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Argos Arruda Pinto
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Física - Neurociência - Antropologia - Origem da vida - Teoria da Evolução - Teoria dos Sistemas e Complexidade - Relativismo Religioso
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A neurorreligação como resultado da neuroplasticidade

Palavras chave: neurociência, neuroplasticidade, neurorreligação, psicologia, terapia, psicoterapia

“Devemos nos lembrar que todas as nossas ideias provisórias em psicologia partem da premissa de que um dia elas estarão baseadas numa subestrutura orgânica.”
(Sigmund Freud, re: projeto de uma psicologia biológica).

“O cérebro não é um órgão estático; ele muda continuamente em resposta aos desafios do meio ambiente.”
(L. Cozolino).

“A maior parte das psicoterapias altera as estruturas cerebrais da mesma forma que os remédios para distúrbios da mente. Não dá mais para alegar que terapia é só conversa jogada fora.”
(Norman Doidge).

Em meu artigo “Neurorreligação” (1) eu digo que ela é o benefício positivo alcançado pelas pessoas no conjunto de três atividades, ou, no conjunto de duas delas e mesmo de uma só: práticas religiosas, terapias e meditações. Benefício aqui se refere a algo amplo: a ressocialização da pessoa, amenização de problemas emocionais / mentais, etc. E para compreender esse processo que não é nada fácil, entrarei em um conceito já bem estudado pela neurociência: a neuroplasticidade. (2)

Ela é um termo muito estudado hoje em dia e diz respeito às mudanças estruturais e/ou funcionais do cérebro com as experiências pessoais de cada um em suas vidas. É uma modificação neurológica definida por Landeira e Cruz (2007) (3) como a “capacidade vital de o cérebro reorganizar suas vias com base em novas experiências.”

Diz o psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Faustino: “podemos supor que quando uma psicoterapia eficaz promoveu redução dos sintomas ou mudanças positivas na vida do cliente, paralelamente, seu cérebro sofreu alguma alteração.” (4)

O meu conceito de neurorreligação surgiu justamente deste fato: modificações neurológicas em nível micro produzindo alterações do comportamento visível, ou seja, no nível macro. A pessoa se religa à sua vida normal de trabalho, social, afetiva, etc.

A doutora Maria Alice Fontes, diretora de uma importante clínica de psicologia, neuropsicologia e psicopedagogia, a Plenamente, em São Paulo, SP, escreveu um importante artigo no próprio site da clínica, descrevendo descobertas e estudos recentes sobre a neuroplasticidade na psicoterapia. É o artigo “Como a psicoterapia age no cérebro?” (5)

Logo no primeiro parágrafo ela diz: “Recentes estudos têm mostrado que as alterações de comportamento provocadas pela psicoterapia são consequências da restauração de rotas neurais, cujo funcionamento estava alterado.” Mais ainda, citando um estudo de Barsaglini et al., 2013, ela descreve:

“Neste estudo, os resultados da literatura foram separados considerando cada transtorno psiquiátrico: transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno do pânico, transtorno depressivo maior unipolar, transtorno de estresse pós-traumático, fobia específica e esquizofrenia, e discutidos de acordo com as seguintes questões: (1) se as alterações neurobiológicos após psicoterapia ocorreram em regiões que apresentavam alterações neurofuncionais significativas antes do tratamento, (2) se estas mudanças neurobiológicas eram semelhantes ou diferentes, as observadas após o tratamento farmacológico, e (3) se as alterações neurobiológicas poderiam ser usadas para monitorar o andamento e o resultado da psicoterapia.
Resumidamente, os resultados apontam que: (1) dependendo do transtorno sob investigação, os resultados da psicoterapia no cérebro indicam: a) normalização de padrões de atividade cerebrais que estavam alteradas; b) o recrutamento de outras áreas que não apresentavam ativação alterada antes do tratamento e c) de uma combinação entre os dois. (2) Os efeitos da psicoterapia sobre a função cerebral são comparáveis aos da medicação para alguns, mas não todos os transtornos. (3) Não há evidências de que alterações neurobiológicas estão associadas com o desenvolvimento e com os resultados da psicoterapia.”

E no final do artigo ela se mostra prudente: “Desta forma, entende-se que as terapias psicológicas podem modificar os pensamentos, sentimentos e comportamentos dos indivíduos com transtornos mentais, mas os mecanismos cerebrais subjacentes, embora possam ser interpretados como uma normalização da atividade do cérebro, ainda não estão completamente claros e precisam de maiores investigações.”

