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Herisson Pereira
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Os olhos iluminam o espírito e a boca reflete.
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O dia de Maria
"Maria, porém, guardava todas essas coisas ... em seu coração" - Lc 2.19. Aquele poderia ter sido o dia mais difícil da minha vida. Poderia, mas certamente não foi. Tudo isso por causa da dor inexplicável de ver a pessoinha mais linda que já conheci agora e...

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Simples convicções
Nunca é fácil falar de uma maneira de ver o mundo, muito menos quando essa maneira é a sua. Mas falar não é a própria maneira que temos de nos conectar ao mundo? Não sou diferente. Se bem que acredito na diferença essencial das pessoas. Não da substância de...

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Graça é experienciar a loucura de Deus em nossa própria vida.

É o significado mais direto, é a ação mais profunda e intensa D'Ele.

E como diz certa frase:

“Graça é Deus dar o que eu não mereço,
e misericórdia é Deus não dar o que eu mereço”.

A verdade é que vivemos, nos movemos e existimos mergulhados na graça do Criador.

Mas graça é também é aquela fantástica mudança de olhar.

É ver a vida inteira como puro dom, presente a cada instante, graça de graça.

Seja o bem ou seja o mal que nos venha ou se faça a nós.

Contudo, nem tudo é graça.

E o mundo ao nosso redor orbita numa distância cósmica da graça.

Somos filhos de gerações de corruptores, de assassinos e ladrões da graça de Deus.

Humanidade que caiu na real desgraça.

A queda que acontece todo dia, quando se cai da graça.

Des-graça sou eu, quando tento "melhorar" a graça pra mim ou para outros.

Des-graçado é o homem que se mutila de Deus, que o expele de seus pensamentos,

que não enxerga o encontro com a graça no encontro com o próximo.

Des-graça é expulsar Deus dos templos, e em seu lugar cultuar a orgia da própria volúpia, a luxúria divinizada, o show da falta de amor ...

Entretanto, essa graça abre olhos, reutiliza ouvidos.

Levanta coxos e ressuscita.

Conhecer a graça é discernir a essência da vida.

Conhecer a graça é conhecer a si mesmo, na face do próximo e na face Deus.

E se ver tanto mais alto, quanto mais a graça nos diminua aos olhos de Deus e dos homens.

Todo conhecimento é autoexposição, mas toda autoexposição é também autoconhecimento.

Toda graça é trilhar o caminho das lógicas invertidas, das importâncias trocadas, ressignificadas.

É ser o que eu nunca seria por nunca querer, mas querer ser o que nunca eu sozinho poderia.

Graça é ser D'Ele.

E N'ele, tudo o que for é graça.

Do blog: www.herissonbpereira.blogspot.com.br

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E de repente se acorda. Sensações estranhas. Mente totalmente inquieta, intranquila. O sonho tinha sido com uma figura feminina, não necessariamente com alguém que se tenha um vínculo afetivo direto. Mas, estranhamente, ela fazia parte da vida diária.

No sonho ela se envolvia com outro cara. Aí vinham ciúmes incontíveis, do tipo que surge quando não se aceita a situação de jeito nenhum. Tudo aquilo gerava uma sensação de sufocamento tão grande que faz acordar-se do nada. Então, depois de minutos de atordoamento, se pensa: “foi só um sonho, não costumo agir assim”.

Sonhos são verdadeiros enigmas. Enigmas porque trabalham sob significados enquanto estamos “desligados”. E é nessa hora que a mente costuma brincar livre.

Um sonho como este é instigante. Porque envolve sensações fora do domínio e porque transporta pro “pós-sonho” sensações muito reais. E todo este mistério faz notar como funciona a nossa relação afetiva.

Parece-me que os nossos afetos são movidos por atração, em certo sentido, como energia. Existe certo tipo de conectivo envolvido em nossas relações e toda carga de afeto é direcionar para o outro aquilo que nele nos atrai.

Daí que não acho que opostos se atraiam na vida humana - ao menos não opostos de todo. Pelo contrário, nosso magnetismo é de outro nível.

Acredito que estes canais de atração são metassencientes. Sim, isso. Que a gente consegue sentir mais do que sentimentos pelos outros. Sentimos mesmo os outros, numa verdadeira relação quântica, inconfinável no tempo-espaço.

