E ainda querem lançar como candidato a presidente......


Desconfortável, em função de um grupo de militantes da ‘Conlutas’ tê-lo vaiado e virado as costas no momento em que discursava durante o 33.º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em Brasília, Lula cometeu um deslize fatal. Ele próprio se condenou.

É provável que entre a maioria dos militantes a tal fala de Lula tenha até passado despercebida, mas o fato é que aos poucos o ex-presidente, nos últimos tempos sempre pressionado, vai se entregando e perdendo seguidores.

No discurso desta quinta-feira (12) Lula, inflamado, vociferou: ‘Quem é o culpado de um jovem de 25 anos estar preso hoje? O que deram de oportunidade para ele quando ele tinha 8 anos? Se não dou educação, trabalho, essa criança vai fazer o quê da vida? A gente percebe que o dinheiro que se economizou na educação no passado está se gastando hoje para se fazer cadeia. E cada vez vai custar mais caro…’

Ora, esse personagem criado por Lula tinha dez anos quando o PT chegou ao poder e 24 quando Dilma sofreu o impeachment.

Portanto viveu o final de sua infância, toda a sua adolescência, e a sua juventude até o momento da prisão, sob o governo do PT.

Qual seria então a resposta para o questionamento de Lula – ‘Quem é o culpado de um jovem de 25 anos estar preso hoje?’

Você, leitor, é capaz de responder?

A conclusão é de que Lula está perdido, sem lenço, sem documento e sem rumo.

E o ‘golpe fatal’ está a caminho. Lula pressente, esperneia e fala bobagens.

Ao final de sua fala, fora de si, Lula garantiu para a platéia apática que voltará a governar o país.

Gonçalo Mendes Neto

redacao@jornaldacidadeonline.com.br

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FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

Olá, pessoal. 

Como vão todos? Nem preciso dizer que os mosquitos e os estragos que eles fazem pelo caminho são o assunto do dia. E, da mesma forma que uma pedrinha lançada num lago produz ondulações na água, eles, mosquitos, também estão fazendo estragos em ondas. 

A mais nova "onda de estrago" é a retomada de antigas propostas de liberação do aborto. O movimento feminista viu, na epidemia de microcefalia, uma oportunidade de ampliar os casos em que o aborto deve ser legalmente permitido.

Assunto polêmico, esse do aborto... Geralmente, as opiniões se distribuem entre os extremos - radicalmente a favor, radicalmente contra - deixando pouco espaço para posições intermediárias. Vemos religiosos condenando firmemente a prática, de um lado. De outro, médicos, como o astro da medicina Drauzio Varella, propondo a legalização da cirurgia, uma vez que, como as mulheres ricas já abortam, a todas deveria ser permitido fazê-lo. Aliás, isso me lembra uma piada que já ouvi certa vez sobre corrupção. Se não me engano, é mais ou menos assim: "Ou institui-se a moralidade, ou nos locupletamos todos!!!". 

Polêmicas à parte, gostaria de esclarecer não haver, na minha pessoa, nenhum tipo de extremismo. Acredito em Deus, e muito agradeço a Ele por ter até aqui me amparado e protegido. Ainda assim, não frequento nenhuma igreja, de nenhuma congregação religiosa; também nunca fui um adversário ferrenho do aborto. E tampouco sou adversário da religião: por mais que se fale da licenciosidade de padres e pastores, assim como os historiadores que plagiam colegas, não creio que esses maus exemplos representem a maioria.  

Porém, um dado muito importante acerca da minha personalidade: não sou hipócrita. O que todos vemos no ativismo feminista é um egoísmo patológico. É sempre a mesma cantilena: "Aborto é problema social"; "Aborto não se resolve com cadeia"; etc., etc. É fácil decorar as frases, porque são sempre as mesmas. 

É problema social? Não se resolve com cadeia? Bom, então vejamos... No Brasil a lei manda prender o cara que não consegue pagar a pensão alimentícia - lembrando ser essa uma prisão por dívida, e não uma prisão por crime contra a vida. Alguém já viu essa política de encarceramento despertar alguma comiseração nas feministas? 

Aliás, já falei desse egoísmo compulsivo das feministas em um artigo que escrevi tempos atrás, intitulado GUERRA DOS SEXOS (link: https://plus.google.com/112790968361095844480/posts/ddXrcsqKt6h). É claro que esse egoísmo todo é facilmente constatado pela sociedade, o que faz com que as feministas fiquem desacreditadas junto à opinião pública.  

Às mulheres, apoio; aos homens, cadeia. Tudo no mais perfeito politicamente correto. O que vemos é o entendimento do feminismo do que é igualdade entre os gêneros: "Todos os direitos pra nós; todos os deveres pra eles. É o certo e o justo". Bom, não se pode negar que elas puseram quantidades iguais nos dois lados da equação... 

E já que falamos em política de encarceramento, vamos prosear um pouco a respeito do assunto. O atual governo marxista do PT, que quis aplicar no Brasil de hoje os postulados que Karl Marx escreveu há 160 anos, simplesmente deixou a economia nacional em pedaços. Nesse ponto, não estou contando novidade nenhuma. Até as árvores das nossas matas sabem que essa crise crônica não passa enquanto Dilma Rousseff estiver sentada na cadeira da presidência - essa aí, a tal presidenta, venerada e idolatrada pelos "movimentos sociais", os mesmos que têm no aborto uma de suas maiores bandeiras. 

Bom, num país que já passou dos 10 milhões de desempregados, alguém já se perguntou quantos homens estão indo presos por não terem dinheiro para pagar a pensão alimentícia? Alguém vê as feministas protestando contra essa situação? Alguém vê médico pop star falando no assunto? No cenário econômico atual é fácil adivinhar que são muitos os desvalidos que além de irem pra rua ainda vão presos. 

Só acho que esses dados deveriam ser levados em conta por uma sociedade que começa a discutir o aborto por microcefalia. Não que nada disso faça diferença para as feministas, uma vez que elas já têm posições estabelecidas em torno do assunto. Se a mulher aborta, tadinha, é uma vítima e não se pode punir. Mas se o dinheiro não caiu na conta dela... Ah, aí já é diferente: nada de promover a impunidade do homem. Cadeia nele. Afinal, é como diz o ditado: farinha pouca, meu pirão primeiro!

O Tamoio manda um abraço. 

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UM MAGNÍFICO PAÍS

"Quando o México envia seu povo, não envia o melhor. Estão trazendo drogas, crimes e seus estupradores".

Donald Trump, empresário e presidenciável americano (fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/amo-latinos-diz-donald-trump-na-fronteira-entre-eua-e-mexico.html).


“Eu construiria um enorme muro. E ninguém constrói muros melhor do que eu, acreditem. E eu o construiria a um baixo custo. Eu construiria um grande muro na fronteira ao sul e faria o México pagar por ele”.

Idem, fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/veja-polemicas-de-donald-trump-pre-candidato-presidencia-dos-eua.html.


