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Armando Caldas
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2017, o ano da Confiança

Após atravessar todos os cataclismos cósmicos previstos para 2016, nomeadamente a chegada do Diabo em Setembro, depois de ver cumprido razoavelmente o Orçamento de Estado para 2016, depois de devolvidos os confiscos salariais efectuados em nome da crise desde Janeiro de 2011, ou seja antes da chegada da Troika, parece que finalmente o país esboça começar a virar a página da austeridade e a encarar com mais optimismo o futuro que uma solução de Governo como a actual não se afigurava muito fácil atingir quando foram assinados os 51 compromissos que permitiram ao PS, apesar de conseguir uma votação inferior à coligação de Direita, formar governo e conseguir conciliar com a Esquerda à sua esquerda o que uma pratica de várias décadas vaticinou inconciliável.
Um ano depois da sua constituição, a controversa “Geringonça” continua a funcionar, escapando ilesa aos pequenos sobressaltos que aqui e ali parecem ameaçar a sua estabilidade. A tradicional conflitualidade social aguerrida da CGTP foi aparentemente metida na gaveta e até o PCP parece agora aceitar que a excelência tem de ser devidamente paga e que afinal não somos todos iguais, ao patrocinar uma solução que inclui um salário de cerca de 30.000 euros mensais para gerir um activo público, assumindo que tal é o preço a pagar pela excelência e que, apesar de sermos todos iguais, não há mais nenhum igual que possa realizar o mesmo trabalho, seja por um ordenado igualitário e proletário, seja pelo mesmo montante que vai ser pago ao antigo Ministro da Saúde de Pedro Passos Coelho.
Tradicionalmente menos exigente com o substantivo que impera numa sociedade de inspiração capitalista e burguesa, embora incontornável nas chamadas “causas fracturantes” das quais não abdica, o Bloco de Esquerda tem sabido conviver bem com um certo capitalismo de Esquerda, assumindo a rejeição da ditadura imposta pelo capital sem contudo prescindir de manter a melhor qualidade de vida por ele proporcionada, nem que para tal seja preciso perder a vergonha de ir confiscar o dinheiro dos outros, sobretudo aqueles que têm o atrevimento de acumular riqueza, algo que mereceu o entusiástico aplauso de muitos militantes Socialistas, revelando um recondicionado PS que se pretende agora reposicionar à sua própria esquerda, assumindo a herança marxista renegada pela chamada “terceira via”.
Pacificada a Esquerda, a Direita, agarrada à calculadora entre contas de somar e subtrair onde dois mais dois teimam em ser quatro, aguarda pacientemente os dias piores que considera inevitáveis, esquecendo, contudo, que as suas soluções apenas serviram um Portugal que não é o do comum dos Portugueses e que mesmo com tantos sacrifícios, a consolidação orçamental ficou muito aquém do esperado, os problemas estruturais da economia ficaram por resolver e o futuro foi sempre adiado.
Se como chefe do Governo, Passos Coelho não deixa grandes saudades, também como líder da oposição não tem sabido ir além do sofrível, apostando mais na pieguice e no sempre adiado insucesso mediático das políticas do actual Governo, do que em edificar alternativas credíveis a uma solução de governo que lhe tirou o governo da mão e deixa órfã a clientela do seu clube de poder e desanimada a sua claque de apoio.
Para 2017 só nos resta esperar que tudo continue a correr o melhor possível na nau comandada por António Costa e que se domestique o Adamastor para poder virar definitivamente o cabo das tormentas, tornando exequível ao PS conseguir nas eleições autárquicas uma legitimidade política inquestionável, capaz de calar a boca aos mais críticos, seja fora, seja mesmo dentro do partido, permitindo-se significativamente mais que um “menos que poucochinho” obtido em 2015, conseguindo assim finalmente traduzir em votos o que as mais recentes sondagens anunciam.
Quanto ao resto, teremos Fátima, futebol, e, provavelmente o fado do costume.
Desejo a todos um bom ano de 2017.
