1 823, mal libertos de Portugal, fomos premiados com a Doutrina Monroe, com a qual os EUA colocavam direitinho a América Latina, Brasil no meio, sob a sua dominação; e o que conseguimos com isso foram 200 anos de imperialismo americano. 

Três coisas que eu aprendi com os estudos históricos. Uma, que ditadura é sempre uma droga, seja a ditadura do proletariado, seja da burguesia. Outra, que trocar um colonialismo por outro é tolice. Outra ainda é que não existem colonizadores melhores. Todo colonizador é ruim, não importa quem seja. Os russos podiam até nos prometer o paraíso revolucionário, mas já ouvimos essa promessa antes. Foi quando os descobridores aportaram nas nossas praias. Não traziam a foice e o martelo, mas a espada e a cruz; e nos prometiam o paraíso. Contudo, os fatos que vieram depois não corresponderam às expectativas. 

Fosse na Rússia czarista, na União Soviética, ou na Rússia pós-comunista de Vladimir Putin, em todo lugar onde chegaram os russos sempre foram uns tiranos. Respaldo a denúncia que os comunistas fazem dos americanos; porém, no que se refere aos russos, não tenho a menor ingenuidade quanto aos métodos ou às intenções deles. 

Aliás, um país tantas vezes colonizado já deveria estar vacinado contra isso. Será que nunca seremos donos do nosso próprio destino? Fomos colonizados por tanto tempo que não sabemos viver de outra forma? 

E já que o assunto é colonialismo, vamos à sua pior modalidade: o turismo sexual. O turismo sexual feito por americanos e europeus no Brasil é a forma mais humilhante de colonialismo, mais ainda que o saque das nossas riquezas. A cada carnaval e réveillon os ocidentais se atiram sobre o nosso país tropical como vespas, ávidos de sexo com mulheres negras, mulatas e morenas (nem preciso dizer a minha contrariedade com essa situação). 

Nesse ponto, eu gostaria de esclarecer a natureza das minhas objeções.

Os religiosos se opõem à prostituição por questões morais. Já as feministas veem o fenômeno como uma submissão da mulher à satisfação masculina - é a tal da "mulher-objeto". Assim mesmo, elas não chamam de prostituição quando uma maria interesseira engravida de um cantor de pagode ou de um jogador de futebol. Nesse caso, para elas, está tudo bem. Observe-se que o feminismo exige a igualdade de direitos, não de deveres. As feministas não defendem que a mulher conquiste, sozinha, a riqueza e o status que deseja, sem o facilitismo da prostituição conjugal. As feministas consideram as mulheres incapazes p'ra isso? O feminismo desautoriza a si mesmo? É possível. 

Minhas objeções são de outro tipo. Entendo até que a prostituição deveria ser regulamentada como atividade, o que aliás corresponde a insistentes apelos das próprias prostitutas. Nem mesmo vejo qualquer mal no turismo feito com vista ao sexo. Não creio que seja algo que um cara comprometido devesse fazer, mas essa parte os gringos resolvem em casa, com a doce metade. 

Mas os americanos têm as praias da Flórida, os portugueses têm as praias do Algarve, os espanhóis têm Ibiza, etc. Lá não falta mar, sol e mulher bonita. Então por que inferno eles têm que vir p'ra cá?! Gostam de fazer programa? Que façam na sua própria terra. 

Nem moralismo, nem feminismo, nem uma coisa, nem outra. Minha irritação com o turismo sexual tem a ver com nacionalismo, e nada mais. Não tenho nada contra a prostituição. Mas que fique claro: eles lá e nós cá. Cada macaco no seu galho. 

Quero aproveitar para pegar emprestada a música "Caminhando", de Geraldo Vandré, composta em 1968, e que se tornou uma espécie de hino dos comunistas, lembrando o trecho "Somos todos soldados, armados ou não...". Armado ou não, seja você também um soldado: expulse os produtos ocidentais da sua casa. 

Então, os gringos vêm aqui ter prazer com as mulheres brasileiras, e nós ainda temos que pagar?! 

Fascismo. Não posso deixar de mencioná-lo, dado o seu peso político. Encontrei duas comunidades desse tipo no Google+, das quais apenas uma é assumidamente fascista. Trata-se da comunidade Frente Integralista Brasileira, inspirada no antigo integralismo fundado na década de 1 930 pelo escritor Plínio Salgado. Tem um único membro, o seu próprio fundador. 

