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Sandra Cavalcante
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"Natureza da gente não cabe em certeza nenhuma."
Guimarães Rosa


Seminário Complex Cognitio | Programa de Pós-graduação em Letras
Discussão conduzida com o mestre (e velho amigo) Prof. Milton do Nascimento. Diante da gentil provocação do Prof. e Psiquiatra José Carlos Silveira, Escola de Medicina da UFMG.
Foto: Eduardo Paulista.
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Minha pele é parda; minha alma, ancestral, negra

- - - -
Fui chamado de cordeiro mais não sou cordeiro não
Preferir ficar calado que falar e levar não
O meu silencio é uma singela oração à minha santa de fé

Meu cantar vibram as forças que sustentam meu viver
Meu cantar é um apelo que eu faço a nanã ê

SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê

O que peço no momento é silêncio e atenção
Quero contar sofrimento que passamos sem razão
O meu lamento se criou na escravidão que forçado passei
Eu chorei sofri as duras dores da humilhação
Mas ganhei pois eu trazia nanã ê no coração

SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê

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No mundaréu de areia à beira-mar
De Massarandupió
Em volta da massaranduba-mor
De Massarandupió
Aquele pia
Aquele neguinho
Aquele psiu
Um bacuri ali sozinho
Caminha
Ali onde ninguém espia
Ali onde a perna bambeia
Ali onde não há caminho

Lembrar a meninice é como ir
Cavucando de sol a sol
Atrás do anel de pedra cor de areia
Em Massarandupió
Cavuca daqui
Cavuca de lá
Cavuca com fé
Oh, São Longuinho
Oh, São Longuinho
Quem sabe
De noite o vento varre a praia
Arrasta a saia pela areia
E sobe num redemoinho

É o xuá
Das ondas a se repetir
Como é que eu vou saber dormir
Longe do mar
Ó mãe, pergunte ao pai
Quando ele vai soltar a minha mão
Onde é que o chão acaba
E principia toda a arrebentação
Devia o tempo de criança ir se
Arrastando até escoar, pó a pó
Num relógio de areia o areal de
Massarandupió

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Entre o ontem e o hoje... mais uma pérola de Chico.

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Não mexe comigo!

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ERRAMOS

Erramos quando elegemos mal.

Erramos quando esperamos que um super-herói (saído de marte, júpter ou algum mercado alienígena, distante das nossas necessidades históricas) venha consertar os nossos erros.

Erramos quando concertamos a nossa força política com forças políticas que não representam os nossos interesses.

Erramos quando, perplexos diante do noticiário da TV e das manchetes de jornal, como se não fôssemos brasileiros, repetimos como papagaios: "o Brasil não tem jeito", "o povo brasileiro merece", "o povo brasileiro (ao qual eu não pertenço) merece os políticos e a política que tem".

Erramos quando baixamos a cabeça, perdemos o respeito próprio, submentendo nossas vidas, nossa casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso país, ao açoite de regras estabelecidas por um senhor de nome Mercado, sem sobrenome, sem rosto, que, bem sabemos, é um espírito do tempo, velho morador da casa-grande.

Erramos quando não acreditamos que há saídas políticas, econômicas, culturais possíveis para fuga do latifúndio violento, sem regras, em que a velha elite oligárquica (nacional e internacional) deseja manter o povo (os trabalhadores, os estudantes) no Brasil, na América Latina e em outros territórios do planeta.

Erramos quando, sem estudar, sem entender, acreditamos na falácia, na balela, de que só há ideologia de e na esquerda (comunismo, socialismo, cooperativismo etc). Erramos quando nos negamos a reconhecer, a entender e discutir, em profundidade, o que está na base, nos princípios, das ideologias de direita (liberalismo, neoliberalismo, rentismo), no nosso tempo.

Erramos quando defendemos que as escolas, os professores, assumam a função estreita, conveniente, de "ensinar" aquilo que é "básico" (Português, Matemática) sem nos perguntar: por quê? para quê? para quem e para o que essa "regra" vai valer de fato?

Erramos quando não percebemos que não há lugar para a neutralidade ideológica e a omissão política neste momento.


Foto da querida Carolaine, aluna do Instituto de Ciências Humanas (PUC Minas), na Aldeia Encontro das Águas dos índios Pataxó (Carmésia - MG)
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Roberto... ontem, hoje e sempre.

PROJETO DE PAÍS ESTAMPADO NAS MANCHETES DE JORNAL

Do povo brasileiro, nesta janela de poder, é fundamental retirar, de maneira rápida e definitiva: o direito à educação pública; à saúde pública; ao transporte público; à segurança pública; à cultura do convívio e da tolerância em ruas, parques e museus públicos.

Nesta janela de poder, é fundamental retirar do povo brasileiro, de maneira rápida, definitiva: a liberdade religiosa; o jornalismo crítico; o cinema, teatro, música e literatura, socialmente engajados; as grandes discussões filosóficas e sociológicas da atualidade; o conhecimento da história local, nacional e mundial de ontem e de hoje; a própria voz; o livre pensar.

Não se pode esquecer, definitivamente, de destruir, com a máxima eficiência e urgência, todas as iniciativas de ciência e tecnologia de ponta que contem com financiamento público, leis que impliquem a defesa das reservas naturais, do patrimônio indígena e, ainda, toda e qualquer iniciativa em favor de reforma agrária e do direito à moradia.

Para isso, nesta janela de poder, é fundamental cortar o máximo de investimento possível em empresas públicas, em bancos públicos, em uma rede de comunicação pública. Além disso, é de fundamental importância cortar, de maneira rápida e também definitiva, recursos destinados a universidades e centros de pesquisa estaduais e federais, públicos.

Sem essas condições garantidas, o MERCADO brasileiro não reage, não navega tranquilo pelos mares do investimento empresarial global, da corrupção e do rentismo nacional e internacional, que são o nosso objetivo histórico, nossa herança política colonial, mais cara, para este território.

Publique-se: por toda grande mídia, de forma colorida, atenuada, perifrástica, metaforico-metonímica.

Cumpra-se: por todos os cantos e recônditos, de norte a sul, de leste a oeste do país.
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