Com ou sem milagres…

2017, o ano da Confiança

Após atravessar todos os cataclismos cósmicos previstos para 2016, nomeadamente a chegada do Diabo em Setembro, depois de ver cumprido razoavelmente o Orçamento de Estado para 2016, depois de devolvidos os confiscos salariais efectuados em nome da crise desde Janeiro de 2011, ou seja antes da chegada da Troika, parece que finalmente o país esboça começar a virar a página da austeridade e a encarar com mais optimismo o futuro que uma solução de Governo como a actual não se afigurava muito fácil atingir quando foram assinados os 51 compromissos que permitiram ao PS, apesar de conseguir uma votação inferior à coligação de Direita, formar governo e conseguir conciliar com a Esquerda à sua esquerda o que uma pratica de várias décadas vaticinou inconciliável.
Um ano depois da sua constituição, a controversa “Geringonça” continua a funcionar, escapando ilesa aos pequenos sobressaltos que aqui e ali parecem ameaçar a sua estabilidade. A tradicional conflitualidade social aguerrida da CGTP foi aparentemente metida na gaveta e até o PCP parece agora aceitar que a excelência tem de ser devidamente paga e que afinal não somos todos iguais, ao patrocinar uma solução que inclui um salário de cerca de 30.000 euros mensais para gerir um activo público, assumindo que tal é o preço a pagar pela excelência e que, apesar de sermos todos iguais, não há mais nenhum igual que possa realizar o mesmo trabalho, seja por um ordenado igualitário e proletário, seja pelo mesmo montante que vai ser pago ao antigo Ministro da Saúde de Pedro Passos Coelho.
Tradicionalmente menos exigente com o substantivo que impera numa sociedade de inspiração capitalista e burguesa, embora incontornável nas chamadas “causas fracturantes” das quais não abdica, o Bloco de Esquerda tem sabido conviver bem com um certo capitalismo de Esquerda, assumindo a rejeição da ditadura imposta pelo capital sem contudo prescindir de manter a melhor qualidade de vida por ele proporcionada, nem que para tal seja preciso perder a vergonha de ir confiscar o dinheiro dos outros, sobretudo aqueles que têm o atrevimento de acumular riqueza, algo que mereceu o entusiástico aplauso de muitos militantes Socialistas, revelando um recondicionado PS que se pretende agora reposicionar à sua própria esquerda, assumindo a herança marxista renegada pela chamada “terceira via”.
Pacificada a Esquerda, a Direita, agarrada à calculadora entre contas de somar e subtrair onde dois mais dois teimam em ser quatro, aguarda pacientemente os dias piores que considera inevitáveis, esquecendo, contudo, que as suas soluções apenas serviram um Portugal que não é o do comum dos Portugueses e que mesmo com tantos sacrifícios, a consolidação orçamental ficou muito aquém do esperado, os problemas estruturais da economia ficaram por resolver e o futuro foi sempre adiado.
Se como chefe do Governo, Passos Coelho não deixa grandes saudades, também como líder da oposição não tem sabido ir além do sofrível, apostando mais na pieguice e no sempre adiado insucesso mediático das políticas do actual Governo, do que em edificar alternativas credíveis a uma solução de governo que lhe tirou o governo da mão e deixa órfã a clientela do seu clube de poder e desanimada a sua claque de apoio.
Para 2017 só nos resta esperar que tudo continue a correr o melhor possível na nau comandada por António Costa e que se domestique o Adamastor para poder virar definitivamente o cabo das tormentas, tornando exequível ao PS conseguir nas eleições autárquicas uma legitimidade política inquestionável, capaz de calar a boca aos mais críticos, seja fora, seja mesmo dentro do partido, permitindo-se significativamente mais que um “menos que poucochinho” obtido em 2015, conseguindo assim finalmente traduzir em votos o que as mais recentes sondagens anunciam.
Quanto ao resto, teremos Fátima, futebol, e, provavelmente o fado do costume.
Desejo a todos um bom ano de 2017.