"Os líderes do México se aproveitaram dos EUA ao usar a imigração ilegal para exportar o crime e a pobreza de seu próprio país".

Idem, fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/trump-diz-que-deportara-todos-os-imigrantes-ilegais-dos-eua-se-eleito.html.


"São todos vilões". 

Matthew Perry, oficial da Marinha americana que no século XIX participou da guerra de conquista do Norte do México, em referência aos mexicanos ("Estados Unidos: O Novo Imperialismo - da colonização branca à hegemonia mundial"; Victor Gordon Kiernan, Editora Record, página 49). 


Olá a todos. 

Como vão? Tudo bom com todos? Animados com o ano que temos pela frente? Esse ano teremos eleições municipais, para prefeito e vereador. Espero que já tenham escolhido seus partidos. Da minha parte, eu já escolhi é em quem não votar... 

E esse ano também haverá eleições presidenciais nos EUA, o que é um fato político digno da atenção dos estudiosos, ou mesmo de quem acompanha as notícias mais importantes nos noticiários de tevê e sites de internet. Os EUA não são mais o maior parceiro comercial do Brasil, uma vez que foram ultrapassados pela China. Contudo, ainda exercem certa influência cultural no nosso país. 

A quem se interessar em acompanhar as eleições de lá, gostaria de recomendar especial atenção a uma figura política que surgiu no cenário americano: Donald Trump. Se digitarem esse nome no Google, não terão dificuldade em encontrar numerosas matérias acerca dele. 

Matérias numerosas, porém, não significam necessariamente matérias elogiosas. O programa de Trump é pautado por forte extremismo político, com declarações xenofóbicas, e até mesmo racistas. Eu transcrevi algumas delas na abertura desse artigo. E se engana quem pensa que Donald Trump é mais um sulista inculto e saudosista da Ku Klux Klan. O homem é simplesmente um empresário peso-pesado: um dos maiores magnatas do país, pré-candidato à presidência, e que conquista considerável popularidade com seus discursos. Não é o tipo que nem consegue arrumar um emprego e passa o tempo botando a culpa nos outros. 

Entre as suas propostas mais polêmicas está a construção de um muro, ainda maior, na fronteira com o México. E você, brasileiro, que ingenuamente se acha ocidental: até lamento ser eu a tirá-lo da inocência, mas o muro que já está lá não foi construído apenas contra o México, mas contra a América Latina. Entre outubro de 2004 e outubro de 2005, o número de brasileiros presos na fronteira pela polícia americana chegou a 15 420 (dado do Almanaque Abril 2008, página 548). 

Suprema ironia... Os americanos fizeram um muro, e agora querem fazer outro maior ainda, para "proteger" um território que não era deles, originalmente. Poucos brasileiros sabem, mas os atuais estados de Texas, Novo México, Colorado, Arizona, Utah, Nevada e Califórnia não eram dos EUA. Eram do México. 

É, do México. E como terras dos mexicanos foram parar nas mãos dos americanos? Vamos a isso... 


Terras do México

Em 1525, terminava a conquista do Império Asteca, com a execução do seu último soberano. Desde o início, a colonização espanhola passou a priorizar a região centro-sul do México, onde havia existido a civilização asteca, com suas riquezas de ouro e prata; e onde existiam as terras mais propícias para a agricultura. A administração colonial se concentrava, sobretudo, do planalto da Cidade do México ao litoral, onde se concentravam a maioria das atividades econômicas. A proximidade da cidade de Veracruz, no litoral do Golfo do México, e porto mais importante da colônia, completava um quadro de colonização de fato no centro-sul do país. 

Isso deixou semi-abandonados os territórios do Norte do México, onde desde o período colonial sempre foi fraca a presença das autoridades. A região foi explorada em 1540 por Francisco Vázquez de Coronado, em busca de tesouros. Nada encontrou, a não ser as simples aldeias de adobe dos índios locais. A ausência de metais preciosos, a presença de povos indígenas hostis, a aridez, a distância da capital, levaram o governo colonial espanhol a se desinteressar da região até o século XVIII. A colonização foi feita sobretudo por missionários jesuítas e franciscanos; e assim mesmo de forma rarefeita. 

Com isso, formou-se no Norte do México um quadro de baixa densidade demográfica, escassez de atividades econômicas e fraca presença do poder oficial. Essa situação de semi-abandono continuou mesmo após a independência. 

Separado da Espanha pela junta provisória de 1821, o México passou a se preocupar mais com os seus despovoados territórios do norte. Em 1823, o governo mexicano concedeu terras no Texas a um grupo de colonos americanos liderados por um indivíduo de nome Stephen Austin. Austin e seus seguidores não demoraram a trazer mais gente dos EUA. Com essa medida, o México optava por povoar sua região norte com ocidentais, ao invés de colonizá-la com mexicanos. Essa opção acabaria se revelando uma péssima escolha, como o governo mexicano viria constatar depois. 

Desde a época da independência, quando nasceram de treze colônias na faixa atlântica da América do Norte, os EUA vinham ano após ano avançando em direção ao oeste do continente. A população americana aumentava fortemente, uma vez que seu crescimento numérico era reforçado por maciços contingentes populacionais vindos da Europa. Entre 1789 e 1812, nada menos de 250 mil imigrantes europeus entraram nos EUA, a maioria alemães, britânicos e irlandeses - o equivalente a 5 vezes a população do Rio de Janeiro na época. Ao mesmo tempo, os índios dessas regiões eram abatidos à bala: era a "marcha para o Oeste". 

Outro importante fator no expansionismo para o oeste teve a ver com as transformações econômicas que há vários anos estavam em andamento nos EUA. No norte do país a industrialização havia começado pela indústria têxtil (como ocorre geralmente, aliás), que era abastecida pela produção de algodão do sul. Não apenas o mercado doméstico, mas também o mercado mundial era atendido por essa crescente produção. Nas páginas 16 e 17 do livro "A Formação dos Estados Unidos - Discutindo a História", da Atual Editora, a autora Nancy Priscilla Naro fornece números contundentes: de 1790 a 1830 a produção americana de algodão aumentou de 3 mil fardos para 732 mil, um aumento de 244 vezes (segundo o Almanaque Abril 1989, da Editora Abril, página 366, o antigo fardo tinha no mínimo 50 quilos). Essa enorme produção era exportada principalmente pelo porto de Nova Orleans - que chegava a ficar lotado de cargas e navios. Dizia-se na época que a expansão do "Rei Algodão" não deveria conhecer limites. 

Todo esse imenso potencial mal começava a caber nos limites territoriais que lhe eram destinados. Já do outro lado da fronteira havia uma vasta porção de território mexicano mal povoado e mal guarnecido. Acrescente-se a isso a "fome" de terras que se apossou dos fazendeiros sulistas e se tem desenhado um cenário de risco iminente à integridade da nação mexicana. 

Outro fator relevante na época para a invasão americana foi a situação política na China. Por mais paradoxal que pareça o cenário político num país tão distante de alguma forma contribuir para um confronto entre o México e os EUA, isso não deveria causar surpresa alguma. Desde os Descobrimentos dos séculos XV e XVI que o mundo se encontrava cada vez mais interligado, e essa interligação já estava bastante avançada no século XIX. 