A neurociência é uma ciência nova, onde, com instrumentos eletrônicos avançados, se começou recentemente a rastrear modificações neurológicas após terapias, meditações e práticas religiosas.

Na minha opinião, considerando o cérebro como uma máquina biológica e que não existe nada de sobrenatural ou transcendental em sua funcionalidade: a neurorreligação é o resultado da neuroplasticidade.

Bibliografia:

1 - Neurorreligação. Argos Arruda Pinto. Disponível em: http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/neurorreligacao.html. Acesso em: 20/02/2016.

2 - A importância da neurociência para a psicologia. Rebeca Machado. Disponível em: http://blog.sbnec.org.br/2009/05/ensaio-a-importancia-da-neurociencia-para-a-psicologia/. Acesso em: 20/02/2016.

3 - A importância da neurociência para a psicologia. Rebeca Machado. Disponível em: http://blog.sbnec.org.br/2009/05/ensaio-a-importancia-da-neurociencia-para-a-psicologia/. Acesso em: 20/02/2016.

4 - Considerações da neurociência para a psicoterapia. Roberto Faustino. Disponível em: http://robertofaustino.com.br/web/?page_id=12 . Acesso em: 20/02/2016.

5 - Como a psicoterapia age no cérebro? Maria Alice Fontes. Disponível em: http://www.plenamente.com.br/artigo.php?FhIdArtigo=203#.VsS0lI4XHs0 . Acesso em: 20/02/2016.


A meditação como neurorreligação

Meditação, no dicionário da língua portuguesa do Brasil, Michaelis,¹ quer dizer, literalmente: “1 - Ato ou efeito de meditar; reflexão. 2 - Oração mental. 3 - Contemplação religiosa. sf. pl.: Pensamentos, estudos, reflexões.”

Sua origem é muito antiga e, apesar do que se conhece hoje, ser dos egípcios as primeiras evidências, ela é associada a religiões orientais, embora a sua prática possa não ter conteúdo religioso, ou seja, seria também o pensar sem vínculo com valores religiosos.

Do latim "meditare", significando "voltar-se para o centro no sentido de desligar-se do mundo exterior" e "voltar a atenção para dentro de si", na língua litúrgica páli, criada por Sidarta Gautama, o Buda, por volta do século 5 a.C., significa: "concentrar intensamente o espírito em algo".

O budismo é mais uma filosofia-religiosa do que uma religião e os budistas realmente praticam intensamente a meditação. Eles acreditam em uma relação de interdependência entre tudo no universo e, por isto, “pregam”, em um de seus princípios fundamentais, a busca de uma compaixão ou benevolência, de amor, e de comunidade com todos os seres vivos, sem ferir, ofender ou depreciar nenhum deles.

Mas no sentido prático, nesses verdadeiros “exercícios mentais”, a meditação atua em diversas áreas do cérebro: “Estão conseguindo fazer em Harvard a união de crenças milenares do budismo com a neurociência, mostrando como a meditação altera áreas do cérebro e produz bem-estar: menos ansiedade, depressão e dores crônicas. E até menos propensão à obesidade”, relata Gilberto Dimenstein em sua crônica “Devagar se vai longe?” (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 06/02/2011).

Você pode, sem recorrer ao budismo, meditar, pensar, se esforçar com a sua mente em fatos e aspirações positivas. Comecei este artigo falando do budismo porque ele é muito influente no mundo todo, tendo aproximadamente 400 milhões² de adeptos, sendo superado apenas pelas religiões chinesas, o hinduísmo, o islamismo e o cristianismo, que são religiões verdadeiras como estamos acostumados a saber.

Para corroborar com este texto, exibo aqui algumas conquistas realizadas nesta área no mundo todo, que foram publicadas no artigo “Meditação é o remédio”, (3) da Revista Época em 2011:

- 2002: um grupo de cientistas ligado à Faculdade de Medicina de Harvard provaram que a resposta de relaxamento (RR) melhora a memória de idosos saudáveis, de forma mais efetiva quando eles realizam tarefas simples de atenção. Já os estados de ansiedade diminuem de forma marginal.