Com ou sem milagres…

2017, o ano da Confiança

Após atravessar todos os cataclismos cósmicos previstos para 2016, nomeadamente a chegada do Diabo em Setembro, depois de ver cumprido razoavelmente o Orçamento de Estado para 2016, depois de devolvidos os confiscos salariais efectuados em nome da crise desde Janeiro de 2011, ou seja antes da chegada da Troika, parece que finalmente o país esboça começar a virar a página da austeridade e a encarar com mais optimismo o futuro que uma solução de Governo como a actual não se afigurava muito fácil atingir quando foram assinados os 51 compromissos que permitiram ao PS, apesar de conseguir uma votação inferior à coligação de Direita, formar governo e conseguir conciliar com a Esquerda à sua esquerda o que uma pratica de várias décadas vaticinou inconciliável.
Um ano depois da sua constituição, a controversa “Geringonça” continua a funcionar, escapando ilesa aos pequenos sobressaltos que aqui e ali parecem ameaçar a sua estabilidade. A tradicional conflitualidade social aguerrida da CGTP foi aparentemente metida na gaveta e até o PCP parece agora aceitar que a excelência tem de ser devidamente paga e que afinal não somos todos iguais, ao patrocinar uma solução que inclui um salário de cerca de 30.000 euros mensais para gerir um activo público, assumindo que tal é o preço a pagar pela excelência e que, apesar de sermos todos iguais, não há mais nenhum igual que possa realizar o mesmo trabalho, seja por um ordenado igualitário e proletário, seja pelo mesmo montante que vai ser pago ao antigo Ministro da Saúde de Pedro Passos Coelho.
Tradicionalmente menos exigente com o substantivo que impera numa sociedade de inspiração capitalista e burguesa, embora incontornável nas chamadas “causas fracturantes” das quais não abdica, o Bloco de Esquerda tem sabido conviver bem com um certo capitalismo de Esquerda, assumindo a rejeição da ditadura imposta pelo capital sem contudo prescindir de manter a melhor qualidade de vida por ele proporcionada, nem que para tal seja preciso perder a vergonha de ir confiscar o dinheiro dos outros, sobretudo aqueles que têm o atrevimento de acumular riqueza, algo que mereceu o entusiástico aplauso de muitos militantes Socialistas, revelando um recondicionado PS que se pretende agora reposicionar à sua própria esquerda, assumindo a herança marxista renegada pela chamada “terceira via”.
Pacificada a Esquerda, a Direita, agarrada à calculadora entre contas de somar e subtrair onde dois mais dois teimam em ser quatro, aguarda pacientemente os dias piores que considera inevitáveis, esquecendo, contudo, que as suas soluções apenas serviram um Portugal que não é o do comum dos Portugueses e que mesmo com tantos sacrifícios, a consolidação orçamental ficou muito aquém do esperado, os problemas estruturais da economia ficaram por resolver e o futuro foi sempre adiado.
Se como chefe do Governo, Passos Coelho não deixa grandes saudades, também como líder da oposição não tem sabido ir além do sofrível, apostando mais na pieguice e no sempre adiado insucesso mediático das políticas do actual Governo, do que em edificar alternativas credíveis a uma solução de governo que lhe tirou o governo da mão e deixa órfã a clientela do seu clube de poder e desanimada a sua claque de apoio.
Para 2017 só nos resta esperar que tudo continue a correr o melhor possível na nau comandada por António Costa e que se domestique o Adamastor para poder virar definitivamente o cabo das tormentas, tornando exequível ao PS conseguir nas eleições autárquicas uma legitimidade política inquestionável, capaz de calar a boca aos mais críticos, seja fora, seja mesmo dentro do partido, permitindo-se significativamente mais que um “menos que poucochinho” obtido em 2015, conseguindo assim finalmente traduzir em votos o que as mais recentes sondagens anunciam.
Quanto ao resto, teremos Fátima, futebol, e, provavelmente o fado do costume.
Desejo a todos um bom ano de 2017.
