Profile cover photo
Profile photo
Bhante Katukurunde Ñāṇananda
41 followers -
Citações de Bhante Katukurunde Ñanananda
Citações de Bhante Katukurunde Ñanananda

41 followers
About
Posts

Post has attachment
Interesse e Repouso

O interesse leva até a metade do caminho. Esse é o 'xis' da 'questão' - onde nos imiscuímos com um 'Mas que coisa...'
'Ficar interessado' em alguma coisa é encontrar um 'poleiro' na natureza avoada do pensamento, para cuja rapidez - o Buddha declarou - não há paralelo.

''Não é fácil dar um símile demonstrativo da rapidez com que os pensamentos mudam'' ANI10.

Então, como é que o 'interesse' fica?

Por interessante que possa parecer, interesse ('chanda') é um eufemismo para anseio ('tanhā'). É um representativo aparentemente inócuo para anseio - uma aparência mais suave dele, por assim dizer. Ele trabalha quase invisível, como a raiz de uma planta. É o 'mouse' que controla o 'cursor'- atenção ('manasikāra').

Onde repousa o interesse, você se encontra atento a algum ponto de contato (phasso) e se torna consciente de três graus de sensações/sentimentos (vedanā) - agradáveis, desagradáveis e neutros (sukha, dukkha, adukkamasukha).
Sua concentração, então, adere à coisa escolhida - e lá está você!

Concentração é o prenúncio da 'coisa' e você fica feliz, infeliz ou entediado.

Você está agora plenamente envolvido nela com 'mente-plena' (sati). Ou seja, você pode estar com a mente plena de seu prazer, dor ou tédio.

De acordo com o Buddha, o mundano não instruído está sempre "na gangorra", entre dor e prazer. É o 'beco sem saída em que se encontra' - ignorante como é.

'...... ..ao ser tocado pelo sentimento doloroso, ele se deleita nos prazeres dos sentidos, e por que isso? O mundano sem instrução, monges, não conhece caminho para escapar da sensação dolorosa, exceto sentir prazeres'...... .. SI 208
Mas há uma saída deste beco sem saída? Existe um fim para este 'gangorrear'?

'Sim', diz o Buddha, você tem que se mover em direção ao ponto de apoio - abandonando as extremidades, dor e prazer. Você tem que encontrar interesse no neutro, embora isso possa parecer 'chato'. Na verdade, você tem que seguir entediado para o meio. Se nos aprofundarmos no meio, podemos chegar à Verdade e encontrar uma Saída.

É verdade que não estamos normalmente 'interessados' no neutro. Nós simplesmente o ignoramos. Somos indiferentes. Aí mesmo é que a ignorância espreita. No entanto, se nos aprofundarmos neste momento com atenção correta (yoniso manasikāra) a ignorância se transforma em sabedoria. Essa é a luz em que você vê a saída.

Uma vez o Buddha instruiu os monges sobre como deveriam responder a uma série de questões susceptíveis de serem levantadas por ascetas errantes de outras seitas a respeito da origem, do funcionamento e do propósito de 'todas as coisas' (sabbe dhammā).

"....... quando assim questionados, monges, vocês devem responder a esses ascetas errantes da seguinte forma''

"Enraizadas no interesse (desejo) são todas as coisas.
Nascidas da atenção são todas as coisas.
Surgidas do contato são todas as coisas.
Convergindo na sensação são todas as coisas.
Dirigidas pela concentração são todas as coisas.
Dominadas pela atenção plena são todas as coisas.
Transpassáveis pela sabedoria são todas as coisas.
Producentes de libertação são todas as coisas.
Unidas à não-morte são todas as coisas.
Findáveis em Nibbāna são todas as coisas.
''Quando questionados assim, monges, vocês podem responder desta forma àqueles ascetas errantes de outras seitas"- 106f AV

Então, no fim das contas, o interesse leva apenas até metade do caminho, e é a sabedoria que se encarrega do que resto. Na verdade, você está plenamente 'repousado' quando não está 'interessado'!

http://seeingthroughthenet.net/books/
From Topsy-turvydom to Wisdom
(Volume 2)
An anthology of writings by
Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda

* O Muito Venerável usa as palavras 'rest' e 'interest' de forma que o texto provoque mais do que o escrito. O tradutor para o português não consegue. Mas mesmo numa tradução aquém o texto permanece além.




Interest and Rest

Interest takes you half the way. That is the 'root' of the 'matter' – where we butt in with a 'But the thing is...”

To 'get - interested' in something is to find a 'perch' in the fleeting trend of thought, the rapidity of which the Buddha declared – has no parallel ''.

''It is not easy to give a simile to show how rapidly thought changes, ''A. N. I.10.

Then how does 'interest' come in?

Interesting as it may seem, interest ('chanda') is a euphemism for craving ('tanhā'). It is a seemingly innocuous representative. of craving- the lightest shade of it, as it were. It works almost unseen like the root of a plant. It is the 'mouse' which controls the 'cursor' - attention ('manasikāra').

Where interest rests, you find yourself attending to some point of contact (phasso) and you become aware of three grades of feeling (vedanā)- pleasant, unpleasant and neutral (sukha, dukkha, adukkamasukha).

Your concentration now picks up the thing of your choice – and there you are!

Concentration is the harbinger of the 'thing' and you are either happy, unhappy, or bored.

You are now fully involved in it with 'mind–fulness” (sati) That is, you can be mindful of your pleasure, pain or boredom.

According to the Buddha, the uninstructed wording is always 'see sawing' between pain and pleasure. It is the 'blind alley he finds himself in - ignorant as he is.

' ……..on being touched by painful feeling, he delights in sense pleasures, and why is that? The uninstructed worldling, monk, knows no way out of painful feeling, other than sense pleasures '…….. S I 208

But is there an exit from this blind alley? Is there an end to this 'see-sawing'?

'Yes' says the Buddha, you have to move towards the middle the fulcrum - leaving the extremes of pain and pleasure. You have to find an interest in the neutral, though it may appear 'boring' . In fact you have to go on boring at the middle. If we delve deeper at the middle, you can get at the Truth and find an Exit.

It is true that we are usually not 'interested” in the neutral. We simply ignore it. We are indifferent. All the same , ignorance lurks there. However , If we delve deeper at this point with right attention (yoniso manasikara) ignorance gets transformed into wisdom. That is the light in which you see the exit.

At one time the Buddha instructed the monks as to how they should reply to a series of questions likely to be raised by wandering ascetics of other sects, concerning, the origin, behavior and purpose of 'all things ' (sabbe dhammã).

“……. when thus questioned, monks, you may reply to those wandering ascetics as follows''



'Rooted in interest (desire) are all things.

Born of attention are all things.

Arising from contact are all things'.

Converging on feeling are all things.

Headed by concentration are all things.

Dominated by mindfulness are all things.

Surmountable by wisdom are all things.

