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Celia Pescaroli
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SÚPLICA Pai! Pai Celestial e Poderoso! sobre este mundo, ingrato e criminoso, estende a Tua mão bondosa, pura; lança um olhar de amor e de ternura ao que carrega a cruz do Sofrimento e que, no olvido, chora o seu tormento sem que, no entanto, deixe de te amar, muitas vezes sem pão no humilde lar! Perdão! perdão aos vis e indiferentes, aos incrédulos, cegos ou descrentes que te negam, e àqueles que te adoram e que, por eles, tanto gemem, choram! Perdoa, Pai! a louca mocidade que só se entrega aos vícios e à Vaidade, sem um olhar, sequer, a ti volver; sem se lembrar -- um dia há de jazer disforme, horrível, sob a laje fria... Que será desta Humanidade um dia?! Perdão! perdão, meu Deus, eu peço agora! eu, pobre bardo, que pequei outrora e que, no Espaço, ainda sofro! Oh Deus! ouve esta súplica, estes versos meus; ouve este bardo que, a teus pés contrito, perdão aos homens a ti roga aflito. Chora comigo, ó pobre Humanidade! E que esse pranto lave essa maldade que te prende cativa ao lodo, à lama; seja o Remorso uma dourada chama que te arranque da vil escravidão e eleve a Deus, à Regeneração! Rimas do Além Túmulo Versos Mediúnicos de Guerra Junqueiro Grupo Espírita Roustaing - Belém do Pará 1929 18 de agosto de 1926
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Hoje me dei conta
Hoje me dei conta de que as
pessoas vivem a esperar por algo
E quando surge uma oportunidade
Se dizem confusas e despreparadas
Sentem que não merecem
Que o tempo certo ainda não chegou
E a vida passa
E os momentos se acumulam
como papéis sobre uma mesa
Estamos nos preparando para qualquer coisa
Mas ainda não aprendemos a viver
A arriscar por aquilo que queremos
A sentir aquilo que sonhamos
E assim adiamos nossas
vidas por tempo indeterminado
Até que a vida se encarregue
de decidir por nós mesmos
E percebemos o quanto perdemos
E o tanto que poderíamos ter evitado
Como somos tolos em nossos
pensamentos limitados
Em nossas emoções contidas
Em nossas ações determinadas
O ser humano se prende em si mesmo
Por medo e desconfiança
Vive como coisa
Num mundo de coisas
O tempo esperado é o agora
Sua consciência lhe direciona
Seus sentidos lhe alertam
E suas emoções não
mais são desprezadas
Antes que tudo acabe
É preciso fazer iniciar
Mesmo com dor e sofrimento
Antes arriscar do que apenas sonhar…
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DEUS E O CABELEIREIRO
Certa vez, um homem foi a um cabeleireiro porque julgava que já estava na época de retocar a cabeleira.
Chegando lá, o funcionário destacado para lhe fazer o corte sabia que o homem era cristão e não poupou palavras ao ataca-lo, ao seu Deus e a sua fé.
- “Não existe Deus! Se Ele existisse não haveria tantas crianças morrendo de fome no mundo! Se Ele existisse não haveria tanta miséria, não haveria tanto sofrimento, não haveria doentes e drogados… Eu não acredito que exista Deus diante de um Mundo tão destruído e corrupto!!!” (afirmava com tom de exaltação o cabeleireiro)
O homem permanecia em silêncio, afronta após afronta. Quanto mais calado permanecia mais o funcionário se irritava. O homem porém não dizia uma só palavra em sua defesa ou em defesa de seu Deus.
Ao terminar o corte, satisfeito com o resultado, aquele homem cristão pagou pelos serviços e ainda ofereceu uma gorda gorjeta ao funcionário, que com um sorriso sem jeito no lábio, agradeceu intrigado.
O homem dirigiu-se até a porta da rua do estabelecimento e em alta voz começou a gritar:
- Não existe cabeleireiro! Não existe cabeleireiro!!! (exclamava o homem cristão)
Assustado e sem nada entender, o funcionário correu em sua direção tentando evitar que as pessoas lhe dessem créditos e deixassem de frequentar o salão de beleza e lhe disse:
- O que é isso que você está dizendo? Como pode não existir cabeleireiro se eu acabei de cortar o seu cabelo e você gostou???
- Não existe cabeleireiro, insistia ele… Se houvesse, não teria tantos cabeludos aqui fora!!! Olha quanta gente mau penteada, de cabelo grande, sem corte, mau tratados… Eu só estou com o meu cabelo bem arrumado porque tive que vir até você!!!
(Autor desconhecido)
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28)
SE GOSTOU, DIGA AMÉM ou deixe seu comentário.
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Hefesto, o peso do martelo e o nascimento da exclusão através do Mito.

