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Perseu Silva
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"
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Esse é o projeto de uma escola q não pensa na formação de seus estudantes de maneira crítica. Temos vários ovos de serpente espalhados pelo país defendendo projetos q deixarão a escola assim: mais preconceituosa, acéfala, acrítica. Claro, são os detém os privilégios q querem reviver essa época de trevas. Mas não vai ter mordaça!

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Anticorpos
Era um dia de felicidade Para trinta dias de tristeza Eu não estava feliz Eu estava doente Tal qual depende químico Achava que me drogando estava completo Tal qual alcoólatra Quanto mais bebia mais pleno me sentia Tempos ruins E como toda doença ficam as se...

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Seg , 09/10/2017 às 10:57 | Atualizado em: 09/10/2017 às 12:06

Mentiras sinceras

Tatiana Mendonça

   

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Paulo Coqueiro foi o primeiro baiano a vencer o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre VergerRaul Spinassé / Ag. A TARDE

O fotógrafo baiano Tito Ferraz está desaparecido desde janeiro deste ano. Em uma das suas últimas postagens no Facebook, contou que seu apartamento no Rio Vermelho tinha sido arrombado e seus HDs, destruídos por completo. Lamentava a perda de fotografias de uma vida inteira. O texto curto vinha acompanhado por imagens de um dos discos danificados, extraídas de um vídeo encaminhado pelos arrombadores. Alguns dos seus cinco mil amigos na rede social compadeceram-se do ocorrido. Houve quem sugerisse que procurasse a polícia, houve quem contasse um caso parecido para ilustrar que tudo passa. “Foto a gente faz tudo de novo e melhor. Pior é perder um olho”, aconselhou um colega. Tito, que viajava o mundo trabalhando para a prestigiada agência Reuters, agradeceu o apoio. “Vou sair hoje dessa toca, tomar uma cerveja no final do dia e, sim, o melhor que faço com isto tudo, nesse momento, é registrar um BO. Abraço a todos!”. Depois disso, não se soube mais dele.

Um fiapo de notícia veio alguns meses depois, num comentário do também fotógrafo baiano Paulo Coqueiro. Ele contou ter participado da perícia policial para apurar a autenticidade das imagens de um dos HDs encontrados. Algumas das fotografias foram recuperadas e estão no projeto Não minta para mim, em cartaz no Palacete das Artes, na Graça, ao lado de reportagens de jornais que falam sobre a investigação do caso, documentos pessoais de Tito, livros que mostram a importância da sua obra e depoimentos em vídeo de colegas seus. Um memorial muito comovente, sombrio, triste, não fosse o fato de que Tito nunca existiu. Não existe.

O personagem foi criado por Paulo há dois anos, como um meio de  discutir a “crise de representação” da fotografia, do que seja de fato a verdade documental atribuída à imagem, amparada numa credulidade crescente por parte de quem vê. Pensou que a internet seria um bom suporte para a sua investigação e criou o perfil de Tito no Facebook. Começou a adicionar fotógrafos baianos e a utilizar estratégias de credibilidade, como ir a um evento da área e postar fotos dos livros assinados. Tito foi ganhando materialidade.

Houve quem questionasse em mensagens privadas a foto do seu perfil, o icônico retrato do escritor Albert Camus feito por Cartier-Bresson, e a essas pessoas Tito, quer dizer, Paulo, respondia que era como ele estava se sentindo nos seus trabalhos no exterior, um estrangeiro, saudoso de voltar à Bahia. Nesse período, Paulo também visitou cerca de 40 fotógrafos baianos para entrevistá-los sobre questões conceituais do projeto, discutindo a relação entre fotografia e verdade e as possibilidades de trabalhar com ficção na fotografia. E lá pelas tantas perguntava se conheciam Tito, se tinham notícias dele. Queria testar o “poder das imagens em forjar verdades” justamente com aqueles que vivem de produzi-las. 