Yielding Deliverance as essence are all things.

Merging in the Deathless are all things.

Terminating in Nibbana are all things.

''When thus questioned monks, you may reply in this way to those wandering ascetics of other sects” - A V 106f

So, after all, interest takes you only half the way, and it is wisdom that takes care of the rest. In fact, you are fully 'at rest' when there is no 'inter-rest'!*
Add a comment...

Post has attachment
A Consciência Pode Ver A Si Mesma?
Para aqueles interessados em entender como o insight leva à iluminação, provavelmente o melhor recurso contemporâneo seja os textos do venerável Ñāṇananda.
Este venerável monge, atualmente residente no Sri Lanka (este texto é de abril de 2008. O venerável faleceu em 22/02/2018), combina um profundo entendimento do cânone pali - não apenas em teoria (ele era acadêmico no idioma pali em Peradeniya na sua juventude), mas também na prática (ele estudou com o mestre de meditação mais realizado do Sri Lanka do século passado, o Ven. Sri Matara Ñāṇārāma).
Além de sua famosa série “Nibbāna Sermons” em 33 partes, um tour-de-force no cânone pali com Nibbāna como único tópico, esclarecendo o supremo objetivo buddhista, ele publicou recentemente “From Topsy-turvydom to Wisdom” - uma série esclarecedora de textos menores focando principalmente em meditação.
Neste post eu selecionei passagens de três daqueles textos que são especialmente "esclarecedoras" na minha humilde opinião:

“Alguns visionários da antiga Índia afirmaram que é impossível compreender a consciência em si, porque é com a consciência que conhecemos tudo. Eles pensavam que seria como tentar tocar a ponta do dedo com a ponta do mesmo dedo.”
'Mas temos que nos familiarizar mais com os cinco representantes do Nome. Vamos tê-los na ponta dos dedos. Na verdade, é possível até contá-los nos dedos. O sentir (vedanā) é o dedo mindinho, pequeno mas travesso. Percepção (saññā) é o dedo anular, tão popular quanto notório. Intenção (cetanā) é o dedo médio, proeminente e intrusivo. Contato (phasso) é o indicador, agitado e ocupado o tempo todo. Atenção (manasikāro) é o polegar, à parte do resto mas acessível.”
'Agora, de todos, quem será nossa testemunha do funcionamento dos bastidores no show de mágica da consciência: a atenção, claro. Ela é a mais competente quando não há testemunhas para provar um caso de assassinato ou roubo. Às vezes os juízes dão liberdade a um dos supostos culpados sob o juramento 'você tem que dizer a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade".
'Assim é neste caso do trágico drama da consciência, embora ela mesma culpável, a atenção é confiável como testemunha, desde que ela cumpra seu dever como Atenção Correta (yoniso manasikāro).”
'Aí a atenção irá gradualmente revelar o que o sentir sente, o que a percepção percebe, o que a intenção tenciona, o que o contato contata e, por último, mas não menos importante, ao que a atenção se atenta.”
'É por isso que todos os meditadores do insight destacam a atenção como o tratamento preferencial quando querem obter toda a história interna do trágico drama da consciência.”

Em seu livro “Magic Of The Mind”, o venerável Ñāṇananda introduziu o símile do show de mágica (usando a comparação feita pelo Buddha da consciência sendo como um mágico no SN) e explicou em detalhes como um meditador de insight vai se afastando da posição do simples espectador “vivendo em” e sendo “dominado” pelos truques do mágico em direção à posição de alguém que está começando a ver os bastidores e por trás dos feitos do palco, o que resulta em desapaixonamento e desencanto.
Aqui, ele reconecta esse símile com a definição de nome-e-forma (nāmarupa) e como um meditador vai usar, na prática, uma de suas faculdades mentais para espiar por trás do engendramento que ocorre entre a consciência e o nome-e-forma.
Onde hoje em dia o termo sati (“lembrança”) do verbo sarati (“lembrar”) assumiu vida própria e é muito usado no sentido de “estar atento” no lugar onde o cânone pali usaria “yoniso manasikāro” (estreita / minuciosa / atenção em profundidade) a explicação do Venerável Ñāṇananda nos dá uma ideia do momento paradoxal que o instante da iluminação deve ser - é quando a atenção revela ao que a atenção se atenta e a dualidade entre consciência e nāma-rupa desaparece em um momento de bhavanirodho - ou extinção de ser.
Desta forma, pode-se dizer que, se você usa samma-sati (ou correta lembrança), você está praticando uma forma de yoniso manasikāro (ou atenção focada), enquanto mantém sua atenção assistindo/lembrando/re-atentando “aquilo que é” em termos do clássico rotular (o Maha-Satipatthāna) gradualmente refinando o processo de atenção para objetos cada vez mais sutis, indo de “uma experiência do mundo” para “como o mundo” é gerado até chegar neste córtex samsārico, a interação entre a consciência-nome/forma que é basicamente a enxurrada de seis impressões sensoriais, contato, sentir que chegam e são refletidos na consciência e criam sua dualidade aqui e agora e o eco de um eu imediatamente seguido por pensamentos de agarrar e aderir-se neste caos de bolhas fugazes.
Vamos para outro texto, que agora soará como um resumo do supracitado:

“Ao longo de nossas vidas, estamos caminhando por uma galeria de arte. Na vasta tela do mundo ao nosso redor, há objetos e seres tão realistas e viventes que vivemos totalmente imersos e envolvidos neles. Os misteriosos quatro elementos - terra, água, fogo, ar - com cor e forma para nos iludir, mantêm o panorama em movimento, por isso estamos fascinados.'
“A percepção do Nome e Forma ajuda-nos a jogar fora o feitiço produzido pelo ver. A contemplação dos quatro elementos dentro e fora de nós, formando a urdidura e a trama da tela do mundo, nos dá um vislumbre da sua irrealidade tridimensional na qual vivemos. Este é o aspecto 'forma' da imagem - sentir, percepção, intenção, contato e atenção nos quais ficamos fascinados pelo panorama, constituem o aspecto de “nome” do quadro. Praticando plena consciência em relação a eles, nos tornamos observadores desapegados de nosso emoldurado mundo.'
“Conscientes desta estrutura do nome e forma, podemos observar as cenas na tela quando elas surgem, aparentam e cessam como se estivéssemos assistindo a um filme imóvel.”