O que creio é que o que somos vaza de nós. E é possível sentir isso, até no limbo desconhecido de um sonho. Onde mais houver ligação, mais se sente, mais se pressente, se sabe. Mesmo sem o dado físico do contato.

Acho também que costumamos “escolher” alguns sujeitos para se tornarem o foco dos nossos afetos. Mas não é que seja uma escolha consciente, é que ela me parece, de fato, ser inevitável.

Se nos baseamos uns nos outros e nossas ações são construídas pelas percepções que temos, o fascínio que os outros causam em nós é o que nos move. E é fácil pensar agora mesmo em dois ou três indivíduos que tem essa capacidade sobre nós.

Pessoas estranhamente direcionam nossos cursos. Quer dizer, desviam, contornam, vem e nos carregam.

Parece tão óbvio que, talvez por isso, se esqueça do fato que não se consegue nunca separar os afetos sentidos da vida prática.

Em outras palavras, não é fácil continuar agindo “racionalmente”. É uma pane de domínio com sensação de liberdade. E não há objetividade ou imparcialidade que torne alguém neutro, a não ser como tentativa científica de pesquisador.

Muito menos se aniquila a força exercida por um encontro arrebatador. De alguém que, mesmo contra nossa expressa disposição, consegue demandar de nós atenções não consentidas, recorrentes, como que pedindo de nós os cinco eternos minutos de loucura.

No máximo o que se consegue é se reacomodar aos poucos.

Quando uma conexão destas se estabelece, a bagunça é grande. E inegavelmente insistente.

O que me causa verdadeiro espanto é que atração gera vínculos afetivos tácitos, não declarados, como se estivéssemos numa relação de conjugalidade. Como se existisse uma teia invisível de ligações, cujos fios se aprofundam nas mais estranhas e intensas sensações.

Quando nos sentimos atraídos numa relação, estamos, em outras palavras, nos identificando, percebendo pontos de convergência – ou divergência, que também nos atrai – e assim conjugando o que nós somos com que o outro é.

É se ver dividido, compartilhado e fundindo. O outro passar a ser continuação de nós mesmos. Passamos a viver duas vidas, partilhar impressões, adivinhar pensamentos e prever ações.

Daí se explicam todas as reações passionais daquele sonho. Reações, claro, que acontecem também na vida real mas, às vezes – e na maioria das vezes – de maneira silenciosa e disfarçada.

Na verdade, coisa não muito difícil de perceber. Que se veja a forma como as pessoas agem nos ambientes sociais. Como existe uma busca constante de respostas às perguntas mais essenciais que carregamos, até mesmo num papo leve jogado fora. Esperamos ser surpreendidos.

Toda relação é exercer fascínio, conseguir conexões com quem nos conquista, provocar sensações e se autoprovar na reação dos outros. E isso quando se fala de alguém que carrega em si um bom caráter.

As relações que mantemos são tensões contínuas entre associação e afastamento. O desejo, a recusa e a entrega são sempre permeados de significados ocultos, nem sempre claros, mesmo pra própria pessoa envolvida.

Afinal, precisamos sentir o gosto do desafio, a vertigem da surpresa, o friozinho na barriga. Como diz Olga Krell: “o amor é um impulso criativo e, como tal, carregado de riscos, porquanto o fim de uma criação nunca é certo. O amor é poço de incertezas”. 

Assim somos nós. Você duvida?

É atração, que faz de todos nós adultos na teoria e crianças na prática.

Do blog: http://www.herissonbpereira.blogspot.com.br

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O que é carência?

Sendo bem reducionista, todas as nossas relações partem da nossa insuficiência.

Precisamos de outros.

Daí que, se gostar é manifestar necessidade, a violência é a forma negativa deste precisar.

É carência, só que frustrada. Uma carência exclusivista.

E tantas outras possibilidades.

Por isso me parece que a carência define muita coisa do que nós somos.

Mas isso não é tudo.

Geralmente se pensa em homens e mulheres sob aspectos biológicos.

Mas eles são de uma constituição tão difusa, que seria bobagem reduzir tudo à sexualidade.

Então, carências são posturas diferentes de homens e mulheres.

E ainda há mais.

Se afeto e violência, amor e ódio, são a ponta externa das carências, o que é a ponta interna?

O indivíduo. O começo, o gerador das carências.