- 2003: pela primeira vez, cientistas relataram aumento do número de anticorpos em pessoas que meditaram durante oito semanas após serem vacinados contra a gripe, em relação ao grupo controle. A descoberta foi feita por um grupo liderado por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin.

- 2005: em dezembro, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a alterações na estrutura do cérebro.

- 2008: estudo publicado em julho pelo BHI [Instituto Benson-Henry, do Hospital Geral de Massachusetts] mostrou, pela primeira vez, que a RR produz uma mudança no padrão de ativação dos genes – e maior ela é quanto mais tempo a meditação é praticada. O mesmo trabalho mostrou que os praticantes tiveram menos danos fisiológicos celulares ligados ao estresse do que o grupo de controle.

- 2009: a amígdala direita é responsável pela resposta automática ao estresse: produz hormônios, aumenta os batimentos cardíacos... cientistas ligados ao Hospital Geral de Massachusetts descobriram que, depois de oito semanas de prática de meditação, houve redução da densidade da massa cinzenta da amígdala dos participantes. Quanto menos relatavam estresse, maior a redução.

- 2009: pesquisadores do Centro Médico de Pesquisa Avançada em Yoga e Neurofisiologia, na Índia, descobriram que praticar meditação cíclica duas vezes ao dia melhora a qualidade objetiva e subjetiva do sono na noite seguinte. Meditação cíclica é uma técnica que combina posturas de yoga intercaladas com repouso.

- 2010: em junho, um grupo da Universidade do Estado da Flórida publicou estudo mostrando que o treinamento mental reduz significativamente o estresse e a supressão do pensamento e aumenta a recuperação fisiológica de alterações relacionadas ao alcoolismo. Dessa maneira, a meditação atinge os principais mecanismos ligados à dependência alcoólica e pode ser um tratamento alternativo para prevenir recaídas entre os mais vulneráveis.

- 2010: um grupo ligado ao BHI, liderado por Marlene Samuelson, provou que mulheres brancas submetidas a um programa de 2,5 horas semanais de práticas mente/corpo durante 12 semanas tiveram uma significativa redução na frequência de 12 queixas cotidianas, como dor de cabeça, confusão visual, tontura, náusea, prisão de ventre, diarreia, dor abdominal, dor nas costas, dor no peito, palpitações, insônia e fadiga.

- 2010: em dezembro, um grupo da Universidade de Montreal descobriu por que quem medita sente menos dor. Essas pessoas têm a capacidade de desligar algumas áreas cerebrais responsáveis pela sensação da dor, mesmo experimentando-a. Dois grupos, um de controle outro de pessoas que meditavam, fora submetidos a estímulos de dor. Os que meditavam tiveram respostas menores para a dor, bem como um funcionamento menor das áreas do cérebro responsáveis pela cognição, emoção e memória. Eles sentiam dor, mas cortavam o processo rapidamente, refreando a interpretação que o cérebro tinha desse estímulo.

- 2010: em dezembro, um grupo do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicou um estudo provando que a meditação tem o mesmo efeito protetor que os remédios contra recaídas em pessoas com depressão.

- 2010: estudo da Universidade da Pennsylvania mostrou melhora na função neuropsicológica e aumentos significativos no fluxo sanguíneo cerebral em indivíduos com perda de memória submetidos a um programa de meditação de oito semanas.

- 2011: ao passo que a meditação faz diminuir a densidade de massa cinzenta da amígdala, ela aumenta a densidade de uma região do cérebro chamada hipocampo, responsável pelo aprendizado e memória, e associada ao bem-estar, compaixão e introspecção. Foi o que descobriu um grupo do Hospital Geral de Massachussets, que publicou o estudo em janeiro na Psychiatry Research: Neuroimaging.

- 2011: pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York publicaram em fevereiro um trabalho que mostra a meditação pode ser útil na redução da ansiedade. Os participantes relataram que se sentiram mais calmos, relaxados, equilibrados e centrados após um mês de prática.

Mas o mais importante deste artigo, como eu já descrevi em outros dois, “Religião ou neurorreligação?” 4 e “A Psicoterapia como neurorreligação”,5 é o conjunto de mudanças funcionais e/ou estruturais ocorridas em regiões específicas do cérebro, e, consequentemente, levando às pessoas que praticam uma ou mais dessas atividades, a comportamentos mais satisfatórios com relação às suas vidas.