Com ou sem milagres…

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A anulação da massa crítica, o neo-feudalismo baseado na subserviência, a ditadura do politicamente correcto distorceram os alicerces do progresso de uma qualquer sociedade. A sociedade é cada vez mais refém da ignorância colectiva baseada na promoção da incompetência servil para que alguns continuem a ser os donos disto tudo com maior facilidade.

MàF (Marcelo à Frente)


As eleições presidenciais do próximo dia 24 de Janeiro são talvez umas das mais importantes para a definição do rumo político para os próximos anos em Portugal.
Contrariamente ao previsto há pouco mais de um ano atrás, a coligação de Direita, PàF.  foi a formação política mais votada nas legislativas de 4 de Outubro de 2015, mas uma inusitada convergência dos partidos à esquerda do PS permitiu a indigitação de António Costa como Primeiro-Ministro de Portugal, uma vez que o Parlamento actual é composto maioritariamente por deputados que se opõem à continuação em funções de um executivo que obteve uma vitória insuficiente para ser o verdadeiro vencedor das eleições.
Marcelo Rebelo de Sousa, em campanha presidencial desde há vários anos, teve perfeita consciência da impopularidade das medidas do anterior Governo e, sem renegar a proximidade política indispensável para o apoio à sua candidatura, soube manter uma conveniente distância das decisões mais polémicas, quer do anterior executivo, quer do Presidente da República que agora cessa funções, provavelmente mais táctica do que convicta, para assim fazer passar a imagem de independência institucional do partido de que sempre foi militante, sem obviamente renegar a sua história política, até porque independência não quer dizer indiferença.
As sondagens dão-no como provável vencedor, seja logo na primeira volta, seja numa segunda volta para a qual está garantidamente convocado caso não se sagre Presidente da República já no dia 24 de Janeiro.
Do lado da Esquerda, aparentemente unida para garantir a sustentabilidade de um Governo alternativo ao XIX (e XX) Governos, existe uma aposta em salientar as suas diferenças, apresentando quatro grandes candidatos que pretendem disputar entre si a passagem à segunda volta, um por cada partido à esquerda do PS e dois por parte do PS (apesar de eu já ter sido confrontado nas redes sociais com o incrível disparate de que Maria de Belém é a segunda candidata da Direita pela voz de militantes e simpatizantes do PS – ao que nós chegamos!)
Apesar de tudo, a mim pessoalmente parece-me ser Sampaio da Nóvoa o candidato da Esquerda com mais possibilidades de derrotar Marcelo Rebelo de Sousa numa eventual segunda volta, pois acredito que facilmente agregará todos os votos à esquerda do PS – contrariamente a Maria de Belém, aparentemente difícil de digerir pelo PCP  – somado a todos os votos dos seus apoiantes dentro do PS e a esmagadora maioria dos votos  que Maria de Belém venha a obter.
Não entendo pois muito bem este fraccionamento da Esquerda - e muito menos o do PS - e se necessidade houvesse de recorrer a outros candidatos para amplificar a mensagem, acredito ser mais vantajoso recorrer a candidatos mais anónimos, os quais teriam a possibilidade de confrontar Marcelo Rebelo de Sousa com as suas contradições de forma mais contundente sem prejudicar uma candidatura forte como seria a de Sampaio da Nóvoa.
Temo que estas eleições se arrisquem a ser umas “primárias” de umas eventuais legislativas em 2016 e que a Esquerda, principalmente o PS, as encare com a mesma ligeireza com que encarou as presidenciais de 2011, com os resultados que todos sabemos. 
Não sei quem vai ser o próximo Presidente da República, mas tenho a certeza que se for Marcelo Rebelo de Sousa, de forma mais modesta (à tangente) ou avassaladora, certamente não tardarão muitas horas a que a Direita reivindique novamente o direito de Governar Portugal, assumindo como sua a vitória do seu candidato, transformando-a em sinal de que a Esquerda deixou de representar a vontade maioritária do eleitores, pressionando o recém eleito Presidente para a convocação de eleições antecipadas, excepto claro, se a Esquerda se auto-destruir e precipitar o seu próprio divórcio.