Carências que se definem nele, partem dele e dele fazem parte.

Já que quanto mais carências, mais insuficiências.

Carência que carece de segurança no indivíduo, virando dependência.

Então, carecemos, mas em níveis diferentes.

E há quem careça tanto de outros pra apenas fugir de si mesmo, de encarar a própria insuficiência.

Por outro lado, há que tenha tanto medo de carecer, que vira o próprio cárcere narcisista.

Portanto, carência é desejo, é encontro.

Mas carecer da carência é doença, é fuga.

É não querer se enxergar.

É autoviolência.

É carecer do bom senso.

É parasitar.

É morrer.

Carência carece mesmo de quem a assuma, de quem na segurança de si a si mesmo se doa, sem se doer.

Carências provam o caráter.

E nos dizem, no fim das contas, o que há por trás do que tanto desejamos ter.

Do blog: http://www.herissonbpereira.blogspot.com.br

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O significado último da vida de Jesus tem sido materializado através de uma palavra que nem aparece em seus lábios: "missão" – ou "missões".

"Missões" carrega em si uma série de procedimentos, logística e treinamento que, no fim último, parecem tornar o evangelho uma prática profissional.

Mas, quando falamos de Jesus, falamos de um Homem que não tinha onde reclinar a cabeça, servido pela espontaneidade de recursos, cercado de gente simples, movido por compaixão e graça.

Nosso problema – numa comparação óbvia – está em ainda entender o evangelho com as categorias fixas da religião – contra as quais o mesmo Jesus lutou.

Paulo e a igreja primitiva tinham circunstâncias diferentes das nossas, claro. Um mundo instável, fortemente supersticioso e seres humanos extremamente afeitos a religiosidade.

Mas se engana quem pensa que o mundo foi evangelizado somente por Paulo.

Temos um ambiente cultural diferente. Vivemos num mundo judaico-cristão.

Que, por ser cristão, deveria bastar-se.

Mas, pra além do judaico, o que há são as estruturas do cristianismo.

E estas, ironicamente, é que justificam hoje a necessidade do evangelho.

Posto que as palavras de Jesus não são estruturas, mas Espírito e vida. E a vida é movimento pulsante. O Espírito não possui itinerário.

Assim, a Igreja envia porque é de sua natureza – como o é na de Seu Mestre – seguir em movimento. Igreja não é um lugar pra ir – é encontro. Todo encontro-igreja se dá na vida, no dia a dia, no caminho.

Toda relação de um cristão é um culto, e todas as suas palavras e atos são "evangelismos" do Espírito.

Assim, mesmo que se some esforços em logística, missão não é nada mais do que um meio. Um instrumento, entre tantos outros.

Neste seguir ninguém é excluído, porque a mensagem do evangelho é a própria necessidade de ir a Jesus em todo tempo. É receber Jesus e voltar para compartilhá-lo com outros.

Idas e vindas no evangelho, sempre.

Portanto, o chamado é contínuo, individual e intransferível. Não se delega uma relação pessoal a outro. Só se para o fluxo vital sob pena de morte.

Quem de Jesus é, por Jesus vive.

O carrega consigo enquanto é carregado nessa vida por Ele.

E isso é mais que "missão", é encarnação de Cristo em nós.

Do blog: http://herissonbpereira.blogspot.com.br/

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Fim de apuração. O sentimento é de inquietude, de incompreensão.

De repente, toda sede de mudança, todo o bom senso, toda necessidade de alternância se diluiu.

E não se encontra ligação com os protestos de julho do ano passado, aliás em passado algum.

A democracia brasileira foi à mídia, fez dela seu palco.

Estarreceu-se diante da morte prematura de um prensidenciável, diante da comoção de uma nação.

Criou expectativas, promoveu debates, vaticinou resultados com os oráculos viciados de suas pesquisas de opinião.

E manipulou. Na simples observância da profissão de reportar fatos, na seleção das condições úteis da informação.

Do espaço no horário político às mentiras permitidas, desde que marqueteiros e publicitários as reinventassem com efeitos especiais de televisão.

Afinal, tempo e dinheiro fazem tudo, dão até nova impressão.

E dessa forma, nos deformam.

Democracia que mostra a sua face mais oculta, onde o poder da "cracia" ainda é oligárquico, e só se liga ao povo do"demo" porque continua a demo-dominá-lo.