Em conclusão, religiões, terapias (incluindo a psicoterapia) e meditações são neurorreligações.

O ser humano passou centenas, dezenas de milhares de anos, e continua hoje, achando que os benefícios obtidos por estas três atividades eram frutos de uma alma, de um espírito, e/ou intervenção de um ou mais entes divinos, o que a neurociência vêm descobrindo como modificações estruturais e/ou funcionais de áreas específicas do cérebro pelos esforços mentais a que são submetidas.

Foram necessários séculos de avanços da ciência e da tecnologia para se chegar a um ponto onde estas três atividades tão comuns na vida das pessoas fossem entendidas como algo material e físico.


Notas:

1 - Dicionário Michaelis. Disponível em: <www.michaelis.com.br>. Acesso em: 18-04-2017

2 - Revista SUPERINTERESSANTE - Carolina Vilaverde - 23-01-2012. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/as-8-maiores-religioes-do-mundo/>. Acesso em: 18-04-2017

3 - Artigo: “Meditação é o remédio” - Disponível em:
<http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI222969-15257,00.html>. Acesso em: 18-04-2017

4 - “Religião ou neurorreligação?”. Disponível em: <
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-meditacao-como-neurorreligacao.html >. Acesso em: 18-04-2017

5 - “A psicoterapia como neurorreligação”. Disponível em: < http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html >. Acesso em: 18-04-2017


Referência bibliográfica:

Wikipédia - Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Medita%C3%A7%C3%A3o >. Acesso em: 18-04-2017

Wikipédia - Disponível em:
< http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1li >. Acesso em: 18-04-2017

Explicando a neurorreligação de maneira simples

Introdução: com argumentos e conceitos simples a respeito da psicologia e da neurociência, eu explico o termo que cunhei, de nome neurorreligação. É o efeito benéfico às pessoas quando têm alta em uma psicoterapia, considerando que mudanças e melhorias no comportamento visível da pessoa, tem como base mudanças em estruturas neuronais e de funcionamento de áreas cerebrais em níveis microscópicos. Sempre!

Palavras-chave: neurociência, psicologia, psiquiatria, neurotransmissor, comportamento.

A Psicologia é o estudo do comportamento. Seja de animais, seja de seres humanos, ela tenta entender o porquê de cada reação de um desses diante de uma ou diversas situações. Qual será a resposta? O que fará? Por que fez isto?, são uma pequena, mas muito pequena amostra da abrangência desta disciplina, sem falar em outras áreas em que atua, algumas somente para os seres humanos: social, política, empresarial.

Olhando para uma pessoa você está observando o comportamento que ela exibe mesmo não sendo um cientista. Está parada e sentada em um banco de uma estação do Metrô. Isto indica que pode estar esperando alguém. Ou parou para descansar sem preocupação em voltar logo para casa.

Os cientistas se ocupam de comportamentos mais complexos: o que levou tal pessoa a ficar deprimida? Por que um rapaz fica tão ansioso diante do sexo oposto?

Tudo o que ocorre de forma visível nos humanos possui um correspondente em níveis neuronais, do funcionamento de neurônios ou redes de neurônios, as chamadas redes neurais. Parece simples mas não é. Temos quase cem bilhões de neurônios e portanto muitos circuitos deles a produzirem comportamentos dos mais complexos. Comportamentos visíveis. E essas redes dependem de substâncias chamadas neurotransmissores a preencherem lacunas entre os neurônios para os impulsos nervosos passarem de neurônios aos outros. São as sinapses, que, se não ocorrerem por falta desses neurotransmissores, a pessoa terá problemas.
O neurotransmissor noradrenalina influencia o nosso prazer, a felicidade, humor, autoconfiança, entusiasmo e o estado de alerta. A serotonina interfere na impulsividade, agressividade, no comportamento sexual e na dor. (1)

Então, simplificadamente, o que ocorre em nível micro, reflete em nosso comportamento macro, ou, simplesmente, comportamento? Sim. Reações químicas...

Uma pessoa deprimida está triste, sem energias para levar uma vida normal. Até fica exageradamente em uma cama, fica sem apetite, sem nenhum entusiasmo com a vida. Como disse o Dr. Drauzio Varella, “Na depressão, o existir é um fardo é insuportável.” (2). Mas existem depressões mais leves embora não seja vantajoso explicar detalhes aqui. Importa saber da necessidade de remédios e/ou terapias para ajudar pessoas com depressão. Práticas religiosas também são formas de atenuar essa doença e muitas pessoas se reergueram, após muitas perdas (materiais e/ou de entes queridos), ao participarem de cultos, missas, enfim, atividades dentro de suas religiões e voltaram a ter uma vida normal.

