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Claudio Bertode
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ele virou mulher papai
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Bom, meus amigos,

Alguns apenas me conhecem nesse mundo virtual, outros que já conheço de longa data. Alguns sabem que escrevo desde muito pequeno ainda, e como passei longo tempo sem divulgar, muitos perderam a memória de que gosto de publicar pequenos rabiscos. Aqui criei uma página onde quero depositar todos os textos que eu escrever até final de dezembro de 2016.
O projeto é que a partir daqui eu selecione os textos que comporão o tão cobrado livro que meus amigos não cansam de lembrar e relembrar que nunca sai. Sim, agora vai sair....

Ah, e quem quiser deixar sua curtida na página, desde já agradeço. Esse apoio é muito importante para que eu consiga ir com esse projeto até o fim.


https://www.facebook.com/claudiobertode/?ref=hl
Cláudio Bertode
Cláudio Bertode
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A incrível cidade que são duas e tem lago seco




Todo lusco-fusco a mesma cena antropofágica se repete. O sol é devorado pelo grande caracol que repousa e protege a cidadezinha com suas casinhas, que daqui de cima dessa serra, parecem barraquinhos de papelão. Minúsculas maquetes que formam uma versão infantil da vida urbana. Daqui se consegue ver a Vila Isaura, velha vila com suas casas com árvores e quintais. Suas crianças brincando do velho e bom pique esconde. Esse ritual nos dá a certeza de que a vida em algum ponto de sua engrenagem de modernidade, definitivamente parou.

A igreja construída por escravos e outros miseráveis. Os asfaltos esburacados e o medo das donas de casa de pisar no bêbado deitado na calçada de um armazém. Quando o dia vai amanhecendo é engraçado como sua claridade vem lambendo a rua dez até chegar no lago. Lago infinito que nunca foi terminado. Obra das obras, administração vem e outra vai. Projeto muda, nova verba é devorada em poucos meses e o grande buraco no meio da cidade recebe o nome de lago, embora nunca ninguém explicou de onde tiraremos água para enchê-lo. Muitas teorias e poesia a esse respeito, algumas explicações chegam a beirar o campo do mitológico. Já afirmaram que buscarão água da serra em canos e tubos para encher o monumental buraco, chamado carinhosamente de: o lago.

Lembro que na Paulo Alves haviam umas palmeiras enormes, talvez só parecessem tão grandes por eu ser criança. Verdade seja é que suas folhas eram guloseimas muito apetitosas que atraiam lagartas que pareciam cabulosas aos meus olhos e que eram muito habilidosas na arte de deglutir. Aos poucos as folhas ficavam carcomidas e em fiapos cheios de mordidinhas. Algumas senhoras evitavam passar por ali com medo que alguma pudesse cair em suas cabeças. E, claro, que uma ou outra despencava e saia em disparada pela irregular calçada com uma e outra pedra solta, sujas calçadas de lodo esverdeado.

Toda essa lembrança infantil traz um paradoxal sentimento e desconforto inevitável ao meu olhar adulto de hoje. Hoje, o passado convive com construções ultramodernas, é comum vermos casas caindo aos pedaços, com evidentes traços barrocos, ao lado de monumentais sobrados de arquitetura pós-moderna.

É comum carroças cruzarem com carros importados bem no centro da cidade. Parece que Jaraguá são duas, dois corpos siameses lutando desesperadamente para se levantar, mas bem de perto notamos que é um corpo único, porém de duas cabeças. Cérebros que pensam diferente, cada um quer ir para uma direção. O antigo querendo ficar em paz, imóvel, sem mobilidade alguma, já a outra cabeça, jovial quer seguir, quer se levantar, quer correr, escalar a Serra, que aos meus olhos será sempre essa velha encurvada com uma trouxa de roupa na cabeça.

Essa cidade mais nova quer comer, devorar as matas ciliares do misterioso rio das almas. Essa cidade mais imponente é mais patética, quer demonstrar poder e riquezas. A cidade antiga é simples, é bela por assim dizer. Seus lotes com dezenas de árvores frutíferas, que daqui alguns anos serão lembranças de poucos moradores.

A queda de braço entre essas duas cidades continuará até o dia que o patrimônio histórico perder a disputa para a ambição de alguns empresários que é muito maior que o senso de preservação dos que possuem as últimas almas de poeta deste município. Muitos olham os casebres carcomidos e precisando de preservação como uma oportunidade perfeita para demolição e construção de um projeto que demonstre seu ego megalomaníaco.

Alguns, bem poucos, olham e veem uma oportunidade de salvar o que restou da dignidade da antiga Jaraguá dos pioneiros. Esse sentimento perde terreno para as grandes fortunas que se acumulam e jorram do arranjo produtivo que aflora tanto em maravilhosas e faraônicas fábricas de calça Jeans, como também estão por todos os fundos de quintais. Outro motivo para que não tenhamos mais quintais com árvores frutíferas, pois qualquer restinho ou cantinho de quintal serve para que se construa um puxadinho, um barracão, um galpão para fazer cata de linha, acabamentos, facções.