E não nos permite nem ao menos a opção.

Resta sempre a não aceitação, o não conformismo.

Resta o lúcido espírito da subversão.

Que venha a mudança, completa e profunda. Mas que ela venha, mas do que nunca, do fundo alma de cada brasileiro da nossa nação.

Do blog: http://herissonbpereira.blogspot.com/

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O grito da vez, nas eleições, se tornou paradoxalmente político. Fora com a oposição, nada de propostas, sem conversas, nenhum diálogo.

Infelizmente, fora é o lugar onde se lança o divergente – e imprestável.

Fora é a cerca em volta do incômodo, é o muro de Berlim da consciência, o campo de concentração do diferente.

Fora é o lugar de onde, com muitos esforços, tentamos resfolegar ações pra entender porque um país como o Brasil tem que andar – depois de anos de redemocratização – às custas de pão e circo.

Fora é onde a gente se sente, e se vê obrigado a sentar a ver bate bocas sem sentido apelidados de debate.

Outro deboche eleitoreiro, que estuda a tática da hora pra subir nas pesquisas.
Enfim, fora da urna parece que tudo é permitido, tudo é desmentido.

Mas é dentro, e sempre de dentro, que tudo muda.

Desculpem-me a franqueza, mas chega de fora.

Quem quiser mudança, que faça de seu voto sua consciência entregue ao Brasil.

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Com a recente onda de temas religiosos rondando Hollywood - como o filme Noé - fui estimulado a assistir o filme "Deus não está morto". O filme não me impressionou, nada novo. Seguem abaixo algumas impressões que tive:

• Filme com drama tipicamente americano (o mesmo roteiro de dilema e superação com final feliz);

• Ateísmo - o filme expressa a concepção de um professor particular (nos meios acadêmicos não existe mais essa "fé na ciência" - desde 1950 já há uma forte crítica ao método científico como critério de conhecimento válido). Contesto. A teoria quântica é o paradigma que mais aproxima a comunidade científica da concepção de existência de um Absoluto que liga todas as coisas - inúmeros cientistas já a consideram evidência, ainda que não personifiquem esse Absoluto como um Ser pessoal;

• Não existe incompatibilidade entre fé e ciência. O que de fato existe é, de um lado, um reducionismo de Deus ao livro Bíblia, e de outro, uma crença fanática na produção científica;

• Compensação da "fragilidade" da fé cristã com uma sutil comparação ao rigor do islamismo e ao estilo business de vida - como se a incoerência de um justificasse o outro, um nivelamento por baixo.

Teria mais a dizer, mas isso é suficiente. O jogo expresso no filme, em si, já é o atraso. Um deus que precise de mim pra advogá-lo é, no mínimo, ridículo. Aliás, quem precisa advogar sua própria causa não é juiz, é parte em conflito. Se põe em pé de disputa com a idiotice humana. E Deus, convenhamos, tem mais o que fazer.

Somos tentados a defender Deus todos os dias. E, sinceramente, cair nessa tentação gera algo muito pior.

Acho até que algumas coisas são desnecessárias, são até anti-propaganda de Jesus. Não imagino Jesus fazendo certas coisas com o próprio nome ...

Sei que aqui que exala de mim é infinitamente mais convincente. Parar para escutar o ponto de vista dos outros, dialogar tranquilo. A simplicidade da conversa a dois ou três.

Não é questão de argumentar, não faltam argumentos. É o que está por trás. É preciso avaliar o momento. Argumento sem amor fere. Filosofia sem graça seca. E uma coisa é dar as razões da fé, outra é aceitar a competição intelectual.

É preciso levar Jesus à sério. Pérola não combina com porco.

Pra mim é simples: Deus em mim gera a paz. E só um ser pacificado pode mostrar aos outros onde achar a Paz. O resto é ostentação.

Defender Deus com uma pancada de argumentos não é defesa da fé, é defesa da violência, da intolerância.

É defesa do diabo.

Do blog: http://herissonbpereira.blogspot.com.br/

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Sobre dormir e comer
Parece que na vida tudo se alterna. Abre-se a boca na fome,
fecha-se os olhos no sono. Numa hora a alegria é partir pra dentro. Noutra, a tristeza
é ter que cair fora. E assim, dormir e comer estranhamente explicam porque na
vida tudo é tão inesperado e con...
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