Profile

Scrapbook photo 1
Scrapbook photo 2
Scrapbook photo 3
Scrapbook photo 4
Filipe Gonçalves
111 followers|14,281 views
AboutPostsPhotosYouTube

Stream

Filipe Gonçalves changed his profile photo.

Shared publicly  - 
1
Anthoni Cley Sobierai's profile photo
 
gato ruivo rawr
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
Escuta, Antônio, se queres mesmo saber um dia o verdadeiro prazer de meter, ter uma epifania de pica, os folguedos e o gozo ao fim do Caminho da Mão Esquerda, o mahāsamādhi, Antônio, come um cu de homem, fode um rabo masculino... por que me olhas com essa cara?, tu sabes que essas burocracias da vida, macho é pra fêmea fêmea é pro macho, igreja, pecados, recalques, restrições morais, nunca foram comigo, tu sabes bem que eu Artur quarenta anos arquiteto, estou cagando pra todos esses protocolos cabrestos, sei que se pode comer cu de mulher também, Antônio, mas é diferente, é bem como a Hilda, ela mesma mulher, escreveu naquele livro lá das cartas do sedutor: mulheres têm o cu vermelhusco nádegas quase sempre volumosas meio desabadas por mais jovens que sejam que talvez só sirvam pra bons bifes em caso de acidente na neve, não te lembras da Hilda? aquela velhona que cansada de não ser levada à sério escreveu umas putarias, tu mesmo me disseste que estava lendo aquele livro dela da mulher no vão da escada com a porca... pois bem, naquele mesmo livro comentam de um certo Joca que enfiou o dedo no cu do filho do Zitinho porque dizia ser lá a boca de Deus, lembrou? então, eu já soube de mulheres que dizem gostar de dar a bunda, mas duvido, Antônio, duvido que naqueles cus molengões elas sintam o prazer que sente um homem com seus mecanismos de corpo próstata escroto sentem, o divino de meter na mulher está em meter na frente, na buceta, equipada de útero, de onde uma nova vida arrisca surgir, tem umas que choram de gozo, respingam, ejaculam como machos, já ouviste sobre ou viste alguma assim? com homem no cu dele a gente entra onde em pânico e gozo ele se descobre e se confirma humano, onde ele estremece de um prazer que seu pau desconhece, alumbramentos do divino e que no entanto lhe humilham com a certeza de sua finitude, é vida e morte se reiterando, aproveita e antes de meter lhe chupa o cu, beija na boca de deus, sente na tua boca língua dentes ele gemer sem forças, lê Bataille e sua História do Olho, e não te preocupes em entender aquela loucura só observa a convergência de todas as imagens para o cu, que foi como eu mesmo li, experimenta o cu de um outro homem, Antônio, procura um maior que tu, um que seja mais homem que tu, e descobre nos instantes de teu gozo com ele que tu pode ser, ainda que brevemente, do tamanho da vida...
 ·  Translate
1
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
Desmentindo toda juventude de um passado, ela estava ali, velha, debruçada na janela, com a cara quase totalmente enterrada nos braços magros e enrugados que apoiava no parapeito. A casa, uma extensão de si, na aparência e no hábito – uma velha na janela a olhar a vida lá fora. Anacrônicas, a velha casa e a senhora velha, numa rua onde circula a pressa moderna das grandes cidades com enormes edifícios. Parecia estar triste a velha, profundamente triste. A tristeza que mantém firme e atualizado o passado – pedras do cais, paredes de igreja, mármore dos sepulcros. Foi do ônibus que a vi, num breve instante, enquanto o sinal permanecia fechado. Não pude sequer me inclinar para tentar vê-la melhor. Percebi que atrás dela havia um pequeno estande com ganchos onde pendiam alguns sacos de amendoim e balas. Quantas velhinhas vendendo doces em casa havia na cidade de interior em que nasci? Várias. Dona Doralice – elas não decepcionam: têm nome de velha – quanto é o chiclete? Seis é cinquenta. Mas aqui é Recife, e aquela não era uma avenida tranquila de bairro residencial. Sua vizinhança eram, em maioria, restaurantes, lojas, mercados, concessionárias... Mas ela e sua casa, de outros tempos, de uma vida em que se podia colocar a cadeira na calçada para ir tomar a fresca com as vizinhas a quem ela deve ter sobrevivido. Se estivesse a pé, certamente iria lá comprar jujubas e puxar conversa. Saber seu nome de velha. Sondar qualquer informação que a situasse em sua árvore genealógica – seria ela hoje, assim retorcida, raiz de um frondoso baobá ou só aquele galho seco na janela? Tentar colher qualquer informação a respeito de sua melancolia de janela. Senhorinha, é ternura e medo o que sinto lhe vendo assim na janela, é uma janela que também me aguarda no porvir? me deixa ver seu rosto, levanta, marcaram teu rosto com essas rugas mais risos ou mais choros? tenho medo, senhorinha, porque o meu de-dentro já não combina mais com meu corpo, seu corpo, senhorinha, ainda é problema pra você? toma, pega essa tiara e arruma o cabelo branco fino, os meus cortei e agora dizem que tenho cara de mais homem, joguei os cachos num saco de lixo, e a meninice para onde foi? senhorinha, as bonecas de tua infância, que diziam elas? tem a senhora fé em Deus Jesus Nossa Senhora? eu não, sou sozinho, hei de morrer acabou para lugar nenhum, você ainda tem medo da morte? soube que uma conhecida que morreu estes dias tinha mandado duas semanas antes lhe costurarem a mortalha, porque não queria as da funerária, pediu também que lhe maquiassem e lhe enrolassem o terço nas mãos, a senhora planeja? decerto não sentirei saudades de mim quando eu morrer, já começo a ficar cansado, sabe? tenta não ficar assim tão triste, nunca vale a pena, é bonita sua casa, posso beijar sua testa? e esse cheiro? alfazema é? me dá também umas balas e esses chicletes, pode ficar com o troco, adeus. O sinal abriu. Acompanhei sua imagem até onde pude. Para nunca mais. Adeus.