Há séculos o Império Chinês resistia a uma maior abertura comercial para o Ocidente. Em função de desconfianças que se mostrariam justificadas depois, a dinastia chinesa mantinha o país quase que totalmente fechado aos ocidentais. 

No século XIX, os britânicos entenderam não mais aceitar essa situação. 

Os ocidentais contribuíram muito para as desconfianças dos chineses. Um dos "produtos" que os britânicos exportavam para a China era o ópio, droga extremamente perigosa, e que era proibida em solo chinês por decreto imperial (ou seja, era uma atividade de tráfico de entorpecente). Diante da inutilidade dos protestos diplomáticos, em 1839 os chineses destruíram 20 mil caixas de ópio descobertas na cidade de Cantão. A droga pertencia a traficantes britânicos (conforme "Estudos de História Moderna e Contemporânea", Raymundo Carlos Bandeira Campos, Atual Editora, página 225). 

Estava dada a oportunidade para forçar a abertura da China. A Grã-Bretanha declarou guerra ao Império Chinês. A chamada Guerra do Ópio durou três anos. Em 1842, vencidos, os chineses foram obrigados a aceitar o Tratado de Nanquim, que abria a China ao comércio ocidental. 

Logicamente que os EUA, potência em ascensão, não poderiam desprezar um mercado promissor para seus produtos manufaturados. Isso aumentou o interesse dos americanos em construir portos na Califórnia. Para chegar ao Oceano Pacífico, um navio que partisse da costa leste tinha que dar a volta em todo o Continente Americano (o Canal do Panamá ainda não existia, na época). Defronte ao Pacífico, a Califórnia oferecia uma posição estratégica para o comércio com a China, facilitando o acesso à abertura comercial daquele imenso país. 

O palco estava pronto. Só havia um obstáculo à concretização desse destino glorioso: os mexicanos. 


A Guerra 

No Texas a situação não demorou a se agravar. Os colonizadores americanos logo passaram a pensar, e a agir, como senhorios e não como inquilinos. Ao mesmo tempo, aumentavam os atritos com as autoridades mexicanas. 

Uma das causas de atrito dizia respeito à questão da escravidão. O México aboliu a escravidão em 1829, mais de 30 anos antes dos EUA. Muitos dos "pioneiros" que chegavam ao Texas eram fazendeiros sulistas e traziam seus escravos consigo. O governo mexicano passou a libertar todos os negros que chegavam à região, o que causou uma onda de indignação entre os americanos. Embora se dissessem os "defensores heroicos da liberdade", os colonos não abriam mão da sua liberdade de possuir escravos. Em 1830, em função dos problemas causados pelos americanos em seu território, o México proibiu essa colonização. 

Uma medida acertada, mas que veio tarde. 25 mil americanos já haviam cruzado a fronteira. Chegou-se a um ponto em que havia mais americanos que mexicanos no Texas (Enciclopédia Mirador, volume 14, verbete México, página 7559). O governo mexicano havia cometido erros fatais, que lhe custariam caro mais tarde. 

Sentindo-se fortes, em 1833 os americanos enviaram Stephen Austin à Cidade do México, para apresentar as suas "reclamações" ao governo. Entre as suas exigências estava a autorização para a formação de um governo independente (!). Lógico que não lhe deram ouvidos; e certamente deve ter sido considerado muito arrogante pelas autoridades a quem se dirigiu. Austin foi preso e ficou mais de um ano na cadeia. 

Para se estudar a guerra de conquista do Norte do México é preciso entender que ela foi dividida em duas fases: a primeira, em 1835-1836; e a segunda, em 1846-1848. Em 1835, os colonizadores americanos fizeram uma "revolução", com o objetivo de se apoderar do Texas; mas foram derrotados pelos mexicanos na Batalha do Álamo, em março de 1836. Contudo, em abril do mesmo ano, com a chegada de grandes reforços militares dos EUA, foram os mexicanos os derrotados na decisiva Batalha de San Jacinto. Perdendo essa batalha os mexicanos perderam o Texas. Em vista disso, o México cortou relações diplomáticas com os EUA. 

Passaram-se nove anos. Somente em 1845 o governo dos EUA aceitou o ingresso do novo estado na União. A razão da demora se deve às objeções dos nortistas, que temiam a admissão no país de mais um estado escravagista, pois isso aumentaria o peso político do sul. Por outro lado os distúrbios políticos do México em função dos atritos entre liberais e conservadores deixavam o país numa situação de permanente anarquia interna, o que inviabilizou a reconquista do território. 

A incorporação do Texas como solo dos EUA se impôs como um novo fato político. O ministro americano que havia vindo propor o reconhecimento da anexação foi expulso do país. Ao mesmo tempo, o governo americano advertiu o governo mexicano que "não ia tolerar" (é, os americanos já usavam essa linguagem na época) qualquer restrição à entrada de seus cidadãos na Califórnia. 

Com o barril já cheio de pólvora só faltava uma faísca para acender o pavio. Essa fagulha foi dada por um incidente de fronteira entre as forças dos dois países: o resultado foi a declaração de guerra em maio de 1846. 

Em 1847, um corpo expedicionário do general Winfield Scott invadiu a cidade de Veracruz. O porto mais importante do país foi ocupado pelos invasores. Os mexicanos tentaram impedir o avanço americano em direção à capital, sem sucesso. No mesmo ano, em agosto de 1847, as tropas do general Scott entraram na Cidade do México, que também havia sido invadida pelos conquistadores espanhóis de Hernán Cortez. Mais de 300 anos depois, a capital mexicana caía novamente. Quem quiser saber mais, leia o artigo "Reluzentes Impérios", de minha autoria, link https://plus.google.com/116497657737103836302/posts/2zt6fJpZy4L

E assim como os invasores espanhóis, os novos conquistadores não foram econômicos nas violências contra a população local. Vejamos esse trecho do livro de Victor Gordon Kiernan ("Estados Unidos: O Novo Imperialismo - da colonização branca à hegemonia mundial", Editora Record, página 50): 

"Considerando os mexicanos como pertencentes à mesma classe social que seus próprios escravos negros, eles os roubavam e maltratavam, além de abusar das mulheres, muitas vezes na presença de pais e esposos, que eram amarrados e chicoteados por tentar interferir nessas diversões da cavalaria". 

Esse trecho bem que poderia ser recitado para Donald Trump, aquele que chamou os mexicanos de estupradores. Aliás, é uma personalidade bem intrigante esse Trump... Tem inegável talento para os negócios, mas é um desastre quando abre a boca. Se ficasse calado, todos pensariam que ele é um gênio. 

Com a capital do país e o seu porto mais importante sob ocupação militar, o México não demorou a se render. A rendição foi firmada no Tratado de Guadalupe-Hidalgo, assinado em fevereiro de 1848. Além das muitas vidas perdidas, perdeu-se a metade do território do país, com a conquista de todo o Norte do México. 