Do panteão do Olimpo dos deuses mitológicos gregos até os dias de hoje ainda temos a síndrome de Hefesto - ou Vulcano para os romanos - deus condenado por nascer com o direito de ser como a natureza o permitiu que fosse melhor ao seu próprio ser.

No mito de Hefesto ele é condenado e expulso do céu, ou Olimpo, por seu Pai, o todo poderoso Zeus, e sua mãe Hera os quais não aceitaram-no por conta de sua perna que diziam retirar a dignidade da beleza de um deus.

O pobre condenado sofre uma terrível queda por nove dias, e dai para nós mortais, a alegoria se torna mais positiva uma vez que se supõem sobre a vida da divindade outras possibilidades como, por exemplo a de que Hefesto fora por outros motivos expulso e tenha ficado manco devido a queda.

Como efeito da negação de seu direito Hefesto passa a ser o deus da fúria vulcânica e do calor abrasador dessa força da natureza indomável pelos humanos. Deus condenado a viver na terra ele acaba sendo uma força criadora da vida na terra, pois as terras perto dos vulcões sempre trazem propriedades enriquecedoras ao solo, mas a desídias dos outros deuses caíram em excesso sobre os ombros de Hefesto que passa a ser o executor de trabalhos físicos e braçais para os deuses, confeccionando armas e engenhos e ao mesmo tempo sofrendo a chacota divina dos achincalhamentos de seus irmãos, nessa tragédia o deus mais próximo dos mortais poderia ter servindo-se de algum expediente para fugir a tantos dissabores, porém continuou a ser como deveria e queria ser. Sua condenação e aparência fez com que ele tomasse do trabalho para sobreviver e viver de modo a estar ocupado e esquecido de tantos infortúnios por não aceitarem o diferente.

Este é um mito perdido no tempo em que a humanidade ainda começava a caminhar no sentido de superar as explicações dos eventos e fenômenos naturais, fatos da realidade cotidiana em um estágio onde as ideias ainda não comportavam a lógica das explicações baseadas em experimentações e observações de caráter racional empírico e dedutivo tão próprias da ciências atuais - que por sinal não são o ultimo estagio do pensamento humano. 
No Mito a uma inferência do ato, do fato do efeito a um sentido de explicação da causa previamente rebuscada e adornada com uma estória é como se o fato ocorrido na realidade já fosse previamente escrito na essência imaginável, ou seja, o enredo passa a ser consentido ao espectador numa aceitação deste a entender aquilo como realmente verdadeiro com a explicação prévia do que ele vê e passa a receber como um saber novo.

No entanto o Mito não é a explicação do real e muito embora ele seja aceito e consentido como verdadeiro em determinado tempo ele acaba por ser superado, fato hoje que se quer aceitamos a ideia de um mito como o de Hefesto, ou Vulcano, mas até que ponto superamos este entendimento do princípios da humanidade?
Ainda somos conduzidos a pensar como se acreditássemos nas explicações míticas, vejamos por quê.

