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Gabriel Nogueira Maia
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PRESTAÇÃO DE CONTAS (700)

Nada que nos prenda
Nada que limite
Nada que acorrente
O nosso sonho ao chão.

Nada que escravize
os nossos pensamentos.
Pois o amor dá asas
e nascemos pra voar.

Tudo que nos solte
Tudo que liberte
Tudo que nos faça
saudáveis e felizes.

Tudo que ilumine o corpo
o coração e a mente,
pois o amor dá asas
e queremos é voar.

O universo nos espera
e o futuro é agora!

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A BEAGÁ (íntegro)

A Belo Horizonte, por ocasião de seus 120 anos.


Beagá, Biririzonte,

não te cantei em meus louvores.

Sede dos meus deuses lares,

tocada de meus amores.


Nascida pra abrigar o novo

e corresponder ao plano.

E não tardou a demonstrar

que confins são ledo engano.


O melhor é estourar os limites,

engolir a Contorno.

Tornar-se abrigo ditoso

d'um crescimento buliçoso.


Nossos estados e cidades num sentido,

nossas tribos e índios no outro.

E ruas que cantam poetas,

que cruzo pelo que percorro.


Cidade Jardim um dia,

reduzida a cidade canteiro.

Mas resistem ruas verdes,

que habitamos como viveiros.


Raul Soares, marco zero,

sem marcas que o apontem.

Salvo o mercado, bem perto,

onde mineiros matamos a fome.


Fome de tudo que seja,

que ali não falta nada.

Ou de fígado com cerveja,

ou de doces, queijos, cachaças.


Do alto das Agulhas Negras

abençoou-nos o Papa peregrino.

Só vejo as marcas da passagem,

dada quando era um girino.


Mas já me perfiz anfíbio,

pra explorar seus ambientes.

Sejam as manhãs e seu néctar,

sejam as noites e seus nutrientes.


Ou o que as ligue em ponte,

como A Obra e os rocks todos,

que nos distraem enquanto o horizonte

veste a aurora de novo.


Eduquei-me em teu primeiro Colégio,

depois sofri outro sistema.

Mas esta é uma terra de fortes,

a cicatriz é meu emblema.


Subi Bahia, desci Floresta,

tanto, e por tanto,

que minha fronte é de luz,

trago um sol na testa.


Belo Horizonte não se esconde,

querem achá-la, ela está aqui!

Ressuscitou o carnaval,

pra brilhar-se como sempre quis!


No Maletta o meu Q.G.:

é minha e do Lucas a Cantina.

O filé e o talharim em disputa,

e o vencedor da peleja me anima.


Temos a Savassi, quase um centro,

de 'perambulância' diversa.

E a Pampulha que, distante,

mais parece secreta.


São cavidades do meu coração,

em que me formo e dissipo.

Jamais deixarei os aviões,

mas pra cada estação um "volto!" e um "fico!".


E me preservo no Santa Inês,

dos recônditos à tona.

Ora me mostro, ora me cifro;

sou as parcelas e a soma.


Belo Horizonte,

cento e vinte anos!

Eu te celebro e me entrego!


Te conheço os demônios e os anjos

e, também duplo,

te integro.

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INVERSO

Não me custou muito notar que eram aversos ao verso e não o podiam pronunciar. Não o podiam! Essa crueldade que se crê simpática, empática, poupadora. Esse grito mal dissimulado de que não me era dado dar-me por essa forma. Que deformados só o podiam fazer se o faziam em muito mais bela forma. Eu não conhecera a fôrma por que se compuseram esses compositores aptos a darem voz a esses apreciadores expertos. Eu de nada sabia. De nada nunca procurara saber, como se daquele veneno do conhecimento jamais me pudesse morrer. A ignorância é que era a bênção, dizia-se por aí afora. Nutrir-se do que outros organizaram era a mais escura forma de aurora, pra um novo dia que de novo não tinha nada, que era mais uma forma da forma de outrora. Era uma eterna véspera. E do quanto sabia todos tinham tido a mesma via, os cafés, os predecessores, a dissecação. Salvo aquele liberto que se pusera a salvo dessa comunhão. Mas eles não o podiam saber, porque seguiu-se-lhes no tempo sem os seguir a essa campa. Outro mais maldito, diferentemente maldito, disse que preferia um banquete de amigos à gigantesca família. Onde isso ou aquilo? Pra que ser compreendido? Outros protegeram-se disso. Ela claramente protegera-se disso. Outra evadira-se da vida antes que pudesse atrever-se a essa compreensão. Minha mãe nutriu-se disso e me pariu. Como vêm essas coisas à luz? Fazem-se na madrugada? Fazem-se quando não se faz nada? Outros tiveram rotinas matinais em que martelavam seu ofício. Roíam os ossos do ofício (e como se não se perdessem em carnes...) Mas a carne é a etapa mais reduzida, e a única que se conhece. E me veio o grande esclarecimento pelo qual fui jogado de novo e sem defesa à mesma ideia de que a ignorância é que é a bênção, e que se dá de presente. Mas não essa ignorância presente e que tem sido a de sempre, não a de que nos queremos livrar pra já não precisar dessa outra. Faço-me entender? Claro que não! E pra quê? Pra que ganho? Pra que ganho, aliás? Eu não quero o risco do engano, embora já tenha desejado sua certeza, providenciado-a até. Não, Mallarmé! Eu e outro. Eles só veem o reboco, porque não lhes é dado penetrar. A luz que os guia é a de fora, a que se permitia. Do contrário era muito o trabalho. Pra que tanto? Pra que pranto? Educandário de mais recreio que lição? Desconheço! O duro é aguentar-se enquanto as incógnitas montam a sistemas, não é mesmo? O que os veicula se arrasta e a lombada os oprime e aprisiona, para sempre, no mesmo trecho da estrada. E é bem como não se vai a nada. E são mesmo dessa raça, essa extração, que só querem o outro que é eu, deles. E eu o que quero é aniquilar-me noutros. A cabeça do dragão o demanda, e as boas demandas não as resolvem os tribunais. Disso nem vale a pena que falais.... Falaz sim!

