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Cheiro de Livro
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O que a gente gosta, quando a gente pode.
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#TBT
Dicionário da História Social do Samba
Nunca imaginei que um dia pudesse dizer que li um dicionário de cabo a rabo, isso porque o “Dicionário da História Social do Samba” ainda não tinha caído nas minhas mãos. Começando no sugestivo verbete “Abre-Alas” (que outro verbete poderia abrir um dicionário sobre samba?) e terminando em “Ziriguidum” não consegui colocar o livro de lado até terminar.

Nei Lopes e Luiz Antonio Simas escreveram um dicionário que não apenas define os termos tendo como base o universo do samba, eles também recheiam suas definições com informações relevantes como nomes de músicas, formações originais de grupos de samba, filmes sobre o tema e, o que diferencia esse dos demais livros sobre samba, reflexões sobre as transformações que o gênero musical e seu ambiente sofreram ao longo das décadas. Cada página, cada verbete é uma pequena aula sobre a história do samba.

Música popular brasileira e samba em especial são temas que me encantam, não são apenas parte das playlists do meu Ipod, são bem mais do que isso. Desde que me entendo por gente adoro saber sobre samba e MPB, com comecei ouvindo Chico Buarque e simplesmente me apaixonei por saber mais sobre nossa música e nossos músicos. Tenho uma leitura meio desorganizada cronologicamente, li sobre a tropicália muita antes de ler sobre a era dos festivais ou a era do rádio, mas isso só me fez buscar mais e mais sobre o assunto. De uns anos para cá comecei a achar ainda mais importante ler e conhecer personagens que formaram a nossa música, parte tão importante da nossa identidade nacional.

Muito do dicionário fala sobre as escolas de samba, sua formação e sua transformação em grandes engrenagens que se afastam a cada dia de suas origens. Carnaval e, principalmente, escolas de samba me interessam pela representação cultural que são e por tudo que isso significa. Elas são muito mais do que apenas aqueles 80 minutos na Marquês de Sapucaí, são patrimônio nacional com uma história riquíssima. No verbete “baianas” os autores contam como as escolas estão em dificuldade para encontrar baianas para a ala tradicional de qualquer escola, a razão para isso é uma mistura de religiões que demonizam o carnaval e uma falta de valorização das tias nas escolas, uma tristeza.

O “Dicionário da História Social do Samba” funciona como uma obra de referência, de consulta ou, como foi para mim, uma leitura interessantíssima sobre o mundo do samba. É imperdível.

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Em um bosque muito escuro
Para explicar o quanto gostei de Em Um Bosque Muito Escuro, basta contar que peguei ele para ler às seis da tarde e só larguei, quando acabou, às duas da manhã. 285 páginas de adrenalina, com uma escrita que flui muito bem, sem muita firula, como um bom livro de mistério deve ser.

O que me chamou atenção para ele foi o fato de Ruth Ware, sua autora, ter ganhado o status de umas das melhores escritoras de mistério de 2015 por publicações de peso como o New York Times e o Independent, além dos direitos do livro já pertencerem à Hollywood, que em breve o transformará em filme. Preciso confessar que estou adorando essa onda de escritoras de mistérios, começando lá na maravilhosa Gyllian Flynn, passando por Paula Hawkins e chegando em Ruth Ware. Todas autoras que sabem construir muito bem seus personagens e nos envolver em suas histórias, que mostram o universo feminino por um prisma mais sombrio. Autoras que usam suas palavras para montar alegorias sobre assuntos que precisam ser discutidos.

Em Um Bosque Muito Escuro (Editora Rocco – selo: Luz Negra, 2016, 285 páginas) conta o que aconteceu com Nora quando ela foi para uma casa na floresta, em uma cidade perto de Londres, para uma festa de despedida de solteira. Nora, ou Leonora, é uma escritora de livros policiais, que vive e trabalha em seu pequeno apartamento em Londres. Fechada e quase reclusa, ela mantém contato apenas com Nina, uma amiga da época da escola que agora é médica. Exatamente por ter se distanciado de quase todo mundo do seu passado, ela fica surpresa quando recebe um convite para passar um fim de semana em Northumberland, na despedida de solteira de Clare, sua amiga de infância que ela não via há 10 anos. Ela e Nina vão para uma casa de vidro no meio da floresta, ou melhor, do nada, onde estão Clare, Flo, amiga de Clare que organizou tudo, Tom e Melanie, os outros convidados. Aquela não é uma despedida de solteira normal, Clare e Nora têm muitos segredos entre elas e tudo acaba dando muito errado.