A outra, de nome Resistência Anti-Socialismo, possui considerável peso numérico: tem 578 membros. Não se declara fascista, abertamente, embora tenha traços de fascismo. 

A mesma obra já citada de Raymundo Carlos Bandeira Campos descreve o fascismo na sua página 174: 

"O fascismo (...) caracterizou-se por ser um regime fortemente autoritário, centralizador, baseado num partido único, com o poder enfeixado nas mãos de um grande chefe. O parlamento, quando existe, apresenta-se totalmente subordinado à vontade do executivo, o mesmo acontecendo com o poder judiciário. Sindicatos e meios de comunicação são rigidamente controlados". 

E, mais adiante, completa: 

"O fascismo variou de país para país, mas apresentou graus máximos de desenvolvimento na Itália, Alemanha e Japão". 

O fascismo teve sua origem na década de 1 920. As devastações deixadas pela Primeira Guerra Mundial, terminada em 1 918, causaram uma grave crise econômica, com muitos países à beira do colapso. Ao mesmo tempo, a vitória da revolução bolchevique, na Rússia, constituía um "péssimo exemplo" para o operariado dos diversos países. Ou seja, o fascismo nasceu justamente como reação ao que eles viam como expansionismo comunista; e recebeu nomes locais conforme o país. O integralismo no Brasil e o nazismo na Alemanha foram formas de fascismo. 

A principal noção a reter é o caráter anticomunista do fascismo. Fascistas e comunistas são inimigos mortais. Não somente não faltaram confrontos físicos entre ativistas de ambos os lados, como houve também confrontos bélicos entre governos fascistas e comunistas, em diversas partes do mundo. 

No Brasil dos anos 30 eram comuns os distúrbios de rua entre integralistas e socialistas. Na Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola (1 936-39), italianos e alemães enviaram tropas militares para lutar contra os comunistas daquele país, que por sua vez receberam armas da União Soviética e o reforço de comunistas voluntários de várias partes do mundo. A guerra terminou com um milhão de mortos. 

No livro "Minha Luta", a Bíblia do nazismo, Hitler definia o marxismo como uma forma degenerada de organização política, e chamava os comunistas de "a pior espécie de gente". 

Evidentemente que essa desafeição só podia colocar fascismo e comunismo em lados opostos quando a Segunda Guerra Mundial começou. Em 1 941, quando os nazistas invadiram a União Soviética com 170 divisões na Operação Barba-Ruiva, Hitler afirmou que a invasão era uma cruzada destinada a livrar o mundo dos males do comunismo. 

Claro que há tempos os regimes da Itália e da Alemanha vinham perseguindo os socialistas em seus próprios países. Detonada a II Guerra, enquanto os alemães faziam de tudo para destruir o comunismo na Rússia, os japoneses faziam o mesmo com os comunistas na China. 

Questão: a ditadura militar brasileira instalada em 1964 foi um regime fascista, como dizem seus detratores? 

Sim, em parte sim. O regime militar preenchia quase todos os requisitos. Não havia um partido único; contudo, a oposição representada pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) era meramente decorativa. Em "História do Brasil" (Atual Editora), de Raymundo Carlos Bandeira Campos, encontramos, à página 237, o seguinte trecho, falando das eleições de 1 978: 

"Segundo denúncia do general Hugo Abreu, chefe da Casa Militar do governo, que depois rompeu com Geisel: 'Todas as armas foram usadas para a vitória da ARENA (Aliança Renovadora Nacional, partido da situação): o suborno, a intimidação, a desinformação, a fraude'." 

Ou seja, o critério do partido único, em termos práticos, estava presente na ditadura. Via de regra, militares e seus aliados civis não gostam de ser chamados de fascistas, uma vez que geralmente isso é dito com o intuito de ofensa. Naturalmente que a II Guerra também contribuiu bastante para a má imagem do fascismo. Na guerra ou na paz, armas de propaganda são usadas por ambos os lados. Ninguém chama um político de comunista e populista para elogiá-lo. Contudo, ou é comunista ou populista; não pode ser tudo ao mesmo tempo. Mesmo porque, o populismo tem práticas que os comunistas nunca aceitaram, como a subordinação dos sindicatos ao Estado (exemplo: governo Getúlio Vargas). 