Por que o México perdeu a guerra? 

Em toda a sua História, a nação mexicana sofreu duas grandes derrotas. Uma foi a conquista espanhola do século XVI. A outra foi a conquista americana. A pergunta que se coloca é: por que o México não conseguiu opor resistência à invasão? Os territórios do norte poderiam ter sido salvos? A sua queda frente ao invasor ocidental, a conquista de todo o norte do país, a conquista do seu principal porto e até da capital, tudo isso só pode ser explicado por uma complexa conjunção de fatores demográficos, políticos, econômicos, sociais e militares. 

Em primeiro lugar, a derrota foi determinada sem dúvida pelo fator demográfico. A baixa densidade demográfica dos territórios do norte, com sua população esparsa e rarefeita, foi o calcanhar-de-aquiles da soberania mexicana na região; e o governo mexicano, infelizmente, foi muito descuidado em relação a esse problema (que como vimos vinha desde o período colonial). Quando se decidiu abordar o assunto, somente dois anos após a independência, teve-se a ideia infeliz de promover o povoamento com colonos ocidentais - cujos laços de fidelidade política os prendiam ao seu governo de origem, e não ao governo mexicano. O México até tentou proibir essa colonização ocidental (depois de sete anos), mas já era tarde. Por exemplo, em 1830 chegou-se a uma situação absurda em que havia mais americanos do que mexicanos no Texas, o que impôs riscos definitivos à soberania mexicana naquela província. 

O fator político também foi um problema pesado. Se ao tempo do Império Asteca a conquista espanhola foi facilitada pelas dissensões entre os astecas e seus vizinhos - tlaxcaltecas, texcocanos, etc. - na República do México os problemas se davam entre conservadores e liberais, o que beneficiou bastante os novos conquistadores. Por exemplo, em 1846, quando o Exército lutava contra os invasores, eclodiu uma revolução popular que depôs os conservadores e restabeleceu os liberais no poder. Uma revolta interna no meio de uma guerra! É inacreditável, mas aconteceu. 

Outro ponto que não pode ser desprezado é que os EUA conseguiram sua independência uns 40 anos antes do México, tendo portanto muito mais tempo para consolidar suas instituições políticas, que se encontravam mais sólidas que as mexicanas ao tempo da guerra. Quando começou a primeira fase da guerra, em 1835, o México estava independente há apenas 14 anos, e com um quadro de grave instabilidade interna, do que dá prova a revolução mencionada acima. 

Para explicar o fator econômico, podemos invocar as trajetórias históricas dos dois países. No caso dos EUA, no período colonial as treze colônias originais tiveram uma razoável liberdade de comércio, possibilitando a acumulação de capitais que financiariam a Revolução Industrial no novo país, com seus custos de instalações e maquinários. Bem diferente disso, o México, assim como seus congêneres latino-americanos, foi tolhido pelo exclusivismo colonial, que obrigava a colônia a comerciar somente com a sua metrópole, com evidentes vantagens para essa última. Além de o controle exercido por Portugal e Espanha sobre suas colônias ser muito mais rigoroso que aquele feito pela Grã-Bretanha, não podemos esquecer todas as proibições reais em relação à implantação de manufaturas em solo colonial. 

Houve sim iniciativas muito positivas nesse terreno, como a do vigário e teólogo Miguel Hidalgo y Costilla. Grande patriota, já nos primeiros anos do século XIX, Miguel Hidalgo promoveu a cultura da amoreira, a apicultura e a criação de indústrias artesanais de louça e de ladrilhos (Enciclopédia Mirador, volume 14, verbete México, páginas 7556-7558). Foi uma iniciativa muito louvável, mas também muito isolada, e casos únicos não mudavam a feição agrícola do país. Na prática, o que houve foi o confronto entre uma nação industrializada e outra agrária, ainda pré-industrial. Para os EUA não era problema fornecer fardamento, armamento e munição às suas tropas, pois suas indústrias podiam produzir tudo o que fosse necessário. 

O fator social. O México era uma nação agrária, como foi dito acima. Logo, a maior parte da sua população se encontrava no campo. Ora, um problema histórico na América Latina são as más condições de vida dos trabalhadores rurais, vítimas de abandono pelo governo e de exploração pela elite fundiária. O México não fugia à regra. Uma das causas dessa situação é que o poder econômico e o poder político eram exercidos pelos mesmos indivíduos. Por exemplo, o general Santa Anna, quatro vezes presidente do país, era dono de uma fazenda em Jalapa. Sendo aquela uma sociedade predominantemente fundiária, também era fundiária a elite que ocupava o topo da pirâmide social. 

Quando a guerra começou, o México adotou - teve que adotar - o modelo do recrutamento obrigatório. E de onde vinham os recrutas? Da população, majoritariamente camponesa. Isso pôs o general Santa Anna no comando de soldados analfabetos, desnutridos e miseráveis. Foi essa tropa que enfrentou os destacamentos bem treinados, bem armados e bem equipados dos generais Winfield Scott e Zachary Taylor. 

Podemos ver isso na Batalha de San Jacinto, vencida pelos colonizadores americanos no Texas em 1836. A Enciclopédia Mirador informa (volume 14, verbete México, página 7559) que o general Santa Anna estava no comando de uma tropa "mal armada e indisciplinada" (sic). Em função dessa derrota, Santa Anna foi capturado e permaneceu oito meses prisioneiro dos americanos. 

Há outro ponto relevante que podemos destacar no quesito social: o peso da escolaridade. A Universidade do México foi fundada em 1551 - foi a primeira universidade da América ("História das Civilizações", Editora Abril Cultural, volume V, página 7). A Universidade de Harvard, a mais antiga dos EUA, só surgiria 85 anos depois, em 1636. 

Contudo, o analfabetismo da população limitava o meio universitário do México, deixando-o circunscrito a uma minoria culta e letrada. Embora tenham largado mais tarde, os americanos rapidamente ultrapassaram os mexicanos em número de universidades, e, ao tempo da guerra, tinham muito mais pessoal com graduação universitária. 

Finalmente, as deficiências militares foram decisivas para a derrota diante dos novos invasores. Além do já mencionado despreparo da tropa de terra, fez falta ao México uma força naval. A já citada obra de Victor Gordon Kiernan informa (à página 49) que o México não tinha nenhum navio de guerra! Isso simplesmente deu total liberdade de movimentos à marinha americana. 

Por tudo o que foi exposto, só mesmo um milagre salvaria o México. O peso de suas deficiências, em todos os campos mencionados, deu no que tinha que dar: derrota sobre derrota. San Jacinto, Cerro Gordo, Contreras, Churubusco, Chapultepec... Os mexicanos perderam quase todas as batalhas que travaram contra os invasores americanos. Quase todas, menos uma. 