Outra maneira de descrever a configuração e a experiência da mente momento a momento é a famosa declaração do Buddha dos “cinco grupos do apego” ou panca upadānakkhanda. Eles são forma, sentir, perceber, formar pensamentos, conscientizar. Então eles, basicamente, são o mesmo que consciência-nama/rupa, mas colocados todos juntos numa lista - não classificando a dicotomia entre consciência e nome-e-forma, mas listando-os como os agregados de nosso apego. Com uma comparação simples, você verá que, do grupo de formações mentais, o Buddha destaca especialmente o contato, a volição e a atenção em sua definição de nome e forma. De todos os “sankhāras” ou formações mentais a que nos apegamos, a interação entre a atenção baseada em certas volições e o contato é o local de trabalho do meditador. Sankhāras não são apenas a lubrificação que mantém o equipamento samsārico em sua contínua operação e proliferam nossa experiência verbal momento a momento com toda uma montanha de conceitos, mas também pode mexer na poeira de sabedoria que "contamina" esta caixa de engrenagens e levá-la à beira de um enguiço (bhavanirodho).
Mas não tenha medo, geralmente nossas atividades mentais produzem “lubrificação” suficiente em termos de conceitos e proliferação verbal que dificilmente existe uma chance de que esta “caixa de câmbio” da consciência vs. nome e forma enguice tão cedo…

“A tragédia, no entanto, é que todos esses 5 grupos estão se desintegrando. Não há nada permanente ou substancial neles do que se orgulhar como um self. Eles traem a confiança que se deposita neles como "eu e meu". Diante da mudança e da desintegração, a própria existência do eu é ameaçada. Esta é a terrível situação do ser auto-orientado.'
“A solução do Buddha para esse sentimento crônico de insegurança é o desenvolvimento da percepção da impermanência. Para adotar uma visão mais realista dos cinco grupos como impermanentes, compostos, dependentemente surgidos e da natureza de se desfazer, desaparecer, desintegrar e cessar, é preciso atentar continuamente à sua ascensão e queda com atenção plena e plena consciência. A percepção do singular gradualmente dará lugar à percepção do composto. Na contemplação do surgir e cessar, discernir-se-á não apenas as diluições do oceano da impermanência, mas também as ondas, as ondulações e as vibrações. Isso leva ao desencantamento. A pessoa se afasta do hábito samsārico profundamente enraizado de agarrar, segurar e aderir-se aos cinco grupos fugazes que garantem nenhuma segurança. Abandonando o apego aos cinco grupos, vê-se como única segurança a liberdade desengatada da mente - a sublime paz de Nibbāna.”

http://www.theravadin.org/…/05/can-consciousness-see-itself/
Add a comment...

Post has attachment
Um Farol Que Iluminou O Caminho Do Dhamma - 2ª parte

Entrevista com o monge erudito nascido na Alemanha Bhikkhu Anālayo.

Enquanto na entrevista de ontem o muito Venerável Uda Eriyagama Dhammajīva compartilhou memórias de sua vida monástica com o falecido muito Venerável Kaṭukurunde Ñāṇananda Mahāthera, hoje nós apresentamos a entrevista de outro discípulo do Mahāthera, o Venerável Anālayo, um bhikkhu nascido na Alemanha.

O Venerável Anālayo foi ordenado no Sri Lanka há 23 anos (1995) sob o falecido Ven. Balangoda Ānanda Maitreya Mahāthera. Ele completou uma tese de doutorado sobre o Satipaṭṭhāna-sutta na Universidade de Peradeniya (publicado pela Windhorse no Reino Unido) e uma pesquisa de habilitação na Universidade de Marburg, na Alemanha, na qual ele comparou os discursos do Majjhima-nikāya (suttas) com seus paralelos chineses, sânscritos e tibetanos.
Atualmente Bhikkhu Anālayo é professor da Universidade de Hamburgo, co-diretor do Āgama Research Group at the Dharma Drum Institute of Liberal Arts (Taiwan) e membro do corpo docente do Barre Center for Buddhist Studies (Mass., EUA). O venerável passa cinco dias por semana em retiro solitário e dedica o fim de semana a traduções, trabalhos de pesquisa e ensino. Ele tem sido fundamental para levar os ensinamentos do falecido Ven. Kaṭukurunde Ñāṇananda Mahāthera para uma audiência maior, notavelmente na Academia de língua inglesa e na cena do Dhamma no Ocidente.

Trechos:

Você poderia contar como conheceu o Ven. Katukurunde Ñanananda e, em seguida, passou a se encontrar com ele?

Pelo que me lembro, a primeira vez que nos encontramos ele veio ao Centro de Meditação de Lewella - um pequeno centro de meditação nos arredores de Kandy pelo qual eu era responsável. Ele foi levado lá pelo Sr. Mapa, seu principal discípulo - e, naquela época, curador público do Sri Lanka, e mais tarde embaixador do Sri Lanka em Mianmar. O Ven. Kaṭukurunde Ñāṇananda estava em uma visita casual ao local e fazendo um pouco de turismo. Então eu acho que foi a primeira vez que nos encontramos pessoalmente, embora eu já tivesse ouvido falar sobre ele e conhecesse seu ‘Concept and Reality’.

Acredito que, não muito tempo depois disso, ele fez uma tradução em inglês do primeiro de seus famosos Sermões Sobre Nibbāna, oferecido originalmente em cingalês no Meetirigala Nissaraṇa Vanaya. Ele havia feito isso apenas em uma fita cassete e dado ao, eu acho, Sr. Mapa. O Sr. Mapa passou então para Godwin Samararatne, ou pode ser que o Ven. Ñāṇananda tenha dado diretamente para Godwin, eu não sei. Mas através de Godwin, do Centro de Meditação de Nilambe, que era meu kalyāṇamitta, eu ouvi esta tradução em inglês do primeiro desses trinta e três Sermões sobre Nibbāna. Eu fiquei eletrificado. Eu nunca havia encontrado ensinamentos e exposições tão claros e profundos sobre os suttas em pali. Pode ter sido no mesmo dia, ou logo depois, eu fui lá imediatamente. Ele estava residindo em Kegalle, vivendo em uma caverna. Eu disse: “Bhante, você continua traduzindo, eu faço todo o resto. Vou digitar e fazer o que for necessário”.

E assim, a partir de então pelos próximos, acredito que dez anos, o venerável em sua caverna traduzia seus próprios sermões do cingalês para o inglês e os gravava em uma fita cassete. Eu então pegava essas fitas cassete, sentava lá no Centro de Meditação Lewella e as transcrevia. Eu também encontrava todas as referências - pois eu tinha um computador, e naquela época o Canon Pali já havia sido digitalizado. Por isso, foi bastante fácil digitar o texto em pali e pesquisar. Sua pronúncia em pali era muito clara e eu conseguia encontrar todas as referências e, em seguida, fornecer todas as notas necessárias para direcionar o leitor para a edição da Pali Text Society das passagens em pali que o Ven. Ñāṇananda citava nos sermões. E assim, em função deste trabalho de transcrição e anotação, eu ia visitá-lo, talvez a cada dois ou três meses, aproveitando a ocasião para fazer todas as mil e uma perguntas que eu podia em relação aos sermões ou outras partes dos suttas em pali. Ele sempre foi muito gentil dialogando e explicando as coisas para mim. Juntamente com o Ven. Bhikkhu Bodhi, o Ven. Kaṭukurunde Ñāṇananda foi meu segundo professor principal; eu considero esses dois bhikkhus como as fundações de todo o meu trabalho.