Em geral, os militares têm alergia à palavra "anarquia". Não é difícil entender o porquê. A História mostra que exércitos onde reinaram a anarquia e a desorganização foram fatalmente derrotados. Outra razão diz respeito à rejeição dos anarquistas ao princípio da autoridade, princípio fundamental à hierarquia da caserna. 

Por outro lado, houve alguns militares que foram grandes nomes do comunismo, caso do capitão Carlos Lamarca. Mas casos desse tipo foram raros. Quem conquistou mais adesões nos meios militares foi o fascismo. 

Há várias explicações para esse fenômeno. O próprio fascismo, na sua origem, foi marcado pelo militarismo, como se vê claramente no perfil do movimento. Seu discurso de disciplina, de manutenção da ordem, também tem muita proximidade com a cultura militar. O culto ao Estado (e note-se que nesse item eles são exatamente o oposto dos anarquistas) é outro ponto importante. Por sua vez, a obediência ao chefe do Estado funciona como uma legitimação de base teórica a regimes autoritários. A forte rejeição contra o comunismo foi outro traço relevante, talvez o principal. 

O que podemos constatar é uma afinidade muito grande entre o conteúdo teórico do fascismo e a profissão militar, afinidade que trouxe legiões de militares ao movimento. Conscientemente ou não, no Brasil e nos vários países onde tomaram o poder, o que os militares quiseram foi que a ordem e a disciplina transpusessem os muros dos quartéis e se estendessem a toda a sociedade. 

A ditadura militar brasileira foi um regime fascista? Em parte, sim. Cumpria todos os critérios políticos para isso, como foi dito acima. Podemos até lembrar o capitão Olímpio Mourão Filho, que na década de 1930 fazia parte do movimento integralista. 30 anos depois, já como general, ele foi um dos líderes do golpe de 1 964. 

Há uma diferença no critério econômico, porém. Nos regimes fascistas originais, Hitler, Mussolini e Hiroito jamais cogitaram abrir seus países ao capital americano, como fez a ditadura brasileira. Ao contrário, o que eles almejavam era ocupar o lugar do capital americano nos mercados consumidores ao redor do mundo, e é claro que isso contribuiu bastante para a eclosão da II Guerra. Ou seja, o capitalismo do Brasil era complementar (ou dependente, como queiram) ao capitalismo americano; as potências fascistas eram um capitalismo rival. 

Donde se conclui: a ditadura brasileira foi um regime de inspiração fascista, embora não um regime fascista nas suas formas tradicionais. 

Tenho visto no Google+ postagens de pessoas conclamando a uma "intervenção militar", ou seja, a um golpe de Estado. 

É claro que propostas de defesa do nacionalismo e de manutenção da ordem têm e sempre terão o meu apoio; todavia, minha abordagem é legalista, e não concordo com métodos autoritários. Nem acredito em "governos fortes", mas em instituições sólidas. 

O golpe de 64 foi apoiado por muitos que, com toda a inocência do mundo, acreditavam que os militares logo abandonariam o poder e retornariam aos quartéis. Partidos políticos como UDN, PSD e PSP haviam apoiado o golpe. No ano seguinte, o Ato Institucional nº 2 extinguiu os partidos. Carlos Lacerda, governador da Guanabara que em 1 963 pregava abertamente o golpe de Estado, foi cassado pelo AI-5 e chegou ao fim da sua carreira política. Podemos lembrar também do jornal O Globo, que foi um dos maiores aliados do golpe militar; anos depois, em 1 976, a residência de Roberto Marinho foi alvo de um atentado a bomba realizado pela Aliança Anticomunista Brasileira. 

Não sei quantos nas três armas levam a sério esses pedidos. Até porque, a abordagem deles é ver e ouvir sem falar - o que aliás condiz com a conduta militar. De todo modo, os anos de chumbo abriram entre a nação e as forças armadas um fosso que até hoje não foi fechado; provavelmente jamais será. O que mais me espanta é a ingenuidade desses internautas. Eles querem abrir uma caixa de demônios, achando que poderão controlá-los depois... 

Chegamos ao nativismo, o ponto final do nosso tour pelos ismos. Seguindo o modelo adotado até aqui nesse artigo, em que se define o que é o movimento político, se faz um breve histórico sobre ele, e depois uma dissertação sobre suas propostas, como podemos defini-lo? Resumidamente, nativista é, acima de tudo, um nacionalista totalmente avesso a todo e qualquer tipo de colonialismo (inclusive o da Rússia). 