Assim, é minha cidade. Poética e triste, simples e complexa. Uma cidade em minha memória e essa cidade agora, cidade que desconheço e me faz ser estranho a mim mesmo.
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Hyparrhenia rufa



Enquanto essas preguiçosas vacas
ruminam o capim da vida,
aves bicadoras de epiderme
confabulam as verdades do universo…

Garças de orgulhosas penas
olham de esguio as retorcidas árvores secas
repousadas por pássaros tristes…

Um filosófico rio de águas lodosas
suicida eternamente nas pedras que sabem histórias…

Uma mulher com nome de santa
sobe descalça a serra de mitos incríveis…
Hyparrhenia rufa
Hyparrhenia rufa
sosvoz.com.br
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 A massificação e classificação de seres humanos


Haverá uma era em que um ser humano será apenas um ser humano? Uma sociedade justa e o equilíbrio se dará por relações de respeito, tolerância e igualdades de oportunidades? Independente de cor de pele, sexo, sexualidade, religião, patrimônio, etc?

                   Talvez um dia cheguemos bem próximo de uma sociedade ideal, porém, por enquanto o momento é crítico, muitos, no entanto, tentam afirmar e afiançar que basta lutar, que basta sonhar, que basta força de vontade e perseverança para conseguirmos alcançar objetivos. Uma farsa em torno da palavrinha bonita “MERITOCRACIA”.  Mas a grande pergunta, ao final será sempre a mesma: ‘Que tipo de ser humano você é? É do tipo A? Do tipo B? Do tipo C?”. E por aí vai.

A tarefa primeira de quem se reconhece humano, na sociedade meritocrática, é aceitar que existe uma classificação sim e que foi feita antes do seu nascimento. Essa aceitação deve vir com uma boa dose de resignação. Seria e será preciso aceitar que o conceito do que merecemos é relativo. A MERITOCRACIA  é diferente em cada grupo social. Um ser humano classificado como A, ele terá mais oportunidades e terá o privilégio de consumir e usufruir de uma vida tipo A. Sim, em todos os níveis de consumo existem produtos para o alfabeto inteiro de grupos sociais. Existem até produtos e marcas destinadas especificamente para quem a sociedade nem permite viver, pessoas abaixo da linha da pobreza e que apenas trabalham para sobreviver.

Quando um indivíduo de um grupo C ou D chega a algum patamar que era destinado a classe A, pode ter certeza de que virará notícia na grande mídia. Será olhado como um belo exemplo de superação e resiliência. Isso por ser algo que causa estranhamento. Não era para ser assim, não é uma desenvoltura normal, é só um simples acaso, tipo quando um touro fere um toureiro em uma arena em que já estava traçada a morte do touro.

Um ser humano do tipo C não terá as mesmas oportunidades, as que surgirem serão bem escassas e o mercado consumidor oferecerá um cardápio de produtos também do tipo C. Seu conforto, o tratamento recebido pelo poder público também será do tipo C. Tudo em sua vida estará moldado em uma qualidade inferior, seu atendimento médico não será feito por planos de saúde, será oferecido de maneira paupérrima pelo poder público que o fará com muita má vontade.

Até o olhar da classe A é diferente em relação as transformações históricas e em relação a atos heroicos. A grande massa da população aprende, desde cedo, que os grandes feitos dos heróis brasileiros fizeram deles figuras grandiosas e, que por isso, seus descendentes merecem o Brasil inteirinho só para si.

A imponente classe A, que descende dos considerados heróis da nação, incita e suscita uma lógica perversa de que por esse motivo, merece possuir todas as terras, todos os privilégios, todos os altos cargos políticos, merecem tomar todas as decisões, merecem todo o conforto, inclusive, alguns chegam a requerer perante às leis outra medida quando são julgados. Daí ser fácil perceber a instauração da rançosa classificação de pessoas.

Como se um ser humano pudesse ser melhor que outro e por isso ser normal obter mais vantagens, mais respeito, mais influência. Um ser humano tipo C, deve se resignar em no máximo receber uma esmola do Governo, cotas, bolsas isso e bolsa aquilo, vale gás, cheques moradias, cheques reformas, casinhas, tudo isso resultado da problemática injustiça histórica, que levou a uma estratificação social, pior que isso, esse jogo psicológico quer também perseverar a resignação social por parte dos injustiçados.

Às vezes, até vislumbramos como heróis pessoas que só fazem da sociedade um lugar pior do que deveria ser. Pessoas que tinham, até mesmo por obrigação de cidadão, num determinado momento tudo para fazer a diferença, mas que oportunamente e forma egoísta, lesaram nossos direitos, pessoas que só aparecem na porta da pobre classe C quando é época de eleição. Chegam com falas bonitas e os chamados santinhos para pedir um voto. Ah, se a classe C soubesse que é com esse mísero voto que poderiam fazer a diferença na sociedade.
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Finados


Meus mortos ainda comparecem,
sem avisar e inoportunos,
nos almoços de família.

Em horas tão impróprias se revelam
nos gestos dos mais novos,
nas ranhuras da mobília.

Meus mortos ainda se apresentam,
por meios incomuns,
nos desbotados das paredes
E no mofo das janelas.

Em lugares improváveis se desvelam,
no cheiro das flores,
nos gostos das frutas,
no lodo das pedras.

Meus mortos não querem partir
de uma vez por todas,
impregnam a cor da minha pele,
não se vão inteiramente…

Admito que minha face no espelho,
às vezes, reflete que meus mortos
nunca morrem completamente…

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