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Deonísio da Silva
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Escritor e Professor, Doutor em Letras pela USP
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Deonísio da Silva commented on a post on Blogger.
Oi, Ana, sorte é a minha: uma aluna descobrir meu despretensioso blogue. Abraço do Deonísio e obrigado por comentar.
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O centenário de Antonio Callado foi nosso assunto, hoje, no Correio do Povo.
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Parabéns! Muito boa iniciativa!
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ARQUIVO ABERTO
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/220259-no-predio-da-light.shtml
Rio de Janeiro, 1974
No prédio da Light
DEONÍSIO DA SILVA
"Nada temos a temer, exceto as palavras". Este bordão, reiterado ao longo do romance como um aviso, me desconcertou ao folhear "O Caso Morel", primeiro livro de Rubem Fonseca que eu li.

Era aluno do curso de letras num campus do Brasil meridional e recebi a tarefa de fazer um trabalho sobre o adultério mais comprovado do mundo. Mas desde que a americana Helen Caldwell inventara uma suposta ambiguidade em "Dom Casmurro", só se podia ler o romance de Machado de Assis com vocação para corno: diante de todas as evidências, nem sequer desconfiar.

Ex-seminarista e gato de bibliotecas (não gosto da metáfora do rato), eu já tinha lido todo o Machado. Propus Rubem Fonseca, cuja obra o professor também desconhecia. E vieram o acaso e suas leis, entretanto desconhecidas, como dizem os surrealistas. Entusiasmado, o professor ordenou-me que enviasse o pequeno ensaio ao editor.

Rubem Fonseca apreciou aquela heresia e me convidou para visitá-lo no Rio, dando-me o endereço: av. Presidente Vargas, 642.

Ao chegar, nova surpresa. Ali era a sede da Light, templo resplandecente do capitalismo. O autor, o sumo sacerdote de uma religião que seus personagens combatiam, não se parecia em nada com eles. Mas sua extrema cordialidade me desarmou. Em poucos minutos fluía uma conversa de doidos mansos.

Eu também o surpreendera. "Pensei que você tivesse uns 50 anos. Pela maturidade do que escreveu", ele me disse. O escritor tinha 49 anos; eu, 25. Era o dia 30 de julho de 1974.

Quais duas rádios em serenos solilóquios, dávamos os respectivos prefixos, procurando a sintonia mútua. O aprendiz logo percebeu que o mestre era muito ardiloso, com uma sabedoria que só têm os grandes autores. Quem escolhe o autor é o leitor. E era isso que tinha acontecido. Ele nada sabia de mim, mas eu estava em desvantagem.

Ele me perguntou se eu lera seus outros livros. "Não, nenhum, só este sobre o qual fiz o trabalho". Estreara havia onze anos, com "Os Prisioneiros" (1963), e tinha publicado também "A Coleira do Cão" (1965) e "Lúcia McCartney" (1967). "O Caso Morel" (1973) era seu primeiro romance.

Quando autografou "A Coleira do Cão", escreveu abaixo de meu nome "crítico e ficcionista". Ponderei que não tinha publicado nenhum livro, era rigorosamente inédito. E ele: "Você é ficcionista, é crítico. Só que ainda não publicou". Por suas mãos, dali a dois anos, eu estreava com um livro de contos na mesma editora que o publicava.

Às vezes, desarruma meus sentimentos a advertência que Clarice Lispector lhe fez num de nossos encontros, em 1974, depois tão frequentes: "Zé Rubem, você está ficando muito lido, isto não é um bom sinal, você preste atenção ao que eu estou dizendo". E ele, com humildade: "Eu dou muita atenção a tudo o que você me diz, Clarice".

Vieram outras águas, que moveram outros moinhos. Contra a censura, recorreu ao Judiciário. O processo durou de 1976 a 1989. Venceu, mas por 2 x 1, no TRF do Rio. Por pouco, "Feliz Ano Novo" não continuou proibido.

Meus trabalhos sobre a obra de Rubem Fonseca devem muito a professores que não a conheciam, como Guilhermino César, louvado num poema de Drummond. Formaram um aluno que trouxe milhares de leitores para a obra fonsequiana. Em autor de tantas complexas sutilezas, alguns livros têm mais qualidade do que outros, mas todos estão bem acima da média, sejam contos ou romances.

Sartre disse: "Os críticos são guardiães de cemitérios". Talvez porque mortos não reclamem de nada. No Brasil, poucos dedicam-se a descobrir autores vivos. Esperam que cheguem a seus pés, se possível contritos, pedindo favores. O trato justo e a conversa clara são evitados. No mundo literário, predomina a confraria do elogio mútuo. A regra é apagar quem discrepa ou simplesmente desconcerta.