Também podemos definir o nativismo indiretamente, dizendo tudo o que ele não é. Não há nada mais antagônico a um nativista do que um nazista. Para mim, o negro, o índio, o camponês, são as raízes da nossa nação. Todos lembram de quando, em 1 992, neonazistas vandalizaram o Centro de Tradições Nordestinas da Rádio Atual, em São Paulo, pichando insultos e suásticas no local. O mais inacreditável é que eles ainda se dizem nacionalistas! Como podem se dizer nacionalistas e profanar um lugar que é a alma do Brasil? 

Engana-se quem pensa que o Brasil é um país sem guerras. Isso ocorre porque estamos acostumados a raciocinar dentro da nossa expectativa de vida. Quem pensa assim não imagina o campo de batalha que foi o território brasileiro dos séculos XVI ao XIX. As origens do nativismo podem ser encontradas numa das muitas guerras que tivemos, a Guerra do Açúcar, travada contra os conquistadores holandeses que invadiram a Região Nordeste (1624-1 625 e 1 630-1654). A Enciclopédia Mirador tem um excelente mapa ilustrando essa guerra, o melhor que eu já vi, no seu verbete "Holandeses no Brasil" (volume 11, página 5 793). Na legenda do mapa vemos "Guerrilhas nativistas".

Muito embora a elite fundiária lutasse para se livrar das dívidas com seus credores holandeses, há provas de sentimentos nativistas nas demais camadas da sociedade colonial. Na mesma enciclopédia, volume 18, página 9 866, lemos:

"Movimentos nativistas. O espírito nativista deu sinais claros de sua existência na guerra contra os holandeses. Em 1 645, o negro Henrique Dias e o índio Camarão (Poti, que os brancos chamavam de Antônio Filipe Camarão), com o título de governadores, anunciaram em carta aos invasores sua disposição de lutarem pela libertação de Pernambuco, mesmo que o governador-geral e o rei de Portugal ordenassem a retirada (...)".

Usando táticas de guerrilha, negros, índios, brancos, cafuzos, mulatos e caboclos combateram firmemente os invasores: o exército holandês, seus mercenários franceses e ingleses e seu comandante alemão, João Maurício de Nassau-Siegen. A maior vitória na guerra (e certamente a maior vitória militar da História do Brasil) foi em 1 648, quando Nassau já havia retornado à Europa: a primeira Batalha de Guararapes, onde 5 mil conquistadores holandeses foram derrotados por 2 200 luso-brasileiros. A ocupação ocidental terminou em 1 654, com a capitulação holandesa no Tratado da Campina do Taborda.

Outra manifestação de nativismo foi na Guerra dos Mascates (1710-1715), também em Pernambuco, dessa vez contra os colonizadores portugueses. Nos combates, as vitórias se alternaram de lado a lado: os portugueses venceram em Sebiró; os brasileiros em Garapu.

Um detalhe a respeito dessa guerra: os brasileiros que lutavam contra os comerciantes portugueses de Recife se cobriram com penas e plumas de índios. Eles eram índios? Não, não eram. Eram brancos. E não somente eram brancos, como eram ricos produtores rurais. Principalmente, não é realista apostar num Boston Tea Party tupiniquim, acreditando que eles esperavam convencer a Coroa portuguesa de que eram os indígenas que estavam agindo.

Só há uma explicação possível: a manifestação de um espírito nativista. Era uma forma de dizer: "Nós não somos portugueses nascidos fora de Portugal. Se fomos, não somos mais. Somos brasileiros agora. Isso é o que somos".

Tenho notado, no meio acadêmico, em historiadores e estudantes de História, uma resistência muito grande em aceitar qualquer traço de brasilidade no período colonial. Eles até mesmo evitam falar em Brasil antes de 1 822. Preferem a expressão América Portuguesa. Discordo. Vejo nisso um rigor excessivo dos meus colegas. João de Barros, autor das "Décadas da Ásia", obra publicada em 1 552, já se queixava da mudança do nome da terra brasílica de Santa Cruz para Brasil: "Por artes diabólicas se mudava o nome de Santa Cruz, tão pio e devoto, para o de um pau de tingir panos" ("História do Brasil", Bloch Editores, volume I, página 148). Engana-se quem pensa que esse depoimento é único. Não faltam documentos coloniais, dos séculos XVI ao XIX, falando em Brasil.  

