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Agosto

Olho o mar em busca do teu corpo
a saltitar numa onda altaneira
Suponho então que estou à tua beira...
Que dor intensa. Recordo que estás morto!

Olho o mar e escuto o teu grito,
o sorriso, o gesto, o chamamento...
Tudo não passa de um grande sofrimento
pois a visão não passará de um mito

Estendo as mãos nas ondas maneirinhas
e as tuas mãos vêm ao encontro das minhas
mas o mar embate em carga sobre nós

Descem no mar as gaivotas velhinhas
voltejam lentas e tu as acarinhas
chamam por ti, que eu já não tenho voz

Maria Helena Amaro
Agosto, 2014

http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/07/ilustracao-de-maria-helena-amaro-olho-o.html


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Dia de parabéns (para o neto Francisco)

Com os olhinhos de mel
e a gostar de pão-de-ló...
É o Francisco Miguel
o «príncipe» da sua avó!

Já tem «príncipe» e «princesa»
Também já tem «cavaleiro»
É toda uma realeza
dentro do seu galinheiro.

E p'ra vida viver em beleza
Tem amor o tempo inteiro!

Maria Helena Amaro
(Dedicado ao neto no dia do seu aniversário)
23/02/2014

http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/07/dia-de-parabens-para-o-neto-francisco.html


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Tarde de agosto

Há uma cadeira vazia
Uma TV fechada
Uma telefonia silenciosa e fria
na sala abandonada...
As cortinas cerradas
descem do teto em direção
à tijoleira escura...
É uma tarde de sábado
um dia tão molhado
Um dia tão suspenso...
Que triste companhia
É o que penso...
É o que eu sinto...
É o que eu digo...
Sem amiga ou amigo.
Pego na caneta
(eu não quero uma tarde tão serena)
Penso que a tua alma leve e terna
ainda gosta que eu seja poeta
e faço este poema
porque tu estás comigo.

Maria Helena Amaro
Agosto, 2014


https://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/07/tarde-de-agosto.html


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Cântico lancinante

Fora eu arma e seria machado...
Fora eu ira e teria batido...
Fora eu fera e teria rugido...
Fora eu voz e teria gritado...

Mas não fui arma, nem ira, fera ou voz,
nem desespero, nem barco naufragado,
que a tempestade que desabou em nós,
foi apenas um silêncio demorado.

A minha alma grita: eu não matei...
A minha alma grita: não bati...
A minha alma grita: só calei...

Arma, ira, fera, ... Já não sei...
Só me lembro que fugi... fugi...
Ao cântico lancinante não voltei.

Maria Helena Amaro
14/05/2014

https://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/07/cantico-lancinante.html


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Encontro
É o encontro que nos ama e nos abraça
e nos lembra a doce mocidade...
É espantoso como o tempo passa
e nós estamos vivos sem idade!

É um dom. uma alegria, e uma graça
Renovamos, ano a ano, esta unidade
Pois nada nos detém ou embaraça
para poder quebrar uma saudade...

Pode a vida ser rude, triste ou baça,
que a alegria que por nós perpassa
é como um mar na sua imensidade...

É o encontro que nos une e enlaça,
que o nosso curso é para nós uma taça,
que nós erguemos em nome da Amizade!


Maria Helena Amaro
(Encontro de Comemoração do 60º Aniversário do Curso de 1957- Escola do Magistério Primário de Braga)
1 de julho de 2017

https://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/07/encontro.html


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Recado

Não me cantes esse fado que eu não quero.
Não me cantes poesia feita drama.
Também já tive retalhada a minha alma
em momentos de dor e desespero.

Não me cantes esse fado da traição,
que a traição não é boa companhia
(vela de noite, esconde-se de dia)
que posso ter retalhado o coração.

Canta-me um fado que construa esperanças
que me recorde os olhos de crianças
plenos de pureza e de bondade...

Canta-me um fado que me recorde danças
que me relembre caracóis e tranças
coisas tão frescas da minha mocidade.