O que você afirma ser o ponto mais importante do Dhamma esclarecido ou transmitido a você pelo Mahā Thera?

Eu acho que o ponto mais importante - que é um pouco difícil de identificar porque aprendi muito com ele - foi sua ênfase implacável no Nibbāna. Ele esclarece de que maneira todos os diferentes ensinamentos eventualmente apontam para uma coisa, a liberação total de todas as impurezas e a destruição do desejo que é Nibbāna.

De que forma o encontro com o Mahāthera inspirou sua vida e prática como monge erudito e meditante?

Acho que já respondi um pouco a essa pergunta. Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda e Bhikkhu Bodhi, juntos, foram as duas influências mais importantes na minha vida monástica e, em particular, na compreensão dos suttas em pali. O Ven. Ñāṇananda também inspirou profundamente minha prática de meditação. Não tanto no sentido de instruções reais de meditação - a prática que estava sendo seguida lá em Kegalle por ele e pelos discípulos que estavam morando com ele não era a prática que eu seguia naquela época - mas, muito mais, em termos de levar a sério os discursos, levar a sério o que eles têm a oferecer, olhando-os em seu valor intrínseco e através das lentes da tradição posterior.

Com todo o respeito aos Comentários e trabalhos escolásticos posteriores, que sem dúvida deram contribuições muito importantes para nossa compreensão e prática, e certamente estão mais próximos do tempo e do mundo da preleção original dos Discursos do que nós, é refrescante sermos capazes de pô-los um pouco à parte a fim de criar espaço e olhar para os Discursos por si mesmos.

O que os Discursos em pali têm a dizer sobre as práticas centrais de meditação?O que eles têm a nos oferecer para entendermos os aspectos profundos do Dhamma?

Eu acho que esse é provavelmente o impacto mais importante que o venerável teve em mim. Certamente nem o venerável nem eu defenderíamos uma espécie de fundamentalismo do Sutta ou do Buddhismo Antigo em que a tradição Theravada seja rejeitada; é mais uma questão de trilhar um caminho intermediário entre a total confiança na ortodoxia textual e a total confiança nas opiniões pessoais e na potencial arrogância da subjetividade.

Mas devo dizer também que a transcrição dos Sermões sobre Nibbāna - você sabe, quando você transcreve você ouve de novo e de novo - é, de certa forma, uma meditação guiada de algum tipo para mim. Eu ouvia e ouvia esses sermões, e captava pontos mais delicados em certos aspectos que ele apontava. Por causa de sua própria ênfase implacável em Nibbāna isso sempre influencia de alguma forma minha própria prática.

Você iniciou recentemente um programa de e-learning dos Sermões Sobre Nibbāna na Universidade de Hamburgo - uma das instituições de maior prestígio para o estudo do buddhismo no Ocidente - em colaboração com o Centro Barre de Estudos Buddhistas - que, por sua vez, é o mais antigo centro de prática de insight nos Estados Unidos. Como você apresenta os Sermões? Que tipo de alunos estão participando do curso?

O principal objetivo de apresentar os Sermões Sobre Nibbāna nestes dois lugares muito conhecidos e influentes, o Centro Numata de Estudos Buddhistas da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, e o Centro Barre de Estudos Buddhistas, em Massachusetts, nos EUA foi, principalmente, para trazer mais atenção para eles.

Por isso pensei em fazer um curso on-line que atraísse mais atenção para eles, e a vantagem é que, como um curso on-line universitário, não há custo, é tudo grátis e, portanto, preserva o espírito do venerável de não querer que qualquer tipo de venda ou negócio esteja associado aos seus ensinamentos mas, ao mesmo tempo, faz com que eles se destaquem com muito mais proeminência do que as publicações de distribuição gratuita que nem sempre estão prontamente disponíveis fora de certos círculos. E isso os torna mais visíveis internacionalmente por pessoas que antes talvez nem ouvissem falar dele, muito menos de seus sermões. Nós planejamos isso em três anos. Nós fizemos os Sermões de 1 a 11 no ano passado e agora estamos fazendo de 12 a 22 e, então, o restante, os últimos onze, será no próximo ano.

Passamos pelos Sermões e eu, às vezes, faço comentários adicionais sobre eles, em especial na minha área de especialização, que é o estudo comparativo dos Discursos Buddhistas Antigos. Além dos Discursos em pali, temos também os produtos finais do mesmo tipo de transmissão oral preservados em outras línguas, como o chinês, o sânscrito e o tibetano. Esta é a minha própria área de estudo e pesquisa, particularmente comparando os suttas em pali com seus paralelos nos Āgamas chineses (os correspondentes aos Nikāyas em pali ), que muitas vezes nos ajudam a identificar algumas passagens que podem ter sofrido com erros de transmissão de uma maneira ou outra durante o curso da transmissão textual, ou para esclarecer passagens complicadas. Eu costumo apontar qual é a perspectiva baseada em tais paralelos.

Os estudantes que participam do curso são, acima de tudo, os da Universidade de Hamburgo ou matriculados em programas semelhantes de Estudos Buddhistas em outras universidades do mundo. Mas há também um grande número de meditadores e praticantes do Dhamma que ouviram falar dessas aulas on-line. No ano passado tivemos mais de 600 alunos matriculados no curso - nem todos, é claro, foram à sala de aula virtual para ouvir todas as palestras, mas há um diálogo on-line muito animado no fórum de discussão. E nesse fórum há uma troca entre os participantes, focando em tópicos contemplativos, tanto doutrinários quanto práticos, relacionados a cada sermão. Normalmente, no começo de cada aula, eu faço alguns comentários. No final do curso as palestras ficam disponíveis gratuitamente on-line para que qualquer pessoa que não tenha conseguido se inscrever no curso ainda possa acompanhar a apresentação em qualquer momento que achar adequado.

Acredito que esta tentativa de dar mais ênfase e publicidade mais ampla aos Sermões Sobre Nibbāna foi muito bem sucedida e eu realmente espero que estes ensinamentos poderosos do Ven. Ñāṇananda continuem a inspirar outros praticantes e estudantes do Buddhadhamma pelo mundo afora.

http://www.dailymirror.lk/article/A-lighthouse-that-illuminated-the-path-of-Dhamma-contd--149312.html
Add a comment...

Post has attachment
Um Farol Que Iluminou O Caminho Do Dhamma

O muito Venerável Kaṭukurunde Ñāṇananda Mahā Thera faleceu nas primeiras horas de 22 de fevereiro de 2018 no Hospital Nacional Colombo. O prelado e seus ensinamentos - particularmente sua inovadora monografia 'Concept and Reality' e as séries Nivanē Nivīma e Pahan Kaṇuva Dharma Dēśanā - dificilmente precisam de qualquer introdução. Tendo vivido uma vida de estudo, meditação e generosa orientação de gerações de discípulos em reclusão, evitando a publicidade, o oficialismo e qualquer cerimonialismo público ou privado, é uma tarefa desafiadora falar e escrever sobre sua vida e sua morte.