A história é toda contada em primeira pessoa por Nora, que tenta lembrar exatamente o que aconteceu naquele fim de semana. Da cama de um hospital, ela tenta preencher lacunas de como que uma despedida de solteira pode ter acabado tão mal. Mas ela quase não lembra de nada, nem exatamente o que aconteceu. A trama vai e volta, sonhos se misturam à realidade e deixam buracos na história, que vão se preenchendo conforme Nora lembra de detalhes, conversas e situações. A escrita de Ware é fácil, flui bem, sem muito floreio. Pontilhada pelo senso de humor britânico, ela cria um mistério bem nos moldes das tramas clássicas britânicas, misturando muito bem com um estilo mais atual, com citações a cultura pop contemporânea.

Como boa parte dos thrillers atuais, ao mesmo tempo que cria seu mistério, Ware discute questões. Nesse caso, o quanto uma amizade tóxica pode deixar sequelas por muito tempo. Mesmo com 26 anos, Nora ainda se sente uma adolescente que precisa da aprovação de outras pessoas para poder seguir em frente. Enquanto desenrola sua trama, a relação entre Nora e Clare é relembrada pela protagonista de forma que podemos entender ambas personagens melhor. As partes ocultas da história delas duas e o desenrolar do papel de cada um dos outros personagens, formam um belo quebra-cabeça que intensifica o mistério do livro. Traduzido por Alyda Sauer, o texto ágil de Ruth Ware nos transporta com facilidade para dentro de seu mundo. A história de Nora vira uma montanha-russa impossível de sair.

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Pequenas Grandes Mentiras
Peguei “Pequenas Grandes Mentiras” para ler porque quero ver a adaptação de David E. Kelley para a HBO (veja o trailer) do livro e sou dessas que gosta de ler antes de ver. Achei que ainda estaria lendo quando a série fosse ao ar mas não fui capaz de largar o livro, em duas sentadas estava acabado e eu órfã de Celeste, Madalaine e Jane.

O livro pode ser descrito com o policial, afinal tem um assassinato e uma investigação, mas o livro é sobre aparências e como ninguém sabe ao certo o que ocorre com o próximo, por mais próximo que ele seja. A estrutura da história ajuda a desmascarar hipocrisias e a mostrar a quantidade de julgamento que fazemos dos outros. A maioria dos capítulos é dividida em dois tempos: o passado onde acontece o desenrolar dos fatos e o presente contado por depoimentos das testemunhas do assassinato. O que ocorreu e como os fatos são vistos dividem a mesma página, em tempos de pós-verdade e fatos alternativos é, no mínimo, educativo.

Jane é uma mãe solteira, Madelaine mãe de duas crianças e um adolescente e Celeste mãe de gêmeos. Elas se conhecem no dia da ambientação dos filhos no jardim de infância, todos tem cinco anos. É a vida dessas três mulheres que acompanhamos durante os meses que precedem o assassinato. Quem morreu? O leitor não sabe até os últimos capítulos e é bom que seja assim, não é o assassinato o importante e sim história.

As aparências mantidas, os julgamentos pela aparência, como cada uma das três é vista pelos demais pais. A escola pública na província de Pirriwee reúne endinheirados que se mudaram para a região e pessoas que moram lá a vida inteira, as mistura de classes, mesmo que não seja o tem principal, é um pano de fundo que fundamenta muito do que é escrito. Está tudo nas páginas e a construção da história que faz com que o leitor tenha que montar o quebra-cabeça aos poucos incapaz de ver o todo é o que me encantou aqui. Não queria parar de ler, queria mais uma peça, mais um pedaço da história. Uma das revelações finais do livro eu consegue descobrir com uma certa facilidade mas até o final tinha duvidas de quem seria o morto e o assassino.

