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Hemerson Miranda
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Escritor.
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A maior intimidade entre duas pessoas é o olho no olho.
E não, eu não tô falando de sexo.

Preste atenção.

O nervo óptico é uma extensão de seu cérebro. Através de cones e bastonetes presentes na retina, estimulados pela luz projetada em objetos, captam informações e as enviam ao lóbulo occipital, para áreas responsáveis por processá-las, gerando cor, forma, tamanho, distância e noções de espaço.

Ou seja: olho no olho é cérebro no cérebro.

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Você se aninhava em meu colo antes de dormir e me ouvia ler mais um capítulo do livro Ela, de Haggard. Ria muito com os nomes que eu sugeria pra nossos filhos e ficava depois com um sorriso bobo nos lábios me olhando como se estivesse vendo nosso futuro. O meu mau humor matinal era tão visível que você não dizia nada até eu tomar banho e beber o café. Eu te encontrava sempre entre a quinta e sexta avenida naquelas noites chuvosas com cheiro de misto quente dos carrinhos de lanche que coalhavam de gente vindas do trabalho. Você ria com minha imitação da música de abertura de Cavalo de Fogo toda vez. Eu e minha idiotice rotineira. As compras no supermercado eram como levar uma criança pra passear. Eu era a criança, claro, tão distante da pessoa madura que você é, mas ainda assim te fazia voltar à infância quando você ria das minhas tentativas frustradas em andar no teu salto alto. O que eu lembro é daquela vez que fomos até a praia, no quebra-mar, onde dois bancos acomodavam os casais ou os pais e filhos que iam queimar-se sob o sol escaldante de Natal e as pessoas se afastaram por causa das ondas que estavam mais violentas, menos eu e você, mas em uma delas você correu e eu não e fiquei mais encharcado do que seus olhos que choravam de tanto rir de mim. Você ria muito comigo. Até o dia em que ela apareceu e tudo te perdeu a graça. Quem sorria agora era eu e o que ficou contigo foi apenas a lembrança de mim e das minhas idiotices enquanto agora eu tentaria fazer outra pessoa rir e eu nunca soube pedir desculpas a alguém que conseguia rir tanto comigo. A onda continua batendo forte em mim e eu sorrindo de olhos fechados com gosto de sal nos lábios e sua risada ecoando pelo infinito e morrendo num abismo de memórias. Acostumado ao teu riso, quão estranho é ouvir teu choro, ver tuas lágrimas. Nunca menti quando disse que te amaria pra sempre. E amei enquanto o sempre durou. Teus dentes agora são fogo fátuo de uma lembrança que vai se distanciando e eu me sinto cada vez pequeno e já não vejo tuas lágrimas, pois tudo de longe é tão belo e perfeito. E agora existe esse longe. E agora habitamos esse longe. 

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teus lábios são a vida e a morte dos lados de um abismo que me chama
e eu ordeno me chupa
e a tua fenda saliva
e as fendas transbordam água e
teus cabelos são a diáspora
telúrica de cem mil lembranças
entre o terceiro e o quinto dente
que tua língua vasculha
na minha boca
que pede me chupa
enquanto tua boca quebra
o silêncio e rasga
o verbo transitivo direto
desse tempo cuja poeira milenar
de outros mil desejos se encontra
com meu verbo e
meu verbo encosta e
meu verbo embota e
meu verbo dota de movimento
esse teu se difuso
e eu murmuro me chupa
no teu ouvido
esquecido de tudo
um ouvido mudo
pois nossa vida é só esquecimento
quando na tua boca eu falo
na tua boca meu falo
dotado de movimento
eu sussurro me chupa


Hemerson Miranda

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