Como se palavras de louvor e expressões de respeito fossem se imiscuir na paz da morte, empalidecendo diante do silêncio da cessação, Nirvāṇa, para o que o venerável fora implacavelmente inclinado - papanca (prapañca) ou proliferação, para tomar emprestado um dos temas favoritos de escrutínio textual e contemplativo do Venerável. No entanto, por ocasião do Vesak, a observância do Nascimento, Despertar e Parinirvāṇa do Buddha, parece apropriado regozijarmo-nos na prática de um dos Seus atuais discípulos eminentes, o Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda.

Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda é bem conhecido por ter aberto novos caminhos na paisagem intelectual e meditativa do Sri Lanka da segunda metade do século XX até o início do século XXI. Ele desafiou a exegese autoritária do Theravada srilankês, escapando da ortodoxia comentarial. Além disso, embora nunca tenha saído da ilha, exceto para visitar a Índia, seu trabalho tem sido muito influente na academia buddhista ocidental e entre os praticantes.

Dois eminentes monges aceitaram o convite para recordar seus encontros de Dhamma com o falecido Mahā Thera. A primeira voz a ser ouvida é o Ven. Uda Eriyagama Dhammajīva, abade e principal preceptor do Meetirigala Nissarana Vanaya. A segunda é de um bhikkhu e erudito nascido na Alemanha, Ven. Anālayo. Ambos foram discípulos do falecido Mahā Thera e também se conhecem há mais de duas décadas. Hoje estamos publicando a entrevista com o Ven. Dhammajīva e continuaremos amanhã com o Ven. Anālayo.

Ven. Uda Eriyagama Dhammajīva é um meditador e professor de meditação de profunda prática. Ele foi ordenado como monge buddhista trinta anos atrás (1998), recebendo sua ordenação superior na Sri Kalyāṇī Yogāśrama Saṃsthā, também conhecida como Tradição da Floresta Galduwa. Ven. Dhammajīva passou por treinamento sob próxima orientação do Ven. Mātara Sri Ñāṇārama Mahāthera no mosteiro de floresta Meetirigala Nissaraṇa Vanaya. Foi lá que assistiu à preleção original dos sermões de Kaṭukurunde Ñāṇananda Mahā Thera sobre o Nibbāna expostos a uma platéia de monges meditantes decididos a alcançar o despertar nesta mesma vida. Entre 1988 e 1992, o mentor do Ven. Dhammajiva não foi outro senão o Ven.Kaṭukurunde Ñāṇananda Mahā Thera. Ven. Dhammajīva atua como o atual abade do Nissaraṇa Vanaya e manteve uma relação próxima com o falecido Mahā Thera até o momento da sua morte. A seguir, os trechos da entrevista com o Ven. Uda Eriyagama Dhammajīva:

Quando e como você entrou em contato com o falecido Mahāthera?

Em 1987, talvez em agosto, logo depois de me demitir do meu emprego, enquanto meditava em Nilambe, deparei-me com dois livros, a saber, The Seven Stages of Purification e Freed Freedom (ainda não publicados na época). Ambos sob o nome do muito Ven. Matara Ñāṇārāma Mahā Thera do Meetirigala Nissaraṇa Vanaya. Inspirado pela forma pragmática e prática da apresentação, ocorreu-me conhecer o venerável. Assim, juntamente com o dr. Parakrama Fernando e Weerakoon, visitei o Nissaraṇa Vanaya sem uma consulta prévia. O dr. Fernando conhecia bem o Ven. Kaṭukurunde Ñāṇananda. Neste primeiro encontro tivemos uma longa conversa e fiquei sabendo que ambos os livros acima mencionados eram seus escritos.

Como o Ven. Katukurunde Ñāṇananda se relacionava e ensinava seus discípulos e monges mais jovens no Nissaraṇa Vanaya? Você o considerava principalmente como monge-erudito, monge-meditador ou professor monástico? De que maneiras o MahāvThera transmitia seu conhecimento de Dhamma, Vinaya, meditação?

Um ano depois de eu ter entrado no Nissaraṇa Vanaya como meditador leigo, informei à Saṅgha que me sentia pronto para a ordenação e para levar uma vida de meditação em tempo integral. O Ven. Matara Ñāṇārāma me enviou para o Ven. Kaṭukurunde Ñāṇananda como um entre outros candidatos. Ele não estava pronto para transmitir ensinamentos de maneira formal. Em vez disso, ele pediu que nós lêssemos os livros recomendados e nos permitiu visitá-lo para dialogar uma vez por semana. Decorávamos algumas partes dos textos e ele fazia alguns esclarecimentos ocasionais durante aquelas conversas semanais. O venerável Matara Ñāṇārāma observou de perto este processo.

Ele era severo com respeito ao código monástico que cabia ao noviço, bem como com respeito ao idioma pali, a língua canônica dos Suttas.
Um ano e nove meses depois, recebi a ordenação superior e, basicamente, ele foi meu mentor. O andamento foi bastante informal, como havia sido antes com minha ordenação de noviço e vida cotidiana no mosteiro. Esclarecimentos sobre o Vinaya - o código de conduta monástico para plenamente ordenados - eram um tanto mais um processo intrínseco, mais voltado a examiná-lo com o propósito de viver a vida de um monge meditante de floresta. A vívida tradição da floresta era frequentemente enfatizada em oposição ao mero conhecimento livresco.

Como a orientação do falecido Mahā Thera influenciou sua vida espiritual?

Era tudo sobre o monasticismo e o Dhamma-Vinaya. Aquele parecia ser o único caminho, sem alternativa, para um monge da floresta voltado à meditação. Ninguém no mosteiro interferia em nosso relacionamento e todos, por sua vez, apreciavam ter aquele professor. Ocasionalmente Godwin Samararatne e outros de Nilambe faziam uma visita ao Mahā Thera, e eles sempre me visitavam também. Eles expressavam total apreço pela maneira como as coisas aconteciam lá. Da mesma forma, eu também considerava aquela orientação como uma bênção.

Você poderia dizer algo sobre o impacto geral da presença e ensinamentos do falecido Mahā Thera durante os anos que passou em Nissarana Vanaya e depois? Qual foi o seu relacionamento com a instituição monástica?