Falo da depressão mas terapias, remédios (aqui entra também a psiquiatria) e práticas religiosas podem estar presentes na recuperação de pessoas com problemas emocionais dos mais diversos porque essas ações interferem no funcionamento do cérebro. Em áreas cerebrais.

Veja que problemas emocionais, dos mais leves aos mais severos podem fazer com que alguém não trabalhe, não se relacione com as outras pessoas, tendo uma mudança de vida péssima a ela e aos próximos. Tratamentos como eu disse realizam uma nova ligação com a sociedade, uma religação, sendo ela oriunda de melhorias nos estados internos do cérebro com, consequentemente, melhorias no comportamento macro da pessoa, ou, mais uma vez, comportamento.

É a neurorreligação de que falo.


Notas:

1 - Lilly Portugal (2010). A depressão tem tratamento - Causas. Disponível em: <https://www.saiadoescuro.pt/causas/5.htm>. Acesso em: 18/10/2016.

2 - Drauzio Varella (2011). Estresse e depressão. Disponível em:
<http://drauziovarella.com.br/drauzio/estresse-e-depressao/>. Acesso em: 18/10/2016.

A psicoterapia como neurorreligação

Palavras-chave: neurociência, psicologia, psicoterapia

Certa vez eu vi uma fotografia microscópica de uma quantidade anormal de neurotransmissores nas sinapses de neurônios de uma área cerebral de um rato. Essa quantidade era a de um pico quando o pequeno animal aprendeu o caminho em um labirinto para se chegar a um pedaço de queijo.

Sinto eu não ter uma reprodução aqui e também só me lembro de ser uma reportagem no jornal “A Folha de São Paulo” da década de 90. Mas o que ficou de importante para mim fora a ligação de prazo indeterminado entre os neurônios, ou seja, o rato dificilmente esqueceria a trajetória de sua alimentação.

Dei este exemplo simples como um caráter introdutório neste artigo. Voltarei a ele mais abaixo.

A psicoterapia é uma forma de tratamento de distúrbios e doenças mentais havendo uma interação entre um profissional e o paciente, onde, por intermédio de conversas entre os dois, o paciente acaba conhecendo melhor os seus problemas, e, por isto, aprender a resolvê-los. Nesta interação o paciente também aprende a melhor se adaptar e agir no meio ambiente social em que vive, melhorando a própria qualidade de vida e a inteligência emocional como um todo. Como efeitos de longo prazo, novas capacidades e competências são adquiridas em nível da personalidade, aumento da autoestima, um posicionamento mais eficaz perante a vida.

A Psicologia é a Ciência de onde a psicoterapia se origina, sendo o surgimento da primeira remontando a Aristóteles (384 - 322 a.C.) quando ele escreveu um “manual” de nome “Acerca da Alma” e, em 1590, o filósofo alemão Rodolfo Goclenio criou o termo psicologia usado até hoje.

No início do século XIX surgiram aqui no ocidente as psicoterapias com influências de escolas filosóficas na tentativa de modificar, remover, tratar sintomas de natureza emocional e favorecer o desenvolvimento da personalidade.

Hoje os cientistas dispõe de aparelhos sofisticados para “enxergarem”, através das neuroimagens, uma palavra cada vez mais comum na medicina, o funcionamento e/ou alterações dos interiores dos nossos cérebros. Utilizam, por exemplo, a tomografia por emissão de fóton único (SPECT), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), a ressonância magnética funcional (fMRI) e a ressonância magnética espectroscópica (MRS). Assim desvendam o que acontece com a estrutura neural em diversas regiões dos cérebros de pacientes submetidos a essas adiantadas e refinadas técnicas científicas.

A fotografia que eu vi dos neurotransmissores do rato provavelmente foi uma neuroimagem. Para um leitor desatento aquilo fora uma brincadeira satisfazendo a curiosidade de alguns, mas, para o pequeno animal, era a própria sobrevivência que estava em jogo. Ele iria gastar o tanto de energia possível a descobrir o caminho correto.

