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Ácido Cinza +
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Games, filmes, séries, cultura pop e redundância
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Muitas vezes viro e pergunto pra qualquer alma incauta que esteja conversando comigo qual o pior filme que já viram na vida. Uns metem longe algumas pérolas do Cine Trash. Outros do gênero "Não quero papo com mídia corporativista burguesa" que acham que o cinema tem que ser edificante a condição humana com termos pescados do dicionário falam qualquer coisa do Michael Bay, ou qualquer blockbuster pipocão que tenha por aí. No máximo rola um "The Room", de Tommy Wiseau.

Escolhas risíveis quando há o clássico da ruindade "Manos" The Hands of Fate. Você obviamente deve estar se perguntando "que diabo é isso?" caso já não conheça. Mas como a exposição ao Brasil foi nula, e mesmo nos EUA muito limitada, um rápido sumário: o rei do Telecine na época em que a Net era a única operadora de TV por assinatura do Brasil fora dos fazendões, "O Filme Mais Idiota do Mundo", é realmente um filme... de uma série chamada "Mystery Science Theater 3000" dos EUA, que exatamente pegava filmes obscuros e ruins para fazerem a zoeira que rola no filme com o elenco.

Eles acharam, eventualmente, o filme de que estou falando. E aí sim "Manos" começou a pipocar nos EUA.

É difícil parar e isolar um ponto pra dizer "ali, deu errado"; com a história de concepção absurda do filme (o dono de fábricas de fertilizantes Hal Warren apostou com um roteirista, Stirling Silliphant, que ganharia um Oscar no ano seguinte, que conseguia fazer um filme), o fato de terem uma única camera que gravava só 30 segundos, sem som, e precisava ser rebobinada, e achar que um filme sobre um cara que parece o Frank Zappa adorando uma deidade pagã com o nome de "Manos" ia dar certo é difícil escolher.

O roteiro é básico: uma família em férias se perde na estrada e acha uma misteriosa estância (tradução livre, já que o original "Lodge" pode querer dizer 300 coisas) com um caseiro muito do esquisito com o nome mais esquisito ainda de "Torgo", que diz cuidar do lugar "quando o Mestre não está". A despeito de bom senso e mais outras 300 coisas que deixam claro que não deviam ter parado na estância, a família resolve ficar pelo menos uma noite no lugar - e aí o "Mestre" (e seu harém de esposas) despertam e as coisas degringolam - de todas as maneiras possíveis. O Mestre está de saco cheio do seu servente favorito (não que tenha outros), Torgo tá doido pra dar uma cafungada na esposa, e as esposas do Mestre brigam com a areia do local. Elas estariam brigando entre si, mas "Manos" é "Manos".

O negócio é que incontestavelmente Manos é o pior filme do mundo, e chega no nível de ruindade que tem charme.

Um amigo meu me enviou a versão do pessoal do "Filme mais Idiota do Mundo" e inevitalmente me peguei atraído pela ruindade permeante da coisa toda. Depois de pegar o filme "puro" (antes de mais nada, está em domínio público amigos...) para fazer um projeto, toda vez que eu parava pra dar play na coisa me vi diante de uma situação estarrecedora...eu não conseguia parar.

O filme não precisa de comentários, ele é sua própria comédia. Todas as suas falhas fazem dele o pior filme do mundo, mas - e vocês sabem o que eu vou dizer agora - é tão ruim que é bom. Os comentários do povo do MST3k (não, não é Movimento Sem Terra 3000) te distraem do quanto o filme é deliciosamente desconjuntado. Lá pelas tantas do filme, o Mestre decide que vai "matar" Torgo. Como a estância é do tamanho de uma van é coisa de andar 1 minuto e fazer o ritual e fim. Mas o que ele faz é ir lentamente até onde suas esposas estão brigando com a areia, ficar olhando sem fazer nada, sair andando para fazer um charminho no quarto da esposa no velho estilo "estava aqui, não estou" Michael Myers de ser na janela, esperar seu "cão demoníaco" (mas tão dócil quanto um vira lata bem cuidado) uivar pra lua.

Depois disso tudo que parece que eles se tocam que tinham que pôr o servente lá numa pedra sacrificial e mais coisas a fazer, e o filme continua.A edição é um primor: boa parte das cenas dos 30s não foram editadas, então as vezes demora uma eternidade pra algo acontecer. O filme foi dublado e dessincroniza tranquilo, calmo e bastante em N cenas. O "script" deve ter sido adaptado às durações das cenas com falas redundantes por todo o lado - o que parece um tique do Torgo rapidamente vira padrão para todos os personagens, repetindo a mesma coisa sem parar.

Quentin Tarantino diz que "Manos" é sua comédia favorita de todos os tempos. E me vejo compelido a concordar - é grandiosidade cinematográfica. Em tudo que devia te espantar de um filme, como péssima edição, ângulos ruins, e falta de ritmo, o filme mais vira uma entidade própria do que é simplesmente ruim sem qualquer coisa que o salve (geralmente rio bastante quando vejo resenha dos outros sobre o filme, o que pra mim só demonstra que o filme é sua própria comédia e ainda assim passível de ser mais engraçado ainda dependendo de quem o ver).

O filme atualmente está disponível em uma versão nada preservada de imagem, mas era o melhor que podiam fazer com um filme tão obscuro (o filme estreiou em El Paso, Texas, onde Warren morava, foi um fracasso e não saiu mais nada dali), embora um projeto de restauração do filme tenha começado no fim de 2011.