Nesse caso teremos provavelmente uma Direita dita “responsável”, disposta a se entender com o PS em nome de um suposto interesse nacional que só interessa aos que apenas se interessam por mais do mesmo, ou seja a “vidinha” dos “videirinhos”.
É a vida…

Quem país em 2016?


Com 2015 a chegar ao fim, é natural tentar prognosticar o que nos pode trazer o ano que se aproxima.
Gostaria que o cessante ano de 2015 nos tivesse trazido uma convincente vitória do PS, capaz de sustentar de forma mais sólida uma mudança das políticas de empobrecimento forçado aplicadas pelo executivo de Passos Coelho e Paulo Portas que executou de forma implacável os ditames de uma “troika” “austericida“ coordenada pelo eixo Berlim-Bruxelas com apeadeiro em Paris, da qual se orgulhavam de ser bons alunos.
Infelizmente para as minhas convicções e expectativas, a vitória resultou apenas do feliz  “inconseguimento” da PàF em concretizar uma segunda maioria absoluta, a qual muito provavelmente arrasaria o que resta do Estado Social, legitimada nesse caso pelo escrutínio popular.
Não me deixa particularmente confiante a presente aliança de sinais contrários formada para dar ao país uma alternativa às políticas do Governo anterior e a António Costa, bem como ao PS, uma boia de salvação para um evitar uma afogamento político do antigo autarca de Lisboa, dando assim um sopro de vida a um Governo que parecia finado na noite de 4 de Outubro.
Como já antes referi, não é fácil a tarefa que espera António Costa e o PS. Já não o seria em caso de uma vitória com maioria absoluta, ou pelo menos relativa, certamente mais difícil o será depois de ter de se contorcer para conseguir um equilíbrio instável entre os ventos que continuarão a soprar de Bruxelas e aqueles que nunca deixarão de soprar quer à sua direita, quer a sua esquerda, sabendo que o sucesso de um ditará no futuro o insucesso dos restantes.
Para já, o novo ano promete reverter parcialmente a austeridade, permitindo aos bolsos menos vazios algumas veleidades que acabarão de certeza por dinamizar a economia, ficando por saber se o suficiente para alavancar um crescimento económico que nos possa salvar do empobrecimento forçado  dos últimos anos. Esperemos que sim.
Claro que para isso acontecer, o PS tem de demonstrar com actos aquilo que  não conseguiu demonstrar com palavras, conseguindo uma governação mais eficaz da pesada máquina administrativa, uma racionalização dos recursos que não prejudique o utente, bem como um saldo positivo na construção do futuro e na balança de transações, de modo promover uma sustentabilidade que  estanque o endividamento público e privado para além do razoável.
As fragilidades do XXI Governo podem contudo ser também as suas forças, pois manter um difícil equilíbrio entre as exigências de Bruxelas e o bem-estar do povo Português exige um bom Governo e um bom Governo é a maior garantia da sua sustentabilidade, pois ninguém quererá ter o ónus de o derrubar apenas para apressar o calendário eleitoral.
No entanto o inverso também é verdadeiro e se o XXI Governo for apenas um Governo “assim-assim”, virando as costas às elevadas expectativas que assumiu, o mais certo é termos novas eleições lá pelo Verão, pois os Portugueses que o subscrevem não vão ficar unidos no “poucochinho” de uma austeridade ligeiramente mais simpática e menos cáustica, diferente apenas da anterior na dose e no ritmo com que se contentava António José Seguro, a qual, apesar de menos má, agora já não basta.
Resta-nos esperar que 2016 seja aquele ano em que poderemos começar a retomar a esperança de que 2017 e os anos que se seguem invertam o empobrecimento forçado e a degenerescência da matriz onde se poderá alicerçar um estado moderno, desenvolvido, justo e europeu como o desejaríamos.
Uma coisa está já contudo garantido: 2016 será o ano do fim dos 40 anos de carreira política de Aníbal Cavaco Silva.  Como diz o povo, não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, conforme as preferências dos leitores.

