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Carlos Santos Oliveira
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SÓ O ESPÍRITO DO AMOR PERMANECE

Geração após geração,
rasgam-se os céus e a terra,
brotam e fenecem vidas.
E sem ilusão ou esperança alguma
no efémero prazer da carne,
só o espírito do AMOR permanece.
Por isso sê de natureza simples
e não te entregues a ansiedades.
Desliza pela vida
como um rio sobre as pedras brancas
e límpidas do seu fundo.
Ajeita-te na cadência da chuva
e no reflexo do sol
e aconchega-te na serena imperfeição
das tuas emoções.
O tempo não se vai recordar de ti,
repara que até mesmo a fama e a História
Se cobrem de sombras do esquecimento.
A ti só sobreviverão os afetos que deixares,
no coração agradecido
daqueles que verdadeiramente amares.
SÓ O ESPÍRITO DO AMOR PERMANECE
SÓ O ESPÍRITO DO AMOR PERMANECE
carlossantosoliveira-ondasdeescrita.blogspot.com
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PROCURA DENTRO DE TI!
(Dedicado a ti)
Deste voltas e mais voltas
por este mundo
até desgastares os pés e os caminhos.
Esvoaçaste e esvoaçaste
por todos os céus desta Terra
até quebrares as asas
de encontro às esquinas das nuvens.
Todo o teu esforço foi pouco,
peregrino,
astronauta,
à procura do universo,
do infinito,
da hora exata,
do segundo fundamental,
onde a felicidade pousaria em ti
com a leveza de uma borboleta,
ou com a surpreendente subtileza espacial
de uma nave sobre a lua.
Efeitos lunares,
astrologia,
muita imaginação
e a devota esperança na magia,
levaram-te a acreditar que haveria um dia,
sem dúvida,
finalmente um dia,
em que encontrarias toda a alegria.
Porém, depois de tanta caminhada e muita astronomia
chegaste aqui.
À porta.
Da tua casa ou do teu corpo.
Dos quais nunca verdadeiramente saíste.
E ao contemplares esta verdade,
compreendeste,
que é dentro de ti que reside a fé,
a alegria,
DEUS,
O princípio de tudo,
O mundo e o Universo
PROCURA DENTRO DE TI!
PROCURA DENTRO DE TI!
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COMO FOI POSSÍVEL DESTRUIRMOS TANTO AMOR?

Daqui a pouco, como um raio de luz, vais apagar-te ao fechar a porta da nossa casa pela última vez. Vais fechar-te, para sempre, lá longe, no mundo, onde apenas poderei chegar como um espírito pairando sobre as asas quebradas da memória.
Estás fazendo as malas. Enchendo-as com as roupas, os sapatos, os cremes e os perfumes, os cheiros de ti, a substância da tua essência, o essencial da tua personalidade, o fecho da tua decisão ao encerrar todas essas coisas, simplesmente toda a cumplicidade da nossa vida.
Arrasto-me pelo deserto da sala, perdido, procurando achar um caminho onde encontrar a tua ausência. Mas não enxergo o horizonte, nesta densa camada de pó em que os meus olhos se desfazem de tristeza.
Agora é tudo tão definitivo, que nem as perguntas têm já qualquer significado. Se não, haveria apenas uma única pergunta, a derradeira, que gostaria de te fazer:
COMO FOI POSSÍVEL DESTRUIRMOS TANTO AMOR?
COMO FOI POSSÍVEL DESTRUIRMOS TANTO AMOR?
COMO FOI POSSÍVEL DESTRUIRMOS TANTO AMOR?
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PASSARINHO HUMANO
(Dedicado a vocês, passarinhos)

(E a todos aqueles que perguntam por onde anda VOANDO o meu coração).