"Manos" The Hands of Fate é recomendado - para os arqueólogos da ruindade. A versão Leite com Pêra é a MST3k. Se separam os meninos dos homens quem assiste o filme inteiro raw (curiosidade final: a cena de abertura que são 3 minutos de gravação de estradas de El Paso aparentemente teria os créditos iniciais, mas não lembraram ou não tiveram tempo de incluir na versão final. Isso, meus amigos, é "Manos".)

Links:
http://manosinhd.com - site da restauração
http://www.archive.org/details/ManosTheHandsofFate - Archive.org - o filme, domínio público, para baixar
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Boas noites!

Meu nome é Luiz Gustavo, essa é meu primeiro encontro aqui no Ácido Cinza e eu gostaria de dizer a todos que estou muito feliz de estar aqui compartilhando este meu testemunho e também comentar que estou há 32 dias sem impressora.

Não, não sou um impressor (ou seria imprimidor?) compulsivo e muito menos tenho qualquer desejo latente de destruição da máquina como muito bem representado no filme "Como Enlouquecer Seu Chefe"(Office Space), aliás, muito pelo contrário, apesar da minha ex-impressora (atual peso de papel) ter alguns anos de vida, eu sempre cuidei muito bem dela; mantendo-a sempre coberta, limpando a poeira antes das impressões, fazendo limpeza dos bicos de impressão,etc, além disso, nunca troquei nenhum dos cartuchos, tanto o colorido quando o preto, são os mesmos que vieram na compra da impressora, ou seja, o fato dela ter sido tão bem cuidada e tão pouco aproveitada é o que me deixou irritado e um pouco desconfiado.

Enfim, após ter ganho esse magnífico peso de papel HP (agora poderia ser a abreviatura de Heavy Peeble), comecei a garimpar na internet sobre o motivo que leva os produtos de hoje em dia a durarem tão pouco. Entre os interessantíssimos artigos sobre estupro na TV, gente viajando pro Canadá e fotos de animais mortos ou fazendo churrasco em lajes nas redes sociais eu me deparei com um termo relativamente antigo porém, pouco conhecido: "Obsolescência Programada".

Não! Obsolescência Programada não é um palavrão como foi dito por Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) enquanto explicava sua música "3ª do Plural". Obsolescência Programada é apenas o nome dado ao processo de diminuir ou limitar a vida útil de produtos industrializados, ela foi criada por Alfred Sloan, presidente da General Motors (Chevrolet) na década de 20 para fazer com que consumidores trocassem de carro com maior frequencia.

A idelogia é simples: criar produtos que durem o mínimo possível, gerando a necessidade constante de troca dos mesmos e alimentando a máquina do consumismo e os métodos utilizados são inúmeros e vão desde utilizar materiais de baixa qualidade e desenhar de uma forma que quebrem com facilidade, até mesmo, lançar modelos mais recentes e curtissimos espaços de tempo (Apple feeling) ou inserir componentes eletrônicos para que os mesmos causem os estragos desejados.
Até pouco tempo atrás na casa dos meus pais, tínhamos duas TVs Mitsubishi, uma durou 25 anos e a outra ainda funciona e está chegando nos 30, geladeira e máquina de lavar roupa, cada uma com quase 30 anos, estes aparelhos funcionavam perfeitamente apesar de antigos e apenas foram substituidos na desculpa de já estarem velhos e os novos por serem mais eficientes, com mais funcionalidades e com menor consumo, entretando, nada se pensou na vida útil dos novos, sinceramente duvido que passem de 10 ou 15 anos.

Se analisarmos, o caso fica ainda mais critico quando pensamos em eletrônicos; as novas TVs não passam de 5, 10 anos, aparelhos de DVD perdem o poder de leitura em menos tempo ainda, os novos videogames, computadores, tablets, mp3 players e celulares duram 2 anos no máximo antes de virarem sucata ou serem superados por modelos mais novos e potentes. Não é incomum ouvir pessoas dizendo que aproveitaram muito bem seus computadores, afinal, eles duraram 3, 4 anos. Ao meu ver, isso é um absurdo, penso que um produto que custa R$1000,00 (ou muito mais) deveria durar pelo menos umas 5 vezes mais que isso. Nossa noção de durabilidade dos produtos em geral está se tornando cada vez mais deturpada e ninguém percebe ou ao menos se importa.

Devo confessar, eu sei, não resisti, acabei comprando uma impressora nova e fui bem generoso, já que precisaria desembolsar acabei escolhendo uma daquelas multifuncionais com scanner, fotocópia e impressão normal, comprei pela internet e não dei muita importância no tamanho e complexidade do novo brinquedo. Estive em uma loja de eletrônicos dias atrás e acabei vendo o mesmo modelo em exibição. Quando vi o tamanho da criança, a quantidade de funções, configurações, fios e partes móveis, pensei estar comprando um misto de reator nuclear com uma grill George Foreman e com uma câmara de bronzeamento artificial. De cara já vi o plastico de baixa qualidade e as peças esperando só algum tempo para começarem a soltar ou pifar do nada, mas tudo bem, agora tenho um futuro peso de papel que também pode servir de vaso ou caixinha de areia para gatos também em 3 ou 4 anos, continuará sendo uma multifuncional.

Existe um documentário interessante sobre Obsolescência Programada chamado "Light Bulb Conspiracy", infelizmente não encontrei com legendas em português, mas para aqueles que quiserem se aventurar e conhecer a origem do processo e mais produtos que seguem esta idéia além de projetos que tentam minimizar os impactos dessa pŕatica e oferecer soluções alternativas, o filme é de ótima qualidade. O link está na listado nas fontes, logo abaixo.

Só por hoje, obrigado!



Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Obsolescência_programada
http://topdocumentaryfilms.com/light-bulb-conspiracy/
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