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Olá! Meu nome é Thales de Araújo. Com esse vídeo, darei sequência a série de vídeos sobre o artigo “Sequenciamento Direto de Blocos”. 

Nos vídeos anteriores falei sobre os avanços tecnológicos computacionais e da tecnologia de sequenciamento direto de blocos; das tecnologias consideradas no artigo; os passos realizados em um planejamento de lavra convencional; os passos realizados em um sequenciamento direto de blocos; modelo de blocos, parâmetros e resultados da cava final e das cavas aninhadas geradas no planejamento de lavra convencional.

Agora tratarei dos sequenciamentos realizados. Com o objetivo de dar liberdade para que seja atingido o maior valor econômico possível com uso de cada tecnologia, foi decidido que parâmetros operacionais seriam ignorados nesse estudo. Portanto, todas as cavas aninhadas foram consideradas como fases de lavra, sem a exigência de uma largura mínima entre fases. 

Foi realizado um sequenciamento considerando as restrições de 20 milhões de toneladas por ano de alimentação da planta de concentração do minério e 60 milhões de toneladas por ano de movimentação total na mina.

Dessa forma, a cava será exaurida em 16 anos e possuirá um fluxo de caixa descontado de cerca de $758 Mi. Em seguida foi realizada uma otimização no teor de corte. O objetivo da otimização de teor de corte é a maximização do valor presente líquido ou do fluxo de caixa descontado. 

Para realizar essa otimização do teor de corte o usuário define teores de corte, de acordo com a sua experiência, e, por tentativa e erro, verifica quais configurações agregam mais valor ao projeto. A otimização de teor de corte antecipa a lavra de blocos com maior valor descartando blocos com teores marginais. Na prática, o que ocorre é um espécie de lavra predatória.

É possível ver na tabela, que na otimização do teor de corte o projeto teve uma redução de períodos, passou a ter 13 anos e lavrar 245 Mt, contra 308 Mt do sequenciamento anterior. Apesar disso, passou a ter um fluxo de caixa descontado maior no valor de $795. Como resultado extra, foi considerado um caso com uso de pilhas de estoque.

Para este estudo foram utilizadas quatro pilhas, duas considerando os teores de Cu e outras duas considerando os teores de Au. Nesse caso a cava se exaure em 12 anos com posterior retomada de pilhas de estoque formadas. O fluxo de caixa com desconto foi superior aos outros 2 testados, com um máximo em cerca de $838.

Durante os trabalhos realizados para o artigo, foram tomadas algumas cavas com fatores, por tentativa e erro, e realizados diversos sequenciamentos, com otimização de teor de corte e pilha de estoque. Também como resultado extra, um valor presente líquido ligeiramente superior foi encontrado considerando uma cava menor, com um fator de receita 0.92 e com inclusão de pilha de estoque.

Esse resultado reforça a afirmação de que a cava que possui melhores resultados econômicos não necessariamente é a cava que possui maior valor no fluxo de caixa não-descontado. 

Note que o fluxo de caixa acumulado da cava final (fator de receita=1) é maior do que $1,4 bilhão. Na cava com fator 0.92 esse valor é menor. Apesar disso essa cava foi a que retornou o maior valor presente líquido reportado pelo Whittle cerca de $839.

Neste caso, houve redução da vida útil e uma menor relação estéril/minério em relação a cava com fator 1. Além de possuir um valor presente liquido ligeiramente superior, esta cava, por estar associada a um preço menor dos metais (Au e Cu), possui um risco menor. Em contrapartida, esta opção possui uma quantidade de metal recuperada menor. 

A decisão de seleção da cava final fica condicionada as prioridades definidas pelo tomador de decisão, ou seja, valor, risco, quantidade de recurso, etc. Nos próximos vídeos entrarei nos resultados apresentados da tecnologia de sequenciamento direto de blocos. Um grande abraço e até lá!
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