Liane Moriarty já tinha me chamado atenção em “O Segredo do Meu Marido” por sua escrita, mas aqui, nesse livro ela me fisgou de vez, já coloquei na lista uma série de livros seus. Fiquei meio órfã das três amigas quando terminei a última página.

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Vilões, heróis ou vítimas. Qual o papel do leitor nessa história?

Comecei esta coluna com a ideia de escrever sobre as diferenças entre o relacionamento do casal protagonista de “Cinquenta Tons de Cinza” na página e na telona. Mas outra ideia tomou conta de mim e tive que dar ouvidos.

Essa ideia também começa com Grey: nos livros eu vi um monstro, um homem possessivo e abusivo e que usa seu passado trágico e o abuso sofrido nas mãos de uma mulher mais velha para justificar suas atuais vontades. Mas no filme (leia a resenha), embora tudo que citei também se aplique, eu vi o homem por trás do monstro. Crédito para a boa escrita dos roteiristas, para a direção e para os atores – porque não é só Jamie que manda bem, mas Dakota também. Aqui, se um não “funcionasse” o outro se perderia assim como a química entre eles, essencial para o desenrolar da trama.

Enfim, digo isso tudo porque estou escrevendo sobre um vilão. Ele é um vilão complexo por ser datado, mas que precisa ser atualizado; um vilão que tem um passado trágico, mas que é apaixonado por uma mulher pura como um anjo; um vilão que é, em sua essência, um homem sofrido. E aí, ao ver os olhos penetrantes de Grey/Jamie e a linha tênue entre o sexy e o perigo, entre o amor e a dominação, comecei a me questionar: o que faz um vilão? Ou melhor, o que gostar de um vilão quer dizer sobre nós?

Abordei vilões e relacionamento abusivo no meu livro “Sou fã! E agora?” (Editora Seguinte), mas como todo texto, ele continua a ser um trabalho em aberto, sempre se transformando e nos transformando. Então mantenho o que escrevi naquelas páginas, mas adiciono em pixels aqui mais uma reflexão.

Não estou dizendo que Grey é um vilão, embora é possível questionar isso dependendo do ponto de vista. O que estou dizendo é que entendo o apelo que certos vilões têm. Refiro-me aqueles como Hannibal Lecter, Loki e tantos outros que nos fascinam. Penso neles como predadores: bonitos, insinuantes e estratégicos. Eles sabem como atrair suas vítimas para o bote final. E nós, fãs, somos as melhores vítimas porque além de cultuá-los, espalhamos para os amigos o quão incríveis eles são.

Então volto para o “meu” vilão, aquele que precisa nascer da minha mente, mas que ainda está preso no meu coração. Acho que essa é, atualmente, minha maior dificuldade ao escrever. Preciso me distanciar dele para poder dar-lhe vida, para poder entendê-lo por completo. O problema é que estou perdidamente apaixonada por ele e sei que é errado e, por Deus, como é que vou mantê-lo sendo um vilão se quero salvá-lo? EPIFANIA! Eu sou a mocinha! Ou será que toda leitora que quer salvar um vilão também é? Somos mocinhas ou vítimas? Ou ambas?

Minha protagonista é badass e passou por muita coisa. E sim, ela tem muito de mim e muito do que gostaria de ser também. Não direi mais do que isso, mas termino essa coluna com uma última reflexão: não sei se sou vítima, mocinha ou vilã ou se sou apenas uma escritora amadora e leitora apaixonada. Minha única certeza é que essa constante descoberta é, simultaneamente, frustrante e inebriante. E eu quero mais!

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#tbt
62: Modelo para armar
Júlio Cortázar é desses autores que sempre estiveram na minha listas de autores obrigatórios e que ia adiando o meu encontro com ele. O adiamento era proposital, não tenho qualquer afinidade om prosas poéticas ou realismos fantásticos, os entendo e os admiro só cheguei a conclusão, como leitora, que eles e eu não dialogamos. Tendo em vista esse pequeno preâmbulo peguei “62: Modelo para Armar” (tradução de Glória Rodríguez) para ler, foi a péssima escolha da péssima escolha.

