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Agora como um cão ladro ao meu luar sombrio
No meu tórrido crepúsculo de mágoas minhas
Onde padeço num carma de confusas encarnações
Sou efeito de uma causa que de mim se faz ignorar
Pois sou um indigente no convívio dos meus contemporâneos
Coadjuvante de uma cena onde figuro em texto mudo
Apenas vago como uma sombra andarilha por entre sendas
Refuto todas as mentiras que os meus ancestrais se martirizaram
Pois sou fruto de sementes germinadas em charcos de ilusões
(Afirmo assim, que o crucificar das causas, é riscar com um graveto a água perene...).
Toda razão é nula perante a soberania da hipocrisia e da insensibilidade
Nos beijos mais gélidos é que se encontra a face fria do desamor
Chega então! De suplicar aos deuses o que só os deuses podem possuir
Que dos deuses, tenha eu só o temor de não amá-los sempre que puder.
Quero amar, portanto, todos os deuses que possam me abençoar de dúvidas.
E que o ressoar dessas dúvidas possam emudecer todas as minhas certezas
Pois as certezas são folhas secas em ruas de outono
Já as dúvidas... Essas são flores de estações coloridas
Ah! Esse meu cambalear de crenças oscilantes
É o que me faz vislumbrar paraísos ou clausuras flamejantes
Ao torpor dessas conclusões que arbitrariamente concluo
Perco-me como uma criança assustada com anjos aleijados
Mas quero mesmo é interpretar meus devaneios lúcidos
Permeá-los de mitos e quimeras que se assemelhem a mim
Transcender o comum coletivo que estar impregnado com tantos hábitos
Se ausentar de mim pra me espiar lá fora... Enxergar-me de lá...
Esse “lá” que nos incita, nos instiga a tocá-lo.
E se tocá-los? O que nos restará depois? Como viveremos quando conhecermos?
(Não importa as perguntas quando a busca pelas respostas tira o nosso sono)
Talvez... Quando nos ausentarmos de nossas mesquinharias
É que possamos abraçar os nossos deuses...

(Eu)des
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