A Batalha do Álamo 

Texas, março de 1836. Uns 100 colonos americanos haviam ocupado o Forte Álamo, localizado naquela província. Eram comandados por um indivíduo de nome Davy Crockett, conhecido como o "rei da fronteira selvagem". Histórias macabras eram contadas a respeito desse Crockett, com alusões até mesmo ao canibalismo. O que se dizia era que ele comia batatas cozidas na gordura que escorria dos corpos de indígenas queimados ("História dos Estados Unidos - das origens ao século XXI"; Leandro Karnal, Sean Purdy, Luiz Estevam Fernandes, Marcus Vinícius de Morais; Editora Contexto; página 127). 

Seriam prisioneiros índios, supliciados após a captura? Talvez. Não há provas de que Crockett tenha mesmo feito isso. O que a História registra é a existência dos rumores acerca dele. Que os boatos circulavam, disso não se tem dúvida. De todo modo, tenham os ditos boatos fundamento ou não, a sua simples existência já autoriza intuir que o homem era um bárbaro. 

Canibal ou não, Davy Crockett logo impôs o seu comando aos colonizadores aquartelados no Álamo. Tratava-se de uma construção da época da colonização espanhola (em seu interior havia inclusive imagens de São Domingos e São Francisco). Originalmente o forte pertencia ao México, portanto. 

Mas as condições da batalha não eram favoráveis aos invasores. Para atacar o Álamo, o México reuniu um exército de 4 mil soldados, comandados pelo general Antonio López de Santa Anna. Além da inferioridade numérica, os colonos eram desfavorecidos pela falta de armas e de suprimentos. Nessas condições, o resultado da batalha foi o previsível: os colonizadores americanos foram derrotados, e totalmente massacrados, pelo exército mexicano. 


O Norte do México e o Norte do Brasil 

Via de regra, tanto na literatura didática quanto na acadêmica, o episódio histórico descrito nesse artigo é definido por expressões como "a guerra entre o México e os Estados Unidos", ou ainda "a Guerra Mexicano-Americana". Na prática, isso é dizer uma meia verdade. É fato que houve um confronto bélico entre os EUA e o México. Porém, expressões desse tipo não explicam tudo. E, ao fim e ao cabo, não dizem nada. 

No presente artigo eu preferi definir o evento histórico exatamente como o que ele foi: a guerra de conquista do Norte do México. Sem meias palavras, o que houve foi simplesmente isso, uma conquista. A História dá vários exemplos de disputas territoriais entre potências que originalmente não possuíam o território disputado. Temos os casos de cartagineses e romanos, que há 2200 anos lutaram pela Espanha; ou os egípcios e hititas, que 3300 anos atrás duelaram pela Síria. 

Todavia, o que aconteceu no México foi muito diferente. O que se viu foi a invasão armada feita por outro país, maior e mais forte, visando a conquista militar do território cobiçado. Lembrando que o atual sudoeste dos EUA era território do México na época, podemos destacar que todas as batalhas, rigorosamente todas, foram em solo mexicano. Nenhuma batalha se deu no território americano original - prova incontestável de que os EUA eram o país agressor. 

A pergunta que faltou fazer: os mexicanos poderiam ter evitado a conquista americana? Difícil dizer. Talvez, se tivessem feito as escolhas certas. De todo modo, uma das funções da História é aprender com os erros passados (próprios ou alheios) para evitar sua repetição no futuro. 

Nesse ponto, eu gostaria de traçar um paralelo entre o Norte do México de há 200 anos, e o Norte do Brasil, nos dias de hoje. Um paralelismo que não é tão absurdo, como pode parecer à primeira vista. 

A nossa Região Norte é, também ela, a metade do nosso território; também pouco habitada, também mal guarnecida, também alvo da cobiça ocidental. Não é segredo pra ninguém que ocidentais entram na área quando querem, e com os piores propósitos: biopirataria, levantamento das riquezas naturais da região, e até mesmo turismo sexual (#%&*+@§!!!...). 

É fato que o Brasil tem sido por demais permissivo no acesso desses "turistas" ao país. A minha primeira recomendação, portanto, é fazer o óbvio: reforçar a fiscalização. Não obstante a falta de pessoal e recursos das Forças Armadas, da Polícia Federal, do Ministério Público e de outras entidades nacionais, a História mostra que é justamente nas áreas menos povoadas da nação que a presença das instituições deve ser mais forte e permanente. Também não custa lembrar que os ocidentais não têm cerimônia em exercer seu soberano direito de decidir quem entra e quem não entra em seus países, inclusive com prisões e deportações de brasileiros. 

Essa é a principal mensagem a reter: o Estado deve estar presente em todo o território nacional. Na verdade, até mais presente, nos lugares onde há menos cidadãos. 

Outro ponto importante é investir com seriedade nas Forças Armadas. É um erro ver o investimento em defesa como secundário só porque não há guerra. É preciso investir na nossa produção bélica, providência fundamental para a segurança nacional. Mesmo a transferência de tecnologia, embora desejável, não é uma solução satisfatória, como ocorreu no caso da compra dos aviões suecos. O que temos são aviões cuja engenharia é perfeitamente conhecida pelos ocidentais. A modernização precisa ser uma iniciativa nossa, não podemos esperar sempre que ela venha de fora. 

As Forças Armadas precisam de um efetivo maior, e de mais recursos para preparar melhor seu pessoal. Esse problema vem de longe. A Revista Superinteressante de abril de 1989 publicou uma matéria (às páginas 68-72) na qual os militares esclareciam que, antes de aprenderem a manejar o fuzil, muitos recrutas eram apresentados à escova de dentes. Como soldados desdentados podem defender o Brasil? (Lembrar dos soldados do general Santa Anna...). Na época, o brigadeiro Moreira Lima, então ministro da Aeronáutica, com razão definiu o serviço militar como um grande centro educacional. Isso mostra que, além da escola, o quartel também é um local de inserção na sociedade e promoção da cidadania. 

É preciso reforçar os laços entre o povo e a tropa. Já há missões sociais das Forças Armadas no interior do país, e essa louvável iniciativa poderia ser ampliada. Outra providência que tenho a propor é o retorno aos antigos ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica. O que me parece é que a adoção do Ministério da Defesa foi feita por motivos políticos. 

Tempos atrás, aliás, houve um fato pouco conhecido do público de hoje. Em 1993, os americanos realizaram exercícios militares nas selvas da Guiana, na fronteira com o Brasil, o que provocou protestos do governo brasileiro (conforme o Almanaque Abril 1995, página 411); exercícios esses que foram retomados em 1996 (Revista Veja, 11/12/1996, página 13). 

Só mesmo um garimpeiro de alfarrábios pra saber disso, não é? Pois é. Observem que as duas publicações são da Editora Abril. Querem saber qual é o meu palpite? Shhhhiiiiiiiiiiuuuu!!!!!... Vou falar bem baixinho que é pra ninguém escutar... Seguinte: isso já deve ter acontecido outras vezes, mas como o fato não veio a público, ninguém ficou sabendo. Mas não vão contar por aí, hein, gente! É segredo... 

