Valerians Do not Migrate
 
Valerians, by the late-afternoon, shake
The breeze descends from the mountain
Looking for its heat. Children
by the roadside, on a mattress, jump
and their voices confuse themselves
In the unrest of trees
the suggestion of an existence is born
without order -
one that cares and regulates -
of a forgotten transit system
where sulfuric nausea
governs

At the water's edge a Swiss watch
Keeps track of time
On a garden's bench
Important things are said:
take good care of the kids and of you
do not lose hope
those days will come back
be strong and fight while
the sun - or the moon - shine
The soul, it purges itself
with each step in the direction
- possible, unique -
whereas fast and short is the moment
in which the eyes unravel
the dilemma – then we must keep it in mind
memorize it, give it bed and den -
soon the thirst drenches tongues ​​and tights
dirty fingers from blood and despair

[They taper and make beliefs passable!]

The priceless will to be raises dust
from the earth. The valerians, indifferent, breathe
get stiffen and prepare to sleep
Children no longer jump, their pubescent stares fix
on the horizon, an immaterial
future, maybe just a vision
of a fine recent past.

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(Original in Portuguese)

Os Nardos Não Migram

Os nardos ao final da tarde agitam-se
A brisa desce da montanha
à procura do seu calor. Crianças
à beira da estrada num colchão, saltam
e as suas vozes confundem-se
No desassossego das árvores
nasce a sugestão de uma existência
sem ordem -
que cuide e regule -
de um sistema de transito esquecido
onde rege a náusea
do enxofre

À beira da água um relógio suiço
mantém o controlo do tempo
Num banco de jardim
dizem-se coisas importantes:
cuida bem dos miudos e de ti
não percas a esperânça
esses dias hão de voltar
sê forte e pugna enquanto
o sol – ou a lua - brilhar
A alma, sim purga-se
a cada passo dado na direcção
- única, possível -
onde rápido e curto é o momento
em que os olhos desvendam
o dilema – há que tê-lo em atenção
memorizá-lo, dar-lhe cama e guarida -
logo a sede ensopa as línguas e aperta os dedos
sujos de sangue e desespero

[Eles afunilam e mediocrizam as crenças!]

A inestimável vontade de ser levanta a poeira
da terra. Os nardos, indiferentes, respiram
enrijecem-se e preparam-se para dormir
As crianças já não saltam, os seus olhares púberes
fixam no horizonte, um futuro
imaterial, apenas talvez uma visão
de um belo passado recente.


© 2017, José Coelho

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