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Olá! Meu nome é Thales de Araújo. Com esse vídeo, darei sequência à série de vídeos sobre o artigo “Sequenciamento Direto de Blocos”. No vídeo anterior fiz uma introdução, falei sobre os autores, os avanços dos últimos anos do tema e as tecnologias abordadas no artigo.

Veremos agora todos os passos comumente realizados no planejamento de lavra de uma mina a céu aberto. Os passos serão vistos de forma geral, podendo ter variações para cada software.

O processo tem início no modelo de blocos, uma discretização da geologia em blocos, que contém informações como, por exemplo, de coordenadas, litologias e teores. 

No passo seguinte é necessário definir uma cava final ótima. Para tanto, é necessário importar um modelo de blocos e uma topografia e informar ao software uma série de parâmetros – geotécnicos (como ângulos de talude), geométricos (como altura de banco, largura mínima do fundo da cava), operacionais (como recuperações e diluições) e econômicos (como custos de produção e preços de venda). Também é necessário informar qual destino será tomado por um bloco, caso ele seja minerado, seja para uma determinada rota de processo, pilha de estoque ou estéril. Note que é preciso definir, antes do processo de otimização da cava final, o destino que cada bloco terá.

O software, então, gera uma série de cavas, também chamadas de cavas aninhadas, onde cada cava gerada possui seu próprio potencial de ser minerada, sob condições econômicas específicas informadas. Na prática são atribuídos fatores a um determinado preço de venda e, assim, obtidas diferentes cavas para diferentes preços de venda.

De acordo com estratégias ou diretrizes da empresa, é selecionada uma cava final matemática e é executada a sua operacionalização, ou seja, são projetados os bancos, acessos e estradas.

Na sequência é necessário que sejam definidas fases de lavra, também conhecidas como pushbacks. Essas fases têm como um dos seus objetivos principais definir condições operacionais favoráveis para as etapas seguintes de sequenciamento de lavra. Assim, algumas das cavas aninhadas são selecionadas pelo usuário ou pelo software. Posteriormente, ou o software manipula as superfícies ou o usuário escolhe as cavas para que as mesmas atendam a um critério de largura mínima entre fases. 

Definida as fases, são adicionadas restrições, como por exemplo, de operação, produção ou equipamentos e é realizado o sequenciamento de lavra, período a período como, por exemplo, ano a ano.

Concluído o sequenciamento, os resultados econômicos são avaliados. Na tentativa de melhorar esses resultados, restrições podem ser modificadas e artifícios como otimização do teor de corte e inclusão de pilhas de estoque podem ser utilizados. É importante colocar que cada modificação realizada requer novos sequenciamentos e análises.

Considerando que cada um desses passos mostrados é obtido separadamente - cava final com cavas aninhadas; fases de lavra; sequenciamento operacional - com ou sem blendagem; otimização de teor de corte; pilhas de estoque; etc., não há garantia de que o resultado final terá valor econômico ótimo, mesmo que cada uma das etapas seja executada de maneira ótima.

No próximo vídeo tratarei sobre os passos do sequenciamento direto de blocos. Um grande abraço e até lá!
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