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Ziriguidum
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Site pioneiro desde 1996 trazendo o melhor da música brasileira
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Apesar de jovem as referências musicais de Leo Russo vêm de outras gerações. Isso fica claro no segundo CD do cantor e compositor, " Canto do Leo ". O artista dedica o álbum, lançado de forma independente, a "três grandes ídolos": Nelson Gonçalves, João Nogueira e Cartola. O título já deixa clara a proposta de Leo, revelando que sua praia é outra.
Com elegante direção musical e arranjos assinados por Cristóvão Bastos o eixo é o samba canção e o clima seresteiro, entre releituras e autorais - que aparecem no mesmo nível dos mestres. "Leva o jornal" é parceria com Gisa Nogueira, irmã de João Nogueira. Leo assina sozinho "Sim ou não", "Olhos de mar" ("Rainha da praia / Te vejo jogando altinho na beira d'água") e a valsa lírica "Olhos teus (Língua dos olhos)", mostrando intimidade no universo de seus ídolos.
Nome importante e constante nesse álbum é do compositor Evaldo Gouveia, que aparece em nada menos que quatro faixas, sendo duas inéditas. Em uma visita a Fortaleza, onde o compositor vive, Leo passou uma tarde com ele e trouxe "Nada mudou", parceria com Fausto Nilo, e "Pôster", com Paulo César Pinheiro. Do enorme baú de Evaldo, Leo resgatou "Somos iguais" (parceria com Jair Amorim) e "Preciso de alguém" (novamente com Paulo César Pinheiro).
Mergulhou no repertório de Roberto Ribeiro e pescou dos belos lados B: "Manhã de primavera", de Christiano Fagundes, e "Razão e emoção", de Vadinho e Renato Barros. Dos discos de Nelson Gonçalves escolheu "Meu vício é você", composição de Adelino Moreira. Outra surpresa fica com "Dois bombons e uma rosa", que revela o mestre Aldir Blanc assinando sozinho letra e música.
O "Canto de Leo" é um lugar especial e próprio que ele divide com o ouvinte. Disco belíssimo que se destaca na produção atual pela elegância e coragem. Leo se remete ao passado sem cair no saudosismo. Seu tempo é outro.
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✍ Beto Feitosa
📷 Simone Kontraluz
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A história de Gal Costa mostra uma cantora mutante, tropicalista, corajosa. Sua voz - instrumento de inúmeras cores - já passeou livremente na música brasileira, da tradição até a vanguarda, do pop radiofônico até a bossa de Jobim. No início da década de 70 Gal se firmou como a figura do tropicalismo, enfrentando com desbunde e desacato um regime autoritário repressor e conservador. Se nos últimos anos durante um bom período sua discografia apontava para uma cantora de clássicos brasileiros, nos últimos álbuns Gal vem ousado praias mais jovens e encontrado novos públicos.

Esse recente ponto na carreira começou em 2011 com o álbum experimental "Recanto", mas chegou em seu ponto alto em 2015 com "Estratosférica", mais palatável e sedutor que o anterior. O resultado se mostrou avassalador - e ainda bem maior - na turnê de lançamento. Evocando cores da década de 70, Gal lança agora o registro ao vivo de "Estratosférica" em um show quente, jovem e ousado. O álbum - com direção artística assinada pelo produtor e jornalista Marcus Preto e produção musical de Pupillo (Nação Zumbi) - tem lançamento em DVD e CD duplo pela gravadora Biscoito Fino.

Gravado nos dias 23 e 24 de junho na nova Casa Natura Musical, o repertório de Gal 2017 traz os compositores dos ousados anos 70 como Caetano Veloso, Jards Macalé, RITA LEE, Luiz Melodia e Tom Zé, ao lado de novos nomes como Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Criolo, Arthur Nogueira e Jonas Sá. "Tenho me jogado no mundo de peito aberto", revela Gal no palco. Em 1971 ela marcou época com o espetáculo "A todo vapor". Agora escreveu mais um capítulo importante em sua história em álbum gravado aos 71 anos - e lançado já aos 72. Impossível não ligar os dois momentos.

Gal nunca teve medo de ousar e experimentar. Sempre voou livre por diversos caminhos da música brasileira, estabelecendo parcerias com pensadores da cultura, diretores e produtores. Nas mãos certas, Gal se entrega e brilha.

Para boa parte da mídia - que torcia o nariz para seus recentes trabalhos - "Estratosférica" prova que Gal continua Fatal. O público sabe que a história de Gal é patrimônio cultural e de comportamento no Brasil - essa bandeira ninguém contesta. "Estratosférica" está aí para brilhar na cara dos caretas.