Hoje um passarinho entrou pela janela do meu quarto e ficou preso e sem a liberdade do céu. Desesperado, sem encontrar a saída, voava sem norte procurando libertar-se do medo e voltar de novo às asas do seu mundo, atravessando a ilusão do sol refletido no espelho da cómoda. E batia e batia com a cabeça e o bico contra a luz falsa do vidro, que para ele brilhava como a esperança da liberdade. Pobre passarinho já ferido, o sangue salpicando tudo, até as minhas mãos que o tentavam salvar da morte. Coitado dele que, cego pelo seu instinto, preferiu morrer a entregar-se ao cativeiro do homem.
Também tu, passarinho humano, tantas vezes tentas voar sem a ilusão das asas e te encontras preso na gaiola do teu espírito. Cercado de espelhos, onde por momentos te envaideces e te achas belo e demasiadas vezes te entristeces e te sentes feio. Nesse dia a dia em que a liberdade é somente uma chuva de penas caídas do céu, porque esta coisa de ser humano é estar preso à mentira, à hipocrisia, ao poder, ao desmando dos outros, à traição e ao sexo que tantas, demasiadas vezes, mais do que AMOR é feito de muita solidão.
Talvez tu, passarinho humano, penses que a tua liberdade está em fugires pela janela do infinito do céu?
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PROCURANDO O AMOR

Eu estava entre a multidão e todos acendíamos as sombras com as lâmpadas do coração, tentando encontrar o AMOR em qualquer beco escuro e abandonado da vida. E todos éramos poucos, porque mais não fazíamos que andar às voltas e nos encontrarmos novamente no princípio de tudo, no lugar de partida, fragilizados pelo cansaço emocional de nos acharmos com as mãos vazias.
Pelo caminho somente víamos sinais de violência, rastos de sangue pingado no pó das estradas, a mentira a espreitar às janelas, os espantalhos pregados na cruz das ruas para espantar a esperança dos homens.
Tínhamos os joelhos feridos de tanto cair, pois como cegos tínhamos perdido a visão da alma.
Enquanto o mundo explodia, a fome alastrava e o desespero gritava tão alto que atingia até os ouvidos do céu, eu e a multidão partíamos mais uma vez à procura de encontrar não apenas vãs palavras, usadas para seduzir, mas o sentimento do verdadeiro AMOR.
E, como mendigos, continuaremos até rasgar os pés nas pedras e nos espinhos dos caminhos. Até nos encontrarmos e vivermos de novo a essência do AMOR.

Foto da autoria de Maria Filipe.
PROCURANDO O AMOR
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AMOR E SEXO

Apenas conhecemos duas palavras que servem para juntar os corpos e os sentimentos, ou para lhes dar significado: AMOR E SEXO. Mas não temos poder sobre elas. Não as podemos controlar. Desconhecemos quando elas mentem ou dizem a verdade. Quando estão unidas ou de costas voltadas. Quando nenhuma delas existe, apesar dos atos praticados. Quando deixam de ser simplesmente palavras e passam a ser o sangue vivo dos sentimentos.
Amor e sexo, tão diferentes na língua quanto no corpo da grafia. A sua conjugação só pode ser feita pelo simbolismo dos sentidos, pela sensibilidade das sensações e dos afetos. Não sabemos qual o seu lugar na ordem das intenções: virá primeiro o sexo e depois o Amor? Ou será o inverso? Poderá sobreviver o Amor sem sexo ou o sexo sem Amor? Viverão em comum? Ou poderá nem sequer existir nenhum destes fatores no coração de uma vida humana? Nem tão-somente no consciente ou subconsciente do ser humano?
Provavelmente só cada um poderá responder com a sua vida. Eu limito-me a responder com a minha e sei que o sexo e o Amor condicionam o nosso dia-a-dia, transformam a sociedade, viram os corpos do avesso e fazem-nos emocionar e sofrer toda a espécie de distúrbios, de sensações e de sentimentos, sendo a alegria e a tristeza os extremos dessa sensibilidade.
Talvez haja um “complexo do sexo” e um “complexo do Amor”, ou apenas um complexo único que conjuga os dois? A única certeza que possuo é que a vida é complexa, simplesmente porque nós somos tão estupidamente complexos.
AMOR E SEXO
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VENCER A MORTE