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Feliz Natal!
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O Pai Natal

Aproximamo-nos de mais uma quadra festiva que tem como expoente máximo o Natal, a que se segue na semana seguinte o Ano Novo.
De celebração proeminentemente religiosa, o Natal foi progressivamente transfigurado numa festa consumista onde a religião serve apenas de adereço e na qual o menino Jesus cedeu o protagonismo a um personagem de abdómen proeminente, barbas brancas e vestes vermelhas que distribui presentes tentando satisfazer os desejos dos mais novos, mas também de outros de faixas etárias superiores.
Em pequenos, quase todos acreditamos num qualquer Pai Natal, mas à medida que vamos crescendo e aprendendo a verdadeira face do mundo, a ilusão de que o mundo pode ser diferente do mundo que é o mundo, vai-se esvanecendo no soprar de velas que assinala cada aniversário enquanto temos velas, bolo e aniversário.
Assumimos orgulhosos que acreditar no Pai Natal é coisa de miúdos ou de ingénuos, mas a vida que acompanha a nossa vida enquanto temos vida mostra que de facto, apesar de não o reconhecer ou até mesmo negar e renegar, existe uma enormidade avassaladora  de gente que continua a acreditar no Pai Natal, não apenas naquele que supostamente desce as chaminés e se desloca num trenó puxado por renas na véspera de 24 de Dezembro, mas todos os 365 o 366 dias do ano, conforme este seja ou não bissexto.
Acreditar no Pai Natal, é penso eu, coisa de humano, suspeitando que tal não suceda na multiplicidade incontável de formas de vida, animalesca ou não, que connosco compartilham a morada neste singelo ponto do Universo posicionado algures na cartografia das estrelas, num recanto que alguém convencionou chamar Universo.
Nos meus tempos de catraio, o distinto cavalheiro que invade as nossas casas dentro e fora delas, não passava de um simples boneco de vestes vermelhas colocado algures na árvore de natal alguns degraus abaixo da estrela que a encimava, estando o polvilhar do sonho que tentava adivinhar os presentes do dia seguinte reservado ao menino Jesus, o qual em palhas deitado no centro de um presépio construido com figuras de barro sobre musgo roubado às pedras dos muros, se transfigurava para nos deixar os presentes numa viagem nocturna que ninguém via,
Actualmente o Natal começa no início de Novembro e estende-se até perto do Carnaval acompanhando os saldos de Inverno, passando pela noite mágica, pelo início do ano seguinte e pelo dia de Reis, servido em fatias sob a forma de bolo onde antes existia um brinde, mas que hoje pouco mais traz do que a fava.
Seja pela mão do Menino Jesus, seja pela do Pai Natal, seja pela dos três Reis Magos, como assumem os nossos irmãos ibéricos do outro lado da fronteira que já não existe, seja por outro ente qualquer, todos estamos sempre prontos para receber bens doados pela generosidade alheia, seja ela mítica ou não.
Quando passamos a ser pais, percebemos que existe de facto um Pai Natal com maior ou menor proeminência abdominal que vai buscar as prendinhas não ao Polo Norte mas a um lugar bem mais perto à medida das posses e da vontade de cada um, sabendo que essas prendinhas que os petizes pensam ser de graça saem da carteira que enche os nossos bolsos  - se tivermos, claro, carteira e bolsos - a troco de horas de trabalho nosso e de horas de trabalho de gente que provavelmente é tratada pior que qualquer gnomo num qualquer polo terceiro-mundista de uma multinacional que nos vende os sonhos materializados pela realidade virtual num qualquer ecrã à nossa frente..
Aproveitemos pois este Natal e o Carnaval que a seguir virá, esperando que a Quaresma lhe sucede não dure muito mais que quarenta dias, desejando para aqueles que acreditam no Pai Natal que ele lhes traga todas as prendas merecidas depois de quatro anos de bom comportamento e para aqueles que não acreditam exactamente o mesmo, pois o Pai Natal é uma constante da vida, mesmo que não se vista de vermelho, tenha ou não barba branca ou de outra cor qualquer, seja oriundo do Polo Norte ou apenas do pólo que comanda a vida enquanto o mundo pula e avança como bola colorida nas mãos de uma criança.