Ele foi meu irmão mais velho em minha vida espiritual. Ele prontamente assumiu responsabilidades em relação aos meus problemas pessoais também. Eu costumava contar-lhe tudo e ele me instruía sem qualquer reserva. Meu cunhado faleceu e eu imediatamente fui ao seu kuṭi e o informei. Ele me pediu para não começar a adquirir o hábito de visitar parentes, mesmo em tal situação, por exemplo. Totalmente de acordo! Ele me pediu para não me expor desnecessariamente a assuntos mundanos. Eu não tinha objeções às suas opiniões. Então minha mãe faleceu. O Ven. Matara Ñāṇārāma Mahā Thera recomendou que eu participasse do funeral acompanhado pelo meu mentor, Ven. Ñāṇananda. Ele me “condicionou”, por assim dizer, antes de visitar minha aldeia e me cobriu como se estivesse me protegendo até o final do funeral, então me levou de volta e relatou a situação ao Ven. Matara Ñāṇārāma Mahā Thera como meu irmão mais velho.
Ven. Kaṭukurunde Ñāṇananda considerava a vida monástica como preciosa. Se você adere a ela, não há qualquer problema relacional ou social indesejado. A vida é simples sendo um monge.

Em suma, o que você vê como o legado central do Mahā Thera para as gerações presentes e futuras de praticantes monásticos e leigos?

Minha compreensão da vida espiritual ganhou forma e se aprofundou gradualmente com os seguintes aspectos chave: 1) meditação; 2) estrita observância das regras monásticas; 3) menor quantidade possível de atividades mundanas e recusa a cerimônias e eventos públicos tanto quanto possível; 4) o valor de uma vida simples; 5) um relacionamento direto com amigos ou professores espirituais.
Durante o meu período de convivência com o Venerável Mahā Thera , eu também pude observar seu desenvolvimento e progresso devido às nossas interações e compartilhamentos no mosteiro. Isso pode ser notado quando comparamos a série Pahan Kaṇuva Dēśanā com a Nivanē Nivīma Dēśanā. Ao conceder os sermões Nivanē Nivīma, ele costumava me dar a essência do próximo sermão pouco antes de ensinar e minha mente, em acordo com isso, já ficava preparada para o sermão. Mais tarde, ter as gravações das palestras e datilografá-las me dava a oportunidade de um relacionamento mais próximo com ele. Era uma coisa rara na vida de um monge como eu. Todas essas coisas boas foram recebidas em ações no convívio e não em aulas teóricas em sala. O vasto leque de habilidades do prelado estava sendo transmitido para nós de todas as maneiras possíveis, e ele considerava isso um dever para com o Sāsana.
Os livros, sermões e suas próprias traduções dos suttas em pali oferecem amplas aberturas para as futuras gerações, e sua maneira incansável de fazer isso era fenomenal. Além de pali, cingalês e inglês, ele também era fluente em sânscrito e conhecia as obras da Madhyama e os textos e doutrinas Mahāyāna sobre os principais temas do vazio (śūnyatā) e da proliferação (prapañca ), entre outros. Tive a sorte de testemunhar tudo de perto, mesmo depois de ele ter saído do Nissaraṇa Vanaya. O Ven. Anālayo e eu às vezes nos juntamos para compartilhar os ensinamentos do Mahā Thera profundamente com a ajuda de outra literatura disponível como a que o Ven. Anālayo também elaborou no seu doutorado.
Para concluir, o falecido Mahā Thera deixando o Eremitério da Ilha Polgasduwa em 1972 abriu um novo capítulo na história contemporânea da tradição Theravada, e o Mahā Thera partindo de Nissaraṇa Vanaya em 1994 ampliou a acessibilidade de seu trabalho para a sociedade em geral, embora tenha afetado sua saúde um pouco negativamente.

http://www.dailymirror.lk/article/A-lighthouse-that-illuminated-the-path-of-Dhamma--149271.html
Add a comment...

Post has attachment
"ATENÇÃO POR FAVOR"

Atenção, no contexto do Dhamma, é aquela 'atenção radical' que tem como objetivo descer à raiz da matéria através do insight no interior de sua fonte ou matriz. Tenta evitar as armadilhas do pensamento discursivo que distrai e anuvia a visão.

Tal tipo de atenção correta segue de mãos dadas com vigilância (mindfullness) e plena consciência (full-awareness). Sendo vigilante e plenamente consciente pode-se estreitar a atenção ao momento presente.

Em nosso viver cotidiano raramente prestamos atenção aos detalhes simples da rotina diária. A atenção é sempre considerada como alguma coisa a ser 'atraída'. Seguimos nossa rotina funcionando um tanto mecanicamente. Nosso comportamento é largamente impulsivo. Em nossa vida normal nos sentimos mais confortáveis em nossos costumeiros sulcos e encaixes. As potencialidades para profundos insights escondidas nos detalhes simples da rotina diária são ignoradas.

Mas o mais simples frequentemente se revela o mais profundo. Desperta-se para esta verdade ao prestar atenção às mais aparentemente ordinárias atividades da vida diária, tais co-mo respirar, mudar de postura e responder aos 'chamados' da natureza. A atenção radical revela ainda novas camadas de refrescante insight dia a dia em aparentemente insignificantes situações da vida. O alcance da atenção se estende pelas Quatro Fundações da Vigilância delineadas no Satipaṭṭhāna Sutta - as contemplações do corpo, sensações, mente e objetos mentais. Com aguda atenção as fundações se aprofundam mais e mais.

O foco desembaraçador da aguda atenção ligado à vigilância e à plena consciência faz o trabalho da sabedoria penetrativa. Ela é enérgica em manter as forças de Māra (O 'Maligno') encurraladas, como um habilidoso espadachim com defesa e ataque.

A meditação do insight trabalha com o princípio da aceleração da atenção para conter a prolificidade do pensamento. Normalmente, a atenção é lenta na apreensão dos objetos mentais. A rapidez do pensamento é um desafio duro de encarar. Para chegar à raiz de um pensamento deve-se ser extremamente vigilante. Onde falta a vigilância os pensamentos simplesmente 'trombam' e se perdem. Assim, como um expert jogador de tênis de mesa, deve-se manejar a raquete da atenção no momento e no ponto do contato.


'Mas aqueles que conhecem plenamente bem o CONTATO
E se deleitam com estar em paz
É pelo seu conhecimento do CONTATO
Que são livres de anseio plenamente apaziguados'
– Sn. v. 737

From
Topsy-turvydom to Wisdom
(Volume 2)
An anthology of writings by
Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda

http://seeingthroughthenet.net/books/

"ATTENTION PLEASE"
Attention, in the context of Dhamma, is that 'radical attention'
which aims at getting down to the root of the matter through insight into its source or matrix. It tries to avoid the pitfalls of discursive thought which distract and becloud one's vision.

This kind of right attention goes hand in hand with mindfulness
and full-awareness. Being mindful and fully aware, one can narrow down one's attention to the present moment.
In our everyday life, we rarely pay attention to the simple details of daily routine. Attention is always regarded as something to be 'called for'. We go about our routine work rather mechanically. Our behavior is largely impulsive. In our normal lives we feel more comfortable in our accustomed ruts and grooves. The hidden potentialities for deep insights in the simple details of daily routine are ignored.

