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8 segredos da rotina de trabalho dos primórdios do Facebook

Segundo ex-funcionária, casos de assédio sexual começaram a ser checados apenas com a chegada de Sheryl Sandberg, em 2008


Livro "The Boy Kings", sobre gestão dos primeiros anos do Facebook na visão de uma ex-funcionária


São Paulo – Em 2004, quando Mark Zuckerberg lançou a rede social que, na época, ainda se chamava The Facebook, Katherine Losse era uma aluna de pós-graduação da universidade John Hopkins.


No mesmo ano, e usando o seu endereço de e-mail acadêmico, ela se inscreveu na rede social. Quatro anos depois, Kate se tornou a responsável pelos discursos e atualizações de Zuckerberg no Facebook.


A trajetória para este cargo, que ela conta no livro recém-lançado “The Boy Kings”, começou em 2005, quando Kate se tornou a 51ª funcionária da rede social. Ao todo, foram cinco anos dedicados ao site.


No livro que acaba de chegar às livrarias americanas, a ex-funcionária do Facebook revela os bastidores dos primeiros anos da rede social. Confira oito segredos, polêmicas e fatos inusitados que vieram à tona com o livro de Kate:


1. O Facebook é um clube de meninos programadores


Kate não demorou muito para perceber que o escritório era dominado por homens. E que os homens da área técnica eram mais valorizados – até Zuckerberg, segundo Kate, dava boas vindas de maneira mais calorosa para seus programadores. Não só isso. O ambiente em si era masculino - com direito a desenhos de mulheres de cintura fina e bustos largos.


2. Os funcionários moravam perto – às vezes dividiam uma casa


A maioria dos funcionários do Facebook morava a uma distância mínima do escritório. Kate escreve que isso acabou gerando um “clubinho” no maior estilo colegial. Segundo a autora, as pessoas só conheciam funcionários e só saíam com colegas de trabalho.


A certa altura do campeonato (mais especificamente em abril de 2006), Mark Zuckerberg se mostrou tão a favor dessa prática entre os funcionários que a empresa passou a oferecer um subsídio de 600 dólares mensais para aqueles que morassem a menos de uma milha do escritório. Os engenheiros estariam sempre de plantão e teriam de estar disponíveis para corrigir o site em caso de qualquer queda ou crises técnicas.


No verão, os funcionários eram convidados para a “casa da piscina”, uma propriedade onde cada um tinha sua cama (muito beliches) e onde eles poderiam se divertir – ou trabalhar –dentro da piscina.


3. Assédio sexual (e propostas de ménage a trois)


Para piorar o clima de “clube masculino”, as questões de assédio sexual não recebiam a devida atenção na empresa – pelo menos no começo. Kate conta como exemplo uma vez que uma colega estava na fila do refeitório e um dos empregados disse: “Eu quero colocar meus dentes no seu traseiro”. Quando confrontado com o fato, Zuckerberg perguntou o que aquela frase queria dizer, e fez pouco caso.


Um engenheiro em particular conseguia ser ainda mais inconveniente. Ele ficou conhecido por convidar funcionárias de níveis hierárquicos inferiores ao dele para manter relações com ele e a esposa. Por anos esse notório comportamento não teve resposta. Mas quando Sheryl Sandberg entrou como COO da empresa, em 2008, todas as queixas de assédio sexual foram checadas.


4. O aniversário de Mark Zuckerberg


O caso ficou famoso na época e foi revisitado por Kate em seu livro. Em 2006, Kate recebeu um e-mail da assistente de Zuckerberg dizendo que todas as mulheres do escritório deveriam aparecer no dia do aniversário do criador do Facebook com uma camiseta com o rosto dele estampado. “Espere, o quê? Eu pensei, ele não é meu deus nem meu presidente; eu apenas trabalho aqui”, escreve Kate.


Os homens também teriam de se portar de maneira diferente no aniversário do chefão: teriam de vir ao escritório vestindo as sandálias Adidas que eram as favoritas de Zuckerberg. Ou seja, segundo ela , as mulheres deveriam adorar o chefe e os homens, ser como ele.


5. A voz de Zuckerberg (ghostwriter)


Conforme foi se aproximando da área mais técnica e dos engenheiros do Facebook, Kate percebeu uma ascensão no seu status na empresa. Ela chegou ao ápice da sua carreira dentro da empresa ao trabalhar como a ghostwriter de Zuckerberg - a pessoa que escreveria os discursos e até os updates públicos na página de Facebook dele.


O trabalho de Kate consistia em entender a mente de Mark e a maneira como ele falava e escrevia – e reproduzir o estilo com conteúdos novos. Para isso, o chefe lhe deu duas dicas: “Nunca use vírgulas antes de conjunções” e “Assista West Wing” (seriado norte-americano sobre a presidência).


6. All Hands meeting – toda sexta à tarde


As tardes de sexta-feira eram reservadas para uma reunião entre todos os funcionários da empresa. Jovens programadores (muitos com menos de vinte anos, que haviam sido persuadidos a abandonar seus cursos na faculdade) vestindo jeans e chinelos se reuniam com as moças do atendimento ao cliente e administradores. E, claro, Mark Zuckerberg.


Em uma reunião informal e cheia de lanches, todos que trabalham no Facebook podiam dizer suas expectativas, fazer reclamações e propor novas ideias. Após essas reuniões, Zuckerberg ainda tinha como hábito manter seu escritório aberto por algumas horas para quem quisesse falar a sós com ele.


7. Os períodos de “lockdown”


Quem assistiu ao filme “A Rede Social” talvez ainda se lembre desta expressão: “lockdown” era o período em que um programador ficava completamente isolado do resto do mundo (bem nos primórdios, quando a rede sequer tinha sede, ficar isolado significava usar um par de fones de ouvido e não ser perturbado).


O programador usava este isolamento para criar novas linhas de código em tempo recorde. Kate explica no livro que esses períodos normalmente aconteciam quando algum concorrente entrava em cena (exemplo: Foursquare e Tumblr).


Desde o primeiro escritório havia uma sala reservada para os programadores em lockdown: repleta de telas e cobertores “como se eles vivessem e dormissem dentro dos monitores”, escreve Kate. E, segundo ela, esses períodos poderiam invadir finais de semana e madrugadas.


http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/8-segredos-da-rotina-de-trabalho-dos-primordios-do-facebook
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