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EUA: O "ABISMO FISCAL" E A VERDADEIRA DECADÊNCIA
Paul Krugman adverte: a mídia e os políticos estão olhando para o problema errado

A bolsa de valores de Nova York sofreu hoje a terceira queda em quatro sessões, e o recuo (120 pontos, cerca de 1%) foi o maior desde novembro. A causa foram os novos sinais de que não há acordo entre o presidente Obama e o Partido Republicano em torno das medidas fiscais que deverão ser tomadas, obrigatoriamente, até os primeiros dias de 2013. Uma lei aprovada há dois anos, sob pressão conservadora, determinou que, caso o impasse perdure, haverá cortes automáticos de serviços públicos (inclusive nas Forças Armadas) e elevações de impostos. O conjunto das medidas poderia desencadear recessão quase-instantânea, e elevar o desemprego para 9,1 milhões de pessoas (hoje, são 7,9 milhões de norte-americanos desocupados).

A razão do desentendimento é a radicalização do Partido Republicano. Na semana passada, Obama e o líder conservador na Câmara, John Boehner, haviam chegado a um quase-acordo (http://www.guardian.co.uk/world/2012/dec/24/us-stock-markets-fall-fiscal-cliff). O presidente concordara em ampliar sua proposta inicial de corte nos serviços públicos. Boehner aceitara acabar com as isenções fiscais que favorecem os muito ricos (desde que atingissem apenas quem ganha mais de 1 milhão de dólares anuais). Mas a linha-dura republicana (liderada pelo chamado Tea Party) rejeitou o compromisso.

Mas por que razão os EUA estão tão obcecados em reduzir seu déficit fiscal? Em uma de suas recentes colunas no New York Times, o Nobel de Economia Paul Krugman, afirmou sem reservas: "é a luta de classes". O real problema econômico dos Estados Unidos é a grande número de desempregados, disse ele. Além de condenar milhões de pessoas ao sofrimento, as políticas econômicas atuais golpeiam a economia no futuro. Elas mpedem que gente bem-formada exerça suas habilidades e multiplicam o contingente dos que se tornarão cada vez menos aptos a participar da produção contemporânea.

No entanto, argumenta Krugman, os desempregados não têm poder para fazer lobby. A grande maioria dos congressistas sequer os enxerga. Em compensação, os poderosos dialogam todos os dias com dezenas de pessoas integradas ao mundo de quem enriquece com os juros pagos pelo Tesouro, ou com contratos com o Estado. "A crise do desemprego se aprofunda, embora tenhamos os conhecimentos e os meios para resolvê-la. É uma grande tragédia -- e também um ultraje", arremata Krugman.
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