 ·  Translate
1
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
Eis-me aqui no ermo. Eu sem pátria naturalidade. Você não é daqui, sim? perguntaram-me por espaços cidades que andei. Você não é daqui, expulsaram-me os corações onde quis ficar. Esse teu sotaque tua fala de onde é hein? De eu de mim. Eu estrangeiro do mundo. Eis-me aqui de volta ao ermo, porque foram silenciadas as bocas que diziam de amor que é onde ainda eu encontrava abrigo. Secaram as águas. Procuro regatos, arroios, tateio a terra a vã esperança de lama. Eu árido. Porque te demoras tanto nos banhos? tu me perguntava sempre. Não sei, não sei, as águas caem e eu me esqueço. Esquece de quê? De mim, recordo apenas do cheiro, o benjoim do sabão espuma no meu corpo pelos cara, eu me esqueço em água e cheiros, qual era mesmo o sabonete que você usava naqueles primeiros dias, naqueles em que repetimos vários banhos juntos? E eu lembro? Deverias saber o nome, pois me lembro do cheiro, mas não sei como se chama a fragrância. Eu hein você às vezes me assusta. Mas oh agora secaram as águas, eu mesmo seco. Talvez fosse mais fácil se não ventasse tanto aqui, se o vento não me golpeasse com a areia. Queria eu ter olhos de camelo, para não ter que fechar estes meus no vento e ao meio-dia, quando a vida é tão impossível. Tu sempre temia a noite: vamos dormir cedo? pedia. Eu trinta anos sem saber ainda o que fazer com o dia com tanta luz. Eu sei, eu sei: mais cruel que a luz é a palavra. É ela a palavra a mãe da luz. Mesmo eu para nascer fora preciso que dissessem: sim. E para que eu exista, mais que o teu pensamento, são necessárias as palavras. A truculência, as mãos untadas em sangue vivo quando nos refestelamos no suicídio delas – gerador de vida. E teu amor meu amor nosso amor, muito além de onde se eriçam os sexos, cavalgando na mudez de trotes de cascos enfaixados, nos significados valores caráteres de todas as palavras que dissemos.
 ·  Translate
1
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
Qualquer pessoa que já sofreu muito por amor vai entender, mas quem especificamente sofreu bastante por uma paixão não correspondida talvez entenderá de uma forma mais especial. Eu, há muitos anos, de uma maneira como apenas a inexperiência nos permite, me apaixonei, como costumam dizer, “perdidamente”. Lamentavelmente, sem retorno. E para quem tem uma sensibilidade de poeta que não sabe fazer versos isso é uma das coisas mais terríveis que se pode acontecer. Tudo o que a feliz possibilidade já faria vibrar com uma intensidade violenta caso aquele amor fosse correspondido, se converte em algo sofrido e cruelmente doloroso ante a rejeição, ante ao não. A vida vira um inferno onde todos os dias se aprende a morrer de uma forma nova e se veste e se chora o próprio luto. Você tenta desesperadamente evitar e apagar quem ama da mente, mas tudo (mesmo o que nada com ela tem a ver) aponta em sua direção. As ruas, os lugares, o mundo tornam-se ameaçadores pela remota probabilidade de um encontro ocasional que possa acontecer. Os sonhos te perturbam mesmo no momento do sono que supostamente deveria ser seu momento de paz. Mas então depois de um tempo – ele que a tudo destrói –, para alguns curto, para outros longo, e para desgraçados – meu caso – muito longo, aquilo vai se abrandando, e o que era lava vira chama, depois pó, depois nada... Entretanto, aquele sentimento de machucado a que nos habituamos continua ali e tememos retirar as ataduras e curativos receosos de que possamos magoar o ferimento. Até que um dia – e isso não sei se acontece a todos, mas felizmente aconteceu comigo – você se depara com a pessoa inesperadamente em algum lugar. Ela ali, fisicamente até mais bonita do que costumava ser, mas sem aquele verniz que fazia com que ela brilhasse resplandecente aos seus olhos que amavam vê-la. Então aquele enfrentamento desavisado lhe mostra que há algum tempo você, como já suspeitava, está curado e totalmente reestabelecido. Que como acontece a quem machuca pernas ou coluna e fica por um longo tempo numa cadeira de rodas,  só faltava tentar dar os primeiros passos para efetivamente voltar a caminhar. Qualquer pessoa que já sofreu muito por amor entende, mas quem especificamente sofreu bastante por uma paixão não correspondida eu sei que entende um tanto mais: esta é uma das mais perfeitas sensações de liberdade que se pode experimentar na vida. 
 ·  Translate
3
Add a comment...
Have him in circles
111 people
Pedro Valadares's profile photo
Christiane Almeida's profile photo
Neiler Oliveira's profile photo
Fernanda Valéria's profile photo