O 62 do título aqui é referencia a um capitulo do livro mais famoso de Cortázar, “O Jogo da Amarelinha”. “Modelo para Armar” seria uma espécie de aprofundamento do que é desenvolvido no capitulo que o inspirou. É aí que o problema começou para mim, foi como se estivesse entrado no meio de uma historia, não que esse livro seja uma continuação, mas tive sempre a sensação que estava pegando a conversa no meio e que me faltava algo para um compreensão melhor do que estava nas páginas.

Cortazar tinha poucas chances comigo desde o inicio, não é o meu tipo de leitura e eu sabia disso, mas fui caminhando vagarosamente pelas páginas, quase o coloquei de lado muito mais vezes do que gostaria de admitir. Nada ali conversa muito comigo e a estratégia narrativa de soltar nomes e situações a esmo, numa primeira leitura é assim que parece, que só se encaixam mais adiante. É uma estrutura ótima, uma técnica instigante, meu problema foi conseguir chegar até o momento em que elas se encaixam.

Não foi uma leitura prazerosa muito por culpa da leitora aqui muito mais do que do autor. Não sou dessas que desiste com facilidade, pegarei “O Jogo da Amarelinha” para ler em um futuro próximo. Talvez com ele as coisas façam mais sentido ou eu tenha que me conformar com o fato que um grande nome da literatura não dialoga comigo mesmo, uma conclusão que já tive com o maravilhoso Mia Couto, tudo o que ele escreve é lindo e poético, só não fala comigo e não falar comigo é um problema única e exclusivamente meu e não do talento de quem coloca palavras nas paginas.

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Fellside – estranhos visitantes

Comecei a ler Fellside acreditando ser uma narrativa de terror, mas é bom que estejam avisados logo de início que não há momentos muito aterrorizantes ou aquela tensão que precedo o ápice de um susto. Lançado pela Fábrica 231, o livro de M. R. Carey (roteirista de X-Men e Quarteto Fantástico, e autor do bestseller A menina que tinha dons) é, na verdade, um suspense bastante intenso e um tanto perturbador. É um thriller que mexe com você, como o seu psicológico, mas de uma forma diferente que um grande vilão do horror.

Começamos a história acompanhando o acordar de Jess Moulson, que não sabe onde está e não se recorda como foi parar ali. Aos poucos vai tendo alguns lampejos de memória e, assim, ficamos sabendo através dela e de outros personagens o que houve. Logo descobrimos que Jess é acusada de assassinar um menino de dez anos, seu vizinho de cima, depois de ter usado drogas e colocado fogo em seu apartamento, apesar de não ser lembrar quase nada do ocorrido. Jess é presa e levada a Fellside, uma prisão feminina de segurança máxima, onde um reencontro sombrio lhe aguarda.

O autor descreve com riqueza de detalhes os momentos e ambientes, um brinde aos leitores que curtem uma boa imersão na narrativa, e Jess é daqueles personagens complexos, mas com as quais você se identifica mesmo que parcialmente, ou mesmo conhece alguém que com ela seja parecido. Traumatizada com o alcoolismo do pai, a jovem larga a faculdade para cuidar da mãe doente e, depois de se envolver em um relacionamento ~~amoroso~~ baseado em violência doméstica, se envolve com heroína. A trama trata exatamente de onde isso tudo vai dar.

Consumida pela culpa do assassinato de seu vizinho, Jess começa uma greve de fome com a intenção real de morrer. À beira de conseguir concretizar esse objetivo, ela tem uma experiência sobrenatural e se depara com um menino, que tem uma mensagem para ela e a faz voltar a lutar por si e querer entender o que houve naquela noite de terror. Em conjunto a isso conhecemos as histórias dos outros integrantes de Fellside, tanto detentas, quanto policiais, parece muita informação a princípio, mas Carey consegue conduzir a narrativa de forma a tudo se amarrar.