Note-se ainda que há mais de cem anos - desde a Primeira Guerra Mundial, pelo menos - que EUA, Grã-Bretanha e Austrália se apoiam mutuamente em suas guerras ao redor do mundo. Certamente, além dos americanos, teríamos que enfrentar britânicos e australianos também. Outra medida portanto é aumentar os laços políticos e econômicos com nossos vizinhos latino-americanos. Em parte, a Argentina perdeu a Guerra das Malvinas devido à falta de apoio dos vizinhos. 

Bom, como eu não estou disposto a financiar o papel de polícia dos EUA e seus aliados, ainda mais se esse poder de polícia for exercido contra o Brasil, há tempos que os produtos ocidentais foram banidos do meu consumo diário (Coca-Cola, Colgate-Palmolive, Unilever...). Minha preferência é sempre pelo produto nacional, conforme aliás meus princípios nativistas, e em conformidade com a proposta do nativismo. Na falta do nacional, minha escolha recai no produto similar não ocidental. Ademais, não perco meu tempo festejando Halloween. O que até seria descabido no caso de um nativista, dada minha opção pela brasilidade.  

Sim, o Google+ é americano. Mas tudo tem que ser gringo nas nossas vidas? 

Finalmente, pra você, que pensa em tentar a vida nos EUA: antes de viajar experimente contar nos dedos quantas pessoas você conhece que voltaram ricas de lá. 

E você, que costuma fazer turismo nos EUA: não seja mecânico, repetitivo. Outros países têm seus atrativos também. Experimente variar nas suas próximas férias. Entre na internet e digite "Murais do México imagens". Duvido que você não fique encantado com o patrimônio cultural daquele magnífico país. 

Quero mandar um forte abraço a todos, e agradecer aos internautas que, com toda a paciência, dispuseram do seu tempo para ler esse artigo. 

Quero ainda chamar a atenção do leitor para a imagem que ilustra esse texto. A foto abaixo é do Palácio Municipal de Veracruz, no México. Além de ter sido atacada na guerra, essa bonita cidade foi bombardeada pelos americanos em 1914. 

Viva o Brasil. E viva o México. 

O Tamoio. 

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http://racismoambiental.net.br/2015/08/28/tatudoerrado-complexo-do-alemao-protesta-a-escalada-da-violencia/

Oi, gente!

Encontrei essa foto na internet. Trata-se de uma manifestação em uma comunidade do Rio de Janeiro. "Não mate nossos filhos"... Ah, 'tá... Mas só uma perguntinha: esse pedido é dirigido à polícia ou ao tráfico? Até porque...

- Como é que é? Peraí, gente... Tem um passarinho aqui do meu lado dizendo que traficantes e milicianos matam mais do que a polícia, matam e mandam matar, mas ninguém vê manifestações contra o tráfico ou a milícia porque o Estado paralelo não tolera protesto. Bom, eles são manifestantes mas não são bobos...  

- Como?... Ah sim, o passarinho ainda está aqui, dizendo também que essa é a diferença entre o Estado legal e o Estado paralelo. Ele está tagarelando direto, que há policiais nas fotos, que ninguém que fosse são do juízo ousaria mostrar uma faixa contra o tráfico na cara dos traficantes, que nessas favelas tem mais gente a favor da polícia do que contra, mas que esses não ousam se manifestar, etc., etc... E ele continua aqui, aos assobios, falando que, quando são traficantes ou milicianos que executam as pessoas os socialistas não falam nada, porque querem é alvejar a polícia, e não defender os direitos humanos, etc., etc... Que ave mais falante!!!... 

Falando nisso... Acaso os marxistas leem o marxismo? Eu estou lendo o "Manifesto do Partido Comunista", de Karl Marx, como matéria do curso de História. Vou perguntar a esse pássaro qual é a leitura que os comunistas fazem da sua própria doutrina para a sua propaganda poupar os traficantes-ostentação e atacar os policiais, que são trabalhadores da segurança pública. 

Ingênuo eu, hein? Quem sabe das coisas é o passarinho... 

Os senhores são a favor ou contra o retorno do arena?

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8 DE NOVEMBRO DE 1 822 - A VITÓRIA DE PIRAJÁ 

Olá a todos!... 

Hoje queria falar de um episódio da Guerra de Independência. Trata-se da Batalha de Pirajá, travada a 8 de novembro de 1 822 na Bahia, a capitania onde o Brasil nasceu. 

Desde o século XVIII o desgaste da dominação portuguesa no Brasil vinha se tornando cada vez mais evidente, como demonstravam a Inconfidência Mineira, em 1 789, e a Conjuração Baiana, em 1 798. Eram os antecedentes da independência, que eclodiria no século seguinte. Podemos ver exemplos dessa situação nos trechos abaixo:  

"As contradições com a metrópole cresciam à medida que os aluviões auríferos se esgotavam. A partir de 1750 a Coroa decidiu que o rendimento anual do quinto deveria ser de 100 arrobas, pois os relatos da Intendência davam a entender que a diminuição da arrecadação devia-se mais à fraude e ao extravio que ao declínio da produção. O que faltasse para atingir esse total era anotado. Seria pago de qualquer forma, quando o rei decidisse, numa vila escolhida arbitrariamente e de surpresa, para evitar levantes. Era a derrama, que tanto atemorizava a população da capitania de Minas. Sua decretação era prenúncio de violência por parte das autoridades, através dos "Dragões" (a tropa de elite do exército português na época): invasões de domicílios, saques, prisões e torturas dos que protestassem" (página 74 de "História da Sociedade Brasileira"; Francisco Alencar, Lucia Carpi, Marcus Venício Ribeiro; editora Ao Livro Técnico).

Ou seja, era um assalto coletivo. Esse cenário levou à Inconfidência, sufocada com o enforcamento e esquartejamento de Tiradentes. 

Contudo, Minas Gerais não foi a única capitania onde crescia o descontentamento com o domínio português. Falando da Conjuração Baiana, em 1 798, a mesma obra descreve: 

"A repressão agiu com rapidez, impedindo a reunião convocada para o Campo do Dique. Foram encarceradas 49 pessoas e as sentenças foram variadas. Exílios para a África ou para Fernando de Noronha, açoites nos escravos participantes e pena de morte para quatro líderes, soldados e alfaiates: Lucas Dantas, Luiz Gonzaga das Virgens, João de Deus e Manuel Faustino. Por sinal, quatro mulatos" (página 77). 

Mais adiante, na mesma página, o texto diz que "Apesar da derrota do movimento, estava claro o agravamento da crise do sistema colonial". 

O sistema colonial entrou em colapso com a vinda da família real em 1 808, fugindo das tropas francesas que invadiram Portugal. Chegado ao Brasil, o rei Dom João VI abriu os portos brasileiros ao comércio com outras nações, notadamente a Grã-Bretanha, encerrando a tradicional proibição da colônia de comerciar com outros países que não a sua metrópole. Na prática, era o fim de três séculos do chamado exclusivo colonial. Logo depois da abertura dos portos, um outro decreto de Dom João autorizou a instalação de manufaturas no Brasil, revogando uma velha proibição que datava do século XVIII. Com a libertação comercial, só faltava a libertação política. 