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✍ Beto Feitosa
📷 Marcos Hermes
📺 assista "Cartão postal": https://youtu.be/6dW-h7fLa_o
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O Quarteto do Rio se encontra com Roberto Menescal para comemorar os 80 anos do compositor no álbum "Mr. Bossa Nova". Dia de luz, festa do som!

Você pode não ligar o (novo) nome, mas basta ouvir os primeiros minutos para perceber que o Quarteto é um velho conhecido tesouro da música brasileira. O grupo é formado por ex-integrantes do conjunto vocal Os Cariocas que, após a morte de Severino Filho - maestro remanescente da primeira formação - mudou de nome. "Mr. Bossa Nova" é, então , o disco de estréia de um som que traz muita história. E merece ser eternizado como nosso patrimônio cultural.

Em dez faixas - 11 músicas - o Quarteto é acompanhado da personalíssima guitarra de Menescal em clássicos como "Rio", "Bye bye Brasil", "O barquinho" e "Ah! Se eu pudesse". Mas como Menescal é artista ativo e sua obra segue em franca produção, o álbum inclui três inéditas: "Ela quer sambar", "Você me ganhou" e "Um tiquinho só" - as duas primeiras em parceria com Paulo Sérgio Valle e a terceira com Andrea Amorim.

O carioquíssimo Quarteto do Rio - formado por Eloi Vicente, Neil Teixeira, Fábio Luna e Leandro Freixo - mantém viva a identidade do grupo fundado pelos irmãos Ismael Netto e Severino Filho em 1942. Surfando na onda moderna de Menescal estão em casa entre amigos. O papo entre eles é - e sempre foi - a fina bossa-jazz.

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✍ Beto Feitosa
🎧 ouça: https://youtu.be/Yp1GwKeDjXY
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A fase que mais borbulhou criatividade e ousadia na música brasileira foi por volta da década de 70. Com as barreiras recém-rompidas pelo Tropicalismo, uma turma muito livre e esperta - uma cena para usar a linguagem em voga - criou um som de grande impacto que ainda hoje se mostra imbatível. Um dos maiores representantes é certamente o grupo Secos & Molhados, meteoro que revolucionou, apaixonou e chocou o país em apenas dois discos.

Corte para 2017. Primavera nos Dentes, nome de faixa do primeiro disco do Secos & Molhados, batiza um projeto que propõe releituras com arranjos contemporâneos para o repertório do grupo. Atualizar o que já nasceu muito moderno.

O ousado projeto traz Charles Gavin - Oficial(pesquisador, baterista, fundador dos Titãs), Paulo Rafael (guitarrista/parceiro de Alceu Valença e fundador da lendária Ave Sangria no Recife dos anos 70), Duda Brack (cantora gaúcha personalíssima que vem chamando atenção na cena carioca), Pedro Coelho (baixo) e Felipe Pacheco Ventura (guitarra e violino). Produzido por Rafael Ramos, o álbum se distancia dos registros originais e - justamente por essa ousadia - se aproxima do espírito do Secos & Molhados.

É um disco de rock feito em 2017. E isso mostra como as letras do grupo continuam atuais e interessantes na interpretação vigorosa de Duda. O repertório do grupo passa pelos clássicos "O vira", "O patrão nosso de cada dia", "Sangue latino", "Fala" e "Rosa de Hiroshima". Mas não se prende aos hits e levanta "Angústia", "Delírio", "Doce e o amargo" entre outras delícias.

Banda preparada para o palco, "Primavera nos dentes" teve lançamento nas plataformas de streaming pela Deckdisc e uma edição em vinil. Na estrada, o show chega ao Rio de Janeiro para única apresentação nessa terça, 31/10/2017, no Sesc Copacabana.

"Bailam corujas e pirilampos entre os sacis e as fadas".
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✍ Beto Feitosa
📷 Caio Caiazzo
🎧 ouça: http://tinyurl.com/ydegzppx
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Cantor de voz linda, limpa e afinada, Paulo Neto chamou atenção logo em seu disco de estreia lançado em 2012. No caminho vem experimentando formatos, shows, parcerias e até palcos diferentes - vai do trio elétrico ao teto de banca de jornal. Agora Paulo Neto chega ao segundo disco e apresenta uma viagem bem pessoal com uma grata surpresa: traz suas próprias composições.

"Rosário de balas", produzido por Rodrigo Campos e lançado numa parceria da YBmusic com o Selo Circus, tem muito de cinema: textura, conceito, imagens, sensações. Paulo Neto visita sua cidade natal em Pernambuco atrás de memórias e sentimentos. Devolve um disco que dialoga com o menino da pequena Condado mas também com o artista de São Paulo. Idas e voltas: essa viagem já foi feita por tantos, e por isso mesmo é tão particular. E ainda mais especial na mão do artista que volta para cantar sua história.

