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Carlos Campos
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Sinto o tempo esvair-se...
Este pode ser o instante último dos pensamentos
que ainda me restam…
Instante de dor consentida na mágoa
Alucinante da saudade…
Instante último de um tempo
Que não sendo meu, senti que um dia era minha pertença…
Não lhe conhecia o seu rosto,
Não imaginava os seus contornos…
A sua presença era visível na ausência…
Contudo, o hábito do novo dia,
Criava em mim a ilusão…
Não pensava o tempo a finar-se
Levando-me consigo…
Vivia numa inconsciência só geneticamente consciente…
Acreditava na Eternidade como fazendo parte dela….
Hoje, sinto a angústia das horas,
O anunciar de novas perdas…
Ausências que anunciam outras ausências…
Agora o coração chora baixinho,
Não vá o tempo acordar de mau humor…
A dor que se expande na Alma,
Uma dor cansada, rendida…
A angústia dos fins, das inexistências infindáveis…
As vozes, os rostos, os passos, os sorrisos e as lágrimas
Que partiram para sempre…
Acordo e sei que amanhã voltarei para a sua inexistência…
Hoje tenho a clarividência de saber
Que a maior parte das coisas
Que me disseram que eram as mais importantes,
Valiam menos que o mais fedorento excremento…
Hoje, mais que ontem, menos que amanhã,
Tenho a certeza que nos militarizam a mente
Durante dois terços da vida…
Mentindo-nos sobre os valores autênticos e nobres da vida…
Durante dois terços da vida enganam-nos
Com slogans publicitários de Poder, Juventude, Riqueza,
Incitando-se a requerer o ingresso no mundo dos poderosos,
Oferecendo-se o primeiro lance ainda na condição de escravos…
Um dia, de repente, convencem-nos que já não precisam de Nós,
Somos velhos, inadequados, desactualizados, inúteis…
Tecnologicamente Incapazes…
Tentam dizer-nos que o Amor é sinónimo de Pornografia…
Reduzem o valor de um beijo, de um abraço ou de um sorriso…
O valor de tudo reside na susceptibilidade de poder ser convertido em valor económico…
Os amigos de ontem, hoje são homens e mulheres de negócios sem tempo
Para investir em relações sem valor monetário…
Todas as pequenas coisas de que a vida é feita,
São coisas ridículas….
Devemos envergonhar-nos das nossas emoções…
Somos patéticos…
Lentamente, acabam por nos abandonar num lugar sem nome,
Onde nada nos é familiar…
Um lugar, onde, quantas vezes, durante a Noite nos erguemos,
Como fantasmas, procurando na escuridão os velhos interruptores…
Quantos sons pensámos ter escutado…
Por instantes, pequeninas fracções de Tempo,
Quase sentimos Esperança,
Quase podemos sentir o calor do nosso velho cão roçar as nossa frágeis pernas…
Quase Acreditamos num Milagre,
Um Milagre antes do último instante…
Carlos Barão de Campos


Sinto o tempo esvair-se...
Este pode ser o instante último dos pensamentos
que ainda me restam…
Instante de dor consentida na mágoa
Alucinante da saudade…
Instante último de um tempo
Que não sendo meu, senti que um dia era minha pertença…
Não lhe conhecia o seu rosto,
Não imaginava os seus contornos…
A sua presença era visível na ausência…
Contudo, o hábito do novo dia,
Criava em mim a ilusão…
Não pensava o tempo a finar-se
Levando-me consigo…
Vivia numa inconsciência só geneticamente consciente…
Acreditava na Eternidade como fazendo parte dela….
Hoje, sinto a angústia das horas,
O anunciar de novas perdas…
Ausências que anunciam outras ausências…
Agora o coração chora baixinho,
Não vá o tempo acordar de mau humor…
A dor que se expande na Alma,
Uma dor cansada, rendida…
A angústia dos fins, das inexistências infindáveis…
As vozes, os rostos, os passos, os sorrisos e as lágrimas
Que partiram para sempre…
Acordo e sei que amanhã voltarei para a sua inexistência…
Hoje tenho a clarividência de saber
Que a maior parte das coisas
Que me disseram que eram as mais importantes,
Valiam menos que o mais fedorento excremento…
Hoje, mais que ontem, menos que amanhã,
Tenho a certeza que nos militarizam a mente
Durante dois terços da vida…
Mentindo-nos sobre os valores autênticos e nobres da vida…
Durante dois terços da vida enganam-nos
Com slogans publicitários de Poder, Juventude, Riqueza,
Incitando-se a requerer o ingresso no mundo dos poderosos,
Oferecendo-se o primeiro lance ainda na condição de escravos…
Um dia, de repente, convencem-nos que já não precisam de Nós,
Somos velhos, inadequados, desactualizados, inúteis…
Tecnologicamente Incapazes…
Tentam dizer-nos que o Amor é sinónimo de Pornografia…
Reduzem o valor de um beijo, de um abraço ou de um sorriso…
O valor de tudo reside na susceptibilidade de poder ser convertido em valor económico…
Os amigos de ontem, hoje são homens e mulheres de negócios sem tempo
Para investir em relações sem valor monetário…
Todas as pequenas coisas de que a vida é feita,
São coisas ridículas….
Devemos envergonhar-nos das nossas emoções…
Somos patéticos…
Lentamente, acabam por nos abandonar num lugar sem nome,
Onde nada nos é familiar…
Um lugar, onde, quantas vezes, durante a Noite nos erguemos,
Como fantasmas, procurando na escuridão os velhos interruptores…
Quantos sons pensámos ter escutado…
Por instantes, pequeninas fracções de Tempo,
Quase sentimos Esperança,
Quase podemos sentir o calor do nosso velho cão roçar as nossa frágeis pernas…
Quase Acreditamos num Milagre,
Um Milagre antes do último instante…


Carlos Barão de Campos


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Um Lobo só...

A noite avançava dentro de mim sem piedade...afinal as noites aninham-se dentro de nós e crescem... crescem muito para lá das lágrimas...Por vezes, basta um detalhe e as lágrimas tornam-se gotas de sangue...Lembro-me que bastava a tua presença e a luz incendiava o meu caminho...Hoje eu era apenas uma Alma a roçar as esquinas povoadas dos fantasmas que eu sou...Como te disse, poderia ser apenas um detalhe, quando estava a escolher a camisola e as calças e não sabia o tamanho certo...Não imaginas como senti a tua falta...Podia ser apenas um detalhe...um pormenor...mas...
Anoiteceu em mim a tua morte demasiado madura para não caír...Afinal todas as noites há dias que não entardecem...
Poderia ser apenas um detalhe não conseguir conter as lágrimas...mas a tristeza cresce dentro de mim sem promessas...Como te disse, poderia ser apenas um detalhe não saber o número da camisola...mas a ausência tinha a minha idade e o sabor frio da morte...
Não imaginas como tentei sorrir...sei que não podes imaginar, mas eu conto-te...conto-te sempre como se pudesses dar-me a mão e encostar o teu peito ao meu...
Talvez esperasses mais de mim...talvez acreditasses que ainda pudesse existir dia dentro de mim...eu sei....mas tenho a certeza que tu também só conseguirias ser noite se a minha luz tivesse partido antes de ti...
Desculpa se te desiludo...mas não consigo sobreviver...

Escrito agora...

Um Lobo só...

Carlos Barão de Campos
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