But the simplest often turns out to be the most profound. One
awakens to this truth by paying attention to the most ordinary-looking activities in one's everyday life, such as breathing, the change of postures and answering 'calls' -of-nature. Radical attention reveals ever new layers of fresh insight day by day in apparently insignificant life-situations. The range of attention extends over the Four Foundations of Mindfulness outlined in the Satipaṭṭhāna Sutta – the contemplations of body, feeling, mind and mind-objects. With keener attention the foundations go deeper and deeper.

The disarming beam of keen attention switched on with mindfulness and full-awareness, does the work of penetrative wisdom. It is dynamic in holding the forces of Māra (the 'Evil-One') at bay, like a skilled swordsman with his parry and thrust.

Insight meditation works on the principle of accelerating attention to stem prolificity of thought. Normally, attention is slack in picking up mind-objects. The rapidity of thought is a challenge hard to meet. To get at the root of a thought, one has to be extremely vigilant. Where vigilance is lacking, thoughts simply 'bump-off'and go astray. So, like an expert table tennis player, one has to wield the racket of attention right at the point of TOUCH.

'But those who know full well the TOUCH
And take delight in being-at-peace
'Tis they by their knowledge of TOUCH
Are hanker-free and fully appeased.'
– Sn. v. 737
Add a comment...

Post has attachment
O Cabo de Guerra

Normalmente, no cabo de guerra, aquele que tem a pegada mais forte e firme é quem vence. Deve-se segurar, sem deixar escapar - até que a vitória esteja assegurada. Mas há um cabo de guerra que exige o exato oposto tipo de habilidade e este é o nosso cabo de guerra final na vida.

Quando o momento da morte se aproxima, nós nos erguemos e nos esforçamos para segurar o último vestígio de vida em nós - a respiração. Aspirando nos erguemos - ou ao invés, suspiramos, sabendo muito bem que o inevitável está à beira de acontecer. A pegada de Māra é forte do outro lado e ele parece determinado a nos puxar, e tudo o que é nosso, a saber, os cinco agregados apegados, para lá.

Todo o peso de nosso fardo está agora posto à porta de Māra. No próximo instante seremos dragados para sua cova sombria. Este é um momento crítico no qual ninguém pode nos dar uma mãozinha. Deveríamos então segurar firme e entregar a vitória para Māra?

É neste momento que o tipo oposto de habilidade vem a ser útil - a habilidade de soltar e deixar ir. Soltamos os cinco ajuntamentos e Māra certamente irá sofrer um tombo - caindo com as pernas pra cima. Esse é o grand finale no Saṃsāra - a vitória sobre a morte. Em outras palavras, você vence uma disputa mano a mano com Māra por um sopro de diferença.

From Topsy-turvydom to Wisdom (Volume 2)
An anthology of writings by Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda

http://seeingthroughthenet.net/books/

THE TUG-OF-WAR

Usually in a tug-of-war, it is the one who has the tighter grip and grit that wins. One has to hold on and on, without letting go – until victory is assured. But there is a tug-of-war which calls for just the opposite kind of skill and that is one's final tug-of-war in life.

When the moment of death approaches, we heave, heave and heave to hold on to the last vestige of life in us – the breath. We heave only to sigh – or rather we heave a sigh, well knowing that the inevitable is going to happen. Māra's grip is tight on the other side and he seems determined to pull us on to his side together with all that is ours – namely, the five grasping groups.

The total weight of our burden is now lying on Māra's doorstep. In the very next moment we would be dragged into his gloomy den. This is a critical moment in which no one can lend a helping hand. Should we hold on and yield victory to Māra's side ?

It is right at this moment that the opposite kind of skill comes in useful, – the skill in letting-go. Let go of the five bundles, and Māra is sure to suffer a somersault – going head over heels. This is the grand finale in Saṃsāra – victory over Death. In other words, you have won the neck-to-neck race with Mâra by a hair's breadth.
Add a comment...

Post has attachment
O Despertar

Ontem = sonho da noite passada
Amanhã = sonho desta noite
Hoje = um sonho acordado

'Como um sonho são os prazeres dos sentidos' diz o Buddha, o Desperto. 'Assim como se veria num sonho parques encantadores, encantadoras clareiras em florestas, paisagens encantadoras e lagos encantadores mas, ao acordar, nem sinal disso haveria, desse mesmo modo são os prazeres dos sentidos'.
Potalya Sutta. M. N.

O Buddha despertou do sono Saṃsārico com seus múltiplos sonhos dos prazeres dos sentidos. A imagem de sonho volta nossa mente para a natureza ilusória dos prazeres dos senidos. Vida após vida nós caímos no sono em um e outro útero materno - nesse ou naquele plano de existência. Nossos olhos carnais se abrem ao nascermos - mas não os olhos da sabedoria.Nós sonhamos à noite e acordamos de dia. Mas nosso sonho acordado continua através de nossas vidas. Nós geralmente acordamos com um som de um alarme. Quando a morte bate na nossa porta ficamos alarmados. Esta é nossa última chance de despertar. Este não é o momento de empacotar, mas de abandonar. 'De tudo que é querido e agradável, há a separação, a privação, a mudança pela alteridade'.
(M.P.S - D.N.)

'Todo encontro termina em separação'.

'Num sonho um encontra outro
Mas acordando o vê partido
Da mesma assim é com o prezado
Quando morto e partido'

http://seeingthroughthenet.net/books/
From Topsy-turvydom to Wisdom
(Volume 2)
An anthology of writings by
Bhikkhu Kaṭukurunde Ñāṇananda

THE AWAKENING
Yesterday = last night's dream
Tomorrow = tonight's dream
Today = a day-dream

'Dream-like are sense-pleasures' says the Buddha, the Awakened One. 'Just as one would see in a dream charming parks, charming forest glades, charming landscapes and charming water-ponds, but on waking up, sees not a trace of them, even so dream-like are sensepleasures.'

– Potaliya Sutta. M. N.

The Buddha has awakened from the Saṃsāric slumber with its manifold dreams of sense-pleasures. The image of the dream calls to our minds the illusory nature of sense pleasures. Life after life we go to sleep in this or that mother's womb – in this or that plane of existence. Our fleshly eye opens at birth – but not the wisdom-eye. We dream at night and wake up by day. But our day-dream continues throughout our lives. We usually wake up on hearing an alarm. When death knocks at our door we are alarmed. That is our last chance to wake up. That is not the time to pack-up, but to let-go. 'From all that is dear and agreeable, there is a separation, a deprivation, a change to otherwise-ness'.

– (M.P.S-D.N.)

'All meetings end in partings’.

In a dream one meets another
But wakes up to see him gone
So it is with the one held dear
When he is dead and gone'

– Jarā S. Sn. v. 807
Add a comment...