"Ô de casa, tô entrando / Dá licença de chegar / Cheio de saudade no peito / E trazendo notícias de lá", anuncia logo no início da viagem. "Coloque a farinha na mesa / E aquele café pra coar / Bater um dedinho de prosa / História demais pra contar".

O roteiro segue. Três vinhetas e 12 músicas - onze com assinatura de Paulo Neto, sozinho ou em parcerias com Isabela Moraes, Ricardinho Paraíso, Marco Vilane e Martins. A voz de Zélia Duncan chega em "Temos todos o mesmo tudo a perder", que Paulo escreveu inspirado em um texto dela.

Não é um disco para ser consumido em singles. É para embarcar junto, entrar no conceito do trabalho e entender que se trata de um momento muito especial, único. Não é um disco pra se passar rápido, é pra parar e entrar na música. Como antigamente, tirar um tempo pra deixar a música chegar. E viajar.

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✍ Beto Feitosa
📷 José de Holanda
🎧 ouça: http://tinyurl.com/ycgbfgkl
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Quem tem o costume de ler os encartes e créditos dos CDs de música brasileira já deve estar familiarizado com o nome do pianista Tomás Improta em dezenas de trabalhos. Mas além das habituais funções de músico e arranjador, Tomás também é compositor e mostra duas músicas suas em "Olha pro céu", seu décimo disco solo - uma discografia iniciada em 1991.
Com quase 50 anos de carreira, Tomás lança um disco quase inteiro de piano solo. Nas sete músicas conta com participações em apenas duas: o baixo acústico de Tony Botelho em "Silvestre: Nascente do Rio Carioca" e o violão do filho Gabriel Improta em "I concentrate on you", de Cole Porter.
Improta assina a já citada "Silvestre" e "Karen B.", que fecha o álbum. O álbum traz Tom Jobim ("Olha pro céu"), Ary Barroso ("Risque"), Villa Lobos ("Poema singelo") e a parceria de Edu Lobo e Torquato Neto ("Pra dizer adeus").
Delicado, "Olha pro céu" faz um contraponto ao álbum anterior do músico, que passeia por estilose timbres variados - incluindo eletrônicos - e uma chamada geral de quase 20 músicos envolvidos. Agora é a intimidade na relação do artista e seu instrumento.
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✍ Beto Feitosa
📷 Clarice Nicioli
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"Viva a banda-da-da"! Caetano Veloso é ainda mais tropicalista nas releituras fora da ordem de Maria Alcina. A cantora mineira põe plumas, paetês e guitarras roqueiras no repertório do baiano no CD "Espírito de tudo". O álbum luxuoso tem direção musical impecável de Rovilson Pascoal e produção de Thiago Marques Luiz para seu selo Nova Estação em parceria com a Gravadora Eldorado.

A mais doce bárbara com amor no coração, Maria Alcina põe todo seu delicioso desconforto em dez composições de Caetano (é pouco, Alcina!). A seleção vai desde os anos 60 ("Tropicália" e "A voz do morto", composto para Aracy de Almeida) até a recente fase roqueira com a Banda C ("A cor amarela" e "Rocks"). Maria Alcina não vai por caminho fácil dos hits mas não evita músicas bem marcantes como "Língua" e "O estrangeiro".

