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Gui Bracco
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Navegar. É preciso viver, não é? Preciso.
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— Será que um dia curaremos essa ressaca?

— "Que coincidência é o amor".

— Antes de dar sua opinião sobre o outro, tente se colocar no lugar do outro. Somente então e depois de se certificar de que você não desfruta mais do conforto do seu lugar conhecido e contempla a aridez e estranheza de um lugar que não lhe pertence, apenas então avalie sua opinião. De outra forma, ela é apenas o retrato daquilo que você não enxerga — o que ainda pode dizer muito (sobre você), apenas não da forma como você espera.

— Humbleness is the ultimate art of being utterly human.

— Eu estava na Paulista quando a manifestação dos professores em greve passou. Era muito maior do que os pouco mil gatos pingados que a PM anunciou e eu resolvi acompanhá-los no caminho para casa.

No rosto de vários professores vi o rosto de minhas tias, que foram professoras uma vida inteira e se aposentaram pela rede estadual. Como é de se imaginar, comeram o pão que os diabos amassaram e vêm amassando. Eu poderia me alongar, mas quem se importa já sabe e quem não se importa não está nem aí. E tem muita gente que não se importa. Muita. Basta notar quantas publicações pipocam nas redes sociais quando o assunto é impeachment, Petrobrás, falta d'água, mensalão, trensalão e o cacete em Cuba… e quando é a greve dos professores. Muita gente diz que apoia, mas se importa? Alguém aqui bateu alguma panela pelos professores? Uma cumbuquinha, talvez? Não, quase ninguém se importa. O povo quer mesmo é sangue. Os professores que parem logo com essa baderna que só atrapalha quem "precisa" trabalhar.

Descendo a Consolação, passei em frente a um estacionamento. Subindo a rampa, vinha uma mulher pisando duro e com lágrimas escorrendo pelo rosto — lágrimas! Parou na calçada e se dirigiu àquele bando de vagabundos filhos da puta (sic) com tanto ódio que só faltou espumar. Ódio. Ódio porque ela não podia sair da garagem enquanto os professores não terminassem de passar.

Como é que alguém pode odiar professores?

Na transversal, pela qual me desviei, vi cenas parecidas. Um homem saiu do carro e foi andando até a esquina, furibundo, com celular e carteira na mão — fazer o quê, eu não sei. Uma senhora reclamava na janela do carro que aquele bando de vagabundo (sic) deveria estar dando aula — como se isso dependesse apenas deles. De resto, reinava o silêncio. Nenhuma buzina tocou em apoio à bateria que passava. Nenhuma. Ninguém acenou. Ninguém se importou, senão com o seu imenso e insuportável transtorno.

Eu não sinto a menor pena de quem perdeu a hora, o vôo, a reunião, as estribeiras.

Se você leu até aqui, é porque um professor lhe ensinou. Agradeça. E cada uma das pessoas ali, impedidas de cuidar da vida vendo aquele bando de vagabundos passar, deveria era beijar o chão que eles pisavam, ao invés de destilar o ódio que escorre do próprio umbigo.
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