Depois disso, Paulo fez Tito desaparecer. Seguiu construindo sua narrativa fora da internet,  apropriando-se de referências do cinema e da fotografia. Produziu as imagens periciais da investigação policial, as reportagens de jornais sobre o caso do fotógrafo ameaçado, seus álbuns de família e documentos pessoais. O retrato do RG de Tito foi feito utilizando imagens superpostas de partes do rosto dos fotógrafos entrevistados. Narizes de uns, olhos de outros. Reuniu todo o material em dois fotolivros que homenageavam a trajetória e legado de Tito, um deles prefaciado pelo artista e teórico espanhol Joan Fontcuberta – que, sim, existe, mas, não, nunca escreveu aquele texto. Defensor de que toda fotografia é uma manipulação, capaz de que Joan gostasse de ver-se metido ali. 

Foram justamente esses dois livros que Paulo levou para apresentar no Fórum Latino-Americano de Fotografia, que aconteceu no ano passado, em São Paulo, e no Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, em maio deste ano. Em Porto Alegre, foi premiado com uma participação na Trienal de Hamburgo, na Alemanha, no ano que vem. Em 2018, ele também levará a obra para exposições na Argentina e Uruguai. “É um projeto que chama muita atenção porque é a vida das pessoas. O tempo inteiro a gente está sendo enganado. Atribuímos uma certa neutralidade à fotografia, mas as imagens sempre têm um posicionamento sobre o mundo”. 

A obra também transformou Paulo no primeiro vencedor baiano do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, criado em 2002 e promovido pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Ele foi premiado com R$ 30 mil na categoria “trabalhos de fotografia de livre temática e técnica”, e foi aí que pensou em dar um caráter mais expositivo ao projeto. Não minta para mim integra a imperdível mostra coletiva da premiação, que fica em cartaz até 12 de novembro. Paulo soube de um diálogo curioso que aconteceu por lá outro dia: enquanto a moça responsável pela limpeza do espaço garantia que aquilo tudo não era real, o monitor batia o pé de que Tito tinha sumido mesmo, estavam ali as provas. O texto de apresentação do projeto dá o spoiler de que Tito é um personagem. 



Não Minta para mim traz reproduções do perfil no Facebook do falso fotógrafo Tito Ferraz. Foto: Raul Spinassé / Ag. A TARDE

Quando foi ver a exposição, a fotógrafa Valéria Simões tomou um susto. Foi uma das entrevistadas para o projeto, mas confessa que na época não sabia direito do que se tratava. “Ele conseguiu guardar  segredo até o último minuto. Achei fantástico, surpreendente, genial. É um trabalho de fotografia que questiona a própria fotografia. É muito interessante que o prêmio tenha valorizado esse outro formato, para além da fotografia documental, tradicional”. Amiga de Tito nas redes sociais, Valéria lembra de ter interagido com ele numa postagem em prol de um museu de arte contemporânea no Pará. Em nenhum momento achou aquela figura esquisita ou questionou a sua existência. “Acreditei de cabeça”, ri. “É incrível como a gente está vulnerável. Essa experiência me deixou mais esperta”.

O fotógrafo Álvaro Villela, também entrevistado por Paulo, correu para o Facebook depois de visitar a mostra. Foi ver se era amigo de Tito, e era. Mas não chegaram a conversar, porque o achou “estranhinho”. Álvaro não se sentiu enganado pelo projeto, mas homenageado. Para ele, Paulo reverenciou a  cena baiana de fotografia ao retratar e conversar com seus expoentes, construindo a imagem de Tito à semelhança deles.  Também impressionou-se com o modo original com que Paulo trouxe a ficção para a fotografia, envolvendo pessoas e instituições reais. “Imagine que Tito Ferraz foi aceito para o museu da fotografia baiana. O nome dele está lá, e eu também estou”, ri. 

Ele se refere ao Espaço Pierre Verger da Fotografia, no Forte Santa Maria, na Barra. A comissão que organizou o espaço recebeu informações de que Tito Ferraz era conhecido fora do país e acabou incluindo seu nome numa lista de fotógrafos baianos. Paulo explica que antes da exposição no palacete conversou com os curadores responsáveis, indicando que eles poderiam retirar a referência a Tito, se quisessem. Mas prevaleceu o entendimento de que seu nome representava ali “a ideia de invenção ou crença coletiva”, conta Paulo.