Na Guerra Guaranítica (1 753-1 756), os índios das missões do Rio Grande do Sul, às margens do Rio Uruguai, lutaram contra invasores luso-espanhóis que tentavam destruir suas comunidades. Os índios tiveram o apoio dos padres jesuítas, que viram o massacre que Portugal e Espanha planejavam fazer, e entenderam que, antes de responder à Coroa, deviam responder a Deus. Essa nova guerra levou o nativismo à literatura. Em 1 769, José Basílio da Gama abordava a temática indígena em "O Uraguai". Embora tentasse justificar os agressores, a obra teve o mérito de dar voz à resistência indígena. A Enciclopédia Delta Universal (volume 8, página 4 582) ainda informa que os brasileiros nativos eram hábeis conhecedores dos pântanos e alagados e derrotaram portugueses e espanhóis na primeira fase da guerra. 

Após a Guerra de Independência (1 822-1 823), surgiu a necessidade de atribuir uma identidade própria ao Brasil, que já era uma nova nação, não mais uma parte de Portugal. É nesse contexto que surge o tema indianista na literatura, reconhecendo o indígena como um elemento fundamental à formação da nossa nacionalidade. 

Naturalmente que essas obras literárias se inserem no contexto nacionalista da época. Assim é que surge "A Confederação dos Tamoios" (1 856), de Domingos José Gonçalves de Magalhães, visconde do Araguaia, que trata da luta brasílica na Guanabara do século XVI. 

Em 1º de março de 2 012, quinta-feira, o Jornal O Globo publicou um caderno especial sobre o Rio de Janeiro e sua História, com uma descrição detalhada da conquista da Guanabara nas páginas 12 e 13. 

A matéria informa que, quando a esquadra de Estácio de Sá chegou à Guanabara em 1 564, no imenso território que vai do Rio de Janeiro a Cabo Frio havia apenas uns 30 franceses. Ou seja, a resistência à invasão foi brasílica; a presença francesa era meramente simbólica. A expedição de Estácio de Sá, além de portugueses, teve ainda o reforço dos temiminós (as dissensões entre os brasileiros, naquele tempo como hoje, foram sempre fatais), e até de um nobre italiano. 

O confronto decisivo foi em 1 567: a Batalha de Uruçumirim (travada no atual bairro da Glória, no Rio de Janeiro), uma derrota histórica do brasileiro nativo. O líder indígena, cacique Aimberê, morreu em combate. O comandante português, capitão Estácio de Sá, atingido no rosto por uma flecha, morreu um mês depois. Vitoriosos, mas não satisfeitos, os conquistadores portugueses ainda tiveram um requinte de morbidez: cortaram as cabeças dos índios mortos e as espetaram em estacas. 

Adotei Tamoio como nome de internauta em homenagem a esses valorosos brasileiros. Tenho mesmo origem indígena, mas não sou tamoio realmente (como expliquei numa postagem tempos atrás). Nem de longe quero me ombrear ao heroísmo dos brasileiros, de todas as etnias, que lutaram nas nossas muitas guerras (e nem falei de todas). Contudo, entendo que, na guerra ou na paz, temos a obrigação cívica de defender o solo pátrio.

Tampouco espero que o governo tome providências em relação à biopirataria, ao roubo de pedras preciosas, de madeiras nobres, de relíquias históricas... à humilhação do turismo sexual e do tráfico de mulheres. Até duvido que o governo tenha coragem p'ra isso. Sem esperar, eu tomei as ditas providências: a Coca-Cola, a Nestlé, a Faber Castell, a Unilever, etc., etc., da minha casa foram todas expulsas. 

Finalmente, quero pedir uma gentileza aos internautas que participam ou vierem a participar da comunidade Nativismo que a compartilhem com seus círculos estendidos. Muito agradeço a atenção que vocês têm dispensado. 

Agradeço muito também a atenção das pessoas que, com toda a paciência, conseguiram chegar ao final dessa postagem, a maior que já publiquei na internet. Em nenhum momento esse artigo teve a intenção de insultar, mas de esclarecer. Acredito que os traços que nos unem são maiores que aqueles que nos separam. Creio também que todos queremos o melhor para o Brasil, mesmo que com pontos de vista diferentes. Os que desejarem corrigir eventuais erros ligados a datas, fatos ou conceitos, que a minha desatenção tiver deixado passar, serão bem-vindos. 