No excelente artigo “Psicoterapia e neurociências: um encontro frutífero e necessário”, da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas,¹ os autores² relatam o seguinte: “A Neurociência tem demonstrado que um comportamento pode ser aprendido e aperfeiçoado pela experiência, que altera a ‘voltagem’ das sinapses na rede neural, provendo a formação de novos circuitos neurais e novas memórias, acessíveis em ocasiões posteriores (Kandel, Schuartz & Jessell, 2000)”.

Outro relato diz: “Os estudos com neuroimagem […] objetivam pesquisar alterações anatômicas especialmente relacionadas à volumetria de estruturas encefálicas e funcionais para investigarem alterações na dinâmica do fluxo sanguíneo encefálico, aumento ou decréscimo de ativação nas estruturas e circuitos neurais (Peres & Nasello, 2005)”.

Aqui entra o ponto em questão deste texto: conversas entre um paciente e um profissional alterando estruturas cerebrais e consequentemente comportamentos. Estou simplificando o raciocínio pois o tratamento poderá conter consultas a um psiquiatra, realizações de meditações, etc.

Espera-se da psicoterapia uma melhora na qualidade de vida através de comportamentos mais adaptados, pensamentos mais racionais e uma melhora na inteligência emocional como um todo. Isto é uma religação ao mundo no sentido de deixarem as pessoas mais felizes. E o que acontece no cérebro? Modificações estruturais e/ou funcionais.

No meu primeiro artigo “A Base Material dos Sentimentos”,³ eu digo de uma possível revolução filosófica-científica, em que o conceito de alma ou espírito poderá sofrer grandes modificações pois o que a Neurociência e ciências afins descobrem, nos mostram um cérebro em que nada funciona dependendo de uma alma. Tudo indica que o nosso órgão mais complexo é autossuficiente, não precisando de algo imaterial a realizar todas suas funções.

Na verdade todas as terapias, e são muitas por aí, são neurorreligações a proporcionarem tudo de positivo que as pessoas buscam e que citei neste texto. Umas mais eficazes para certas pessoas, outras não, umas mais caras, outras menos, etc.


Notas:

1 - Revista Brasileira de Terapias Cognitivas -
Versão impressa ISSN 1808-5687
Rev. bras. ter. cogn. - v.1 n.2 - Rio de Janeiro - dez. 2005.
Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872005000200003>. Acesso em: 17/06/2014

2 - Julio Fernando Prieto Peres - Doutorando em Neurociência e Comportamento. Instituto de Psicologia Universidade de São Paulo
e
Antonia Gladys Nasello - Doutorado pela Universidade Nacional de Córdoba, Argentina e pela Universidade de São Paulo. Professora Adjunta. Departamento de Ciências Fisiológicas. Faculdade de Ciências da Medicina da Santa Casa de São Paulo
Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872005000200003>. Acesso em: 17/06/2014

3 - A Base Material dos Sentimentos. Revista Cérebro & Mente. (www.cerebromente.org.br). Argos Arruda Pinto. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html>. Acesso em: 17/06/2014


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Neurorreligação

Palavras-chave: neurociência, psicologia, terapia, meditação, religião, psicoterapia, neuroplasticidade

A prática constante e/ou intensa de terapias (incluindo-se aqui a psicoterapia) e/ou meditações e/ou tratamentos psiquiátricos, pode levar a uma melhora das condições psíquicas das pessoas. Por condições psíquicas entende-se comportamentos adequados, um maior entendimento de si e/ou dos próprios problemas, um posicionamento adequado perante a vida, alívio de sintomas de ansiedade, angústia, insônia e depressão, etc.

Mas a prática religiosa pode também melhorar a qualidade de vida das pessoas. Orações, missas, cultos, etc., compõem esse quadro de atividades com possíveis resultados como acima.

“A psicoterapia é uma forma de tratamento de distúrbios e doenças mentais havendo uma interação entre um profissional e o paciente, onde, por intermédio de conversas entre os dois, o paciente acaba conhecendo melhor os seus problemas, e, por isto, aprender a resolvê-los. Nesta interação o paciente também aprende a melhor se adaptar e agir no meio ambiente social em que vive, melhorando a própria qualidade de vida e a inteligência emocional como um todo. Como efeitos de longo prazo, novas capacidades e competências são adquiridas em nível da personalidade, aumento da autoestima, um posicionamento mais eficaz perante a vida”. Estas palavras estão no meu artigo “A psicoterapia como neurorreligação” -
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html.