Um livro realista e muito, muito tocante, que fala de violência e da complexidade da natureza humana, Fellside – Estranhos Visitantes é sombrio e denso, repleto de reviravoltas e reflexões, que te faz sair do seu lugar comum e repensar determinadas ações e posições na sociedade.

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Desventuras em Série – A série
Por favor, não leia essa resenha. Ela é ridícula, horrorosa,cansativa, constipante, o que quer dizer aquilo que dá constipação, uma sensação que com certeza não é nada boa. Aposto a minha honra que você tem algo mais interessante e agradável para fazer do que ler este texto, como nadar com tubarões, lavar o vaso sanitário daquele bar na esquina, ou mesmo dar uma topada bem forte e perder a unha do dedão do pé. Você continua aqui? Pois bem, eu avisei.

Desventuras em Série é o tipo de leitura ame-a ou deixe-a. Eu, por exemplo, amei desde o primeiro parágrafo, e engoli os 13 livros em cerca de 2 semanas. Meu esposo destetou e abandonou no terceiro livro. Desventuras não é algo com que todo mundo saiba lidar, não dá margem para meio termos.
Quando eu li os escritos de Lemony Snicket (pseudônimo do autor Daniel Handle), logo de cara imaginei que daria um filme incrível. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que sim, já existia, com Jim Carrey no papel do temível Conde Olaf. Carrey é um perito em comédias, um ator sensacional para dramas, e todo o restante do elenco também é de nomes de peso, como Meryl Streep e Jude Law. Não poderia ser um filme ruim. De fato não o é, mas apresenta duas falhas graves: a primeira é que tenta adaptar sofrivelmente três livros com personagens bastante complexos em apenas um longa, a segunda é que para por aí. Dez tomos de desventuras é o que ficaram nos devendo a seguir.

Por quase treze anos (coincidência?) ficamos órfãos de uma adaptação ao menos razoável sobre a vida terrível dos órfãos Baudelaire. Quando, no ano passado, eu soube que a Netflix lançaria uma série baseada em suas Desventuras, sabia que poderia confiar. E não me frustrei.

A resenha demorou a sair, mas a série em si maratonei em um dia. A história dos três irmãos muito perspicazes, que perdem seus pais em um incêndio nos é apresentada com uma riqueza de detalhes apaixonante. Violet é a mais velha, inventiva e com muitas habilidades mecânicas, Klaus é o irmão do meio, com conhecimentos em todas as áreas e mais livros lidos que qualquer um, e Sunny, a bebê, com dentes poderosos e uma tendência incrível pra o sarcasmo, são designados a morar com diferentes tutores. Porém, desde o início, são perseguidos por Conde Olaf (que Neil Patrick Harris nos brinda de forma incrível), um ator medíocre que deseja a herança dos pequenos.

Cada livro nos é apresentado em dois capítulos de cerca de 50 minutos, o que dá tempo de sobra para uma boa adaptação. E a produção fez bonito, a riqueza de detalhes e a semelhança com as histórias dão gosto de ver. Há frases e cenas inteiramente idênticas aos livros, os cenários, vestuário, trilhas, maquiagem, tudo, tudo, parece que tudo saiu diretamente das mãos de Lemony Snicket. O próprio Lemony é um personagem ímpar e um narrador irritantemente cativante. Para quem o leu é uma delícia revisitar a histórias dos desafortunados Baudelaire através de sua voz, agora no audiovisual. Para quem não o leu, o primeiro encontro é, sem dúvida, apaixonante. A fotografia, o tom de mistério, as pistas, os personagens e situações extremamente caricatas, está tudo lá. Tudo perfeitamente lá. Há até mais pistas sobre o desenrolar da história do que deveria haver.

A Netflix nos entrega, em 8 episódios, uma das melhores adaptações literárias que já assisti (veja o trailer). E nos deixa com um triste gosto de quero mais. Esperemos que nosso destino não seja também desafortunado e precisemos aguardar mais treze anos pela continuação.
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