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Armando Caldas
Nascido em Arcos de Valdevez, partilhei a minha infância e juventude entre Arcos, Viana e Braga. Em Coimbra licenciei-me em Medicina ao mesmo tempo que ia dando corpo aos meus primeiros projectos musicais, que me seguiram até Viana e agora Braga.
Nascido em Arcos de Valdevez, partilhei a minha infância e juventude entre Arcos, Viana e Braga. Em Coimbra licenciei-me em Medicina ao mesmo tempo que ia dando corpo aos meus primeiros projectos musicais, que me seguiram até Viana e agora Braga.
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Involução

É costume dizer-se que quem em novo não morre, de velho não escapa. Tudo o que se nos afigura conhecido nesta fracção do espaço e do tempo onde estamos imersos tem supostamente um princípio, o qual se dilui no princípio dos tempos, bem como um fim que se esfumará no fim dos tempos que correm ao longo da infinita linha onde se escreve a eternidade.
Desde os maiores corpos celestes conhecidos dentro da imensidão do Universo que a tecnologia e os nossos sentidos permitem constatar, até às mais ínfimas partículas detectáveis, tudo encerra um ciclo mais ou menos lento, mais ou menos rápido que parte da sua criação à sua eliminação.
Mais perto de nós, neste planeta coberto de estruturas dinâmicas que dão vida à vida, animando microscópicas moléculas básicas outrora inertes, as quais tornam orgânico o inorgânico, tudo nasce, cresce e morre para permitir que outros nasçam, cresçam, se reproduzam e partam para deixar o seu lugar a outros de modo a assim continuar a escrever o tempo.
Globalmente, a vida das formas de vida começa a crescer de um pequeno broto ou semente, agiganta-se, adquire qualidades e vigor novo, adquire dimensão, amadurece até atingir toda a sua máxima pujança, após a qual inicia uma caminhada descendente que culmina no seu total desaparecimento.
A vida que vive em nós é também assim. Começa com a junção de duas pequenas células destinadas a evoluir até ao indivíduo adulto, para depois de cumprirem a sua missão de mensageiros entre o passado e o futuro, começarem a acusar a erosão do tempo até definharem perante as marcas da vida que diz adeus aos que vão, para poder dizer bem-vindo aos que chegam.
Por mais que não o queiramos, o mesmo tempo que nos faz crescer e amadurecer é também nosso carrasco e vai corroendo o nosso corpo com as suas marcas, fazendo-nos perder gradualmente muitas das faculdades que adquirimos em criança, tornando o nosso corpo cada vez mais cansado e desfigurado, sucedendo o mesmo que com os restantes animais, com as plantas, com as nossas casas, com os momentos destinados a perpetuar uma história que nunca sobreviverá à história que há-de suceder à nossa história.
São também assim as construções humanas, sejam elas ou materiais ou sociais, escrevendo na História a história das sociedades e dos impérios que nascem, se arrogam perante os seus pares e por fim sucumbem, abrindo as portas aos invasores que confiscam as suas maravilhas para erguerem a sua própria identidade, a qual resplandecerá até ser tomada por novos invasores que voltarão a reivindicar para si o direito de escrever a História à sua maneira, até que outra página se sobreponha à sua página, antecipando as páginas seguintes, até ao último dia da eternidade.
A História da construção das sociedades e impérios é frequentemente enunciada nos livros, mas a História do seu desaparecimento fica geralmente oculta pelo pó que recobre as suas ruínas e as ruínas da sua memória. No entanto o binômio evolução involução é uma constante inultrapassável da nossa realidade desde que o tempo é tempo.
Orgulhosos da nossa História e do nosso passado, das nossas realizações e das nossas conquistas, esquecemos que na vida tudo é transitório, tão mais transitório quanto pior cuidarmos da História que permite contar a nossa história na primeira pessoa.
A involução, parceira transitória do ciclo criação e eliminação, é uma sentença cruel que nasce connosco e nos acompanha até onde for possível prolongar a nossa existência, mas é um mecanismo que permite a contínua reciclagem que torna sustentável a evolução, impondo limites à tentativa de ultrapassar os limites que mantém em equilíbrio e harmonia o Universo como o conhecemos.
É a vida.
De todos nós.
Se lá chegarmos.

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