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Leonardo Brondani Schenkel
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Muito interessante este artigo (em inglês) publicado pela Associated Press: “Cars made in Brazil are deadly” (carros feitos no Brasil são mortais). Não traz nenhuma novidade, mas é mais uma comprovação de que os carros feitos no Brasil são umas carroças.

Vou comentar algumas partes do artigo (em tradução livre):

As montadoras brasileiras têm um lucro de 10%, em comparação a 3% nos EUA e uma média mundial de 5% [...]

Nenhuma novidade.

Somente em 2014 a lei exigirá air bags frontais e ABS em todos os carros, itens de segurança que há anos são obrigatórios em países industrializados. O país também terá novas regras de impacto — no papel, pelo menos; os reguladores brasileiros não têm seu próprio laboratório de teste de impacto [crash test] para verificar as reivindicações das montadoras sobre o desempenho dos veículos, nem há laboratórios independentes no país.

Ou seja, de acordo com a nova legislação são as próprias montadoras que vão informar o resultado e não haverá nenhum teste de nenhuma entidade independente para confirmar os dados. Coisas de Brasil.

Os modelos mais baratos de 4 dos 5 carros mais vendidos, fabricados pela GM, VW e Fiat, receberam 1 estrela de 5 [...]. Tal nota significa que os carros oferecem pouca proteção contra colisões frontais sérias, comparadas com carros nota 4 ou 5 estrelas, que são virtualmente o mínimo que os consumidores nos EUA e Europa compram.
O Ford Ka vendido na Europa ganhou 4 estrelas quando testado pela Euro NCAP em 2008; sua versão latino-americana ganhou 1 estrela.

Comprovação que nossos carros não têm segurança nenhuma.

O Nissan March produzido no México e vendido na América Latina recebeu 2 estrelas [...] enquanto que a versão européia vendida por praticamente o mesmo preço recebeu 4 estrelas. Os testes mostraram que a versão latino-americana tem uma estrutura fraca e instável que oferece pouca proteção ao seus ocupantes mesmo em acidentes não sérios.
A Nissan disse que o March vendido no Brasil é “praticamente o mesmo modelo” oferecido na Europa. “A diferença no resultado é devida à variações nos testes aplicados pela NCAP em diferentes partes do mundo”.
Não é verdade, diz Alejandro Furas, diretor técnico para os programas de teste de impacto globais da NCAP.
”Nós realizamos o teste de impacto frontal exatamente da mesma maneira que o da Europa. Os carros são testados no mesmo laboratório, com o mesmo tipo de boneco, sob as mesmas condições e com as mesmas pessoas cuidando do laboratório.”
A Fiat disse que ”em geral os projetos brasileiros recebem mais reforços” na carroceria para fortificá-los contra as ”rodovias com terreno mais difícil” do país.
Entretanto, os testes NCAP mostram que o carro mais vendido da Fiat no Brasil, o Novo Uno, tem uma carroceria instável e recebeu apenas 1 estrela.
A filmagem dos testes de impacto mostram a frente do carro dobrando como uma sanfona, [...]

Em outras palavras, além dos carros serem uma porcaria as montadoras mentem.

O Celta ganhou 1 estrela depois de sua porta sair da dobradiça e o teto do passageiro dobrar em um formato de V invertido durante o teste de impacto.
A resposta da GM limitou-se a dizer que seus carros seguem a legislação.
Um engenheiro de uma grande montadora doa EUA, falando anonimamente por medo de perder o emprego, disse que por anos e anos assistiu a sua empresa não incluir itens de segurança mais avançados no Brasil, simplesmente porque a lei não os exige.

É descarado que o governo, ao invés de defender os interesses da população, ao falhar completamente em exigir um mínimo de segurança dos carros (e na nova legislação vai exigir, mas não fiscalizar) defende apenas o interesse das montadoras — que por sua vez lavam as mãos.

[...] vítimas de acidentes no Brasil morreram 4 vezes mais do que nos EUA.
Os perigos são devidos ao básico, dizem os engenheiros: falta de reforço na carroceria, uso de aço de menor qualidade, soldas mais fracas ou em menor quantidade para manter o veículo inteiro, e plataformas projetadas décadas antes de avanços modernos de segurança.
“A eletricidade usada na fabricação de um carro corresponde a por volta de 20% do custo da estrutura” [...]
”Se você economiza em eletricidade, você reduz o custo. Uma maneira de economizar eletricidade é reduzindo o número de soldas, ou utilizando menos energia por solda. Isto afeta o desempenho da estrutura no evento de uma colisão.”