Post has attachment
Ouça a Batida do Tímpano

O mais fascinante de todos os instrumentos musicais é o tímpano. Mas raramente tiramos um tempo para ouvir a batida do tímpano. Depois do olho, o ouvido é a maior fonte de distração em nossas vidas. Toda vez que nos sentamos para desfrutar de um período de quietude, somos arrastados pelos ouvidos e forçados a ouvir muitas coisas que nos distraem.

Em vez de procurar um plugue de ouvido em tal situação, poderíamos, para variar, ouvir a batida do tímpano. Mas como? A batida do ouvido é usualmente abafada pela tagarelice da mente a respeito dos sons. Seja eufonia ou cacofonia, a mente se agarra na tagarelice e lá vamos nós - saudando e praguejando.

Se desligarmos os comentários da mente, podemos ouvir a batida do tímpano. Ele toca apenas três notas - 'CHEGA' - 'SE APRESENTA' e 'VAI'. Quanto mais ouvimos, mais profundamente penetramos nas três notas. O conflito entre eufonia e cacofonia não está mais lá para nos distrair. Estamos agora ouvindo o ritmo da natureza, nos sintonizando com a Realidade. Esse caminho repousa em paz sublime.

From Topsy-turvydom to Wisdom
(Volume 1)
An anthology of writings by
Bhikkhu K. Ñanananda
http://seeingthroughthenet.net/books/

Listen to the beat of the Ear-drum

The most fascinating of all musical instruments is the eardrum. But we rarely take time off to listen to the beat of the
ear-drum. Next to the eye, the ear is the biggest source of distraction in our lives. Every time we sit down to enjoy a spell of quietude, we are dragged by the ear and forced to listen to many things that distract us.

Instead of searching for an ear-plug in such a situation, we
could, for a change, listen to the beat of the ear-drum. But how? The beat of the ear-durm is usally drowned by the chatter of the mind about the sounds. Whether it is euphony or cacophony, mind grabs a talking-point, and there we are - praising and cursing.

If we switch off the mind's commentary, we can listen to the
beat of the ear-drum. It strikes only three notes- 'COME' -'STAY' and 'GO' . The more we listen to it the deeper we go into the three notes. The conflict between euphony and cacophony is no longer there to distract us. We are now listening to the rhythm of nature, attuning ourselves to Reality. That way lies Peace Sublime.
Add a comment...

Post has attachment
Da Confusão Para A Sabedoria

O Buddha apontou que há quatro noções corrompidas entranhadas em todos os seres. Elas são:

1. Ver permanência no impermanente
2. Ver prazer no que é não prazeroso
3. Ver beleza no repulsivo
4. Ver ego no que é não-ego

Tais corrupções prevalecem em três níveis: nas percepções, nos pensamentos e nas visões dos seres. A percepção miragem implanta a semente destas ilusões e delusões. Pensamentos a nutre e as visões a fortalece. O resultado final é uma perspectiva errônea da vida que mantem o ser escravizado pelo sofrimento samsárico.

Essa é a confusão em que o mundo se encontra imerso. A fim de corrigir essa visão torta do mundo, o Buddha recomendou treinar quatro percepções como contemplações.

1. A percepção da impermanência
2. A percepção do não prazeroso
3. A percepção do repulsivo
4. A percepção do não-eu

Esses treinos de percepção requerem um elevado grau de clareza e profundidade de visão para seu desenvolvimento. Quando sistematicamente desenvolvidos ele conduzem dessa confusão para a sabedoria que assegura a liberdade da escravidão ao sofrimento samsárico.

From Topsy-turvydom to Wisdom (Volume 1)
An anthology of writings by Bhikkhu K. Ñanananda

http://seeingthroughthenet.net/books/

From Topsy - turvydom to Wisdom

The Buddha pointed out that there are four pervert notions deeply ingrained in all beings. They are:

1. Seeing permanence in the impermanent
2. Seeing pleasure in what is unpleasurable
3. Seeing beauty in what is repulsive
4. Seeing self in what is not - self

These perversions prevail at three levels: in one's perceptions, in one's thoughts, and in one's views. The mirage-like perception implants the seed of these illusions and delusions. Thoughts nurture them and views strengthen them. The final outcome is a wrong perspective on life which keeps one in bondage to samsaric suffering.

This is the topsy-turvydom that the world finds itself in. In order to correct this lop-sided view of the world, the Buddha had to recommend four trained perceptions as contemplations.

1. The perception of Impermanence
2. The perception of the Unpleasurable
3. The perception of the Repulsive
4. The perception of Not-self.

These trained perceptions require a high degree of clarity and a depth of vision for their devlopment. When systematically developed they lead one from this topsy-turvydom to wisdom which assures the freedom from bondage to samsaric suffering.
Add a comment...

Post has attachment
A Aldeia Deserta

O Caminho para a Libertação reside no desenvolvimento da percepção de 'não-eu'. Geralmente atribuímos um eu a cada uma das nossas bases sensoriais - "Eu vejo", 'Eu ouço'; 'Eu cheiro': 'Eu saboreio'; 'Eu toco'; 'Eu penso'. Há algo a bater em qualquer uma das portas dos 'Meus' sentidos e 'Eu' a responder. Como alguém pode 'abater' o 'Eu'?

O Buddha compara cada uma das seis bases dos sentidos a uma aldeia deserta. A lei universal da impermanência expulsa todos os moradores da aldeia. Objetos dos sentidos vêm e vão, mas eles parecem ficar por um tempo suficiente para poder responder à batida na porta.

"Olá! Quem está aí?"

"Ah! Sou Eu!"

Porém, quem está realmente ali? 'Sou eu'?

Não. É apenas o ECO da sua batida na porta!

Ouça: '....... Enraizadas no interessar-se, amigos, são todas as coisas; Nascidas da atenção são todas as coisas; surgindo, do contato, estão todas as coisas ...... 'A.N. V 106f. (P.T.S.)

From Topsy-turvydom to Wisdom (Volume 1)
An anthology of writings by Bhikkhu K . Ñanananda

http://seeingthroughthenet.net/books/

The Deserted Village

The Path to Deliverance lies through the development of the perception of 'not- self'. Generally, we attribute a self to each of our sense-bases - 'I see', 'I hear'; 'I smell': 'I taste'; 'I touch'; 'I think'. Knock at any of 'My' sense-doors, and 'I' answer. How can one 'knock out' the 'I'?

The Buddha compares every one of the six sense-bases to a deserted village. The universal law of impermanence expels all dwellers from the village. Sense objects come and go but they seem to stay for a while just to be able to answer the knock at the door.

"Hello! Who is there?"

"Ah! It's ME!"

Now, who is actually there? Is it 'Me'?

No. It is only the ECHO of your knock at the door!

Listen: '....... Rooted in interest, friends, are all things; born of attention are all things; arising, from contact, are all things ......' A.N. V 106f. (P.T.S.)
Add a comment...
Wait while more posts are being loaded