Muito obrigado a todos. E viva o Brasil. 

O Tamoio. 

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Cinegrafista filma tornado de fogo na Austrália.

Um cinegrafista de 52 anos registrou imagens fascinantes de um tornado de fogo em Alice Springs, na Austrália. O fenômeno é um dos mais raros da natureza. Chris Tangey filmou o redemoinho de 30 metros de altura a apenas 300 metros de distância, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira no jornal britânico Daily Mail.
O tornado ocorre quando uma coluna de ar quente subindo entra em contato com algum foco de incêndio no chão. Esses redemoinhos normalmente duram cerca de dois minutos. Mas o fenômeno registrado por Tangey chegou a durar mais de 40 minutos.
— Ouvi um homem gritando ‘que diabos é isso?’ e, quando me virei, vi um redemoinho de fogo de 30 metros de altura. O barulho era o de um avião caça nos céus— disse Tangey.
Além de raro, o fenômeno pode ser perigoso. Desta vez, ninguém ficou ferido. Mas registros históricos apontam que, em 1923, um turbilhão de fogo surgiu durante terremoto no Japão, matado 38.000 pessoas em apenas 15 minutos
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Justiça nega pedido de liberdade provisória de sócio da boate Kiss.
A Justiça negou o pedido de revogação da prisão temporária de Elissandro Spohr, um dos sócios da boate Kiss, em Santa Maria, onde um incêndio durante uma festa universária deixou 235 mortos. Kiko, como é chamado, está internado sob custódia em um hospital de Cruz Alta.
Durante a manhã, o Ministério Público já havia se manifestado contra a soltura. Em seu parecer, o promotor André Fernando Rigo frisou que a investigação policial ainda está começando e não vê motivo para a liberação. A prisão temporária dele, do sócio Mauro Hoffman e de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira termina na sexta-feira (1).
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 235 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores, é possível afirmar que:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.
Prisões
Quatro pessoas foram presas na segunda por conta do incêndio: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr; o sócio, Mauro Hofffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos; e um funcionário do grupo, Luciano Augusto Bonilha Leão, responsável pela segurança e outros serviços.
Investigação
O delegado Marcos Vianna, responsável pelo inquérito do incêndio na boate Kiss, disse ao G1 na terça-feira (29) que uma soma de quatro fatores contribuiu para a tragédia ter acabado com tantos mortos: 1) o fato de a boate ter só uma saída e a porta ser de tamanho reduzido; 2) o uso de um artefato sinalizador em um local fechado; 3) o excesso de pessoas no local; e 4) a espuma usada no revestimento, que pode não ter sido a mais indicada e ter influenciado na formação de gás tóxico.
O delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigony, afirmou também na terça que a Polícia Civil tem "diversos indicativos" de que a boate estava irregular e não podia estar funcionando. "Se a boate estivesse regular, não teria havido quase 240 mortes", disse em entrevista. "Mas isso ainda é preliminar e precisa ser corroborado pelos depoimentos das testemunhas e os laudos periciais", completou.
Arigony disse ainda que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, próprio para ambientes abertos e que não deveria ser usado durante show em local fechado. "O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram este modelo para economizar. Usaram o equipamento para ambiente aberto porque era mais barato”, disse o delegado.
O vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos, admitiu em seu depoimento à Polícia Civil que segurou um sinalizador aceso durante o show, de acordo com o promotor criminal Joel Oliveira Dutra. O músico disse, no entanto, que não acredita que as faíscas do artefato tenham provocado o incêndio. Ele afirmou que já havia manipulado esse tipo de artefato por diversas vezes em outras apresentações.
31/01/2013 13h51 - Atualizado em 31/01/2013 17h49
Justiça nega pedido de liberdade provisória de sócio da boate Kiss
Advogado de Elissandro Spohr pediu liberdade provisória do empresário.
Incêndio na boate matou 235 pessoas em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Tatiana Lopes e Giovani Grizotti
Do G1 RS, em Santa Maria
 