A obra de Rubem Fonseca fez dele um autor imortal. Certo dia, um leitor distante dos centros de difusão literária descobriu seus livros por acaso, como alguns devem estar fazendo agora com outros autores.
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Pauta de SEM PAPAS NA LÍNGUA PARA 24/06/2015
https://www.youtube.com/watch?v=7Nhdwuylr1s (rodar a partir de 0:20 a 56 segundos)
Palavras: NOBREZA, NOME, SOBRENOME, ARRAIA MIÚDA, JUIZ, ZÉ-NINGUÉM, FORO, JUIZ, MINISTRO (de escanção a autoridade)
A rainha Elisabeth, como tantos soberanos, não tem sobrenome. Marcelo Odebrecht tem. O nome da rainha é Elisabeth Alexandra Mary. 
O rei Luís XVI, antes de ser decapitado na Revolução Francesa, recebeu a condenação com o seu sobrenome: Luís Augusto Capeto. 
No Brasil, quando a nobreza reinava, às vezes nem se sabiam os nomes e sobrenomes dos nobres, de que são exemplos: Duque de Caxias, Barão do Rio Branco, Marquesa de Santos (quanta honra para uma puta rica!)
Hoje, em plena República, políticos querem se esconder, não mais atrás de nomes e sobrenomes, mas dos cargos que ocupam. E têm foro privilegiado! Collor foi deposto da presidência, mas inocentado no STF. 
QUE RECADOS NOS DÃO NOMES E CARGOS DA CRISE DO BRASIL ATUAL?
O Brasil sempre teve NOBREZA, territorial ou de títulos. Mas ela nunca foi para a cadeia! Alguns SOBRENOMES nunca estiveram num cárcere no Brasil. Esta é a primeira vez!
O Estado brasileiro sempre foi cordial...com a parte de cima. Para o andar de baixo, era o chicote, a polícia, a lei, que só valia para gente de três pês: PRETO, POBRE, PUTA. Mas agora, como diz o nome da operação da Polícia Federal na fase atual da Lava-Jato, ERGA OMNES (vale para todos).
Hoje, nosso país vive um momento decisivo: pela primeira vez em sua história, altas autoridades do mundo econômico e político estão na cadeia. Não estão prendendo apenas o povo, a ralé, a ARRAIA miúda, a pobreza. Agora estão prendendo gente fina, o andar de cima, a casa-grande, a nobreza. Nobre tem o mesmo étimo de conhecer. O nobre é conhecido, não é um ZÉ-NINGUÉM.
Os presos são filhos ou parentes de famílias conhecidas nos estratos elevados da sociedade brasileira. Algumas dessas famílias têm biografias impolutas, ilibadas, são pessoas que acreditaram no trabalho e na ética, e fizeram sua riqueza baseadas em rígidos princípios morais e cristãos do ramo luterano. Hoje pesam sobre elas acusações terríveis: fraude, roubo, peculato, mentira etc., tudo o que é proibido pelos códigos que elas seguem.
Considerando que, CHUTATIS CHUTANDIS variante popular e engraçada de MUTATIS MUTANDIS, expressão que quer dizer “coisas que devem ser mudadas”, os presos em destaque herdaram nomes e funções do mundo medieval, às vezes disfarçados ou alterados – o que o passado das palavras nos ensina para melhor compreendermos o presente? (xx)
MINISTRO, por exemplo, era servente de um sacerdote, uma espécie de coroinha, passou a auxiliar do rei, do imperador, do príncipe ou equivalente. Virou a primeira autoridade da pasta que lhe foi confiada. Não serve. Manda. Aliás, às vezes seu ocupante não serve para nada, a não ser para aquilo, pois não sabe fazer nada e não encontraria emprego numa empresa.
E nomes e sobrenomes dos presos, que nos dizem? Marcelo Odebrecht, descendente de Emil Odebrecht, o primeiro a emigrar para Blumenau (SC), na segunda metade do século XIX, patriarca de uma família que hoje tem no Brasil 1.300 parentes, pois ele teve 15 filhos!  Ele cunhou o lema, seguido pela família: “A riqueza moral é a base da riqueza material. A riqueza sem ética não é riqueza sadia”.
Prender um empresário como Odebrecht ou prender um doleiro, gente que vive, não de construir algo, mas de faturar em cima da oscilação das moedas. (xx)
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