Cruzada

Durante sua cruzada para mostrar como a fotografia é um instrumento de fabricar realidades, a realidade pregou uma peça em Paulo. Em julho deste ano, a BBC publicou uma reportagem sobre o fotógrafo brasileiro Eduardo Martins, que tinha mais de 100 mil seguidores no Instagram e dizia trabalhar para a ONU. A história era floreada com elementos tocantes: Eduardo teria superado abusos na infância e uma leucemia antes de se tornar fotógrafo de guerra, com passagens pelo Iraque e Síria. Nas redes sociais, ele publicava reproduções de páginas de jornais importantes, como o The Wall Street Journal, que teriam utilizado fotos suas. Mas, assim como Tito Ferraz, Eduardo Martins não existia.



A foto de Tito Ferraz para a carteira de identidade foi feita com partes dos rostos dos fotógrafos baianos. Foto: Divulgação

A própria BBC desvendou o caso em nova reportagem publicada em setembro. Eduardo era um fraudador. Roubava imagens que encontrava na internet, fazia pequenas alterações nelas e as revendia para agências internacionais. Quando leu a história, foi a vez de Paulo tomar susto. Ficou com medo de que botassem os dois casos, crime e arte, no mesmo balaio. A preocupação o impediu de ver o episódio como uma promoção para sua própria obra, um atestado de sua premência.

Paulo já está trabalhando num outro projeto, também ficcional, onde imagina um mundo alastrado por uma praga, do qual só teríamos notícias por meio de fotografias “não humanas”, feitas por equipamentos. É como agrônomo que ele ganha a vida. Já a fotografia o acompanha desde pequeno, quando andava com uma inseparável câmera Kodak. A produção seguiu doméstica até 2011, quando começou a participar de salões de fotografia com propostas mais estruturadas, conceituais. No decorrer desse percurso, acabou se interessando mais por questionar a fotografia em si do que desenvolver um trabalho marcadamente documental. 

Inscrevem-se nessa busca dois ensaios que estão no Espaço Pierre Verger da Fotografia. Um deles é Diplopia, surgido a partir de um problema de visão que acometeu Paulo por três meses, fazendo com que visse tudo duplicado e turvo. Em meio à bateria de exames para identificar o que tinha, começou a fotografar como se o desconforto que sentia fosse uma técnica. A princípio, só queria passar para as pessoas o modo como estava enxergando, mas depois reparou que o trabalho serviu para que repensasse limites tradicionais de foco e enquadramento, ampliando o que entendia como belo. 

O outro ensaio é Guardados, no qual fotografou cerca de 50 pessoas com mais de 80 anos repetindo poses de quando eram jovens. O trabalho foi feito em Boa Nova, no centro-sul da Bahia, onde Paulo nasceu. “Era uma época onde a fotografia era rara e contemplativa. Hoje, é instantânea e descartável. As pessoas não têm mais tempo de olhar as imagens, só têm tempo de fazê-las”. Tito Ferraz, onde quer que esteja, haveria de concordar com Paulo.  

>> Diversidade marca exposição coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 

A sexta edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger reverenciou três fotógrafos com trabalhos bem distintos. Além da obra ficcional do baiano Paulo Coqueiro (Não Minta para mim), foram premiados o pernambucano Gilvan Barreto, com o contudente Postcards From Brazil, na categoria inovação e experimentação, e a paulista Ilana Bar, com a poética Transparências de Lar,  na categoria documental.

As imagens produzidas por Gilvan são entremeadas por retângulos brancos, tais quais trechos censurados. O artista mapeou paisagens naturais que serviram de cenário para crimes da ditadura, mostrando o tanto de dor que há nos nossos cartões postais. Ilana, por sua vez, registrou de maneira afetuosa o cotidiano da sua família. Ela tem um irmão e dois tios com Síndrome de Down. 

A mostra coletiva da premiação também reúne trabalhos de 12 artistas, selecionados pela comissão julgadora. Destaque para  Lebará – Força Feminina, do baiano Vinicius Xavier, e para o projeto Marrocos, do duo paulista Gringo Coletivo. 

Mostra do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger  

Palacete das Artes, Graça. Até 12/11 (ter. a sex., das 13h às 19h; sáb., dom. e feriados, das 14h às 18h). Tel. 71  3117-6987.

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Todo mundo
Todo mundo querendo ser original, autêntico.  Todo mundo fazendo as mesmas coisas.  Todo mundo ouvindo as mesmas músicas, cantando as mesmas canções. Todo mundo viajando para os mesmo lugares, tirando as mesmas fotos.  Todo mundo lendo os mesmos livros, faz...

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