Os 51 trabalhos de António Costa.

Ultrapassar as sequelas do terramoto social desencadeado pelo colapso financeiro de 2008 não é fácil. Como sequelas da primeira abordagem que entendia como remédio o alavancar da economia baseado no investimento público ficaram as políticas de austeridade, nomeadamente nos países com economias mais frágeis perante a ditadura das agências de rating.
Ultrapassar as sequelas de um empobrecimento forçado imposto pelo pedido de ajuda externa para que o Estado pudesse honrar os seus compromissos para com os Portugueses, não é fácil.
Tentar reverter a perda de regalias sociais e rendimentos como resultado da submissão aos credores tornando este canto da Europa um lugar apetecível e não um ponto de partida para quem ainda não desistiu de sonhar, não é fácil.
Tentar fazer isso tudo depois de ser ultrapassado em votos pela Direita e em horizontes pela Esquerda só pode ser uma tarefa épica.
Os 51 pontos do publicitado acordo entre PS, BE e PCP são de facto aquilo que a esmagadora maioria dos Portugueses – mesmo muitos daqueles que votaram na Direita – anseia.
Todos nós queremos recuperar os rendimentos perdidos, provenham eles de salários ou pensões, todos nós queremos uma melhor Escola Pública, um melhor Serviço Nacional de Saúde, uma melhor proteção social e que os principais recursos estratégicos, de que a água é talvez o mais importante, se mantenham na esfera pública, de modo a poderem ser utilizados como veículos para promoção de melhor qualidade de vida e não como potenciais fontes de dinheiro para quem já tem muito dinheiro.
Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível, desde que haja vontade e capacidade para os executar.
Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível, desde que o PS reveja o seu modo de actuar posicionando-se à Esquerda quando é oposição e à Direita quando é Governo.
Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível, desde que o PS não aproveite a entrada no poder para continuar a atafulhar com a sua clientela os já muito saturados serviços públicos  nomeadamente com aquela clientela que mais nada sabe fazer do que bater palmas e desfilar alinhada nas procissões como ato de profissão de fé à espera da hóstia sagrada.
Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível desde que o PS entenda que não se cria riqueza estimulando a preguiça, o facilitismo e a pobreza de espírito.
Depois de ter ficado aquém da maioria absoluta ou da maioria simples, depois de ficar refém de quem pensa que basta um discurso agressivo para garantir melhores condições para o pagamento da dívida externa ignorando que o nosso principal problema não é pagar a dívida mas sim receber Euros para poder continuar a pagar salários, pensões, regalias sociais, obras públicas e aos fornecedores, ou depois de ficar refém de quem pensa quem sonha com uma revolução que ocasione a evolução para instalar uma sociedade igualitária numa auspiciosa ditadura do proletariado, parecem-me frágeis as condições para que o navio capitaneado por António Costa consiga navegar num mar que será provavelmente agitado durante ma legislatura completa, correndo o risco de ser abalroado por um aparelho voraz e faminto e afogar durante muitos anos a esperança em construir um futuro com esperança.
Continuo a subscrever os alicerces que servem de base ao programa que o PS apresentou aos Portugueses para ser votado em 4 de Outubro.
Não tenho dúvidas que o PS dispõe de pessoas capazes de fazer mais e melhor do que Direita que nos governou durante 4 penosos anos. Tenho dúvidas é que o consiga fazer agradando ao mesmo tempo aos “mercados”, a Bruxelas, ao PCP e ao BE.
Entretanto vamos andando, acreditando ou fazendo de conta que acreditamos que temos homem para isso e para muito mais e que o futuro risonho que ambicionamos e foi ceifado pela Direita está algures por ali, depois de cruzar o horizonte, seguindo as velas sopradas pelo sonho, destemidos e decididos a vencer todos os monstros marinhos que, é um facto, nunca ninguém viu.