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Advogado tentou liberdade do sócio da Kiss
(Foto: Reprodução)A Justiça negou o pedido de revogação da prisão temporária de Elissandro Spohr, um dos sócios da boate Kiss, em Santa Maria, onde um incêndio durante uma festa universária deixou 235 mortos. Kiko, como é chamado, está internado sob custódia em um hospital de Cruz Alta.
Durante a manhã, o Ministério Público já havia se manifestado contra a soltura. Em seu parecer, o promotor André Fernando Rigo frisou que a investigação policial ainda está começando e não vê motivo para a liberação. A prisão temporária dele, do sócio Mauro Hoffman e de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira termina na sexta-feira (1).
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 235 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores, é possível afirmar que:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.
(Veja o que já se sabe e as perguntas a responder)
Prisões
Quatro pessoas foram presas na segunda por conta do incêndio: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr; o sócio, Mauro Hofffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos; e um funcionário do grupo, Luciano Augusto Bonilha Leão, responsável pela segurança e outros serviços.
Investigação
O delegado Marcos Vianna, responsável pelo inquérito do incêndio na boate Kiss, disse ao G1 na terça-feira (29) que uma soma de quatro fatores contribuiu para a tragédia ter acabado com tantos mortos: 1) o fato de a boate ter só uma saída e a porta ser de tamanho reduzido; 2) o uso de um artefato sinalizador em um local fechado; 3) o excesso de pessoas no local; e 4) a espuma usada no revestimento, que pode não ter sido a mais indicada e ter influenciado na formação de gás tóxico.
O delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigony, afirmou também na terça que a Polícia Civil tem "diversos indicativos" de que a boate estava irregular e não podia estar funcionando. "Se a boate estivesse regular, não teria havido quase 240 mortes", disse em entrevista. "Mas isso ainda é preliminar e precisa ser corroborado pelos depoimentos das testemunhas e os laudos periciais", completou.
Arigony disse ainda que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, próprio para ambientes abertos e que não deveria ser usado durante show em local fechado. "O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram este modelo para economizar. Usaram o equipamento para ambiente aberto porque era mais barato”, disse o delegado.
O vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos, admitiu em seu depoimento à Polícia Civil que segurou um sinalizador aceso durante o show, de acordo com o promotor criminal Joel Oliveira Dutra. O músico disse, no entanto, que não acredita que as faíscas do artefato tenham provocado o incêndio. Ele afirmou que já havia manipulado esse tipo de artefato por diversas vezes em outras apresentações.
Responsabilidades
A boate Kiss desrespeitou pelo menos dois artigos de leis estadual e municipal no que diz respeito ao plano de prevenção contra incêndio. Tanto a legislação do Rio Grande do Sul quanto a de Santa Maria listam exigências não cumpridas pela casa noturna, como a instalação de uma segunda porta, de emergência. A boate situada na Rua dos Andradas tinha apenas uma, por onde o público entrava e saía. Outra medida que não foi cumprida na estrutura da boate diz respeito ao tipo de revestimento utilizado como isolamento acústico.
A Brigada Militar informou nesta quarta que a boate não estava em desacordo com normas de prevenção contra incêndios em relação ao número de saídas. Segundo interpretação da lei, o local atendia as normas ao possuir duas saídas no salão principal. Mas as portas, no entanto, não davam para a rua, e sim para um hall. Este sim dava para a rua através de uma só porta. "Foi um ato possível que o engenheiro conseguiu colocar", disse o tenente coronel Adriano Krukoski, comandante do Corpo de Bombeiros de Porto Alegre.
Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, disse que a casa noturna estava em "plenas condições" de receber a festa. Ele falou sobre documentação da casa, segurança, lotação, e disse que a banda Gurizada Fandangueira não avisou que usaria sinalizadores naquela noite. O advogado ainda afirmou que o Ministério Público vistoriou o local "diversas vezes".
A Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo incêndio e entregou alvará para a polícia que mostra data de validade de inspeção para prevenção de incêndio, feita pelo Corpo de Bombeiros. A prefeitura afirma que a sua responsabilidade era apenas sobre o alvará de localização, que é válido com a vistoria do ano corrente. O documento informa que a vistoria foi feita em 19 de abril de 2012.
O chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, disse na quarta que a casa noturna tinha todas as exigências estabelecidas pela lei vigente no Brasil. "Quem falhou, que assuma a sua responsabilidade. Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e não vou entrar em jogo de empurra-empurra", afirmou.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu um inquérito civil na terça para investigar a possibilidade de improbidade administrativa por parte de integrantes da Prefeitura de Santa Maria, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos por terem permitido que a boate Kiss continuasse funcionando mesmo com as licenças de operação e sanitária vencidas.
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