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Bica Curta
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bica curta e água das pedras
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"Crua

Não me fales das flores, dos campos, das cores, do arco-íris e das papoilas.
Fala-me da carne crua que levas à boca, das fodas loiras, do esmagamento do ar nos pulmões, da claustrofobia da solidão e da masturbação.
Sussurra-me ao ouvido aquele momento de lucidez que permitiste à loucura.
Lê-me os cantos de maldoror como uma história de embalar e aconchega-me com o manto surreal do teu abraço à meia luz da tua insónia; Escreve no meu corpo a violência do teu tormento com a clareza do som da tua voz.

Dá-me tudo, porque eu tenho uma fome imensa de um universo que espera."


bica curta, Agosto 2013
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"Vagas quentes no lençol da boca

Extracto liquefeito de memórias vagas
o teu corpo lençol
na minha boca
o teu braço morno e o sexo quente.

O abismo entre as minhas pernas
é uma ponte feita de
palavras.

Um auto retrato em luz de verão.

O meu ditongo da saliva que não sei conjugar
no mecanismo persistente do tempo
conjura-me os pêlos do abismo que
julguei inoportunos.
Ingenuidade.

No olhar alado do sono
espero-te estátua de mel
no formigueiro de uma papoila."

bica curta, junho 2013
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"Vim porque me pagavam,
e eu queria comprar o futuro a prestações.

Vim porque me falaram de apanhar cerejas
ou de armas de destruição em massa.
Mas só encontrei cucos e mexericos de feira,
metralhadoras de plástico, coelhinhos da Páscoa e pulseiras
de lata.

A bordo, alguém falou de justiça
(não, não era o Marx).
A bordo, falavam também de liberdade.
Quantos mais morríamos,
mais liberdade tínhamos para matar.
Matava porque estavas perto,
porque os outros ficaram na esquina do supermercado
a falar, a debater o assunto.

Com estas mãos levantei a poeira
com que agora cubro os nossos corpos.

Com estas pernas subi dez andares
para assim te poder olhar de frente.

Alguém se atreve ainda a falar de posteridade?
Eu só penso em como regressar a casa;
e que bonito me fica a esperança
enquanto apresento em directo
a autópsia da minha glória."

De Golgona Anghel, in "Vim porque me pagavam"
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