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José Pedro Viegas
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O MUNDO DE PERNAS PARA O AR
O MUNDO DE PERNAS
PARA O AR   Quantidade enorme de gente sem relação entre si, e que
procuram, pisando os mesmos espaços, o mesmo tempo. Roupas penduradas, vasos partidos que espalham terra.
Plantas tombadas viradas a sul. Baldes de plástico como latrinas. ...

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QUE TE DIZEM OS OLHOS
Que te dizem os olhos ?  Olhares inquietos, verrugas de água no vidro da sala,
espelhos sem reflexo. Um casulo em contraluz. Os passos do inverno,
cautelosamente chegando devagar  Os pequenos ódios
remoídos, como a sombra da mãe por perto, as pregações, o n...

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Deixa ficar assim…
Dormes menos. Vês passar o tempo, quieto, sobranceiro,
meticuloso. Cartas ao pai natal. Um comboio elétrico para aquele, uma
pista de carros para outro, a camisola de lã, o cachecol, o perfume. Uma
interminável lista.  E de repente no mesmo acordar todos na...

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A MEMÓRIA
A memória
aparece intermitente nos dias que correm solarengos. A memória dos
mortos é mais viva do que quando estava com eles. “Amanhã telefono-te. Sim, já gravei o número. Não esqueças que temos de almoçar… este ano juntamo-nos
todos antes do natal…” As no...

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REFUGIADOS
Qual o nome desse corpo a que chamas teu? Pagas uma viagem incerta num ritual de ondas que te levam. Até à sétima vaga num porto qualquer. Ficas num limbo, na sombra do corpo e a perda do brilho no olhar triste e despegado. Trazes sonhos em rebentações e fo...

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SEI QUE ERA TARDE.
Era tarde. Não sei se muito ou pouco. Sei que era tarde. Navegamos os dois, solitáriamente entre a nau das descobertas e um pedaço de terra num sítio qualquer. Não interessa. Caminhávamos sem sentido, acompanhados por uma ligeira brisa e as luzes que aos po...

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O QUE ACONTECEU, SABES ?
  T ocam os sinos da Igreja no fim da rua,
balançando acordes de chamamento. O vizinho com o seu aparelho de surdo espetava o nariz na
direcção do vento. Outro, galanteador, distribui acenos, enquanto ajeita o
chapéu e encosta, com o franzir da testa, as so...

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Até já...!
      Já não temos
dias limpos, nem orvalhos da manhã, pão torrado com manteiga, nem conversas sem
fim. A humidade
escorre nos muros repletos de musgo. O cheiro da casa vazia. A chuva que me
definha os ossos. Dias de cor
cinza, sons abafados pelos lençóis q...
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