"E deixa que diga, que pensem, que falem". A esquisitice de um Caetano encontra no exotismo de Alcina uma ótima intérprete. Não é para ser comportado. Tá tudo em ordem, já que está tudo fora de ordem. "Viva Maria, ia, ia"
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✍ Beto Feitosa
📷 foto: Murilo Alvesso
🎧 ouça https://youtu.be/wcIKh5tHs7o
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A cantora Dóris Monteiro completou 83 anos nesse sábado (21/10) em plena atividade. Em 2017 ela comemora sete décadas de carreira. Revelada em programas de auditório da Rádio Nacional ainda adolescente, sua imagem estampou capas de revista e também foi vista no cinema e na TV. A extensa discografia começou em 1951. Quatro anos depois foi uma das primeiras a gravar o então iniciante Tom Jobim com "Se é por falta de adeus", parceria com Dolores Duran.
Dóris sempre foi cantora moderna. Com sua voz bela e miúda passou pelo samba-canção, abraçou a bossa nova na década de 60, mas se esbanjou de verdade no samba-rock e na malandragem dos anos 70. Com seu charme e balanço gravou músicas de Sidney Miller, Antonio Adolfo, Caetano Veloso, Sérgio Sampaio, Joao Donato, Gilberto Gil, Nonato Buzar, Jorge Ben Jor entre outros. Gravou discos de grande sucesso em parceria com Miltinho e Lúcio Alves e emplacou sucessos como "Mudando de conversa", "Dó-ré-mi" e "Coqueiro verde". Sua seleção de repertório sempre foi impecável, e seus discos permanecem interessantes com o tempo.
Em 2004 teve uma série de CDs relançados pelas gravadoras Universal e EMI em comemoração aos seus 70 anos, em projeto do pesquisador Rodrigo Faour. Em 2011 o Selo Discobertas compilou em um álbum duplo 29 gravações da cantora lançadas entre 1951 e 1956. Os álbuns agora estão disponíveis nas plataformas digitais em busca de (mais) ouvidos atentos.
Realizando apresentações regulares - especialmente no lendário Beco das Garrafas, no Rio, onde comemorou aniversário nesse domingo - Dóris Monteiro é cantora que merece ter sua obra redescoberta e celebrada. Ali está uma parte importante - e deliciosa - da música brasileira.
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✍ Beto Feitosa
🎧 ouça playlist de Dóris Monteiro: http://tinyurl.com/y85jab9h
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Está escrito na capa "Dussek veste Machete" mas ambos estão nus: Silvia Machete e Eduardo Dussek são transparentes e originais. Dois gênios que lidam com o humor - essa arma perigosa/deliciosa/necessária. O novo DVD da cantora/performer tem o dedo forte, direção artística e participação desse rei dos palcos. Tá tudo explicado, basta dar play no DVD lançado pela Biscoito Fino em parceria com o Canal Brasil.

Dussek e Silvia celebram a sintonia nesse show. Ele assina direção artística e boa parte das músicas. Passam músicas necessárias de Dussek como "Chocante", "Ele não sabia de nada", "Aventura" e "Cabelos negros". Mas também "Totalmente tcha tcha tcha", hino composto por ele e gravado por ela em 2014. O repertório vai além (sem sair do seu ambiente) trazendo Angela Ro Ro, Amy Winehouse e a própria Silvia. Tudo em casa.

Em um teatro de arena Silvia está munida de apetrechos, de sua comunicação ímpar com a platéia e de um cúmplice. Danilo Andrade é mais do que o músico que pilota os pianos/teclados; é também parceiro de Silvia nesse roteiro de humor e idéias, amor e surpresas - a cada momento.

Ela arma seu circo com surpresas, interação e os números divertidos de sempre. Como Dussek, Silvia brinca o tempo todo mas fala sério quando o assunto é música. Na frente do picadeiro, na corda bamba ou domando leões está uma boa cantora que sabe o que quer e como quer dizer.

"Dussek veste Machete" celebra a nítida sintonia dos dois artistas comprometidos com a arte, com o deboche, com a mensagem, com o humor com a liberdade - essa palavra tão em voga hoje em dia. É necessário - até vital - se despir de preconceitos pra mergulhar nesse desbunde.

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✍ Beto Feitosa
📷 foto: Renato Mangolin
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Cantora de timbre grave e marcante; compositora de veias abertas, Fhernanda Fernandes lança novo CD, "Na contramão do tempo". Título apropriado para uma artista que não se pauta por modismos ou tendências.

O álbum, produção independente, tem arranjos e direção musical do guitarrista Pedro Braga - parceiro de Fhernanda há quase trinta anos. A sintonia entre eles é destaque na forte gravação para o clássico "Negue", de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos. Além dessa o disco traz mais uma releitura: "Morro de saudade", de Gonzaguinha que diz "O céu da boca da minha morena tem estrelas".

As demais faixas trazem assinatura de Fhernanda em parcerias com Luly Linhares, Sarah Benchimol e Pedro Braga. São baladas passionais cantadas com voz quente e alma. "Carrego comigo o orgulho de sempre ter cantado e composto tão somente o que me emociona, me dá prazer, me toca a alma e o coração", revela em texto publicado no encarte.

Com razão. Fhernanda iniciou carreira na virada da década de 70 para 80, colecionando prêmios em festivais no estado do Rio. Como compositora tem músicas gravadas por Nelson Gonçalves, Rosa Maria e Emílio Santiago. Passou uma fase na Europa, onde gravou e participou de festivais de jazz. "Na contramão do tempo" é seu sexto trabalho e nasce quatro anos depois de um elogiado álbum em que releu a obra de Fátima Guedes.
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✍ Beto Feitosa
📷 foto capa: Sheliyah Masry
🎧 ouça trechos do CD: https://youtu.be/YMTB3Mp_Bt4
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