Gostaria de poder ser mais optimista mas para isso seria necessário não ver, não ouvir e não falar Os 51 trabalhos de António Costa. Ultrapassar as sequelas do terramoto social desencadeado pelo colapso financeiro de 2008 não é fácil. Como sequelas da primeira abordagem que entendia como remédio o alavancar da economia baseado no investimento público ficaram as políticas de austeridade, nomeadamente nos países com economias mais frágeis perante a ditadura das agências de rating. Ultrapassar as sequelas de um empobrecimento forçado imposto pelo pedido de ajuda externa para que o Estado pudesse honrar os seus compromissos para com os Portugueses, não é fácil. Tentar reverter a perda de regalias sociais e rendimentos como resultado da submissão aos credores tornando este canto da Europa um lugar apetecível e não um ponto de partida para quem ainda não desistiu de sonhar, não é fácil. Tentar fazer isso tudo depois de ser ultrapassado em votos pela Direita e em horizontes pela Esquerda só pode ser uma tarefa épica. Os 51 pontos do publicitado acordo entre PS, BE e PCP são de facto aquilo que a esmagadora maioria dos Portugueses – mesmo muitos daqueles que votaram na Direita – anseia. Todos nós queremos recuperar os rendimentos perdidos, provenham eles de salários ou pensões, todos nós queremos uma melhor Escola Pública, um melhor Serviço Nacional de Saúde, uma melhor proteção social e que os principais recursos estratégicos, de que a água é talvez o mais importante, se mantenham na esfera pública, de modo a poderem ser utilizados como veículos para promoção de melhor qualidade de vida e não como potenciais fontes de dinheiro para quem já tem muito dinheiro. Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível, desde que haja vontade e capacidade para os executar. Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível, desde que o PS reveja o seu modo de actuar posicionando-se à Esquerda quando é oposição e à Direita quando é Governo. Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível, desde que o PS não aproveite a entrada no poder para continuar a atafulhar com a sua clientela os já muito saturados serviços públicos nomeadamente com aquela clientela que mais nada sabe fazer do que bater palmas e desfilar alinhada nas procissões como ato de profissão de fé à espera da hóstia sagrada. Os 51 pontos são um compromisso justo e atingível desde que o PS entenda que não se cria riqueza estimulando a preguiça, o facilitismo e a pobreza de espírito. Depois de ter ficado aquém da maioria absoluta ou da maioria simples, depois de ficar refém de quem pensa que basta um discurso agressivo para garantir melhores condições para o pagamento da dívida externa ignorando que o nosso principal problema não é pagar a dívida mas sim receber Euros para poder continuar a pagar salários, pensões, regalias sociais, obras públicas e aos fornecedores, ou depois de ficar refém de quem pensa quem sonha com uma revolução que ocasione a evolução para instalar uma sociedade igualitária numa auspiciosa ditadura do proletariado, parecem-me frágeis as condições para que o navio capitaneado por António Costa consiga navegar num mar que será provavelmente agitado durante ma legislatura completa, correndo o risco de ser abalroado por um aparelho voraz e faminto e afogar durante muitos anos a esperança em construir um futuro com esperança. Continuo a subscrever os alicerces que servem de base ao programa que o PS apresentou aos Portugueses para ser votado em 4 de Outubro. Não tenho dúvidas que o PS dispõe de pessoas capazes de fazer mais e melhor do que Direita que nos governou durante 4 penosos anos. Tenho dúvidas é que o consiga fazer agradando ao mesmo tempo aos “mercados”, a Bruxelas, ao PCP e ao BE. Entretanto vamos andando, acreditando ou fazendo de conta que acreditamos que temos homem para isso e para muito mais e que o futuro risonho que ambicionamos e foi ceifado pela Direita está algures por ali, depois de cruzar o horizonte, seguindo as velas sopradas pelo sonho, destemidos e decididos a vencer todos os monstros marinhos que, é um facto, nunca ninguém viu. Gostaria de poder ser mais optimista mas para isso seria necessário não ver, não ouvir e não falar.
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