A certo tempo ainda acreditávamos ( outros ainda acreditam ) que um determinado ser humano nasce de certo modo para pagar os erros, excessos e extravagâncias da vida de seus pais de modo muito religioso católicos e protestantes pensavam que se tratava de deficiente aqueles que pagavam os erros maternos e paternos por outro lado religiosos de matriz encarnacionistas como espíritas trazem um enorme discurso prévio de vidas passadas e resgates em corpos marcados pelas encarnações predecessoras como se o ser que esta na vida hoje houvesse cometido transgressões ontem e para tanto existem inúmeros discursos de caráter altruísticos no sentido de valorizar a conduta deste espirito que habita o corpo como um ato heroico. 

O fato é que ainda não aprendemos a valorizar e respeitar a natureza com a suas devidas manifestações e os efeitos da ciências, principalmente as ciências médicas do corpo de meados do século XVIII e XIX, marcadamente normatizadoras e reguladoras do que é perfeito esteticamente e funcionalmente eficaz. Conceitos não superados que faz com que tenhamos ainda aceitação de explicações profundamente racionalizadoras do que não somos capazes de superar em nossos frágeis preconceitos e nosso simples dar de ombros a realidade social tão dura e cruel para seres humanos que como tal se apresentam no mundo como a natureza o permitiu ao seu próprio ser. 
E não por que devemos colocar um valor heroico de uma vida dura, pois esta é dura pela insensibilidade democrática que trazemos nas coisas do social, o nosso individualismo moral e material reflete também no nosso ver e pensar em relação ao diferente, não por que, exista um diferente, o diferente não existe o que existe é que nós aprendemos deste a muito com os mitos e depois com as ciências que existe um padrão de forma e modelo do humano quando na verdade isso em si é um mito, por este motivo temos a indústria da mídia e da moda fomentando o belo e aceitavelmente perfeito e quando põem os que não estão em seu padrão ( homossexuais, negros, índios e pessoas com necessidades especiais e idosos ) de perfeição como protagonistas das tragédias da vida sociais são aplaudidos como quem faz uma ação social, mas que na verdade não passa de um favor a limitar mais que promover a renovação mental da triste realidade que ainda vive o deus caído nesse mundo.

Se superamos o mito, ainda não superamos Hefesto, muito embora, digam que tenha retornado ao céu ele continua preso no imaginário deste mundo carregando seu martelo e o peso da bigorna a moldar a mentes dos humanos.
Exilado aqui, foi sobre sua vida eterna que se criou o conceito de exclusão social para os que não tem a aparência dentro dos padrões e normas do aceitável, belo e funcionalmente perfeito, interessante que sobre seu mito também repousa o trabalho degradante com o verniz da ideia de que o trabalho dignifica, não é a toa que os metalúrgicos da era do cobre o adoravam como seu próprio mito profissional e até por conta de uma das primeiras doenças ocupacionais da humanidade que era a arseníase causadora de câncer e deformações devido a longa exposição ao Arsênio que era amplamente usado pelos ferreiros, estes após longos anos adquiriam doenças ocupacionais que faziam - nos recorrer a Hefesto em suas homenagens e orações. 

Mas a sina de Hefesto não termina ai como se não bastasse ser o deus coxo rejeitado e que volta ao céu embebedado ele é o criador da primeira mulher mortal aquela que como ele carrega o mito de toda exclusão social em seu corpo.
O que nos resta é a conclusão de que o mito explicava para uma era onde as ciências ainda não haviam surgido, hoje pelo contrário embebidos do saber iluminista e científico, porém eles, os mitos, aparentam estar ainda tão vivos e auto explicáveis do nossos pontos de vistas e vários mitos de exclusão parte somente de um princípio , Hefesto o coxo, o deficiente por conta da queda, o trabalhador sequelado e por fim o pai de Pandora a primeira mulher mortal a ser criada para agradar os homens, coincidência? Creio que não.
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