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FIA

Trabalha, amigo!
E confia!

Já dizia Hilda Hilst,
reclamando, dedo em riste:
Poesia não dá camisa!

Trabalha!
E confia!

Trabalha, mas não esquece:
Poesia não dá camisa!
Não dá camisa
mas aquece!

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CENTRO

Eu queria morar num desses prédios do centro mais despretensioso, de nome "Cannes" ou "Mediterrâneo", ou qualquer outro que leve ao contraste de sua deselegância com o presumível charme do originalmente abrigado pelo nome. Ali a efervescência dos dias de feira me soterraria sob seu movimento quando também eu mais funcionasse. E o domingo alçaria a uma perturbação a ninharia do ganido de um cachorro velho; no domingo, quando também eu me sinto vencido.

Eu me sinto centro para além da obviedade de ser o centro de mim. Eu também tenho picos de vida, e também malvivo o ostracismo, quando meus dias não são úteis. Eu também sou mais colorido e agitado quando é assim a gente que me passeia e sou cinza, ou cinzas, quando a maré já não está cheia. Eu também sou num dia o espanto por as ruas serem tão largas e no outro o espanto por não bastarem a tanta tristeza.

E fico sem entender por quê os prédios são tão altos, quando estamos tão rebaixados, e os produtos tão novos, quando estamos tão defasados. Do que se faz um centro, e por que se oferece a todos quando é tão exclusivo o que o orbita? Por que outra gente, aqui tão perto, não sabe o que é estar aflita?

Mas eu sou só uma rua do centro, o que não falta é tribo! Eu sou só ruas do centro, não chego a prédio. Eu sou só ruas do centro, sou tédio. Vou de esquinas a viadutos. A garota-propaganda nunca usa o produto.

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VOU

E deixo o Nordeste,
com a certeza de que vou voltar.
Minas é logo ali
pra quem gosta de voar.

Minas é uma catapulta
que me assusta para o mundo.
O mesmo susto de um parto,
a cada vez que vou partir.

(Mesmo se a experiência
comprova que vou sorrir)

É um sofrimentozinho
bem menor que o impulso.
Coisa de alma velha,
que sabe que a vida é percurso.

Vou e volto,
que é a melhor forma de tornar a ir.
Nunca retorno, isso é certo,
o mesmo que parti.

Volto mais rico,
mesmo se deixei dinheiro.
Porque volto com a clareza bonita
de ter-me dado por inteiro.

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JAMBO PITANGA (Olga)

Estou em vigor
e o girassol aflora,
chamando-me à luz emanada
de uma distante Olga.

Qual distante!,
se estou ao pé de si,
brilhando o melhor sol que posso
do que há dentro de mim?!

Não foi à toa que o poeta
decretou ser arte o encontro.
Porque quando assoma sou inteiro,
na reunião dos escombros.

Já ninguém lembra a dor do recesso.
A doída morte de ontem
hoje compõe a semente
de um aprazado sucesso.

De mais não se faz o sucesso
que de uma bem aproveitada
chance de ser feliz.

Nutrindo-se de caule e pólen
da mais bela flor
que o inconsciente sempre quis.

Exsurge a pela escura,
o coração dourado,
o ideal vermelho.

Não sou chefe de nada,
pois me perdura a infância
de tudo em que sou escoteiro.

Tateio nas sombras benditas
em que a surpresa não espanta,
apenas desanca a desdita.

Pois onde o coração palpita
ela não se contém.
E é a fé que me dita
a hora do "amem!"

E amém!

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À PORTA

E me esquivo com cuidado
das aldravas da loucura,
essa porta sempre escura,
que encostada sei que se fez para se abrir.

Não abro o presente antes do tempo,
e até antevejo o ressentimento
por ser brindado com o que eu não escolhi.

E ninguém sabe o que surge,
se é liberdade o que ali se urde,
ou se com isso se abrevia o que se vive.

Paris, setembro de 2013.

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PRA MAIS UM POUCO

Cubo de gelo ao sol,
sou pra só mais um pouco.
Nutriu-me um sorriso estranho
a lágrima que desceu pelo rosto.

Você me ensinou o que fazer,
mas eu fui feito o oposto.
E não pude mais me fazer
a matéria do meu desgosto.

Pois tenho estado comigo
pelos séculos sem fim.
E sei que não há acaso
no terem-me feito assim.

E me destino a voos altos,
pelos céus de onde os vejo.
E o que pra mim é assombro
pra você é "não percebo!"

Percebo o que não realiza,
faço por prosseguir.
Sinto falta dos seus beijos,
mas meu desejo é conseguir

altear-me além dos desejos,
completar a contento a etapa.
E talvez alcançar um tempo
em que você não faça falta.

Não por ter sido nula,
que o quanto me empenho não o permite,
mas por ser época de pura
sorte que não nos limite.

Nem nos aparte,
cada um crescido a seu modo.
Eu agora me sinto completo,
meus defeitos não ignoro.

Mas sei que farei deles
a plataforma do meu impulso.
E traga de volta seus beijos,
que já não me vejo sem seu concurso.
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