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Estamos aí de volta, seguindo com a nossa série sobre os impactos na otimização de cava no tocante à aproximação dos ângulos de talude e vamos apresentar dois métodos. Na última oportunidade nos falamos sobre o que é otimização de cava, a que ela se propõe – não é encontrar um sequenciamento otimizado, mas uma boa aproximação de até onde a nossa mina será minerada. E hoje nós vamos falar um pouco sobre o método mais utilizado para se respeitar aspectos geotécnicos na hora de passar para o algoritmo, decidir o que será minerado ou não.

Isso tudo está baseado em Teoria de Graphos e um exemplo bem simples de duas dimensões, considerando 45 graus como ângulo fixo de talude, para retirar o bloco número 1 eu preciso retirar os blocos 2, 3 e 4 que estão acima deste bloco, isso considerando 45 graus. Olhando em 3 dimensões, nós poderíamos ter uma aproximação como essa: para eu retirar o bloco número 5, eu preciso retirar os blocos 6, 7, 8, 9 e 10 e isso define uma ordem de precedência – eu preciso retirar tais blocos, caso eu queira acessar um bloco que está mais abaixo. E um algoritmo de otimização (nós estamos mostrando aqui, no caso, uma rede que trata de fluxo, um grapho representado aqui) é como o computador entende de uma maneira bem simplificada. Para retirar o bloco número 1 eu precisaria retirar os blocos 4, 5 e 6. Para retirar o número 3, eu precisaria retirar o 6, 7 e 8. Então você vê as representações com estes arcos e setas apresentadas aqui num caso bem simplificado de como é representado dentro do computador as precedências dos blocos. Daí o nome ‘métodos baseado em precedências’.

Essa figura é retirada do próprio manual do Whittle, que é um software de mercado que utiliza o método de Lerchs-Grossmann pra encontrar a cava final, a cava ótima. E para esse método eu dei um exemplo bem simples com 45 graus, mas imaginem casos um pouco mais complexos. Vamos supor que eu queira respeitar esse ângulo que está aqui na linha preta, mais escura, para poder retirar esse bloco inferior. Se eu quiser ser muito conservador, eu preciso avaliar vários níveis acima, ou seja, eu precisaria retirar todos os blocos cujo centroide está acima dessa linha preta. Então para ser muito rigoroso eu precisara avaliar muitos níveis acima. Se eu for menos rigoroso para o algoritmo funcionar mais eficientemente e disser que eu vou olhar apenas um nível acima, reparem que eu vou exigir apenas que esses dois blocos sejam extraídos para extrair esse, quando eu venho pra esse bloco eu vou exigir que apenas esses três acima sejam extraídos e, se eu continuar nessa lógica, no final essa vai ser a aproximação de ângulo que eu vou ter – essa linha verde mais inclinada.

Então reparem que, à medida que você aumenta o número de bancos considerados nessa avaliação, você está sendo mais fiel ao que você deseja – ao ângulo desejado que está sendo aproximado para o algoritmo trabalhar. 

Na próxima oportunidade nós vamos passar um pouco sobre alguns exemplos um pouco mais práticos que passo aqui rapidamente, mostrando essa questão das precedências e essa aproximação quando nós precisamos, no final, transformar essa questão de quais blocos estão sendo extraídos em uma superfície, porque nós vamos minerar superfícies e não blocos. Então é importante fazer essa conversão depois, para você ter uma superfície a qual será operacionalizada, incluindo rampas, etc., a partir do que o algoritmo te entregou que foi simplesmente um conjunto de blocos que vai ser minerado naquela cava. 

Falaremos disso na próxima oportunidade. Um abraço!
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