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Olá! Alexandre Marinho aqui, novamente, com vocês. Hoje nós vamos iniciar uma nova série de vídeos, onde vamos tratar desse artigo que foi apresentado no último Congresso Brasileiro de Mina a Céu Aberto – o 8º congresso, que ocorreu em 2014. O artigo foi desenvolvido por Filipe Beretta da SRK do Reino Unido, com o meu apoio, e nós tratamos dos impactos em relação aos métodos de aproximação dos ângulos de talude quando nós fazemos a otimização de cava. Então este será o objeto do nosso estudo aqui.

Antes disso, é importante nós conhecermos bem o que significa ‘Otimização de cava’ – um conceito que é muitas vezes negligenciado; as pessoas só acreditam que, em uma mina, se não tiver uma cava ótima, nós não podemos seguir em frente com outras etapas. Na verdade, cava ótima é um conceito desenvolvido lá na década de 60, quando vieram algoritmos, o mais importante deles de Lerchs-Grossmann, onde nós simplificamos o problema da mineração, trazendo para um problema mais simples: ao invés de tentar se encontrar um plano de lavra, um sequenciamento de longo prazo, em uma única etapa de otimização, com um algoritmo que resolva esse problema, foi encontrado um algoritmo muito inteligente, chamado então de Lerchs-Grossmann (os nomes dos autores/criadores desse algoritmo) que simplifica e faz uma aproximação muito boa de qual seria o estado final da nossa mina, após passar por todo processo em todos os anos de operação. E por este algoritmo foi dado o conceito de ‘cava ótima’ porque ele garante a “otimalidade”. Mas “otimalidade” do quê?

É importante entender o que é que nós estamos buscando com o algoritmo de cava ótima e o que nós buscamos é o que está desse lado da tabela. Ele considera ângulos de talude, então as questões geotécnicas são levadas em conta nessa avaliação; considera o fluxo de caixa não descontado, então nós queremos maximizar o quanto de dinheiro eu vou receber, considerando que, estou minerando tudo hoje e estou processando tudo hoje. Assim, não existem outros impactos de desconto no tempo e estamos considerando que já foram definidos os destinos dos blocos que estão sendo lavrados.

Então eu preciso, como usuário, informar para o algoritmo que, se eu minerar esse bloco, ele será processado através dessa rota, ou esse bloco será descartado. Essa decisão é tomada antes de iniciar o processo de otimização e não depois ou durante. Não são consideradas restrições operacionais de nenhum tipo; não é considerada uma taxa de desconto – o valor do dinheiro ao longo do tempo é desconsiderado e isso tem impacto no processo de mineração; blendagem não é considerada; otimização do teor de corte, que é exatamente essa decisão que está muito associada a essa questão de destinos dos blocos – eu posso no início da operação separar o material de menor qualidade para poder acessar com maior velocidade um material de melhor qualidade que me dê um dinheiro mais rápido. Assim, entra esse conceito de otimização de teor de corte que está muito associado à questão do uso das pilhas de estoque. Nada disso é considerado quando nós fazemos uma otimização de cava.

Importante guardar este conceito porque, ao final do algoritmo, não temos nenhuma garantia de que a nossa cava – após um sequenciamento que leve em conta todos esses aspectos – continue sendo a melhor situação para o final da nossa mina. Então, vamos guardar este conceito, no próximo vídeo vamos passar para uma etapa posterior, começando a tratar dos dois diferentes métodos que estamos comparando nesse artigo para poder fazer a aproximação dos ângulos, dentro da cava final, e seus impactos na hora de se utilizar um algoritmo para otimização de cava. 

Te vejo na próxima!
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