Expulsos os franceses, as Cortes de Portugal exigiam o retorno puro e simples do Brasil à condição colonial. O que evidentemente não foi aceito, pois isso levaria à extinção de uma rede comercial já estabelecida. Na verdade, os portugueses almejavam o impossível: dar marcha a ré no relógio da História, tentando restaurar pela força uma situação colonial que não existia mais. O próprio mercantilismo, no qual se apoiava a política das Cortes, era obsoleto mesmo naquele tempo. O exclusivo colonial, pelo qual a colônia só pode comerciar com a sua metrópole, havia se tornado incompatível com o novo capitalismo comercial e industrial. Portugal lutava para retornar ao passado. 

Às vésperas da independência, a solicitação dos brasileiros de criação de uma universidade no Brasil foi rejeitada pelas Cortes de Portugal, sob a alegação de que à colônia bastavam escolas primárias. Quem quisesse obter graduação universitária, que fosse a Coimbra. Claro que, com isso, ainda menos brasileiros respaldavam a política das Cortes. 

Inviabilizadas as predominâncias comercial e política de Portugal no Brasil, tornou-se também inviável a sua predominância militar. O Almanaque Abril 1 983 (página 12) assim descreve a Batalha de Pirajá:

"No dia 8 de novembro (de 1 822), os portugueses tentaram atacar Itaparica para recuperar um canal de abastecimento. Interceptados em vários pontos, concentraram forças em Pirajá, onde ocorreu uma das batalhas mais importantes da guerra, na qual foram os portugueses derrotados, não obstante contarem com vários batalhões e apoio de artilharia".

Houve um fato curioso ocorrido nessa batalha, e desconhecido da maioria do público. Após cinco horas de combate, o comandante brasileiro mandou dar o toque de retirada. Ao invés disso, o corneteiro Luís Lopes deu o toque de cavalaria avançar. E os brasileiros avançaram, levando os invasores ao recuo. Não se sabe se no calor da batalha Luís Lopes se confundiu, se não ouviu bem a ordem que recebeu, ou se simplesmente desobedeceu a ordem. Propositalmente ou não, ele foi o personagem mais importante de Pirajá, e ganhou um lugar de destaque na História do Brasil.

E já que estamos às vésperas do aniversário da Batalha de Pirajá, é sempre válido desfazer certos mitos que permeiam a História do Brasil. Um deles é o de que, em função da miscigenação, há laços de sangue nos unindo a Portugal. É aquela história de "pátria-mãe".

Não é bem assim. A afirmação é válida para os brancos nascidos no Brasil, filhos de portugueses. Fique claro: nada contra eles, são brasileiros também. Contudo, historiadores, mesmo os historiadores graduandos, têm certas obrigações profissionais, e não nos é permitido respaldar mitos, por mais arraigados que sejam.

Cumpre lembrar que a miscigenação na Colônia e no Império foi, quase que somente, de mulheres negras e índias com brancos. Mestiçagem de mulheres portuguesas com negros ou indígenas foram casos raríssimos. Em sua obra "Trópico dos Pecados", o consagrado historiador Ronaldo Vainfas menciona alguns casos desse tipo, mas os exemplos por ele reunidos eram exceções quase únicas, o que aliás é confirmado pelas pesquisas de mapeamento genético da atual população brasileira.

O sexo com as mulheres dos povos conquistados sempre foi prática comum entre os conquistadores através da História. Gregos e romanos já faziam isso. Quando se tratava de mestiçagem com mulheres negras, mulatas e morenas, os portugueses foram grandes entusiastas da mistura de raças. Mas não cogitavam que suas filhas ou irmãs se casassem com um negro ou um indígena. Éramos um povo conquistado, e como povo conquistado fomos tratados.

Essa situação está tendendo a mudar na nossa época, mas algo que os historiadores aprendem a não fazer é transportar para o passado cenários do presente. Diferente do que queria Gilberto Freyre, autor de "Casa Grande & Senzala", a mestiçagem não desculpa os portugueses pela sujeição de negros, índios e mestiços. Ao contrário, foi uma forma de colonialismo sexual.

Por exemplo, a obra "As Identidades do Brasil - de Varnhagen a FHC", 2ª edição, de José Carlos Reis (editora Fundação Getúlio Vargas), menciona à página 81 uma descrição do cotidiano dos senhores brancos no Brasil colonial. Vejamos: 

"Seu tempo é senhorial: ocioso, deitado na rede, pés de menino e mãos de moça, o pau viril (sic, em latim, 'assim', ou seja, 'assim mesmo conforme o original') e a voz imperiosa. Dono de escravos, o trabalho não é problema dele. Seu tempo, ele o tem todo à sua disposição para comer, beber, conversar e copular com negras e índias. A 'vida boa' dos aristocratas do açúcar foi lânguida, morosa. Na casa grande, os dias se sucediam iguais, a mesma modorra, a mesma vida de rede, sensual".

A descrição feita pelo autor é exatamente essa, com essas palavras. Bom, bom... Mas, no quesito mitos nacionais, como fica aquela de que o índio era preguiçoso?... Tenho origem indígena, muito me orgulho disso, e que ninguém duvide de que, no meu cotidiano diário, eu trabalho muito.  

Acrescente-se ainda que o colonizador podia até se regalar copulando com mulheres negras e índias; mas não aceitaria um negro ou índio como genro ou cunhado. A democracia racial preconizada por Gilberto Freyre só existiu no mundo de fantasia criado por sua imaginação de escritor. 

Falando objetivamente, a miscigenação, do modo como foi feita, não faz com que tenhamos "laços de família" com Portugal.

Ainda no quesito "mitos nacionais", gostaria de falar de mais um. Há, no consumidor brasileiro, a noção errônea de que apenas o produto importado tem qualidade. É aquela de que "tudo que é bom vem de fora". Por exemplo, quando vou ao mercado, observo o destaque dado ao azeite português, como se "azeite português" fosse selo de qualidade. Da próxima vez que for às compras, dê uma chance ao produto nacional. Há opções nacionais, de qualidade, que só não têm mais espaço devido ao preconceito das pessoas.

P'ra terminar, queria refrescar a memória do leitor, relembrando o ponto onde comentei a política mercantilista. No período colonial, para impedir a concorrência aos seus produtos, a Coroa portuguesa proibiu a produção no Brasil de pimenta, canela, sal e ferro. Dom João IV, um rei português do século XVII, chamava o Brasil de "a vaca de leite" de Portugal. 

Bom, agora você pode escolher o azeite nacional.

Gostaria também de chamar a atenção de todos para esse vídeo, que denuncia o racismo em Portugal: 

Racismo em Portugal

Grande abraço, e obrigado pela atenção de todos.

O Tamoio.  