“Em 2005, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a alterações na estrutura do cérebro”, como eu disse no meu artigo “A meditação como Neurorreligação” -
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-meditacao-como-neurorreligacao.html.

Então, será que a prática religiosa também não leva o cérebro a um mesmo caminho, alterando-se estruturas e/ou o funcionamento de áreas cerebrais específicas, através da neuroplasticidade, ou em conjunto, afetando, em todo ou em partes, o comportamento e/ou a personalidade das pessoas?

Na minha opinião, sim, mas seria preciso analisar o funcionamento do cérebro de alguém antes e depois de uma prática constante e intensa, com aparelhos do tipo tomografia por emissão de fóton único (SPECT), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), a ressonância magnética funcional (fMRI) ou a ressonância magnética espectroscópica (MRS).

Não sei se no momento alguma experiência desta natureza já fora realizada, mas, mesmo assim proponho um novo termo, a Neurorreligação, que é o resultado, o efeito de uma ou várias práticas mentais (junto com a física, se necessária), visando a uma melhor condição psíquica ou emocional, e, consequentemente, uma melhoria na qualidade de vida das pessoas. Este nome vem de, como já deu para perceber, neurociência, neurônio, neurotransmissores, e, religar-se, se adaptar melhor à vida como um todo. É o resultado de comportamento visível da neuroplasticidade.

Neurorreligação é um termo abrangendo todas as diversidades de esforços mentais, mexendo com a nossa racionalidade, emoções e sentimentos, a melhorar nossos comportamentos a partir de modificações estruturais e funcionais de áreas cerebrais devido à neuroplasticidade.

A Neurociência conseguiu muitos avanços para que eu possa dizer algo assim. Não sou neurocientista ou psicólogo, sou físico, mas estudo vários ramos da ciência e escrevi vários artigos sobre esses assuntos, relacionados abaixo.

Na revista Cérebro&Mente - UNICAMP - www.cerebromente.org.br:

"A Base Material dos Sentimentos" - http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html
In english: "The Material Basis of Feelings" - http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos_i.html

"A Base Material dos Sentimentos - II" - http://www.cerebromente.org.br/n13/opiniao/material.html
In english: "The Material Basis of Feelings - II" - http://www.cerebromente.org.br/n13/opiniao/material_i.html

"O Porquê dos nossos Sentimentos" -
http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html
In english:

"O Porquê dos Nossos Sentimentos (II)" - http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html
In english: "Our Feelings. Why Do We Have Them? (2)" - http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2_i.html

No meu blog "O Relativismo Religioso - Como eu o vejo" (RR): http://orelativismodas religioes.blogspot.com.br :

"Religião ou Neurorreligação?" - http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/observacao-recomendo-leitura-de.html

"A Meditação como Neurorreligação" - http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-meditacao-como-neurorreligacao.html

"A Psicoterapia como Neurorreligação" - http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html

Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos" - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2014/04/esclarecimento-sobre-fe-para-os-meus.html


CONSIDERAÇÃO: a neurociência está neste momento em um limiar entre descobrir se muitos dos processos mentais são influenciados por algo sobrenatural ou se o cérebro funciona como funciona por si próprio independente de qualquer ligação imaterial. É o que também digo no meu primeiro texto que escrevi sobre este assunto, embora inicial, "A Base Material dos Sentimentos" -
http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html


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A equação E = m.c² revelando tudo o que existe no Universo
A equação mais famosa do mundo, onde muitos conhecem a sua expressão mas poucos sabem o seu significado, é E = m.c². Da Teoria da Relatividade de Albert Einstein (1879 - 1955), relaciona matéria e energia nos dando plena noção de que matéria pode ser transf...

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Explaining neuro-reconnection in a simple way - A new scientific term
With this text, my intension is to coin a new term in Psychology and Neuroscience, the neuro-reconnection, by several ways to work with psychotherapy. The cure and/or benefits obtained from psychotherapies aim an emotional improvement of patients, to have t...

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Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro
Um valor se forma quando uma ou mais informações, chegando à sua mente, são memorizadas e têm a capacidade de, quando estimulada por algum fato futuro qualquer, gerar um sentimento que o levará a agir. É uma memória de emoção, em relação a algo material ou ...
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