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
1
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
funduras, tateados no nada, retalhos de memória – uns grandes uns pequenos – tempo, fotografias esmaecidas, flor seca no livro, diários, frascos secos de perfume, nódoa na camisa, ameaças de pranto, calor sem sede, números de um telefone que já não mais atende, sozinhez. num rasgado de página: o nome. o nome: eis tudo. desmoronamento do hoje. Escuta, eu te amo, e ainda que não fiquemos juntos, eu te amo, ainda que jamais retenha, te amo, e amo assim dito no presente porque o tempo de sempre se faz sempre no agora. Eu também te amo e teu nome eu o traria tatuado em mim, teu nome o teu eu o nome: eis tudo. agora não há, agora nunca mais para sempre, agora, saudade, e quem não tem uma, antes de não ter amado alguém, jamais se amou, saudades
 ·  Translate
1
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
Há histórias tão ricas, complexas e elaboradas em nuances preciosos, que deveriam se erigir delicadamente em recortes que acionassem em todos os seus protagonistas uma feliz recordação para alicerçar outras histórias vindouras. Mas é profundamente lamentável que, às vezes, a seleção dos acontecimentos e lembranças responsável pela construção da memória na vida das pessoas que estão/estiveram próximas física e/ou emocionalmente, seja tão diversa em cada uma delas. Fazendo com que alguns guardem uma péssima visão sobre uma determinada história, procurando dia após dia esquecê-la, e outros carreguem consigo a mesma história sob uma perspectiva deslumbrante, fazendo com que a sua memória a ame e, por isso mesmo, se mantenha eterna.
 ·  Translate
2
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
Sou uma pessoa magoada. Às vezes. Não sempre. Até porque seria terrível viver eternamente como alguém magoado, remoendo rancores. Mas em alguns momentos em que me decepciono ou que quebro a cara por causa de alguém, por um tempo (às vezes breve, outras vezes não tão breve) sou uma pessoa magoada. E escrevo isto para exatamente questionar por que em nossos tempos parece ser tão vergonhoso se magoar. Hoje em dia ninguém quer assumir uma mágoa; parece ser constrangedor ou sinônimo de fraqueza admitir que a atitude daquela pessoa de quem se gosta ou costumava gostar lhe feriu e você se magoou. Para mim, se há quem realmente não consegue jamais se magoar é porque também jamais consegue estabelecer com quem quer que seja uma relação com um nível considerável de profundidade. Nos magoamos quando nos importamos ou esperamos algo de alguém, e esperamos ou nos importamos quando amamos. E é porque ainda prefiro amar quem eu realmente tenho como amigo, porque ainda amo um grande grupo de familiares, porque prefiro relações amorosas a envolvimentos superficiais, eu me magoo e não tenho vergonha de revelar. É claro que já magoei também. E foram exatamente os que pouca vergonha tiveram de se revelarem magoados comigo que me deram a oportunidade de ir atrás, pedir desculpas e reivindica-los de volta, porque estes, sua breve mágoa atestou, eram os que valiam a pena por se importarem.
 ·  Translate
1
Add a comment...

Filipe Gonçalves

Shared publicly  - 
 
D.I.V.A
4
Add a comment...
People
Have him in circles
111 people
Pedro Valadares's profile photo
Christiane Almeida's profile photo
Neiler Oliveira's profile photo
Fernanda Valéria's profile photo
Basic Information
Gender
Male
Story
Tagline
Haverá (e dentro do verbo existe um tempo de bonanças que é todo meu).
Introduction
O que faço des
faço 
o que vivo des
vivo 
o que amo des
amo 

(meu "sim" traz o "não" 
no seio). 


(Orides Fontela)
Links