Maria Helena Amaro
4/08/2014

http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/07/recado.html


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Livro de histórias

A minha vida é livro esfarrapado
de capa enrugada, retorcida,
lido e relido já não interessa nada.
É canção gasta, breve, interrompida.

Aos quinze anos lhe chamei miragem
Aos vinte anos me pareceu novela
Aos trinta anos se tornou romagem
e aos quarenta história de favela

Aos cinquenta já lhe chamava drama
Aos sessenta era apenas uma chama
que se apagava aos poucos hesitante.

Aos setenta, dos tempos são histórias,
vão-se esgotando personagens, memórias.
Um livro velho guardado numa estante.

Maria Helena Amaro
Maio, 2014.

http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/06/livro-de-historias.html


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Encontro (Curso 1955-1957)

É o encontro que nos ama e nos abraça
e nos lembra a doce mocidade.
É espantoso como o tempo passa
e nós estamos vivos, sem idade.

É um dom, uma alegria e uma graça
renovarmos ano a ano esta unidade
pois nada nos detém ou embaraça
para poder quebrar uma saudade.

Pode a vida ser rude, triste ou baça
que a alegria que em nós perpassa
é como um mar na sua imensidade.

É o encontro que nos une e nos enlaça
que o nosso Curso foi para nós uma taça
que erguemos em nome da Amizade!

Maria Helena Amaro
14/06/2014

http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/06/encontro-curso-1955-1957.html


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Estrelas
(Ao curso 1955-57, no 60º Aniversário)

Aos dez anos, eu contava as estrelas
e minha avó dizia
que me riam nascer cravos nas mãos.
Eu não acreditava…
Aos vinte anos, punha nomes às estrelas:
Alegria, esperança, amizade, amor,
e colocava o teu rosto numa delas…
Aos trinta anos, agrupava as estrelas,
em tamanhos e cores…
Sonhava para elas,
ramalhetes e laços, nós, atilhos,
e podia mirá-las,
nos olhos dos meus filhos…
feliz e sem agravos…
na mão direita nasceram treze cravos!
Aos quarenta anos,
na escuridão do meu terraço,
eu olhava as estrelas cadentes,
envoltas em rendas transparentes
e reclinava a cabeça,
na dobra do teu braço.
Aos cinquenta anos, eu chamava as estrelas,
olhava-as com ternura,
achava que eram doces e serenas,
e poderiam iluminar a minha noite…
fazia-lhes poemas.
Aos sessenta anos, as estrelas fugiam
aos meus olhos cansados…
Eu contava-as, recontava-as…
e sempre as descobria, que ilusão,
a tentar penetrar,
neste meu coração!
Aos setenta anos… onde vejo as estrelas?
Chamo por elas… e por elas me perco…
e por elas procuro um rumo certo,
novas ruas, novos sonhos, novos afetos…
No céu não há estrelas,
andam todas bailando
nos olhos dos meus netos…
Aos oitenta anos… que sei eu?
Onde vou eu sem estrelas penduradas
no escuro do céu?
Tenho uma ideia bela!
Quando eu morrer
vou pedir ao Senhor
que ponha a minha alma
bem juntinho da tua
a sorrir no escuro
no meio de uma delas
Senhor, Senhor das coisas belas!

Maria Helena Amaro
Inédito
11 de junho 2017


http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/06/estrelas-ao-curso-1955-57-no-60.html



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Vida

A vida, para mim,
era um balão que pairava, pairava...
Quando ele subia
eu sorria... sorria...
quando ele pulava
eu dançava... dançava...
quando ele descia
eu puxava... puxava...
quando ele caía
eu fugia... fugia...
corria... corria...
à procura do nada!

Ficava-me preso
num dos dedos da mão
o fio do balão
que supunha um tesouro...
O balão não voltava,
mas o fio se tornava,
num aro cor de ouro!

Maria Helena Amaro
Junho 2014

http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2017/06/vida.html

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