Alguém está surpreso que o lucro das montadoras brasileiras é o dobro da média mundial e mais que o triplo do lucro nos EUA?

[...] em mais de 12 entrevistas com vítimas brasileiras de acidentes que ficaram paralisadas, nenhuma delas considerou uma ação legal contra as montadoras.
“Estamos 20 anos atrás dos EUA e Europa em termos de consciência do consumidor [...] A nova e emergente classe média que está entrando no mercado tem pouca ou nenhuma informação sobre segurança automotiva. Não querem saber sobre a segurança dos automóveis. É esta mesma classe de consumidores que as montadoras estão alvejando e para ela que vendem uma montanha de carros”.
[...] E muitos motoristas simplesmente valorizam mais adicionais como rodas de liga leve e sistemas de som do que itens invisíveis como zonas deformáveis.

É por isso que num país de burros, sem educação, vendem carroças com “espelhinhos” pros índios que retribuem com ouro, felizes que fizeram um ótimo negócio.

O governo brasileiro diz que suas novas leis [...] irão dramaticamente melhorar a segurança, assim como os novos padrões de impacto. Mas como não há centros de testes de impacto independentes no Brasil, as empresas não sofrerão o mesmo escrutínio que em outros lugares. Elas mesmas farão os testes de impacto e apresentarão o resultado ao governo para aprovação. Porque não há nenhuma cláusula de conformidade na legislação brasileira, os carros não serão verificados para garantir que cumprem as leis de segurança.

E nada vai mudar. O governo defende os interesses do lobby das montadoras, ao invés de defender os interesses dos cidadãos.

Alexandre Cordeiro, o ministro encarregado das leis de segurança, [...] disse que “em testes de colisão frontal e lateral os carros brasileiros são tão seguros quanto os americanos e europeus”.
Entretanto, quando perguntado pelas enormes diferenças entre os resultados dos testes da NCAP dos carros brasileiros e europeus, Cordeiro admitiu que melhorias precisam ser feitas, dizendo que ”precisamos evoluir e estamos trabalhando nisso”.

Típico comportamento de político brasileiro: ignora a realidade, mente na maior cara dura que nossos padrões são de primeiro mundo e quando desmentido pela a natureza nua e crua dos fatos diz simplesmente que ”precisamos evoluir” e ”estamos trabalhando” para melhorar.

Enquanto isso, as carroças vão continuar a ser feitas já que existem milhões de burros para puxá-las.

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Hoje um colega de trabalho me perguntou se eu fiquei sabendo o que meus conterrâneos do Brasil fizeram. Perguntei sobre o que ele estava falando, já que não fazia idéia. Ele me contou sobre um episódio que eu não estava a par: no Maranhão teve um jogo de futebol onde o juiz expulsou um jogador, o jogador veio reclamar e agrediu o juiz, e o juiz puxou uma faca e deu uma facada no jogador. O jogador morreu. A família do jogador, revoltada, matou o juiz a pedradas, o esquartejou, arrancou a cabeça e cravou numa estaca no meio do campo.

Fiquei totalmente sem palavras. O Brasil já tem a fama de ser um país extremamente violento, e muitos por aqui acham que nós não somos civilizados, no mesmo nível dos piores países africanos ou do oriente-médio; como argumentar que não, quando acontecem casos como esse? (Sem falar no outro caso do rapper em São Paulo, morto por um tiro no meio de um show com sei lá quantas pessoas.)

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O que não vi em nenhum lugar do “furo” de reportagem do jornal O Globo é que recebeu a reportagem inteira de lambuja do The Guardian, da Grã-Bretanha. Uma citação apenas cairia bem.

Great quote from a Romanian politician that I read in a newspaper article, regarding all this spying from the U.S. (somewhat paraphrased since I'm citing from memory): “When we in the east wanted to join the west it was for the freedom, not to have more of what were fighting against”.

Estou dividido em relação às reduções dos preços das passagens de ônibus: por um lado mostram que os protestos e a pressão funcionam; por outro lado, reduções conseguidas através de reduções de impostos ou aumento de subsídios às empresas de ônibus só retira o investimento público em outras áreas tão ou mais negligenciadas. Me parece uma vitória pírrica.

