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Sandra Miranda
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Eu, Polidoro.

“Quando eu pus o pé na estrada / não sabia de estrada nenhuma

nem via que caminhava / no tempo em que caminhando eu ia

muita coisa acontecendo /mil novecentos e sessenta e cinco

o mundo me invadia / a cabeça era um redemoinho

o rumo eu fui fazendo/ sem saber que o fazia

ouvindo meu Miles Davis / e vendo o meu Fellini

cada um dos meus sentidos / bebia daquela fartura

a vida era teatro / cinema e literatura

aí eu fui descobrindo / o que era meu destino

falar dos sonhos do homem / com coração de menino

fazer amigo e amiga /e levar por toda a vida

seguir apaixonado /fazer a coisa bonita

caí na vida e na música / que abriram meu horizonte:

atrás eu vejo estrada / caminho eu vejo à frente.”

:: 40 anos, já, de “Travessia”. Por Fernando Brant

“Eu, Polidoro.” Essas eram as primeiras palavras de um texto curto que eu teria de dizer. Depois eu morria. Acho que minha magreza naqueles tempos inspirou meus colegas a me indicarem para o papel na peça dirigida pelo professor Ítalo Mudado.

Afinal, depois de morto, eu era embrulhado em um lençol e atravessava a cena carregado pelas colegas. Meu pouco peso as ajudava.

Estávamos no Colégio Universitário, uma criação maravilhosa do reitor Aloysio Pimenta, destruída em poucos anos pelo autoritarismo implantado em 1964.Os ensaios aconteciam todos os sábados na então longínqua Pampulha. Essa minha primeira e única experiência teatral não acabou em desastre porque, não me lembro bem, a encenação não foi em frente ou eu é que me dispensei da tarefa.

O ano era o de 1965 e, ao contrário da ditadura que viria fechar os horizontes para a inteligência e a liberdade, eu vivia um momento de descobertas e alumbramentos. Desde os dois anos anteriores, em que estudei no Curso Clássico do Colégio Estadual, eu fora jogado no mundo fascinante da cultura e da arte.

Os poetas mais importantes para mim, até hoje, eu os conheci naquele período. E a melhor literatura que se fazia, aqui e no exterior, foi colocada diante do jovem sedento de conhecimento que eu era. E o cinema entrou no meu universo de uma maneira completamente diferente da minha visão anterior. Puseram-me em contato com Fellini, Antonioni, Visconti, Godard, Truffaut e o melhor do cinema americano. Virei cinéfilo e cineclubista de corpo inteiro. Assistia, praticamente, um filme por dia. Os bons e os ruins, sonhador e aprendiz na sala escura.

Sobre esse anos escrevi há tempos um relato, “1965”, em que relembro essas emoções de minha juventude e que explica em parte o que sou hoje:

“Quando eu pus o pé na estrada / não sabia de estrada nenhuma

nem via que caminhava / no tempo em que caminhando eu ia

muita coisa acontecendo /mil novecentos e sessenta e cinco

o mundo me invadia / a cabeça era um redemoinho

o rumo eu fui fazendo/ sem saber que o fazia

ouvindo meu Miles Davis / e vendo o meu Fellini

cada um dos meus sentidos / bebia daquela fartura

a vida era teatro / cinema e literatura

aí eu fui descobrindo / o que era meu destino

falar dos sonhos do homem / com coração de menino

fazer amigo e amiga /e levar por toda a vida

seguir apaixonado /fazer a coisa bonita

caí na vida e na música / que abriram meu horizonte:

atrás eu vejo estrada / caminho eu vejo à frente.”

Dois anos depois, amigo de um compositor, cantor e músico que eu senti que era gênio desde que o conheci, fui surpreendido com um pedido . Queria que eu fizesse a letra de uma música sua. Ainda tímido, como nos tempos de Polidoro, demorei a aceitar o convite. Escrevi as palavras para aquela canção, que mudaria a vida de nós dois. Foi há exatos 45 anos, em 1967, que nós parimos a nossa “Travessia.”

foto: Fernando Brant e Milton Nascimento
Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em fevereiro de 2012.
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“Sua trajetória pode ser classificada como irrepreensível pelo mais ortodoxo dos avaliadores. Ele é, inclusive, um dos indicados ao Nobel da Paz deste ano. É comum, no entanto, que Naranjo seja chamado, em tom pejorativo, de esotérico e bicho grilo. Há mais de três décadas, ele e a fundação que leva seu nome pregam que os educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores.”
“É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.”
“A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos  uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo.”
“Vendo minha expressão, o coordenador me disse: “Compreenda que eles não escolheram ser educadores. Alguns prefeririam ser motorista de táxi, mas decidiram educar porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque não tiveram condições de se preparar para ser advogados ou engenheiros ou outra profissão que almejassem”. Isso acontece muito em locais em que a educação não é realmente valorizada. Quem chega à escola de educação são os que têm menos talento e menos competência. Não se pode esperar que tenham a vocação pedagógica, de transmitir valores, cuidar e acolher.”
A melhor explanação sobre esse assunto perturbador.
“Humberto Maturana, cientista chileno, me contou que a membrana celular não deixa entrar aquilo que ela não precisa. A célula tem um modelo em seus genes e sabe o que necessita para construir-se. Um eletrólito que não lhe servirá não será absorvido. Podemos usar essa metáfora para a educação. As perturbações da educação são uma resposta sã a uma educação insana. As crianças são tachadas como doentes com distúrbios de atenção e de aprendizado, mas em muitos casos trata-se de uma negação sã da mente da criança de não querer aprender o irrelevante. Nossos estudantes não querem que lhe metam coisas na cabeça. O papel do educador é levá-lo a descobrir, refletir, debater e constatar. Para isso, é essencial estimular o autoconhecimento, respeitando as características de cada um. Tudo é mais efetivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela.”
“Tudo é mais efetivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela”

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Quando éramos crianças, as letras eram como brinquedos divertidos, colorimos, brincamos, aprendemos. Logo, letras formaram palavras. Palavras formaram frases. Sentenças transformaram-se em pensamentos. Palavra como imagem traz um pouco de magia de volta para o alfabeto, ajudando-nos a ver a diversão e humor por trás das linhas e rabiscos. Sou muito fã desse vídeo produzido por Ji Lee.

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"Foi a educação que mudou a vida do filho do meio da família Matos. Admirada com a perspicácia do menino, dona Iraci, sua professora de matemática na escola pública, sugeriu que ele prestasse concurso para o prestigiado colégio interno da Fundação José Carvalho, na vizinha Pojuca. Após um processo seletivo que levou mais de um mês, disputado por crianças de todo o Nordeste, Jean fez a diferença e ficou entre os 25 aprovados. Lá teve uma privilegiada formação humanista e também aulas de inglês, informática e até oratória. “Me abriu o mundo”, diz."
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