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Yani Rebouças
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Do amor e suas nuances
E há o amor Esse que não tem prazo ou validade E que prescinde de corpo Que transpõe barreiras e datas E vai além Há o tempo Esse que não se mede Que não se conta e nem se pede Há verdades Essas que não são minhas Mas que afloram Em qualquer intangível inst...

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Sou quando me vês
O duro não é perder seu sorriso que não vou mais ouvir O duro não é perder seu calor que não vou mais sentir O duro, duro mesmo, duro como pedra é a ausência do seu olhar que não mais me vê. Seu olhar me constituía Eu era filha Eu era mãe Eu era irmã Eu sim...

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Esperando São João...
Há nas bandeirolas de um junho esquecido Um tanto de dor de um seco agosto De uma infância passada De doces perdidos De festas lembradas Agora sem nenhum sentido O aniversário do tio que chama João Como o santo padroeiro da folia E que espera o fim do infin...

O texto abaixo não é meu, mas faço minha CADA PALAVRA dele!! 

"Difícil não é explicar para minhas filhas por que dois homens ou duas mulheres se beijam... Difícil, quase impossível para mim é explicar por que dois seres humanos se matam, por que seres humanos estão jogados na rua passando fome, por que seres humanos acreditam que uma época como a ditadura, onde jovens que lutavam por liberdade foram mortos e torturados é para alguns uma época boa... Incoerente para mim é acharem que tenho que explicar para minhas filhas o amor, enquanto seres humanos torturam animais apenas para sua diversão, crianças são violentadas, jovens preferem se anestesiar com drogas pesadas arriscando suas próprias existências a se manterem despertos nesse mundo. É para mim, em pleno século XXI tão difícil explicar para minhas filhas como o mundo está assim ainda hoje e como querem tão ardentemente que se retorne um período denominado pelo homem Idade das Trevas... Mas explicar por que dois seres humanos se beijam e se amam? Isso nunca vai ser difícil para mim... Isso é evolução da raça humana, amar pelo interior do ser, e não por seu sexo, e não para reprodução..."

Adriana Pasquinelli

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A rosa desfolhada - Vinícius de Moraes

Tento compor o nosso amor 
Dentro da tua ausência 
Toda a loucura, todo o martírio 
De uma paixão imensa 
Teu toca-discos, nosso retrato 
Um tempo descuidado 

Tudo pisado, tudo partido 
Tudo no chão jogado 
E em cada canto 
Teu desencanto 
Tua melancolia 
Teu triste vulto desesperado 
Ante o que eu te dizia 
E logo o espanto e logo o insulto 
O amor dilacerado 
E logo o pranto ante a agonia 
Do fato consumado 

Silenciosa 
Ficou a rosa 
No chão despetalada 
Que eu com meus dedos tentei a medo 
Reconstruir do nada: 
O teu perfume, teus doces pêlos 
A tua pele amada 
Tudo desfeito, tudo perdido 
A rosa desfolhada

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A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Fabrício Carpinejar

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. 

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. 

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. 

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. 

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. 

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. 

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. 

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. 

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. 

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. 

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? 

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. 

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. 

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. 

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido

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