Nota: a foto abaixo é o Forte de Santo Antônio da Barra, em Salvador, na Bahia (fonte da imagem: wikipedia -  
http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santo_Ant%C3%B4nio_da_Barra). 
Photo

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http://falaleonardo.com/2010/01/16/odeio-dinamica-de-grupo/

Olá, pessoal!... 

Como vão todos? Na minha última postagem, lancei o debate das dinâmicas de grupo, aqueles processos seletivos em que a psicóloga da empresa humilha as pessoas com a desculpa da seleção para uma vaga de emprego. Logo apareceu uma psicóloga reclamando, uma tal Katia Garcia. De tanta reclamação que ela fez, tive a ótima ideia de, ao invés de uma única postagem, publicar uma série de postagens sobre o assunto. O depoimento abaixo é de Leonardo Torres, jornalista e blogueiro. Não obstante a linguagem irreverente por ele usada, respaldo integralmente tudo o que ele declara. 

Mantenho como principais os seguintes pontos: 

1º Lembrar sempre às pessoas: reprovação em dinâmicas NÃO CONFERE ATESTADO DE PERDEDOR A NINGUÉM! Quem já encarou esses processos sabe do que eu estou falando. Pessoas mais qualificadas do que eu já foram rejeitadas nesses números de circo. 

2º Quantos países no mundo promovem dinâmicas de grupo em processos seletivos? Se nós formos o único, das duas, uma: ou o mundo está certo, ou o Brasil. E eu não creio que o mundo esteja errado. 

3º Da mesma forma como a História muito tem ganhado com as valiosas contribuições da Arqueologia, da Antropologia, da Sociologia, etc., de tantas áreas de conhecimento sobre o estudo do passado, não vejo de que forma a legalização da Filosofia Clínica pudesse ser de algum modo prejudicial. Ao contrário, estou convencido de que todos, acadêmicos e leigos, terão a ganhar com novas abordagens. Acima de tudo, EU SOU CONTRA MONOPÓLIOS NO MEIO ACADÊMICO, por entender que eles, os monopólios, não se coadunam com os propósitos do nosso meio. 

Finalmente, para quem se sentir de alguma forma constrangido, recomendo procurar a Justiça do Trabalho (http://www.trt1.jus.br/). Verifiquem também a possibilidade de processar não somente a empresa, mas também a psicóloga que conduziu a dinâmica (no relato, Leonardo menciona o caso de um garoto que teve que dançar "pintinho amarelinho" na frente de todos). Eu ia parar numa postagem só, mas, com a predisposição da tal psicóloga para o debate, concluí que um assunto como esse necessita de uma abordagem permanente. 

Abraço a todos. Mais postagens virão. 

O Tamoio. 

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http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/09/funcionarios-dancam-eguinha-pocoto-em-curso-motivacional.html

Olá, pessoal. 

Gente, como não quero tomar o tempo de ninguém, vou direto ao assunto. Vi essa reportagem na tevê hoje mesmo (26/09/2014, sexta-feira), aqui na Uerj, enquanto pegava um café na cantina, e fiz questão de difundir a matéria no Google+. Eu mesmo já publiquei um artigo no meu blog falando das humilhações que são impostas pelas psicólogas de empresa aos desempregados nas dinâmicas de grupo. Trata-se de um artigo intitulado "O Saber Filosófico" (www.otamoio.blogspot.com). As psicólogas submetem pessoas desesperadas a situações vexatórias a pretexto de selecioná-las. Quem não se sai bem no número de circo ainda ganha o carimbo de "problemático". Agora, mais esse fato. Creio que já está na hora de elaborar leis de proteção aos trabalhadores, impondo freios a esses abusos. Até quando vai ser assim? 

Eu mesmo, não tenho o menor constrangimento em dizer, já fui reprovado em um sem-número dessas dinâmicas. Só um detalhe: passei no vestibular de História de uma universidade pública, sem a opção de cota, e na primeira tentativa. O coeficiente de rendimento (cr) médio do curso de História da Uerj é 6.80, e o meu cr é 8.69. Cheguei invicto ao 6º período após cumprir 30 disciplinas, sem nenhuma reprovação, abandono ou cancelamento. Estou no meu segundo estágio universitário (o primeiro foi como estagiário de Biblioteconomia; agora, como estagiário de Serviço Social). Nunca tive problemas de relacionamento com colegas ou chefia, e seria um tanto arriscado dizer isso publicamente se não fosse verdade, dado o risco de ser desmentido.

Quantas dessas psicólogas de dinâmica podem dizer o mesmo de suas graduações? 

Não estou me gabando de nada! E é claro que eu não sou o único. Ademais, atribuo todos esses êxitos sobretudo a Deus, que até aqui tem me amparado, velado e protegido, e só depois a meus méritos pessoais. Só quero deixar claro a quem não passa nessas dinâmicas: não deixem NINGUÉM dizer que vocês são problemáticos. Sempre acreditem em si mesmos! Não importa se forem reprovados em cem dinâmicas de grupo! Problemático é quem se regozija com esses "processos seletivos", feitos com o propósito de ridicularizar as pessoas, com a desculpa de selecioná-las.  

Fizeram essa palhaçada e ainda tiveram a desfaçatez de chamar de "curso motivacional"?!... Quem já esteve nessas dinâmicas de grupo das empresas sabe que tem muita coisa errada acontecendo por aí, esse é apenas um dos poucos casos que vieram a público. 

Que tal começar a pensar em leis que enquadrem abusos desse tipo? 

Eu mesmo já vi relatos na internet de brasileiros que trabalharam no exterior dizendo que fora do Brasil só se fazem as entrevistas normais, e que NÃO HÁ NENHUM PAÍS NO MUNDO ONDE SE FAÇAM DINÂMICAS DE GRUPO. A não ser aqui, lógico. Solicito polidamente aos internautas a confirmação dessa informação. 

Outra discussão muito pertinente diz respeito a rever o monopólio da psicologia no estudo do psiquismo humano e regularizar a profissão de filósofo clínico, que espera desde 2 008 pela regulamentação. A Filosofia Clínica traria uma nova visão, oxigenando a abordagem nesse terreno. E, principalmente, trazendo uma abordagem mais séria do que isso que estamos vendo aí. 

Ah, sim... Claro que, nesses estágios, não fui interrogado por nenhuma psicóloga. No primeiro, fui entrevistado por uma bibliotecária; no segundo, por uma assistente social (Deus seja louvado!...). 

Até breve, gente!... 

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Quatro de cada cinco brasileiros consideram os partidos "corruptos ou muito corruptos", segundo pesquisa da Transparência Internacional. É mais que a média dos 107 países pesquisados. “Depois das manifestações no Brasil, se os partidos não mudarem, vão acabar de se afundar”, diz Alejandro Salas, membro da organização. Já a proporção de brasileiros disposta a denunciar a corrupção é mais baixa que a média mundial: 68% diante de 80%. Saiba mais: http://migre.me/fo1lc
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+Luis Coelho Parabens pela iniciativa! Tenho interesse em discussoes sobre nacionalismo ou ate nacional-socialismo dependendo da direcao que a conversa tomar. []s
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