A meu ver muito mais inteligente seria abrir a caixa de Pandora dos custos e lucros das empresas de ônibus, seu nível de investimento na frota, a qualidade do serviço oferecido, e daí sim rediscutir o preço justo e quem deve arcar com o ônus da redução.

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Nice, funny protest: one ball for each member of congress. During Brazilian matches they are kicked in direction of the congress building.
It's time to kick some balls at the Brazilian Congress.
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As a type fan (strange hobbies, I know) – this is awesome. It will improve rendering on Linux and devices everywhere.

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This is great:

Inacreditável!

Evitei de postar sobre o absurdo ocorrido em Santa Maria porque não havia nada a ser dito naquele momento, chocado que estava ainda pela tragédia (até porque era meu último dia de férias no Brasil e eu ainda estava na região), que já não tinha sido feito. Agora, de cabeça mais fria, e com as informações sobre o caso vindo à tona, tenho várias coisas a dizer sobre o fato.

Mas não vai ser nesta postagem; hoje li algo que me deixou ainda mais revoltado e não posso deixar em branco.

Depois de escancarada a falta de preocupação com a segurança de todos os envolvidos (banda, boate, poder público) e as conseqüências trágicas de tal mentalidade, não tenho palavras para definir aqueles que, 3 dias após o desastre, ainda defendem que se deixe perpetuar a avalanche do Grêmio, agora no novo estádio da Arena.

Entendo que a comemoração passou a ser uma marca registrada da torcida gremista, onde ela demonstra toda sua paixão pelo clube e realmente é muito bonito de se ver, mesmo para mim que sou colorado. Entretanto, deixando a paixão de lado, como negar que é algo perigoso e introduz um risco totalmente desnecessário?

Muita gente agora está dizendo que basta reforçar a grade, que a avalanche sempre aconteceu no Olímpico e nunca deu problema, e por aí vai.

Mas será mesmo que não se aprende? Quase 250 corpos foram recém sepultados e ainda se tem coragem de declarar, aos quatro ventos, que devemos ignorar as normas e os avisos dos especialistas em segurança? Mas que raio de cultura podre é essa que nós temos? A ignorância não tem mesmo fim?

Assim como em Santa Maria a tal da banda sempre usou pirotecnia e nunca deu problema; assim como na Kiss se costumava usar fogos em outras ocasiões e nunca deu problema; assim como era mais bonita a parede sem o extintor pendurado e nunca deu problema; assim como a mesmíssima coisa aconteceu no passado na China, na Rússia, nos EUA, na Argentina e nós aqui, tupiniquins, não aprendemos nada. E um dia acontece.

Na Europa não se usa grades para conter a torcida justamente por causa da tragédia na Inglaterra em 1989 onde 96 pessoas morreram amassadas e pisoteadas junto à grade. Ou seja, já há precedentes. E agora falam que a solução é reforçar a tal da grade em vez de acabar com a prática?

A polícia e os bombeiros já têm dito desde o início que é perigoso. Os especialistas e peritos são unânimes em dizer o mesmo. Quando a BM tentou impedir, o Grêmio e a torcida caíram matando em cima dizendo que era autoritarismo e a pressão foi tão grande que acabaram ganhando uma permissão temporária, isso depois da polícia obrigar o clube a colocar umas barreiras anti-esmagamento.

Onde vão estar o clube e os defensores da avalanche quando morrer alguém que tropeçar e cair no chão e for pisoteado pelos que vêm atrás, ou alguém esmagado junto à grade ou no meio da massa? Vão também abdicar da responsabilidade?

Está mais do que evidente que tanto o Grêmio quanto a construtora não têm a mínima preocupação com a segurança dos freqüentadores da Arena ao permitir que a manifestação continue mesmo depois de vetada por aqueles encarregados de fazer a avaliação técnica. É obrigação da torcida gremista e da sociedade como um todo deixar muito claro que a atitude dos dirigentes gremistas ao despriorizar a segurança em prol do espetáculo é inaceitável e imoral, e que é inaceitável também que o poder público que tem o poder de coibir não o faça.

Se a avalanche continuar à revelia de tudo isso e um dia morrer alguém, so há um nome para isso: homicídio doloso.

E antes que digam alguma coisa: se fosse o meu time, o Internacional, minha posição seria exatamente a mesma.
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