E assim, num repente, as palavras silenciaram-se em mim. Era impossível escrever, falar e encontrar um objetivo e um significado para dizer o quer que fosse. O mundo? A vida? Eram um monstro que consumia a vontade e a esperança. E os meus melhores amigos morriam de depressão, suicidando-se com drogas e cordas e no profundo dos poços. Com quem falar? Como explicar? O que perguntar? Tinha a dor a explodir-me na alma e os olhos estavam cegos de chorar. É difícil viver assim contando os corpos e os ramos de flores depositados sobre as campas. Foi então que procurei fugir para evitar ser o próximo, já que a angústia e a tristeza me acompanhavam, me perseguiam, me ameaçavam. Desta forma encurralado entre o silêncio e o desespero, pensei que a luz se ia apagar repentinamente na mais completa escuridão dos meus sentimentos. Mas, subitamente, o sol rasgou janelas no azulado do céu e iluminou o caos do meu dia a dia. E vi, tão claramente, o interior da minha família e o AMOR que irradiava dela e decidi voltar à luta, a enfrentar a morte, o desânimo, o sofrimento, a violência e as consequências de todos os dias, porque ainda não cheguei ao fim do meu caminho e lá no fundo ainda existe muito para fazer por mim e pelos outros.
Por isso voltei a escrever, a deixar este texto, como prova de que a melhor forma de honrar as mortes dos que nos foram queridos, é vivermos sem fantasmas, tentando AMAR e sobreviver com ALEGRIA.
VENCER A MORTE
VENCER A MORTE
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UM PAI FELIZ

Os homens absolutamente comuns, como eu, levantam-se às 06:30 horas a tropeçar no sono, para cumprir a rotina de uma vida de trabalho. Mas são, por vezes, surpreendidos pela alegria enorme de serem pais, quando num simples guardanapo sobre a sua caneca de chá do pequeno-almoço, encontram escrita a mais rabiscada, sincera e generosa mensagem de AMOR do seu filho.
E é nesses momentos que cresce dentro de nós a vontade de começar de novo, arrebentando o cansaço, as algemas do trabalho e do esforço de todos os dias, abrindo as portas para o mundo apenas com a força dos músculos do coração e a sensível leveza das lágrimas emocionadas de felicidade.

(Muito Obrigado ao meu filho Tiago Gabriel (8 anos), pela carinhosa mensagem de AMOR. Mas igualmente aos meus filhos Carlos e Daniel, que dão sentido à minha vida enquanto pai.)
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A INOCÊNCIA DO PECADO

Toda a inocência contém vestígios de pecado. Todo o AMOR por mais verdadeiro e profundo que seja na intenção dos seus sentimentos, só pode completar-se no sangue do pecado. O carinho e o desejo não conseguem libertar-se da vontade incontrolável de tocar-se, de sentir a sensibilidade da pele, de macular os lábios com a saliva dos beijos, de entrarem e saírem dos corpos não somente com a ilusão do sonho e a virtude da alma, mas com a virilidade dos sexos tentando partilhar-se na gula do prazer.
Toda a natureza se conjuga na sua infinita liberdade, para que todas as coisas existam na mais perfeita dependência entre si.
Vejam-se as borboletas, tão naturalmente belas e inocentes, mas que esvoaçam inebriadas pelo aroma das pétalas e sugam o néctar da pureza de cada flor.

Fotografia de Daniel Santos Oliveira (meu filho de 14 anos).
A INOCÊNCIA DO PECADO
A INOCÊNCIA DO PECADO
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NAS ASAS DO CÉU

Não sei se foram os caracóis das ondas despenteando o som da areia? O grito de uma criança aventurando os pezinhos no arrepio do mar? Um cão que passou correndo sacudindo do pelo as gotas salpicando sobre as minhas costas? Ou simplesmente o riso enternecido dos namorados que sobre as toalhas se abraçavam felizes? Não sei qual deles teve o condão de me despertar? Mas sei que ao abrir os olhos, naquela cortina indecisa do tempo entre o sonho e a realidade, vi as tuas asas recortarem a praia e por breves momentos senti que voava nas penas do vento, tão leve como se não tivesse corpo, a alma tão livre e tão pura sentindo que não era humana e que somente como uma gaivota podia alcançar o céu.

Fotografia de Daniel Santos Oliveira (meu filho de 14 anos).
NAS ASAS DO CÉU
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